segunda-feira, abril 10, 2017

«Aqui na Terra», de Miguel Carvalho

Aqui na Terra é o retrato de um certo Portugal.
País aquém e sempre além, onde o humano e o divino moldam as
circunstâncias da nossa condição.
Relatos de um País que, por vezes, não vem no mapa.
Quadros e figuras que constituem uma geografia de afectos e
desamores, de entregas e renúncias, de comédias humanas e tragédias
colectivas.
Nestas reportagens, desenha-se um território de sombras e luzes,
de martírios e pantomina, de identidade e resignação, habitado por
existências vestidas do avesso e «estórias» de trazer pela mão.
Um País, enfim, que levamos inscrito por dentro.
Mas sempre descrito como quem o olha de fora.
País coitadinho e honrado.
País em grande ou maltratado.
País santificado e do Diabo, onde por vezes anda tudo ligado."

Preço: 11,70 euros
Referência 1504012
ISBN 972-9250-57-6
Edição: Julho 2009
PP: 120 
Formato: 210 x 145 
Capa: Brochado

Na sequência do êxito de «Quando Portugal Ardeu», de Miguel Carvalho, o «Aqui na Terra» editado pela Deriva do mesmo autor.

«Vozes de Mulheres» - Feira do Livro, exposições, debates, leituras. Livraria das Mulheres, 28/30 de abril. No Porto

O livro «Dons e Disciplinas do Corpo Feminino», de Inês Brasão será apresentado a 29 de abril, às 17:30, no Pólo Zero (Rua de São Filipe de Nery, 4050-070), no âmbito da Feira do Livro «Vozes de Mulheres» organizada pela Confraria Vermelha, Livraria de Mulheres e pela SdDUP.

terça-feira, março 28, 2017

No próximo Le Monde Diplomatique: «Dons e Disciplinas do Corpo Feminino», de Inês Brasão.

(Clicar na imagem para ver melhor)
Dons e Disciplinas do Corpo Feminino, de Inês Brasão acompanha a edição portuguesa do próximo Le Monde Diplomatique em parceria com a Deriva Editores

sábado, março 18, 2017

Quando se fala de paz no Euskadi: «Dorregarai, A Casa Torre» de Anjel Rekalde

Nos dias de paz que se aproximam no Euskadi, com Ortegui a entregar os arsenais da ETA em França e a declarar tréguas unilaterais, convém conhecer melhor a história do País Basco e o que levou à guerra entre o Estado Espanhol e esta organização. Foi isso que nos levou a editar «Dorregarai - A Casa Torre» de Anjel Rekalde, em 2007, que passou 20 anos nas prisões espanholas e cuja acusação nunca foi provada. Disse-nos ele, na ocasião da apresentação do livro, em conversa connosco e com Rui Pereira que, ao sair, sentiu duas coisas: não tinha a noção da distância quando passeava na rua e que voltar a apreciar as estrelas do céu era uma epopeia. Desde aí nunca mais as deixou de olhar. A penumbra laranja das lâmpadas elétricas nunca permitiu essa visão. Agora, que a paz venha depressa e que o Euskadi seja uma realidade. Parte da história deste povo combativo está plasmado neste livro. A sinopse que escrevemos então foi esta:
"A ETA tinha nascido anos atrás, em ruptura com a letargia do nacionalismo tradicional. A orfandade em que a sonolência do PNV deixou a resistência basca e empurrou os jovens a procurar um caminho próprio. 
A ETA cresceu entre solavancos à direita, os velhos círculos jekildes, e a esquerda clássica, marcada pelos posicionamentos do marxismo anquilosado que aceitava o quadro territorial do Estado e não entendia o carácter nacional basco. Foi uma procura difícil, tanto pelo peso da tradição jekilde, como pela efervescência do movimento operário.
Destas dúvidas e incpompreensões a ETA seguiu em frente pela sua vontade e resistência, que se traduziu num activismo que a longo prazo diluía e arrastava hesitações."


Anjel Rekalde

Pedidos a infoderivaeditores@gmail.com

sábado, março 11, 2017

Dia 15 de Março saberemos o vencedor do Prémio SPA Autores de Poesia 2017. Com Ricardo Gil Soeiro e Palimpsesto, editado pela Deriva

Ricardo Gil Soeiro, com Palimpsesto, editado pela Deriva Editores é um dos nomeados, juntamente com Maria Teresa Horta e Daniel Jonas. Acreditamos.

«Novela Lírica» de Annemarie Schwarzenbach publicar-se-á na Deriva

Annemarie Schwarzenbach é uma autora suíça pouco conhecida em Portugal, embora já tenham sido publicados três livros de sua autoria (Novela Lírica (esgotado), Morte na Pérsia, Todos os Caminhos estão em Aberto e Annemarie Schwarzenbach em Portugal (1941, 1942)).

O interesse por esta autora reflete-se não só no crescente número de reedições e traduções em francês, italiano, espanhol, português, inglês e noutras línguas, mas também na importância que reveste a investigação académica sobre a sua obra em universidades sobretudo na Europa.

A Deriva Editores publicou entretanto um estudo do Prof. Gonçalo Vilas-Boas sobre a autora «Revisitar Annemarie Schwarzenbach» http://derivadaspalavras.blogspot.pt/2016/07/revisitar-annemarie-schwarzenbach-de.html

Em breve daremos mais pormenores sobre a publicação

sábado, fevereiro 25, 2017

Maria João Cantinho ao «Hoje Macau»: onde se fala da poesia e ensaio de Ricardo Gil Soeiro e do próximo romance na Deriva

Tens uma obra dividida pelo ensaio e pela poesia, e ambas reconhecidas. Gostava que falasses acerca do modo como entendes cada uma delas, no teu modo de escrita, e também em relação aos outros, ou seja como vês essas escritas para além da tua. 
Creio que sou mais reconhecida no ensaio do que na poesia, pois tenho publicado poesia em editoras discretas. Hoje, a ideia de fronteira, relativamente aos géneros, está mais esbatida e temos uma tradição fortíssima de poetas que são ensaístas ou vice-versa, o que mostra que a escrita não pode ser tomada de uma forma monolítica. A concentração da poesia (e a sua exigência de rigor e de contenção) é compatível com a respiração do ensaio. Eu diria que são passagens que se abrem (ou se fecham) e que a poesia bebe nas margens do não-dito, do não-explicável, do que não é racionalizável, do imediato, da pulsão, ao passo que o ensaio procura a claridade e a explicação ou, pelo menos, a sua tentativa. Temos uma tradição forte, na poesia contemporânea portuguesa, de autores que são também ensaístas, estou a pensar no Luís Quintais, mais pertencente à nossa geração, mas também em poetas como António Cabrita, Luís Miguel Nava (cuja precoce morte não nos deixou senão um conjunto breve de ensaios) Manuel Gusmão, Helder Macedo, o jovem poeta Ricardo Gil Soeiro (a meu ver o caso mais consistente desse paralelismo nos escritores mais jovens) e Gólgona Anghel, já sem falar do genial Jorge de Sena, Joaquim Manuel Magalhães, entre outros. Mas parece haver ainda um certo preconceito, de ambos os lados, em relação a tal. O que une o ensaio e a poesia, neste caso concreto, é essa capacidade de leitura e de interpretação das potencialidades da linguagem, o conhecimento profundo da própria tradição e dos autores. De uma forma geral, os ensaístas são grandes leitores e isso faz muita diferença (a meu ver) na poesia. Não entram nela de forma ingénua e desavisada. Devo dizer-te, no entanto, que a poesia portuguesa, um pouco contrariamente ao que se diz, está muito viçosa. Não quer dizer que seja tudo igualmente bom e o tempo há-de acabar por separar as águas, mas entre tanta coisa que se publica, neste universo de pequenas editoras, como a Douda Correria, a Língua Morta, a Averno, a Mariposa Azual e muitas outras editoras pelo país, cuja distribuição nos dificulta o acesso (estou a pensar nas editoras do Porto e de Coimbra), há muita coisa de qualidade. Em movência, proveniente de vários filões. Muitos poetas jovens que estão a fazer um excelente trabalho e é preciso esperar a evolução deles para avaliar a qualidade. As tertúlias, o trabalho militante de lugares que já são hoje de «culto», como o Irreal, o Povo, terças-feiras clandestinas, etc., são notáveis pela esperança que vieram criar para a jovem poesia portuguesa e fomentam o diálogo e o espaço propício à criação. Respeito muito quem trabalha assim, de forma militante, à margem das «facilidades» das grandes editoras, que sempre tiveram um trabalho mais facilitado. A poesia é hoje, mais do que nunca, um espaço de resistência, de contra-poder. E isso é profundamente político.

Outra das tuas actividades é a de coordenadora ou directora de um novo projecto cultural online chamado Caliban. Como surgiu essa ideia e como está a correr?
Não gosto muito de escarafunchar em histórias tristes, tanto mais que a Caliban é a história muito feliz do que se faz com finais tristes. Não gosto do termo directora, é demasiado formal para o meu gosto, prefiro o de coordenadora, é mais feliz e mais justo. O nome partiu desse engenhoso poeta que ambos conhecemos, o António Cabrita, mas houve muita gente amiga que se associou imediatamente ao projecto, com muito entusiasmo, também do lado brasileiro, amigos como Marcia Tiburi, Rubens Casara, Bartira Fortes, Renato Rezende. Os outros foram chegando, para utilizar uma expressão brasileira. Energia positiva gera mais energia positiva. A Caliban é lida em Portugal e no Brasil. Creio haver ainda alguma suspeita num certo meio intelectual português, que torce o nariz ao online, mas que nos lê «às escondidas», o que me diverte. É bom sinal. Todos os dias se somam novos seguidores e num universo tão pequeno como é o da literatura (não é um jornal genérico), com conteúdos ligados à arte e à literatura, à poesia, crónica, etc., não é de esperar que haja uma adesão maciça. Mas somos lidos nas comunidades portuguesas e recebo respostas muito positivas de quem mora longe e não tem acesso ao que se vai fazendo por cá. Creio que teremos de abolir este preconceito contra a revista electrónica (que o Brasil já não tem, por exemplo, ainda que ame o suporte de papel) para vencermos a resistência do leitor bem-pensante. As redes sociais, por seu lado, ao facilitarem a divulgação do projecto, têm sido óptimas para a sua divulgação, pois até agora, ao fim de seis meses, só uma rádio se interessou por nós. Mas estamos de saúde, é um projecto democrático e que pretende, antes de mais, dar voz e dar a conhecer quem não passa no crivo dos jornais e das revistas literárias, mas que, nem por isso, tem menos qualidade. Temos colaboradores (que têm tanta autonomia como eu ou o Cabrita) portugueses e brasileiros (e deste lado é preciso dizer que contamos com ensaístas e poetas extraordinários, como Alberto Pucheu, Renato Rezende, Luciana Brandão, Ney Ferraz Paiva, Vicente Franz Cecim, Marcia Tiburi, Rubens Casara, Marcio Seligmann-Silva, Danielle Magalhães, Yasmin Nigri, Bia Dias, etc.) que tão generosamente se dispõem a colaborar. É o tipo de projecto que fundas e deixas crescer livremente, espero que em breve possamos conseguir, de alguma forma, financiar, se houver interesse.

Tens um doutoramento em filosofia. Como entendes essa relação, em ti, entre a filosofia e a poesia?
É uma relação de profunda inquietação. Não que acorde angustiada a pensar em problemas existenciais todos os dias (os meus são mais prosaicos como pagar as contas, etc.), mas a filosofia esconde-se nos interstícios de tudo o que fazemos, uma espécie de animal intruso e invisível, que reclama o alimento, mas que também nos indica algo a partir dela, dessa necessidade de compreender, dessa paixão autofágica, como sabemos. Faço parte de uma linhagem poética que consideraria metafísica, não tenho nada a ver com o que se faz (e que eu respeito) hoje, a poesia do quotidiano, sou sempre movida pelos meus autores, muito atraída pela uma tradição mística, mas sem me deixar vencer por ela, nesse sentido de querer ser uma mística. Eu não quero ser nada, deixo que as palavras me guiem, o meu prazer é o da descoberta, esse trabalho da contenção da linguagem e da sua força, um trabalho de homenagem permanente, de dívida para com os meus autores, os meus temas. Não sei se o doutoramento tem aqui algum peso, pois eu nunca penso nisso nem quero que a erudição transpareça em exercícios fúteis de estilo, isso não me interessa para nada. Eu diria que a poesia me mantém à tona dessa inquietação filosófica. Sem a escrita acho que não vivia bem, não sei sequer se sobreviveria, nunca me aconteceu estar longe dela, desde que me lembro.

Que projectos para este ano?
Para já, uma tradução, que penso acabar este mês. Mas tenho um romance, que sairá em Maio, pela editora Deriva. Depois, vou atirar-me a um livro de ensaio, que conto publicar na Documenta/Sistema Solar. Só estou à espera de ter tempo para me consagrar a ele. E o resto vai acontecendo, é o trabalho académico, os textos ensaísticos que vou publicando em revistas, as conferências planeadas, um congresso internacional que estou a co-organizar, sobre memória e arquivo, com os meus ilustres colegas da Nova (Comunicação e História de Arte) e da Clássica (Centro de Filosofia). E a Caliban.

Entrevista conduzida por Paulo José Miranda em
http://hojemacau.com.mo/2017/02/24/maria-joao-cantinho-nao-quero-ser-nada/

terça-feira, fevereiro 07, 2017

«Palimpsesto», de Ricardo Gil Soeiro nomeado para o melhor livro de poesia, 2016, pela SPA

Já podemos divulgar a notícia e acreditem que é enorme a alegria de ver um dos nossos autores partilhar a nomeação para o melhor livro de poesia de 2016, atribuído pela SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), com a Maria Teresa Horta e Daniel Jonas.Trata-se de Palimpsesto, de Ricardo Gil Soeiro e editado por nós no ano passado. Parabéns Ricardo Gil. Agora é esperar pelo dia 15 de Março!
SINOPSE  - O retraçar do traço, que nos diz da impossibilidade do pleno apagamento, é uma espécie de luto impossível. O sentido não tem fim. Porque no começo está a ruína, o sentido está sempre por vir. A sobrevivência do texto ulterior consuma-se através do sacrifício incompleto do texto precedente. A escrita, assombrada por um algures insituável, sobrevive por uma experiência aporética que nos magnetiza: essa invisibilidade visível inscrita no próprio traço, um resto espectral cujo frémito ainda estremece. Uma presença que eclode a partir da ausência e um desvelar-se que permanece velado. A hipótese do sentido, a esperança no encontro, emerge da dobra que se configura entre apagamento e re-aparição, entre caos opaco e júbilo perplexo, atando e desatando o laço incomensurável que, precariamente, reconcilia vida e morte.

ANO DE EDIÇÃO: 2016
NÚMERO PÁGINAS: 192
COLECÇÃO: Poesia
FORMATO: 13,5 x 20 cm
PESO: 978-989-8701-22-0
PVP C/ IVA: 16,50 Euros

PEDIDOS A: infoderivaeditores@gmail.com COM INDICAÇÃO DE NOME E MORADA. 



Ricardo Gil Soeiro - Poeta e ensaísta, Ricardo Gil Soeiro é Doutorado em Estudos Literários pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde é investigador do Centro de Estudos Comparatistas, desenvolvendo pesquisa sobre literatura comparada, teoria da literatura e estudos de memória. Publicou poesia: O Alfabeto dos Astros (2010), Labor Inquieto (2011), Bartlebys Reunidos(2013). Em 2012, veio a lume a antologia poética L’apprendista di enigmi, pela Aracne editrice, Roma. Alguns dos seus poemas foram já traduzidos para castelhano, catalão e alemão. Está representado em diversas antologias, em Portugal e no estrangeiro. Publicou ensaio: O Pensamento Tornado Dança,Gramática da Esperança e, mais recentemente, The Wounds of Possibility(Cambridge Scholars Publishing, 2012) e A Sabedoria da Incerteza: Imaginação Literária e Poética da Obrigação (Edições Húmus, 2015). O livro Iminência do Encontro foi galardoado com o Prémio Primeira Obra do PEN Clube Português em 2010.

Outro livro de Ricardo Gil Soeiro editado pela Deriva Editores



segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Recensão crítica no Expresso de José Mário Silva a «Chiaroscuro», de Catarina Costa

Dos Espaços Confinados, de Catarina Costa, foi o segundo livro da autora que foi editado pela Deriva em 2013 e uma das obras referidas por José Mário Silva nesta sua recensão crítica no Expresso desta semana. É a nossa recompensa, como editores. Ler um escritor, uma autora, uma poeta e reparar que há ali uma verdade, uma força, um impulso que vai torná-la maior ainda. Parabéns, Catarina.

http://derivaeditores.blogspot.pt/2013/10/dos-espacos-confinados-catarina-costa.html
http://www.fnac.pt/Dos-Espacos-Confinados-Catarina-Costa/a737367
https://www.wook.pt/livro/dos-espacos-confinados-catarina-costa/15309813
http://derivadaspalavras.blogspot.pt/2013/10/entrevista-catarina-costa-autora-de-dos.html



sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Epístola aos jovens atores para que seja dada a palavra à palavra, Olivier Py


Manual de Sabotagem, de Elfriede Jelinek


Call Centers, de João Carlos Louçã


A Vida entre Nós, A Sociologia em Carne Viva. Na Nova Almedina, Coimbra


Gonçalo Vilas-Boas, Carlo Ginzburg, António Alves Martins e Ricardo Gil Soeiro

Revisitar Annemarie Schwarzenbach, de Gonçalo Vilas-Boas
Palimpsesto, de Ricardo Gil Soeiro
Cidades Materiais, de António Alves Martins
Morelli, Freud e Sherlock Holmes, Indícios e Método Científico, de Carlo Ginzburg

domingo, janeiro 15, 2017

Já à venda: Le Monde Diplomatique de janeiro juntamente com o livro «A Crise do Jornalismo em Portugal» (9,50 euros)


Hugo Pinto Santos escreve na última Colóquio Letras (194) sobre «Palimpsesto» de Ricardo Gil Soeiro


Sobre Palimpsesto (Porto: Deriva Editores, 2016)
Hugo Pinto Santos
A noção de palimpsesto pertenceu primeiro ao domínio histórico do registo e conservação de textos na superfície de um pergaminho ou papiro. Devido à onerosidade da matéria sobre a qual se inscreviam os textos, a superfície era rasurada para nela se registarem novos textos. Porém, mediante certas técnicas, como a transparência, era possível reconhecer o texto ou os textos prévios. Devemos a Gérard Genette, nomeadamente na sua obra Palimpsestes, a ampliação de sentido daquele termo, que passou a designar, metaforicamente, a “hipertextualidade”, ou seja, a permanência de traços e realizações textuais de uma realidade escrita prévia para outra subsequente. De tal forma que todo o texto passa a ser concebido como a retoma inevitável de realizações anteriores, que deixam os seus caracteres no futuro textual. O livro de Gil Soeiro apropria-se dessa concepção do facto literário. Fá-lo, desde logo, através do título, mas, sobretudo, por via da concretização de Palimpsesto. Trata-se, desde primeiros momentos, de preceituar e de praticar um princípio de escrita que se poderia designar como de pressuposição. Todo o texto, nesta concepção de escrita, pressupõe uma outra existência prévia. Um texto não propriamente arquetípico, mas lançador de veios recuperáveis na actualização em que a escrita consiste. Motivo pelo qual o autor pode socorrer-se de tropos indiciadores dessa teoria-prática – “retraçar do traço” (9), “A partir de outras mãos” (7), “o lume de outros passos” (16), “cauda de outros passos” (27). Esse ponto de partida condu-lo à tematização e ao equacionamento de séries significativas que, em vez de ultrapassarem o núcleo que está na génese desta escrita, o retomam e reiteram – “a voz que/pediste emprestada” (161). Muito como uma paralelização do princípio teórico que informa o livro e a poética que lhe subjaz. Assim como a noção de palimpsesto pressupõe uma pré-existência verbal que a nova escrita reinventa e transpõe, também o próprio poema como que encena essa matéria teórica e a reivindica nas suas “deixas”.
            Palimpsesto forma uma tetralogial distribuída pelos “volumes” “Da Vida das Marionetas”, “Bartlebys Reunidos” (correspondentes a livros anteriormente publicados pelo autor)[1], “Comércio com Fantasmas” e “Anjos Necessários” (estes constituindo núcleos inéditos). Qualquer um dos vectores deste políptico configura a elaboração de um conjunto de princípios operatórios disseminados ao longo de todo o livro. Desde logo, um princípio radicado por Genette em Jorge Luis Borges, que falava do “texto e seus textos preliminares”. Ou, como o exprime Soeiro, “uma arte polifónica de ecos que se movem, as línguas misturas, pele ardendo. Uma literatura de segundo grau” (8). De resto, a expressão “literatura de segundo grau” confina com Genette, cujo supracitado Palimpsestos tem como subtítulo, precisamente, “literatura de segundo grau”. Uma das imagens nucleares, nesta acção de pôr em prática aquela base teórica, é a marioneta. Esta é repescada e tematizada tendo em conta objectos fílmicos, pictóricos e literários. É o caso de poemas como “12. Da Vida das Marionetas, 1980: Ingmar Bergman” (27), ou “13. Teatro de Marionetas, 1923: Paul Klee” (28). Mas também “4. Lei da Gravidade”, cuja epígrafe é retirada de Sobre o Teatro de Marionetas, de Heinrich von Kleist. Uma repartição de forças criadoras por disciplinas artísticas que é uma constante em Palimpsesto – e que o é, na verdade, na produção de Ricardo Gil Soeiro de uma forma geral. A presença da pintura e da música em conjugação com o literário são dominantes destacáveis da escrita do autor.
            O “boneco articulado”, patente naquela citação kleistiana, é um agente fulcral de uma noção de inexactidão, inacabamento, uma falha que é suplício como de Tântalo. Prestes a saciar qualquer sede, mas incapaz de satisfazer o apetite mais corrosivo. O boneco é o homúnculo, o simulacro do ser humano, demasiado perto da figuração para ter apenas duas dimensões, longe demais dela para vestir a condição real. Esse é o condão da escrita, aqui assumido, reforçado, elevado à categoria de emblema. Coexistindo, em grande proximidade, com a importância simbólica desse artefacto por excelência da mistificação – a efígie do ser humano –, ergue-se uma fileira de realizações que operam prolongamentos e desvios adicionais. A presença de vocábulos como “ventríloquo” (20), ou “bastidores” (22), a insinuação de um “oculto alçapão” (37), a indicação de um “largar de máscara” (85), conduzem os sentidos em análise para o domínio da representação e de uma teatralidade nimbada de uma certa atmosfera sinistra. Algo que é, inclusivamente, sublinhado com ocorrência de maior explicitude – “desde o pano” (66); “Quase me esquecia/da deixa que me cabe” (69). A utilização inequívoca de uma fraseologia indexável à esfera teatral torna mais premente o fingimento, a dúvida, mesmo “o ludíbrio” (112).
            Será, afinal, de “uma escrita fantasma” (7) que aqui se trata? Há certamente boas razões para crer na sustentabilidade de tal formulação. Tanto mais que um quadrante de extrema importância, como a presença dos textos no texto, decorre, com alguma frequência, em ambiente quase espectral. Por exemplo, no poema “7, Quem, Se Eu Gritar?” (153), uma alusão a Rilke subsume-se num eco elíptico nunca completado. O mesmo tipo de aproximação está presente num poema como “Resistência Passiva” – “Os meus poemas não/sabem que eu existo” (75) –, que faz referência velada ao Jorge Luis Borges de “Os Meus Livros” – “Os meus livros (que não sabem que existo)/São uma parte de mim”. São participações fantasmáticas, que não se assumem sob a claridade do que se explana. Como cameos, aparições fugazes, icónicas, mas cheias de ironia. Qual um Hitchcok a pontuar, com a sua fuga quase inconspícua, uns escassos fotogramas dos seus filmes. Passagens circunspectas mas de lastro impressivo, como o poema que recupera o prólogo de Borges a Bartleby, o Escrivão. (Ainda que Ricardo Gil Soeiro considere “Mallarmé e Borges presenças indiscretas em O Alfabeto dos Astros[2]). É sobremaneira importante a presença da criação de Melville. Ela constitui núcleo do conjunto “Bartlebys Reunidos”, coligido em Palimpsesto. O próprio poema assume o legado, afirmando-o como nome de uma condição reiterada na poética explicitamente em causa escrita – “Quase Bartleby, sem rasgos de heroísmo,/ da janela do meu casulo morto espreito” (88). Como é sabido, o escrivão criado por Herman Melville é o artífice máximo da reticência, o epítome do espírito de negação. Ao recusar-se fazer determinada tarefa, proceder de certa forma, ao afirmar a sua quase neutral negativa – “Preferia não o fazer” –, Bartleby está a inaugurar uma genealogia a que é, naturalmente, alheio, mas à qual o génio de Enrique Vila-Matas (entre outros) viria a assegurar perenidade. Príncipe da hesitação e do recuo, um Hamlet da burocracia – antepassado dos que não irão escrever. Os poemas de Palimpsesto não hão-de deixar de repercutir a magia negra da recusa, o seu enlevo obscuro, afogadiço – “É sobre isto, e muito mais,/que não escreverei” (159).
            Na obra de Ricardo Gil Soeiro – Palimpsesto não é excepção – ensaísmo e prática literária confinam numa contiguidade própria. Há recorrência autorais e, dentro delas, incidências particulares que se repetem, uma orientação para os mesmos princípios metodológicos. Parece inevitável ver aqui a poesia como manifestação possível e refractada, sintetizada, do ensaio. E, neste, conceber um desenvolvimento metódico e sistemático de uma viagem à raiz dos gestos culturais e da sua envolvência relacional. Um pêndulo em tudo equivalente ao que, num ensaio introdutório a um dos seus livros de poemas, o autor concebeu como “diálogo entre dizer poético e dizer filosófico.”[3]
            A propósito de Enrique Vila-Matas, e da sua relação com Jorge Luis Borges, fala Soeiro do “parasitismo literário” do escritor catalão e das suas “poéticas enciclopédicas.”[4] Pronunciando-se sobre as práticas de escritas de Vila-Matas, dirá: “Como no inominável beckettiano, as vozes são feitas de palavras dos outros: não podendo continuar, continuamos.”[5] O que o leva a conceber os livros do autor de O Mal de Montano como “histórias portáteis da literatura.”[6] Como não perceber no binómio ensaio-poesia, levado à prática por Ricardo Gil Soeiro, uma expressão aproximada deste mesmo primado? Uma poesia que concebe, na grelha multímoda da arte precedente, um precursor problemático – porque não linear – de ulteriores desenvolvimentos. Uma poesia, enfim, que ocupa o seu lugar como herdeira pronta para a discórdia na assembleia dos sucessores ao “cargo das palavras.”[7]



[1] Ricardo Gil Soeiro, Da Vida das Marionetas [Para uma Dramaturgia do Corpo Inanimado], Vila Nova de Famalicão, Edições Húmus, 2012; Bartlebys Reunidos [Para uma Ética da Impotência], Porto, Deriva Editores, 2013.
[2] Idem, Constelações do Coração, São Mamede de Infesta, Edium, 2011.
[3] Idem, ibid.
[4] Idem, A Sabedoria da Incerteza - Imaginação Literária e Poética da Obrigação, Vila Nova de Famalicão, Edições Húmus, 2015.
[5] Idem, ibid.
[6] Idem, ibid.
[7] Idem, O Alfabeto dos Astros, Edium, São Mamede de Infesta, 2010.

segunda-feira, janeiro 02, 2017

Começamos o ano de 2017 com o lançamento de um novo livro Le Monde Diplomatique / Deriva Editores

Começamos o ano de 2017 com o lançamento de um novo livro


A CRISE DO JORNALISMO EM PORTUGAL

O jornalismo é uma actividade historicamente fracturada, indecidida, com origens e práticas diversas, enraizadas na história e na cultura. A crise que atravessa tem aspectos estruturais (modelos de negócio frágeis, promiscuidade com o poder político e económico), alguns dos quais decorrentes de uma história recente (perda de receitas publicitárias e de públicos; disrupção tecnológica e identitária).

A versão portuguesa da crise, analisada neste livro, intensifica factores como a desregulação das relações laborais, uma afasia crítica e reflexiva que se traduz na ausência de modelos alternativos de existência; desequilíbrio e distorção na representação de grupos e problemáticas sociais; perda de autonomia dos jornalistas; fortalecimento dos discursos hegemónicos em detrimento do pluralismo e da independência. É um quadro pouco esperançoso.

O conjunto de artigos aqui reunidos, da autoria de jornalistas, académicos e investigadores na área dos media, pretende contribuir para a inversão deste cenário. Porque a esperança se alimenta de um debate aberto e informado.


Este livro, organizado por José Nuno Matos, Carla Baptista e Filipa Subtil, conta com a participação dos seguintes autores: Carla Baptista, Carla Martins, Carlos Camponez, Filipa Subtil, Frederico Pinheiro, Jacinto Godinho, João Ramos de Almeida, Joaquim Fidalgo, José Castro Caldas, José Goulão, José Luís Garcia, José Nuno Matos, José Rebelo, Liliana Pacheco, Maria João Silveirinha, Pedro Cerejo, Sandra Monteiro, Sara Meireles Graça e Vasco Ribeiro.

sábado, dezembro 17, 2016

Fechar a Cornucópia. Somos todos mansos...

Ter vergonha de um país que deixa fechar a Cornucópia sem um lamento, um ai que seja. Não quero ter de agradecer a um homem como Luís Miguel Cintra. Quero que reabram o teatro!

segunda-feira, dezembro 12, 2016

Le Monde Diplomatique, edição de Dezembro. À venda

Índice
Editorial
A desorientação da intelligentsia. SERGE HALIMI (dossiê Estados Unidos)
Política
Desfazer o sofrimento. SANDRA MONTEIRO
Pensões
«Redução da pobreza dos idosos» contra Segurança Social . MARIA CLARA MURTEIRA
Trabalho
Precariedade científica: modo de não usar. PAULO GRANJO
Media
Os media, no 10.º aniversário da edição portuguesa. SERGE HALIMI
Transparência e opacidade no jornalismo português. MÁRIO MESQUITA
DOSSIÊ. Estados Unidos: nas origens da derrocada
O triunfo do estilo paranóico. IBRAHIM WARDE
A desorientação da intelligentsia. SERGE HALIMI
Como perder umas eleições. JEROME KARABEL
Fogo cerrado contra Bernie Sanders. THOMAS FRANK
Américas
Venezuela: as razões do caos. RENAUD LAMBERT
Médio Oriente
Quem são os rebeldes sírios? BACHIR EL-KHOURY
Europa
Criadores de renas contra mineiros. CÉDRIC GOUVERNEUR
Ásia
O perigo jihadista atinge o Bangladeche. JEAN-LUC RACINE
ONU
Uma pedra no sapato americano. JEAN ZIEGLER
Nacionalismos
Choque de memórias e desprezo pela história. JEAN-ARNAULT DÉRENS
Ucrânia: jogo de espelhos para heróis controversos. LAURENT GESLIN e SÉBASTIEN GOBERT
Sociedade
Os comuns, um projecto ambíguo. SÉBASTIEN BROCA
Intelectuais
Portugal e a União Europeia em João Martins Pereira. JOÃO MOREIRA
Cartoon
Rações. VASCO GARGALO

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Apresentação de «Trabalhos em Curso» no Instituto de Sociologia da FLUP

Da esquerda para a direita: António Luís Catarino (Deriva Editores), José Luís Carneiro, secretário de estado das Comunidades Portuguesas, Bruno Monteiro, Prof. José Madureira Pinto e João Queirós.

5 de Dezembro, sala 201 da FLUP inserido no Projecto: «Dinâmicas recentes dos movimentos migratórios no noroeste português: o caso dos trabalhadores da construção civil». Apresentação de «Trabalhos em Curso» de Bruno Monteiro e João Queirós.

A Deriva agradece o convite formulado para estar presente neste projecto que revela claramente a relevância, actualidade e seriedade com que o Instituto de Sociologia e a FLUP mostram ter. Neste campo em particular e no caso da edição de «Trabalhos em Curso – Etnografia de operários portugueses da construção civil em Espanha», a Deriva agradece aos autores João Queirós e ao incansável Bruno Monteiro cujo trabalho se tem vindo a revelar de uma importância fundamental no que à sociologia, e não só, diz respeito. Para além destes autores, os agradecimentos estendem-se aos colaboradores desta publicação como Jorge Arroteia, Lorenzo López Trigal e a jornalista e escritora Ana Cristina Pereira.
A parceria Deriva Editores, uma editora independente do Porto, com a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique mais uma vez se mostrou um êxito, pela divulgação muito mais abrangente, em todo o país, desta mesma publicação, mas também porque a independência da Editora e talvez o seu carácter alternativo não nos permite ser neutrais perante as injustiças e as desigualdades. A linha está, pois, marcada nos tempos interessantes (como diria Hobsbawm), mas perigosos, em que vivemos.
Contam-se, nesta colecção que mantemos com o LMD, três livros, quatro com este, que se relacionam com a identidade operária o que significa, segundo a minha leitura, que esta é, e tudo indica que continuará a ser, objecto de estudo académico. Neste caso em particular, «Trabalhos em Curso» debruça-se sobre a emigração de operários portugueses para o Estado Espanhol e mais concretamente para a Galiza e zonas fronteiriças do país vizinho.
Mas este trabalho excelentemente apresentado fez-me procurar outros dados e factos que levaram a classe operária a emigrar, uma constante de ciclos longos com poucas variáveis. Para além de um século XIX, onde o liberalismo mais selvagem foi vitorioso com o seu rasto de miséria criminosa para a classe operária, as migrações internas, em quase toda a Europa, foram quase a única alternativa para a sua sobrevivência. Assim, era este enxame de camponeses despojados das terras que exigia a concentração agrícola e que suportava a revolução industrial que se proletarizou nas minas, nas indústrias têxteis, na construção civil, no comércio ou no serviço doméstico. A classe operária nascente era sujeita a todos os abusos, desde o trabalho infantil, à sobre-exploração do trabalho feminino e à retirada de todos os direitos políticos aos trabalhadores.
As crises económicas cíclicas, cujas consequências desastrosas para os mais fracos, mas justificada pela mão invisível do liberalismo, obrigava a mais emigrações maciças agora para países como os Estados Unidos, a Argentina, o Brasil ou para os diversos domínios coloniais do imperialismo europeu. Os portugueses não estavam ausentes destes grandes movimentos migratórios. Julgam-se que foram 20 milhões de europeus que desde 1884 a 1914 se deslocaram, tendo a emigração portuguesa aumentado sistematicamente pelo menos até ao ano de 1900. No século XX, em quase todo o século XX, a emigração portuguesa foi uma realidade, dizem os diversos estudos. A fome e a pobreza grassavam em Portugal, quer nos anos da República que virou as costas às reivindicações operárias e uma das causas da sua decadência precoce, quer nos anos da guerra que entre 1916 e 1918 levou para a matança dos imperialismos dezenas de milhar de operários e camponeses portugueses em La Lys. Depois, sabemos demasiado bem a que levou a ditadura salazarista no que a este campo diz respeito. Levados a uma austeridade e pobrezas absurdas e vendendo a «alegria no trabalho» decalcado do mussolinista «Doppo Lavoro», obrigados ao respeitinho, às humilhações contínuas, à falta de liberdade, às Casas do Povo e aos sindicados nacionais, à Sopa dos Pobres e ao medo instituído pela repressão e à guerra colonial, foi evidente o impulso migratório de sucessivas levas de portugueses em quase todo o século passado realçando-se a explosão de emigração clandestina e «legal» na década de 60, só diminuindo significativamente nos anos 70, exactamente quando houve melhores condições de vida, ganhos no PREC.
Hoje, «Trabalhos em Curso» leva-nos a uma nova perspectiva sobre a emigração portuguesa. Ao discurso oficial da emigração «talvez a mais qualificada» que tivemos para os países europeus, contrapõe-se a emigração de operários portugueses principalmente para Espanha. No conjunto, entre 2002 e 2008, e apresentado por João Queirós, na Tabela 1, são 135 mil os residentes de trabalhadores portugueses registados em que o sector da agricultura, da construção e da indústria supera, em muito, o sector dos serviços.
Mais uma vez, Portugal assiste, não sem alguns falsos argumentos aduzidos por más consciências políticas, a um processo de exportação de trabalho barato que produz a rarefacção da classe operária e ao declínio da acção política reivindicativa, de uma crise de reforço sindical e igualmente de uma ténue consciência de classe. O processo de recuperação neoliberal que se está a verificar desde a crise de 2008, ou muito antes, se quisermos relembrar os anos 80 nos EUA e Grã-Bretanha,  passa por uma deslocalização das empresas multinacionais, por despedimentos em massa, pela chamada «flexibilização das leis laborais» e pela desmontagem das indústrias tradicionais através da robotização, sem que tudo isto seja acompanhado pela atribuição de novos direitos que apontem para vivências mais democráticas, fruto, em grande parte, senão na sua maior parte, pela luta secular dos operários e fundamentais para uma vida digna de que estamos ainda a usufruir. Lembremos que o movimento operário mundial foi portador de uma modernidade e de iniciativas de liberdade ímpares e que lhe devemos os juros dessa luta. É evidente que também levaram com as ilusões perdidas em utopias e em revoluções fracassadas, mas nunca poderemos negar os direitos que fomos adquirindo por essas lutas feitas a ferro e fogo. Daí, a importância do conhecimento das lutas operárias e do seu estudo contínuo e do valor do trabalho como parte de uma sociedade que se quer solidária.
Neste «Trabalhos em Curso» a existência de uma vida virada para a sobrevivência ou para sobrevida do quotidiano dos operários emigrantes não está só espelhada pelas entrevistas do Bruno ou de Ana Cristina Pereira. A pobre sobrevivência dos operários emigrantes está bem viva num simples quadro no artigo de Bruno Monteiro, na página 146 do livro. Chama-se «Entre cá e lá». Diz, infelizmente, tudo sobre a afronta a que estes homens estão sujeitos. Uma vida contada euro a euro, à espera de boleias em estradas perigosas, em mediáticos acidentes de trabalho, em condições de habitabilidade improváveis, em horas de trabalho sem fim. Creio sinceramente que o silêncio sobre este estado de coisas é tão criminoso como a acção das redes mafiosas que manobram às claras. Este livro é, por isso, fundamental.
O meu obrigado a todos. 

António Luís Catarino. 5 de Dezembro de 2016

sábado, dezembro 03, 2016

Foto da apresentação de «A Vida entre Nós» na Unicepe a 25 de novembro

Que fique registado o momento: António Luís Catarino, (Deriva Editores) no uso da palavra, Lígia Ferro, João Teixeira Lopes, Sofia Lai Amândio e o responsável pela Unicepe. «A Vida entre Nós - Sociologia em Carne Viva» conta com 17 participações maioritariamente de sociólogos.

quinta-feira, novembro 17, 2016

Apresentação de «Trabalhos em Curso» em Lisboa. Dia 21 de Novembro, 17:00 na Sala de Conferências do Inst. de Geografia da Universidade de Lisboa (Cidade Universitária)

Gostaríamos que estivesse presente na apresentação do livro Trabalhos em Curso. Etnografia de Operários portugueses da Construção Civil em Espanha, a realizar-se dia 21 de novembro, às 17:00, na Sala de Conferências do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, na Rua Branca Edmée Marques, Cidade Universitária.
Com
Jorge Malheiros (CEG, IGOT, UL)
José Manuel Sobral (ICS; UL)
João Queirós (ESE-Porto, IS-UP e organizador do livro)
Bruno Monteiro (IS-UP e organizador do livro)

Outro Modo
Le Monde Diplomatique
Deriva Editores

terça-feira, novembro 15, 2016

Apresentação no Porto de «A Vida entre Nós». Unicepe, sexta, 25 de novembro pelas 18:00. Com Lígia Ferro, Sofia Lai Amândio, João Teixeira Lopes e Pedro Abrantes


À venda com a edição do jornal Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, de Novembro. Trabalhos em Curso, de João Queirós e Bruno Monteiro

TÍTULO: TRABALHOS EM CURSO - ETNOGRAFIA DE OPERÁRIOS PORTUGUESES DA CONSTRUÇÃO CIVIL EM ESPANHA
ORGANIZADORES: JOÃO QUEIRÓS E BRUNO MONTEIRO
AUTORES: JOÃO QUEIRÓS, BRUNO MONTEIRO, JORGE ARROTEIA, LORENZO LÓPEZ TRIGAL
E ANA CRISTINA PEREIRA

Sinopse
No pico da crise em Portugal, milhares de trabalhadores partiam, pela estrada fora, em busca de trabalho nas obras do país vizinho.
Este livro reproduz parte dos resultados de uma investigação sobre este fenómeno realizada no âmbito do projeto “Dinâmicas recentes dos movimentos emigratórios no Noroeste português: o caso dos trabalhadores da construção civil”, financiado pela Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas e sediado no Instituto de Sociologia da Universidade do Porto. Para além de apresentar elementos decorrentes das pesquisas etnográficas realizadas pelos organizadores do volume entre 2008 e 2013
– que permitiram conhecer aspetos dos quotidianos de operários portugueses da construção civil nos seus locais de habitação no Vale do Sousa e nos seus locais de trabalho na Galiza –, o livro reúne outras contribuições (Jorge Arroteia, Lorenzo López Trigal, Ana Cristina Pereira) que complementam e ampliam o ponto de vista proposto.


Índice

Uma etnografi a pendular da emigração para Espanha
João Queirós e Bruno Monteiro
Espanha enquanto horizonte de emigração operária portuguesa: elementos de enquadramento histórico e sociológico
João Queirós
A emigração portuguesa para Espanha: retalhos de investigação
Jorge Arroteia
Las comunidades extranjeras, particularmente portuguesa, en España y su repercusión espacial y demográfi ca: una revisión desde el propio curriculum investigador
Lorenzo López Trigal
“Sentes-te deslocalizado!”: as mudanças do campo económico transnacional da construção e a experiência vivida dos trabalhadores portugueses em Espanha (2008-2013)
Bruno Monteiro
-Apêndice: Objetivação do encontro entre disposições interiorizadas e estruturas de oportunidades por via de um
“modelo didático”
De viva voz:
-Entrevistas com dirigentes sindicais em Portugal e Espanha
Realizadas por João Queirós e Bruno Monteiro
-Entrevista com um trabalhador português da construção
civil em Espanha
Realizada por Bruno Monteiro
-Entrevista com um patrão da construção civil a operar em
Espanha
Realizada por Bruno Monteiro
Crianças que ficam para trás
Ana Cristina Pereira

ISBN: 978-989-8701-25-1
REFERÊNCIA: 1510007
FORMATO: 12x19 cm
1ª EDIÇÃO: NOVEMBRO 2016
PAG.  140
Preço: 10,50 euros

A Vida entre Nós, Sociologia em Carne Viva, coord. Sofia Lai Amândio, Pedro Abrantes e João Teixeira Lopes

Sinopse
Animados pela convicção de que a sociologia existe para os cidadãos, os autores deste livro direcionam esta disciplina para os seus sujeitos de estudo, e trazem até si a matéria prima utilizada pelo método biográfico: a voz dos entrevistados.
Cada um dos 17 capítulos, aqui contidos, folheia uma história de vida e veicula a ideia refrescante – que tanto enriquece os indivíduos e que tanto tem ocupado os sociólogos – de que numa pessoa habitam multidões.
As entrevistas foram realizadas entre 2008 e 2015 e abarcam o início da Grande Recessão. Vários anos volvidos de reflexividade, resistência e coragem recobrem temas centrais à nossa sociedade contemporânea como as desigualdades sociais, a integração e a exclusão social, a educação e a literacia, o trabalho, o emprego e as profissões, a cultura, a arte e a música, a religião, as migrações e a linguagem, os movimentos sociais e o associativismo, a economia e a gestão.
Nos modos de recolha contam-se a entrevista biográfica, o relato autobiográfico, o filme, a fotografia e o diário de campo. Os dados foram editados em prosa, em verso e mesmo em guião cinematográfico.
Se se deixar seduzir por esta romaria, a nossa convicção é que o leitor irá encontrar elementos que não conhecia da vida na sociedade em que vivemos e que poderão impulsionar programas de transformação, rumo a um mundo mais rico, plural e justo.


ANO DE EDIÇÃO: 2016
NÚMERO PÁGINAS: 256
COLECÇÃO: Sociologia
FORMATO: 14,5 x 21 cm
PESO: 978-989-8701-24-4
PVP C/ IVA: 16,00 Euros


PEDIDOS A: infoderivaeditores@gmail.com COM INDICAÇÃO DE NOME E MORADA.