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Próximos Lançamentos

21 de Maio, 14:30 - Auditório Fac. Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Assoc. Estudantes. Joaquim Castro Caldas e Luís Damásio apresentam «Mágoa das Pedras»

Deriva das Palavras

Domingo, Maio 04, 2008

Apresentação do livro Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas, com Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo

Sexta-feira, dia 9 de Maio, pelas 21:00, no auditório da Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, apresentar-se-á o livro Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas. Com Pedro Eiras que coordenou a edição e Rosa Maria Martelo.
«Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas começou por ser um ciclo de palestras em torno de um desafio comum. Realizou-se no dia 11 de Outubro de 2007, em quatro sessões de comunicações e debates, no Auditório da Biblioteca Florbela Espanca, com organização da Câmara Municipal de Matosinhos. (…)
Durante todo o dia 11 de Outubro, um público numeroso e fidelíssimo acompanhou e dialogou com estas leituras da mais jovem poesia. O livro que agora se publica corresponde aos doze textos, revistos, eventualmente repensados a partir dos debates. (…)
Da mais premente contemporaneidade se fala também neste livro. Os doze autores chegaram ao ensaio precisamente no momento em que os poemas aqui lidos eram escritos. Pretende-se dar conta desse encontro. Alguns dos autores deste livro, embora se apresentem aqui como ensaístas, são também poetas revelados nas décadas de 1990-2000, e chegam a ser estudados em alguns ensaios.
Geram-se pois, ao mesmo tempo, coincidências e dispersão – igual-mente produtivas. Por um lado, há referências que se cruzam, repetem, permitem definir projectos do que seja a poesia hoje. Para uma escrita necessariamente em transformação, dizem-se assim algumas cartografias possíveis.»
Do Prefácio, por Pedro Eiras
O encontro «Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas» aconteceu no Auditório da Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, a 11 de Outubro de 2007, organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos, com concepção inicial e coordenação de Pedro Eiras.
Nesse dia, a todos os títulos memorável pelo seu interesse e pela novidade no campo da crítica e do ensaio literário, ouviram-se as intervenções de Marinela Freitas, Mariana Leite, João Paulo Sousa, Catarina Nunes de Almeida, Miguel Ramalhete Gomes, Raquel Ribeiro, Margarida Gil dos Reis, Helena Lopes, Joana Matos Frias, José Ricardo Nunes, Andréia Azevedo Soares e Daniel Jonas.
Da contracapa

Sábado, Abril 26, 2008

Paulo Kellerman e Luís Mourão na Arquivo, em Leiria, dia 29/04. Às 18:30


Na Livraria Arquivo, em Leiria, a 29 de Abril (terça) pelas 18:30, vai estar o Luís Mourão a apresentar o último livro de contos de Paulo Kellerman «Silêncios entre Nós». O Paulo e o Luís conversarão convosco e criar-se-á, esperamos todos, mais um bom momento de literatura em forma de conto e de conversas à volta dela. Em jeito de causa-efeito. Vamos lá estar todos e conhecer mais de perto este novo livro do Paulo.

Quinta-feira, Abril 24, 2008

Versos para Adormecer, José Ricardo Nunes

Versos para Adormecer

Ontem, para adormecer, embalei-me
nos versos que acontecem antes
de adormecer, quando o sono já manda
e o corpo não obedece à ordem
de acender a luz e procurar papel
e caneta. Antes de adormecer escrevi
os versos que escrevo agora, à secretária,
numa pausa apressada, para combater
o stress com desactualizada ortografia. E lembro-me
que voltei a pensar neles de manhã, na sonolência
do autocarro, ao chegar ao terminal. O corpo
vinha então aos versos, a despropósito,
estava parado a ser. De manhã,
à entrada de Lisboa, os versos são por vezes coisas
que coloco em paralelo ao rio.

Apócrifo, José Ricardo Nunes, Deriva, 2007

Domingo, Abril 20, 2008

Brutal – 3º Festival Internacional de Poesia Contemporânea em Zagreb. Filipa Leal presente





A edição deste ano, acontecerá de novo em dois espaços previlegiados da cidade: na livraria-café Booksa e no bar Gjuro II, que este ano conta com a presença de 11 jovens poetas de nove países europeus, entre os quais Portugal.

Há 3 anos que este festival é organizado, e há 3 anos que o Instituto Camões vem a apoiar esta iniciativa, que tem contado com uma presença portuguesa desde o início. Este ano, a convidada é a poetisa e jornalista Filipa Leal.

No final do festival será publicado um livro (à semelhança das edições anteriores) com os poemas de todos os participantes. Os poemas estarão nas suas línguas originais e também serão apresentadas as respectivas traduções em croata.

Durante essa semana, os estudantes da Cátedra de Língua e Literatura Portuguesas da Faculdade de Letras da Universidade de Zagreb terão a oportunidade de conhecer Filipa Leal um pouco melhor, através de um Workshop de Poesia que dinamizará na Faculdade.

15, 16 e 17 de Abril de 2008
Livraria-café Booksa e no bar Gjuro II
Zagreb
Do site do Instituto Camões



A Deriva não resiste a editar O Problema de Ser Norte na língua croata:



Problem je biti sjeverno
Bio je to stih s drvećem okolo.
Imao je problem što je sjeverno
i što je dan i što je tako oprečan prirodi.
Bio je to stih bez zraka
ali s drvećem okolo,
a ja u središtu, dolje, na kamenim
stubama, puna zelenila i hladnoće
razmišljam kako i dalje ne shvaćam
oprečnu prirodu pred svojim očima.
Jer ako je drveće jedini
krajolik ovoga stiha, svugdje okolo,
a ja u središtu, dolje, na kamenim
stubama još uvijek, ako se okrenem, ako umrem,
hoće li to drveće još uvijek biti krajolik ovoga stiha,
kako da ga volim
a da me

neka
posebna
tišina još

ne prekine?


O Problema de Ser Norte, Deriva, 2008

abril/maio

Debord



Raoul Vaneigem - La vie s'ecoule

Segunda-feira, Abril 07, 2008

Alberto Sughi «descobre» Paulo Kellerman

No blog de Alberto Sughi fala-se de Paulo Kellerman e do seu Silêncios entre Nós (tradução, um pouco livre, para Il Silenzo dentro di noi) a sair muito em breve, ainda no final deste mês. Vamos conhecê-lo aqui , um pintor que foi referido pelo Paulo em vários dos seus contos.

A Metamorfose das Plantas dos Pés, de Catarina Nunes de Almeida publicado em Itália. Sairá em Julho pela Deriva

Catarina Nunes de Almeida
La metamorfosi delle piante dei piedi(A metamorfose das plantas dos pés)
traduzione italiana di Martino Baldi
LietoColle - Collana Erato

... bisogna ricominciare dal corpo, amare la vita che è in noi, farla crescere ogni giorno come una pianta dentro, non lasciarla morire. Corpo come luogo vegetale, come biologia dell’uomo: un filone che collega Catarina Nunes de Almeida, non solo a Daniel Faria, ma anche a Jorge Reis-Sá, un filone poetico portoghese inaugurato forse da Al Berto con quel suo zibaldone portatile che era O medo (La paura), che ha anche alimentato una nuova generazioni di giovani scrittori talentuosi e precoci quale Catarina Nunes de Almeida, figli del tempo nostro, e quindi bambini in rovina, come direbbe José Luís Peixoto. Dopo Prefloração, suo libro d’esordio, nella lettura di questa nuova raccolta poetica di Catarina ho avuto la conferma dell’impressione di freschezza verde della sua poesia, bella e sofferta, consapevole del mondo e aperta ad esso, come una pillola di ossigeno, un palliativo poetico per i mali umani che, come diceva Gil de Biedma, sono dell’anima, ma si leggono nel corpo come un libro aperto.
dalla postfazione di António Fournier

Sábado, Março 29, 2008

Já nas livrarias: Kenneth White e Filipa Leal

Kenneth White e Filipa Leal constituem as novidades já editadas pela Deriva neste mês de Março. Um livro de ensaio literário sobre o movimento da geopoética, O Espírito Nómada (ver na etiqueta Kenneth White) e a última publicação de poesia da Filipa Leal - O Problema de Ser Norte.

Todos com capa de Gémeo Luís, já se encontram disponíveis nas livrarias e para os assinantes da Deriva. Sobre estes dois livros cremos que se irá falar muito deles. Teremos tempo.

Silêncios entre Nós, de Paulo Kellerman - a sair, já em Abril

Capa de Gémeo Luís na remodelada colecção de narrativa/contos da Deriva. É este o próximo livro de Paulo Kellerman - Silêncios entre Nós. A sair em Abril.

Contos de Paulo Kellerman e João Pedro Mésseder editados no Brasil

A Editora Destaque editou, entre muitos outros autores brasileiros e portugueses, mini-contos de Paulo Kellerman e João Pedro Mésseder. Uma pubicação importante cuja organização pertenceu a Laís Chaffe. Para saber mais http://www.casaverde.art.br/

Quinta-feira, Março 27, 2008

Vozes do Alfabeto, de João Pedro Mésseder e João Maio Pinto. O novo livro infantil da Deriva





Vozes do Alfabeto, de João Pedro Mésseder, reúne cerca de três dezenas de poemas. São versos preferencialmente destinados a crianças em fases iniciais de aprendizagem da leitura e da escrita, ou seja, em idade de frequentar o 1º ciclo do Ensino Básico. A cada letra corresponde um texto, por vezes dois. Se aqui o poema se assemelha a uma micro-história em verso, acolá encena um pequeno episódio burlesco; e outros há que se mantêm num registo lírico. Organizados de acordo com a ordem das letras no alfabeto (primeiro o poema centrado no A, depois no B, depois no C, e assim sucessivamente), inspiram-se no trava-línguas da tradição oral. Deste modo, a simplicidade da linguagem, ao alcance da capacidade de compreensão da criança, vê-se literariamente compensada pelo recurso à aliteração, à assonância, à anáfora, ao jogo linguístico e a outros elementos expressivos. Rimados e ritmados, facilmente memorizáveis, os textos permitem, se lidos em voz alta, activar a atenção auditiva e concorrem para o desenvolvimento da consciência fonológica, sem nunca abdicarem da dimensão lúdica e do humor que são traços distintivos deste livro, profusamente ilustrado com imagens de assinalável qualidade..

Segunda-feira, Março 03, 2008

Pedro Teixeira Neves, na Bulhosa de Entrecampos, sexta, 7 de Março, 18:00. Com Maria Teresa Horta


Apresentação de O Sorriso de Mona Lisa de Pedro Teixeira Neves

Com Maria Teresa Horta

Bulhosa do Campo Grande, sexta, 7 de Março, 18:00


Joaquim Castro Caldas na Ler Devagar a 8 de Março, pelas 18:00, com Bibi Perestrelo e João de Sousa


Apresentação de Mágoa das Pedras de Joaquim Castro Caldas

Ler Devagar, Lisboa. Sábado, 8 de Março. 18:00
Com João de Sousa e Bibi Perestrelo

Domingo, Março 02, 2008

"Encontro entre Poetas Portuguesas e Italianas" - Immagini del Femminile, organizado por Catarina Nunes de Almeida, com a presença de Filipa Leal

Pisa, 8 de Março de 2008

com Elisa Biagini, Antonelle Anedda, Filipa Leal, Maria do Rosário Pedreira, Rosa Alice Branco, Catarina Nunes de Almeida.

Um Forte Cheiro a Maçã, de Pedro Eiras, uma reestreia dos Taruíras Mutantes, no Teatro Carlos Gomes (ES) - Brasil

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

O Sorriso de Mona Lisa, seguido de Quatro Contos de Fronteira, de Pedro Teixeira Neves

Capa de Gémeo Luís

O Sorriso de Mona Lisa

Nada aconteceu de um dia para o outro, do dia para a noite, como se costuma dizer. Foi antes um processo longo e demorado, quase imperceptível, invisível a olho nu, tal como o movimento dos ponteiros de um relógio. Tentamos vê-los moverem-se e é impossível, o nosso olhar simplesmente não consegue captar aquele «parado movimento», se é que assim se podem pôr as coisas. Pois foi precisamente desse modo que as coisas se passaram neste caso. E curiosamente, quem deu o alarme, nem foi sequer um especialista, mas antes um anónimo e cinzento guarda museológico, um simples funcionário.
Havia poucos meses que o país inteiro se encontrava extasiado ante a descoberta revelada pelos conservadores do Louvre. Por mero acaso, numas obras forçadas por via de infiltrações, numa das muitas e recônditas salas de reservas e fundos da instituição, um dos conservadores, ao espreitar para dentro de um velho sarcófago, tinha dado de caras com uma estátua! O tratar-se de uma estátua, por si só, já seria estranho, pois nunca se soubera de estátua alguma guardada num sarcófago. Mais estranho ainda era tratar-se de uma estátua grega, ainda se fosse egípcia... Retirada a estátua e levada para uma sala de restauro, de imediato especialistas em arte grega reputaram a descoberta como «magnífica», «única» e «milagrosa». «Milagrosa» por duas razões, pela sua beleza extrema, mas também por via do seu notável estado de conservação. «Magnífica» e «única» porque... bem, quanto ao porque já lá iremos.
Interessa reportar, de momento, que logo, logo a estátua foi limpa e preparada para ser mostrada ao público. Ninguém duvidava de que passaria a ser mais uma «jóia da coroa» do museu. E assim sucedeu, ultrapassando-se mesmo as melhores e mais optimistas expectativas. Em questão de dias, tendo conhecimento da descoberta, milhares e milhares de pessoas, amantes de arte, especialistas ou tão-só ignaros turistas em trânsito, acotovelaram-se em filas intermináveis para com os seus próprios olhos, se pudessem com as próprias mãos, poderem ver de perto aquela «nova» maravilha de arte que, não se duvidasse, passaria doravante a constar em todos e quaisquer manuais, guias de arte, dicionários ou enciclopédias sobre arte ocidental. Do mesmo modo, também nas escolas de arte, a estátua passou a ser uma das obras mais estudadas e aquela que maior número de alunas havia escolhido para dissertação de tese final de curso.
Pelo porte, musculado e avantajado, sabia-se que tinha sido um guerreiro. Era um nu sublime, único e singular, fascinante e esplendoroso no modo como, de uma forma exuberante e ao mesmo tempo natural, exibia a intimidade da personagem representada. Olhos redondos, bem definidos, lábios grossos, nariz à grega, testa alta e larga soçobrando-lhe caracóis fartos, todo ele, dos cabelos à planta dos pés, exibia, apesar da força que emanava e encerrava, uma graciosidade que não era senão a tradução divina de uma graça em forma de corpo. A meio caminho, a flor, a divina protuberância masculina revelando-se em todo o seu fulgor e ânimo. Em tudo semelhava um atleta olímpico da actualidade e, em matéria genital, ninguém duvidava, um Deus! Era um grego, está de ver.
Detalhes e rigores técnicos de execução aparte, a beleza das proporções, a maravilha das linhas, o suave da cor da pedra, a luminosidade radiante que do todo se desprendia, a verdade é que o seu apelo maior, e logo motivo maior e bem patente do seu êxito de público, residia naquele concreto e desmesurado instrumento. «Realidade ou ficção da mão que o esculpira, ninguém o sabia precisar, já que subsistiam dúvidas sobre a sua autoria», explicava a um bando de japonesas uma guia solícita e despachada, repetindo as suas explicações e comentários em pelo menos quatro línguas.
Sem qualquer ponta de pudor, no que, bem vistas as coisas, se revelava a liberdade de que desfrutara o seu autor, o «belo grego», como já era conhecido nos meios artísticos, exibia-se naquele museu havia apenas seis meses, desde que fora encontrado numas ruínas nos arredores de Roma. Era um belíssimo exemplar da escultura helenista clássica e nunca, até então, fora encontrado um outro seu similar em tão bom estado de conservação. Para mais, tratava-se de um dos poucos exemplares escultóricos do chamado conceito de contrapposto – posição na qual a escultura apoia totalmente numa perna, deixando a outra livre, facto que oferece à obra um grande dinamismo. Policleto, Miron, Praxíteles e Fídias foram seus grandes representantes, tal como Lisipo, que, nas suas tentativas de plasmar as verdadeiras feições do rosto, conseguiu acrescentar uma inovação a esta arte, criando os primeiros retratos. O «belo grego» teve, por conseguinte, e até porque ainda ninguém percebera como uma estátua daquelas fora ali parar (para mais, a um sarcófago!), honras de exposição na mais afamada sala do museu, naturalmente junto de «Mona Lisa», também conhecida como Gioconda. Para sermos mais exactos, a estátua foi colocada mesmo em frente a Gioconda.
(...)


de O Sorriso de Mona Lisa, excerto do conto do mesmo nome. Deriva, 2008, 125pp. 14 euros

Filipa Leal e Pedro Teixeira Neves nas Correntes d'Escritas 2008


Capa de Gémeo Luís / Pedro Teixeira Neves



Pedro Teixeira Neves que escreveu O Sorriso de Mona Lisa, seguido de Quatro Contos de Fronteira, na Deriva, esteve nas Correntes d' Escritas, na Póvoa de Varzim, no dia 15 de Fevereiro, numa mesa moderada por Michael Klegger e constituída por valter hugo mãe, Eduardo Halfon, Ignacio del Valle e João Paulo Cuenca. O tema foi «A Literatura rasga a Realidade?». Na noite de quinta-feira fez-se o lançamento do livro. A intervenção do Pedro foi extremamente objectiva. Uma resposta muito concreta à questão formulada pela organização das Correntes e cujo Sorriso de Mona Lisa responde cabalmente. Basta ler.


Filipa Leal por Mafalda Capela


Filipa Leal, esteve na sexta-feira, dia 16, na mesa «Poesia: a bem dita e a mal dita» com Janet Nuñez, Jorge Sousa Braga, Ondjaki e Teresa Rita Lopes. Também a Filipa vai, muito em breve, lançar o seu próximo livro de poesia na Deriva com o título O Problema de Ser Norte. De uma grande clareza a intervenção de Filipa Leal.

Terça-feira, Janeiro 29, 2008

Apresentação de Mágoa das Pedras de Joaquim Castro Caldas. Clube Literário do Porto, 18:00, dia 31 de Janeiro, Quinta.

Se há algum sentido na escolha da palavra coragem para adjectivar a poesia ela aplica-se sobretudo a Joaquim Castro Caldas, homem de muitos ofícios que desde sempre e em múltiplas geografias optou por uma vida verdadeiramente livre que se confunde com as palavras que lhe assomam. Que tenha a forma de livro é esta a regra do jogo. Deste e de outros que distribuía em locais de uma verdadeira deriva experimental que o autor, felino, frequenta. Como ele diz, «escrevo à mão a quem se debruça ainda nas líricas impressas como as árvores curvadas sobre os lagos de água da chuva, marcando o livro com indisciplina, a quem ainda chira atinta, raízes e barro, a quem usa o romantismo para aliviar o tremor dos homens...».

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Marilar Aleixandre, a 25 de Janeiro, 21:30, no Clube Literário do Porto

Foto Xoán Soler - La Voz de Galicia

Marilar Aleixandre afirma que tem a língua fendida e que usurpou o nome da sua mãe. O seu primeiro poemário, Catálogo de Venenos (1999, premio Esquío), foi seguido por Desmentindo a primavera (2003, Xerais), Abecedário de árvores (2006) e Mudanças (2007, Premio Caixanova-PEN Clube), uma reescrita das metamorfoses desde as vozes das mulheres. Bióloga de formação, professora de Didáctica das Ciências na Universidade de Santiago de Compostela, mas com um pé na Costa da Morte, referência dos contos de Lobos nas ilhas (1996, Xerais), ou de histórias infantis como A vaca de Fisterra. Os seus romances mereceram prémios como o da Xerais por Teoria do Caos (2001, Xerais), o de Álvaro Cunqueiro por A Companhia Clandestina de Contrapublicidade (1998, Galaxia) e na literatura juvenil, o de Lazarillo por A Banda sem Futuro (Xerais, 1999, em português Âmbar, 2001), ou o da Crítica da Galiza por A expedição do Pacífico (Xerais, 1994; Dom Quixote, 1998); sendo a última Rua Carvão (Xerais, 2005) sobre o conflito no País Basco. Também publicou ensaio, teatro e guiões de banda desenhada.

Derrotas Domésticas

deve ter sido muito difícil
degolar as enguias
sem cortar os dedos
desviar-te para que não te envolvessem
as escamas do besugo
fugir do nó corredio dos lençóis

nas noites opacas
que batalhas contra os grãos-de-bico
crescendo disformes na água que absurda tarefa
separar as lentilhas do arroz
que impotência
quando o leite fervido vai por fora
inevitavelmente

e se a barafunda das frigideiras
não te deixava ouvir música
se o teu francês e alemão
eram inúteis contra a gordura dos fogões
se os canos de água berram como crianças
ou gaivotas e as batatas se pegam
ao fundo da panela

mãe
como é que estás a sorrir nas fotos?

Catálogo de Venenos
(Tradução de Paula Cruz)

A Marilar estará dia 25 de Janeiro, pelas 21:30, no Clube Literário do Porto. Contará com a presença de José António Gomes e de Paula Cruz

Domingo, Dezembro 30, 2007

Catálogo de Venenos, de Marilar Aleixandre. Poesia da Galiza

Capa de Gémeo Luís


Catálogo de Venenos é um acto de amor e um ajuste de contas. Uma filha interroga-se sobre a mãe-madrasta, sobre uma relação na que se cruzam amor e ódio, dependência e identificação: “não sabia que foste tu quem me educou/contra ti mesma”. Venenos íntimos, herdados ou escolhidos. Venenos que fendem a língua, pois caminhar sobre o gume da língua é tão perigoso como andar pelo gume dos cutelos. Rebelião que é possível ao levar por baixo das unhas restos da terra ou da tinta da mãe. Quem é a que escreve? A mãe fazendo-o em nome da filha? Talvez a outra, a que usurpa nomes e imagens, a ladra de línguas.
Livro bilingue (português e expressão galega) com tradução de Paula Cruz. À venda nas livrarias a partir de Janeiro.

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

200 anos de denúncia da escravatura. 8 e 9 de Dezembro na Ler Devagar e na Eterno Retorno

Um acto de coragem e de memória da Tertúlia Liberdade

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Dorregarai, A Casa-Torre de Anjel Rekalde apresentado por Rui Pereira, dia 16 no Porto e a 17 em Coimbra

É já dia 16, sexta-feira, pelas 21:30, que no foyer da Biblioteca Almeida Garrett, aqui no Porto, que Dorregarai, A Casa-Torre vai ser apresentado por Rui Pereira e com a presença de Anjel Rekalde que terá oportunidade de debater com os presentes a luta do povo basco pela independência desde há séculos.
No dia 17, pelas 18:00, será a vez de Coimbra no espaço da Almedina Estádio.

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Nova morada

Nova morada a da Deriva, que se passou com armas e (alguma) bagagem para a Rua de Santo Ildefonso, 5º andar, sala 2, aqui no Porto (4000-468), pertinho da Batalha. O telefone e fax são os mesmos de sempre (225365145), mas avisamos que estivemos desconectados um tempo, por causa da dita mudança. Já recuperamos num instante... e aproveitamos para pedir desculpa por alguma falta de resposta a solicitações que nos tenham feito nestes entretantos. O blog também se ressentiu, mas já o pomos a trabalhar que temos muito para vos dizer.
Até já, portanto.

Terça-feira, Outubro 16, 2007

13os Encontros Luso-Galaicos-Franceses do Livro Infantil e Juvenil. Porto, Biblioteca Almeida Garrett, 15-17/11. A Deriva presente

Milo Manara (ilustração provisória enquanto esperamos a nova, a dos XIII encontros)
Programa
Do livro à cena

Conferências e debates Ateliers/encontros para o público adulto
Exposições – venda de livros Ateliers/encontros/espectáculos para o público infantil
15 de Novembro (5ª feira)
Recepção aos participantes
Abertura oficial (com apresentação do cd-rom relativo aos 12os Encontros)
Intervalo
10:30 – Panorâmicas da literatura dramática galega, portuguesa e francesa
Blanca-Ana Roig Rechou (Rede LIJMI / Univ. de Santiago de Compostela)
Ana Margarida Ramos (Rede LIJMI / Univ. de Aveiro), José António Gomes (Rede LIJMI / ESE do Porto) e Sara Reis da Silva (Rede LIJMI / Univ. do Minho)
Hermes Salceda Rodríguez (Univ. de Vigo)
12:00 – Inauguração das exposições bibliográficas (literatura dramática portuguesa, galega e francesa) e de ilustrações (Inês Oliveira – Portugal; e Óscar Villán – Galiza)
Almoço
14:00 – Ateliers
Teatro escolar no Ensino Primário – Chus Pereiro (Galiza)
Da escrita literária ao teatro – Catarina Lacerda (Teatro do Frio -Portugal)
Do livro à cena – Adelina Carvalho (Portugal)
16:00 – Manuel António Pina e a experiência de escrita teatral em primeira pessoa Manuel António Pina (Portugal)
Sara Reis da Silva (Portugal)
17:00 – Apresentação de livros
A Ninfa do Atlântico de Maria José Meireles, ilustrações de Evelina Oliveira; História de Alberto de Emília Nóvoa, ilustrações de Fedra Santos (Campo das Letras)
Boas Noites – Paula Carballeira (Edicións Xerais de Galicia)
18:15 – História de um segredo de Álvaro Magalhães, encenação de João Luiz pelo Teatro Pé de Vento
16 de Novembro (6ª feira)
9:30 – Teatro para a Infância e a Juventude e Representação
Grupo Garfo – Carlos Labraña e Ánxela Gracián (Galiza)
João Paulo Seara Cardoso (Teatro de Marionetas do Porto)
Karin Serres (escritora e encenadora - França)
Intervalo
11:15 – Escrita para Teatro e Representação no contexto galego
Euloxio Ruibal e Cândido Pazó (Galiza)
Apresentação da Programação de Teatro Infantil do Centro Dramático Galego
Cristina Domínguez (Galiza)
Almoço
14:00 – Ateliers
Teatro escolar no Ensino Primário – Chus Pereiro (Galiza)
Mediador da leitura – procura-se! – Cristina Taquelim (Portugal)
Do livro à cena – Adelina Carvalho (Portugal)
16:00 – Apresentação do Guia Didáctico elaborado a partir de As laranxas máis laranxas de todas as laranxas, de Carlos Casares Mouriño por Pilar Sampedro (autora) e Óscar Villán (ilustrador) (Galiza)
16:30 – Álvaro Magalhães e a experiência da escrita teatral em primeira pessoa
Álvaro Magalhães (Portugal)
José António Gomes
18:00 – Sessão de Conta Contos
Paula Carballeira e Cândido Pazo (Galiza) e Cristina Taquelim (Portugal)
17 de Novembro (sábado)
9:30 – As formas de Teatro para a Infância e Juventude e as realidades dos diferentes espaços linguísticos
José Caldas (Portugal)
João Luiz (Companhia Pé de Vento, Portugal)
Euloxio Ruibal (Galiza)
11:15 – A realidade do teatro escolar
Miguel Vázquez Freire (Galiza)
Francisco Beja (ESMAE / Portugal)
Intervalo
12:00 – Apresentação de O Segredo Maior (poemas musicados), de João Lóio, pelo Grupo Vocal Canto Décimo, direcção de Guilhermino Monteiro
Encerramento
ENCONTROS/ATELIERS E ESPECTÁCULOS PARA CRIANÇAS
Equipa de animação da BMAG e BPMP
15 de Novembro (5ªfeira)
10:30
Equipa de animação da BMAG
Teatro de fantoches “Corre, corre cabacinha” conto tradicional recontado por Eva Mejuto
14:00
Óscar Villán (Galiza)
Como ilustrar um livro para crianças
16 de Novembro (6ªfeira)
10:30
Equipa de animação da BPMP
Teatro de sombras” O sapo encontra um amigo” de Max Velthuijs pel
Eric Many (França)
14:00
Em torno do álbum “Hipólito, o Filantropo”
Organização
APPLIJ – Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil
Gálix – Asociación Galega do Libro Infantil e Xuvenil
LIJMI – Rede Temática de Literatura Infantil e Juvenil do Marco Ibérico Consulado Geral da França
Apoios
Câmara Municipal do Porto – Biblioteca Almeida Garrett Editora Campo das Letras Ministério da Cultura – Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas Casa da Leitura (Fund. C. Gulbenkian) Conselleria de Cultura da Xunta de Galicia Edicións Xerais de Galicia ELOS – Associação Galego-Portuguesa de Investigação em Literatura Infantil e Juvenil Caixanova Livraria Index

Terça-feira, Outubro 09, 2007

Apócrifo, de José Ricardo Nunes - dia 12/10, 21:30, Fundação Eugénio de Andrade. Apresentação de Pedro Eiras

Grandes Autores para Pequenos Leitores, coordenação de José António Gomes e Blanca-Ana Roig Rechou

Design gráfico de Gémeo Luís
Ilustração de Cristina Valadas
Como o próprio título indica, a obra Grandes Autores para Pequenos Leitores – Literatura para a Infância e a Juventude: Elementos para a Construção de um Cânone propõe uma releitura crítica de um significativo conjunto de obras literárias de potencial recepção infantil e juvenil publicadas nas línguas portuguesa, galega, inglesa e alemã. Pretende-se, com este trabalho, pôr em evidência não só a elevada qualidade estética de tais obras, mas também a sua relevância para a própria evolução da chamada literatura para crianças e jovens, factores que contribuíram para que, ainda hoje, continuem a ser merecedoras de leitura pelas novas gerações e objecto de diferentes abordagens críticas.
Coordenadores da obra:

JOSÉ ANTÓNIO GOMES
é professor adjunto na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. Dirige a revista Malasartes: Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude. É membro da Rede Temática LIJMI («Las literaturas infantiles y juveniles del marco ibérico. Su influencia en la formación literaria y lectora»). Participou com comunicações e conferências sobre Literatura para a Infância e Juventude e Literatura Portuguesa Contemporânea em congressos nacionais e internacionais, sendo autor de numerosas publicações nestes âmbitos. Com o nome literário João Pedro Mésseder assinou livros de poesia e cerca de dezena e meia de títulos no âmbito da literatura para crianças.

BLANCA-ANA ROIG RECHOU é catedrática de Língua e Literatura Galegas na Universidade de Santiago de Compostela. Dirige, desde 1995, no Centro Ramón Piñeiro para a Investigación en Humanidades, o projecto «Informes de Literatura» e coordena, no mesmo Centro, o projecto «Diccionarios de Literatura», do qual já se publicaram os volumes Diccionario de termos literarios (a-d) (1998) e (e-h) (2003). É a Investigadora Principal da Rede Temática LIJMI, que conta com apoio à actividade de investigação do Ministério da Educação e Ciência de Espanha e de outras instituições públicas e privadas. Participou em numerosos congressos e jornadas nacionais e internacionais nos quais apresentou conferências e comunicações. Lecciona cursos de doutoramento e de formação contínua sobre Literatura Infantil e Juvenil galega. É autora de livros, artigos e recensões sobre Literatura infantil e Literatura galega em livros e publicações periódicas.
Colaboradoras da obra:
Ana Margarida Ramos
Sara Reis Silva
Maria Jesús Agra Pardiñas
Isabel Mociño González
Marta Neira Rodriguez
Teresa Sixto Rey
Veljka Ruzicka Kenfel
Celia Vásquez Garcia
Já à venda nas livrarias; para encomendar clique aqui

Sábado, Outubro 06, 2007

Jovens Ensaístas lêem Jovens Poetas, Biblioteca Florbela Espanca, Matosinhos, Quinta-feira, dia 11 de Outubro

Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas

Biblioteca Florbela Espanca, Matosinhos
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

concepção: Pedro Eiras

15h – Sessão 1: Poética e Mostração
moderação: Helena Lopes

Marinela Freitas: Sinónimos inter/ditos: Catarina Nunes de Almeida e o erotismo no feminino
Mariana Leite: Poesia e ciência - Século XXI, odisseia no saber?
João Paulo Sousa: O poema em prosa na obra de Luís Quintais

16.30h – Sessão 2: O Lugar da Poesia
moderação: Andréia Azevedo Soares

Catarina Nunes de Almeida: Imagens da cidade na novíssima poesia portuguesa
Miguel Ramalhete Gomes: Morar e Rememorar – o lugar em A Cidade Líquida, de Filipa Leal
Raquel Ribeiro
: “A noite a princípio é o homem sem casa”: vestígios da escrita e a aparição do divino na “noite escura” de Daniel Faria

18.00h – Sessão 3: Em Diálogo com Outras Artes
moderação: Daniel Jonas

Margarida Gil dos Reis: Uma fotografia para Manuel de Freitas
Helena Lopes: Talvez as fotografias vagamente / desfocadas sejam as mais belas – Poesia e Cinema
Joana Matos Frias: Do corpo espacejado à cirurgia estética: o teatro anatómico da poesia

21.30h – Sessão 4: Panorâmica da Mais Jovem Poesia
moderação: Marinela Freitas

José Ricardo Nunes: A vida e a escrita nalguma poesia portuguesa recente (sumário)
Andréia Azevedo Soares: Édipo às avessas: a poesia como lugar de (re)encontro com o pai
Daniel Jonas: A minha geração

Encontram mais informação no site da Câmara Municipal de Matosinhos:
http://cmmatosinhos.wiremaze.com/pagegen.asp?SYS_PAGE_ID=821970&id=700

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Filipa Leal nas Quintas da Leitura a 27 de Setembro

Foto de Mafalda Capela


27 de Setembro de 2007 no Café Teatro do Campo Alegre, pelas 22 horas.

A Cidade Líquida

Poesia de Filipa Leal

Apresentação de Inês Pedrosa

Leituras de Inês Veiga de Macedo, Susana Menezes, Pedro Lamares e Filipa Leal.

Fotografia de Mafalda Capela

Perfomance de Tânia Carvalho

Vídeo David Bonneville

Música de MEME, voz Ana Deus e Marta Bernardes, Rui Lima e Sérgio Martins, guitarra, Nuno de Sousa, guitarra e teclados.



Produção FCD / Teatro de Campo Alegre

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