quarta-feira, outubro 18, 2023
Pequena nota pessoal sobre Gaza aos amigos libertários e à esquerda radical
terça-feira, outubro 17, 2023
«O Morcego», Jo Nesbo
sexta-feira, outubro 13, 2023
«Uma Nova História do Mundo Clássico», de Tony Spawforth
«Os Litigantes», John Grisham
sexta-feira, setembro 29, 2023
«No Sentido da Noite», Jean Genet
Escrevi, quando do «Diário do Ladrão» traduzido por Miguel Serras Pereira, que Cocteau e Sartre sacanearam a obra e a pessoa de Jean Genet. Através da apresentação de Aníbal Fernandes em «No Sentido da Noite», conclui-se que haverá muitos mais. Não interessa nomeá-los, mas muita das «incompreensões» da obra de Genet surgem exactamente destas relações tóxicas mantidas durante anos por personagens da Rive Gauche que o ajudaram a editar e a ser conhecido no meio literário francês.
Genet foi censurado pela rádio quando se opôs ao abrandamento da disciplina dos reformatórios para jovens delinquentes, sem que se percebesse totalmente o que afirmava, ele que por catorze vezes os habitou até aos dezasseis anos! Defendia que os jovens criminosos como ele esperavam do Estado, que os metia dentro das masmorras, o pior de todas as experiências de modo a atingirem um grau de expiação quase mítico. Genet que foi ladrão, pouco hábil, segundo as suas palavras aliás, foi preso pela primeira vez não por estes crimes, mas por viajar sem bilhete num comboio e por isso foi condenado a seis meses de reclusão! A contradição e crueldade mais obtusa do conhecido sistema prisional francês foi-se revelando sempre à medida que a sua idade progredia. Conheceu prisões e prisioneiros a que chamava de «colonos» lembrando a Guiana que entretanto foi abolida em 1961 como destino abominável de culpados ou não. Mas o sistema de reclusão era o mesmo, talvez pior pela falta de espaço, pelo confinamento absoluto e atrofia dos sentidos a que a personalidade do prisioneiro era submetida.
Genet amou e foi amado, foi traído e traiu, viu suicídios de amantes (ele que também se suicidou), viu, igualmente, demasiados mortos a tiro ou violentamente; foi nómada, politicamente empenhado no apoio ao imigrantes magrebinos em plena guerra da Argélia, esteve ao lado dos Black Panthers americanos e dos palestinianos, viu-se afastado pelos pensadores existencialistas dos cafés da moda que eles frequentavam.
Genet escreveu sobre assassínios e viu a sua peça «As Criadas» ser representada como uma vulgar comédia e totalmente abastardada, mesmo após os seus apontamentos à representação serem pormenorizados ao milímetro de cada palco. Não acreditava em actores ou actrizes profissionais porque demasiados presos aos conservatórios oficiais e nada disso foi seguido. Depois de ter abandonado a literatura e a poesia, foi agora a vez de acabar com o teatro. Diz-se que rasgou ou queimou muita coisa que escreveu.
Volto ao princípio: como disse Sartre não sei se Genet (apodou-o de Saint Genet) era comediante ou mártir, o título do livro do filósofo que nunca lerei. Faltar-me-á sempre uma ou mais peças do puzzle para o considerar um escritor «maldito». Mas é inevitável ter de o ler. Só assim um pedaço proscrito da humanidade se pode juntar ao imenso «público de mortos», afinal os espectadores do teatro de Genet.
António Luís Catarino
segunda-feira, setembro 25, 2023
«Diário do Ladrão», Jean Genet
sexta-feira, setembro 22, 2023
Arthur Cravan, poeta e boxeur
terça-feira, setembro 12, 2023
Sketchbook de férias, 2023, Pays d'Oc, Ocitânia
segunda-feira, setembro 11, 2023
«Auto-de-Fé», Elias Canetti
quinta-feira, agosto 31, 2023
Hotéis
Quando procuro hotéis para ficar uns tempos, procuro quase sempre aqueles que já demonstram, em todo o seu orgulho escondido, o passar do tempo. Quase sempre enormes, quando a possibilidade de ter um grande número de empregados a baixo preço era uma realidade, começam a apresentar fissuras nas paredes, as carpetes antigas a desfiarem-se, os sofás já um pouco puídos, os móveis quase sempre de madeira africana a exibir a sua excelência mas diminuídos por enormes pantalhas de televisores sempre ligados. Contudo, ainda existem estatuetas de anjos dourados na sala de jantar e candeeiros robustos, para além de mosaicos azuis e amarelos, agora em vinil tentando o ambiente oitocentista que se mistura com o chamado «vintage». Os novos empregados já não têm farda. Usam ténis e vêm de escolas profissionais de turismo, arreganhando simpatia, é certo, mas esquecendo-se de dar a provar o vinho. Condescendentes, sorrimos sempre dando-lhes ânimo para continuarem o trabalho sem grandes sobressaltos. Nos longos corredores já não passa ninguém. Só as responsáveis pelas limpezas matinais, falando alto e ligando as televisões dos quartos para estarem atualizadas com os programas da manhã. Entretanto, aspergem líquidos azuis e verdes para higienizar ambientes. Na recepção, mal damos pelos olhos dos que nos recebem: encontram-se ligados ao computador ou ao telemóvel, os sorrisos forçados, o olhar dirigindo-se para onde está o director, quase sempre escondido num gabinete.
Interessam-me sempre as pequenas grandes histórias dos enormes hóteis. Mas não as procuro lá dentro. Quase sempre a população que vive em pequenas vilas onde aqueles se impõem contam-nos toda a saga que fez o hotel de charme ser levantado. Nunca se duvide dessas histórias. Todas são verdadeiras.
"Troisième Lexique", Jean Grenier e Arpad Szenes
domingo, agosto 27, 2023
Guy Debord. BD de Jochen Gerner
sexta-feira, agosto 25, 2023
«Debaixo do Vulcão», Malcolm Lowry
quinta-feira, agosto 17, 2023
Uma nova deriva em desenhos
terça-feira, agosto 15, 2023
«La Frontière», Pascal Quignard
«Soif», Amélie Nothomb
terça-feira, agosto 08, 2023
Estojo de viagem: na mochila.
Antes de Montolieu, parto hoje à tarde para Toulouse a partir de Lisboa, fixo-me não muito na roupa, mas no papel nos diários gráficos (os sketchbooks) de 110 gr a folha (não posso carregar muito nas aguarelas), nalguns blocos de maior gramagem para desenhar e aguarelas de 45 cores com pincel recarregável de água já que é mais prático. Lápis HB e H2 até H8, canetas de tinta-da-china de 0,1, 0,2 e duas de 0,5 e uma caneta de pincel. Livros somente um, dos cátaros, zona a que pertencem por direito próprio já que o esquecimento dos massacres de hereges pela Igreja não mora aqui.
Uma viagem a Montolieu há 13 anos. No Languedoc.
«Imaginem-vos cansados, mal dormidos, com alguma fome e a precisarem de descanso total depois de percorridos muitos quilómetros (entre os quais muitos a pé, em cidades europeias). Depois de pararem em cafés, em estradas secundárias do Languedoc e do País Cátaro e depois de desconfiarem do turismo de Carcassone, onde se encontravam milhares de pessoas, têm acesso a um lugarzinho chamado Montolieu, de 760 habitantes segundo um censo de 2000, com 15 livrarias. Quinze livrarias e alfarrabistas! Para não falar de um Hotel em cujo hall de entrada esperava que entrasse o inspector Maigret a todo o momento. Não faltava a Abadia (fortificada, claro) não estivéssemos nós em território de revoltas camponesas e hereges. Por falar nisso, a sede do PCF, outrora forte na região, foi transformada num estranhíssimo «Espaço Che» onde pulavam algumas crianças e outros, mais velhos, bebiam café e bolos. Os idosos, provavelmente sem paciência para gerirem «espaços», jogavam no jardim central. Demorei-me dois dias, quase três e ainda hoje lá estaria, não fossem as sempiternas «obrigações».
segunda-feira, agosto 07, 2023
«O Duplo Rimbaud», Victor Segalen
domingo, agosto 06, 2023
"A Pedra e o Desenho", Julião Sarmento e Gonçalo M. Tavares
























