segunda-feira, maio 20, 2024
II Feira de Livros de Arte. Centro de Artes Visuais, Coimbra
quinta-feira, agosto 29, 2013
Transiberic Love, de Raquel Freire
segunda-feira, agosto 26, 2013
Livros: Instinto de Morte, de Jacques Mesrine, Antígona
segunda-feira, agosto 19, 2013
A ler: O Negócio dos Livros, de André Schiffrin. Letra Livre
domingo, dezembro 30, 2012
O Pensamento Tornado Dança, Estudos em torno de George Steiner, org. por Ricardo Gil Soeiro
sábado, abril 14, 2012
As insónias e o recurso aos clássicos
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| Camilo por Vasco |
domingo, abril 08, 2012
A ler La Coca, de J. Rentes de Carvalho
sexta-feira, abril 06, 2012
A ler A Arte de Morrer Longe, de Mário de Carvalho
quarta-feira, abril 04, 2012
A ler A Cidade de Ulisses, de Teolinda Gersão
segunda-feira, abril 02, 2012
A ler Primo Levi, Se Isto é um Homem
sexta-feira, março 30, 2012
A ler Ernestina, de J. Rentes de Carvalho
quarta-feira, março 28, 2012
Lágrimas de Chuva, de Rosa Montero
sexta-feira, dezembro 03, 2010
Livros, muitos livros...
Todos os pretextos são bons para oferecer livros.... E o Natal é um pretexto como outro qualquer....
Temos livros para todos os leitores....
Para os mais novos - O Aquário (4.ª ed.); As Vozes do Alfabeto, O Conto da Travessa das Musas.
Para adolescentes recomendamos o Perigo Vegetal, de Rámon Caride e Miguel Anxo Prado.
Depois, temos coisas Aqui da Terra de Miguel Carvalho, Tentações do Pedro Eiras, A Peste Bubónica no Porto, de Ricardo Jorge, A Mobilização Global seguida de O Estado-Guerra, de Santiago López-Tetit; Estranhas Criaturas, de Henrique Manuel Bento Fialho; Alfabeto Adiado, de José Ricardo Nunes, Chega de Fado, de Paulo Kellerman... entre muitos outros
Peça a deriva@derivaeditores.pt que nós enviamos em embalagem discreta e oferecemos os portes de envio.
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
Myra de Maria Velho da Costa ganhou o Prémio Correntes d'Escritas 2010
quinta-feira, dezembro 31, 2009
Se Fosse Um Intervalo, de Ana Luísa Amaral. Por Paula Cruz
Entre o mundoe comum: a sílaba fechada
nesse acerto que é centro
Ana Luísa Amaral
As mãos não são verdadeiras nem reais... São mistérios que habitam na nossa vida... às vezes, quando fito as minhas mãos, tenho medo de Deus...
Fernando Pessoa, Marinheiro
De todos os livros de Ana Luísa Amaral – e em todos há uma forte componente reflexiva e metapoética – este é, porventura, aquele onde se procura com, mais veemência, o ponto de ebulição do acto da escrita – o momento em que o sonhado, o imaginado, o efabulado passa ao papel:
Enquanto é só razão, sei que consigo
Salvaguardar-me lúcida e pensada.
Mas mal te tento reorganizar
Numa memória nova ou recriada,
Retorno ao ponto zero em que me estás
(Amaral, 2009:19)
Não se trata de encontrar o ponto de origem da escrita, mas o momento em que o raciocinado passa a escrito. E o resultado – independentemente do esforço, da resistência, da alavanca – conta sempre com o génio: ficará sempre aquém ou além, nunca será o sonhado.
No princípio, mesmo antes do corpo do texto, mesmo antes de começar, temos a oficina do poeta, em pensado abandono:
mãos cruzadas, luz diagonante,
pus de lado papéis e
preparei-me
E eis que “em vez de verbo pela mão: / um verso.” (pg. 9 ): a poesia irrompe, mesmo quando o apetecido é outro, mesmo quando o que se procura é a ficção (como se a poesia o não fosse: “"Dentro do avião, agora: um tempo escuro: / as janelas sem tempo devagar, /e o meu conforto: leve tabuada,/ essa que rejeitei, em verso, à minha filha,/ só útil para o verso" (pg. 49)”:
esquecendo um dia os braços, procurei dar-te um nome, inventei nome falso mas real de ficção, cheguei mesmo à loucura (desabri¬da) do esquema para a história. estava tudo no esquema, o central é que não. e rasguei esquema e nome, que tu não respondias ao nome que inventara para ti. e como um sino falso de metal quebrado eram os nomes que suces¬siva¬mente te fui dando. (pg. 11)
A voz do texto assume o obstáculo, as resistências da escrita: a impossibilidade de sair do esquema já traçado e saltar para a história. É o texto em prosa a querer escrever-se e a poesia a surgir entre ele, a entremeá-lo, a intervalá-lo. E surge então o verso, um eco de uma narrativa que se pressente, mas que ainda não se consegue dizer. Assim, entre prosa e verso surge uma tensão, um jogo de reflexos, necessariamente, imperfeitos e incompletos: textos que são duplos, falsos de outros textos, de outras verdades. Duplos como o sinal que se vê ao espelho: “o lado avesso a Deus” (pg 25).
Os textos em prosa que intervalam os textos em verso – e aqui seguimos a lição de Irene Lisboa : "Ao que vos parecer verso chamai verso e ao resto chamai prosa" - reflectem entre si uma tensão entre a vigília (a prosa?) – e a semi-vigília (a poesia?), um desejo de “suspender o amor e suspender // o verso assim, tão pessoanamente, /oblíquo e masculino de fingir.”, porque não há razão pura ou emoção pura, há, no intervalo, também “uma chuva pequena e muito rente / à visão que se estende docemente / em direcção a mares e a porvires.” (pg.51)
Nestes versos, nestes textos, nas dobras dos textos há recantos, há recados, há segredos, há luzes e sombras. E é em cada prega, em cada luz, em cada brilho diagonal que a resistência acontece. Antes do par, antes do coração habitado, do fogo aceso, há um tempo de solidão, de afastamento, de pragmatismo, de rede - “Se o navio se debruça / em demasia,/ lá se vai horizonte / pré-quinhentos” (pg. 32), “em vez de rosas, pão” (pg.37) ou “o pesadelo / que os sonhos têm sempre” (pg. 46)
Este livro, numa estética que já vêm desde Entre Dois Rios e Outras Noites (2007), propõe um trabalho nos interstícios do dizer. No entanto, agora, há uma segunda voz que ganha espessura. Uma espécie de consciência que a intervalos irrompe no texto, uma voz que se quer afirmar. Uma voz que testa as margens: “este rio engrossou e ameaça transbordar as margens.” (pg.18) do poético, do dramático e do narrativo.
No intervalo do livro, surge o texto dramático, discrepâncias (a duas vozes), que trazem à memória quer Marinheiro, o drama estático pessoano, como o Antes de Começar, de Almada Negreiros, onde dois bonecos se descobrem o coração
Não há uma voz única: há uma multiplicidade de vozes. Nada de extraordinário na poeta, que já em a Génese do Amor convocava outras vozes para o texto (Natércia, Catarina, Beatriz, Laura, Dante, Petrarca, Camões). No entanto aqui, o jogo de vozes, de olhares, de perspectivas é levado mais longe: há vozes que interferem no próprio texto. Há vozes que “intervalam” o texto e o discutem no próprio acto de criação:
E a personagem? O elemento humano? É interessante começar assim. Mas bastaria o quadro na cozinha. Depois disso, a memória alimenta-se de gente: quem lá vivia, como era, o seu nome (inven¬tado, claro). Descreve. Concentra a narrativa nesse corpo. Fá-lo entrar na cozinha, passar à sala onde as cadeiras lembravam Came¬lot, deter-se no espelho grande, bem urdido nesse canto, atraves¬sar a ausência de portas. Veste por dentro a personagem. E esquece a dis¬sonância. (pg. 55)
A Voz 2 – “função de alerta” pg.62 - assume-se como um coro trágico, um espaço de contraditório onde o texto discute com o texto, a sombra (ou a luz), o avesso, o bastidor. E esta Voz 2 não poderá ser a do leitor: “E a escrita é assim mesmo: o que tu sabes, eu sei também. O que não sabes, se me apetecer, in¬vento-o.” (pg. 56) ou a voz do autor quando transmudado em leitor de si mesmo?
Ana Luísa Amaral trabalha nas margens genológicas, dissolvendo os géneros como uma espuma. É um trabalho no intervalo, uma “dissonância de vozes” (pg. 62).
Um dos mais interessantes contos de Mário de Carvalho, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, começa assim:
O grande Homero às vezes dormitava, garante Horácio. Outros poetas dão-se a uma sesta, de vez em quando, com prejuízo da toada e da eloquência do discurso. Mas, infelizmente, não são apenas os poetas que se deixam dormitar.Os deuses também. Assim aconteceu uma vez a Clio, musa da História que, enfadada da imensa tapeçaria milenária a seu cargo...."
A desatenção divina, que leva Clio a entregar-se nos braços de Morfeu, deixa que os tempos por momentos de toquem. É nesta fantasia que leio Se fosse um intervalo: entre géneros, entre son(h)os, uma chuva de “luminosas partículas de pó” (pg. 86) que se tocam, mas não se confundem. E a nossa Clio, aqui a voz autoral, deixa que aconteçam milagres:
Podem acontecer, e então a música
decerto estará lá,
que gira em torno de eixo feito de outra luz.
Poderia ser Deus, ou paz.
Sentir. E de repente o mundo a acontecer,"” –
(pg. 96)
sábado, outubro 31, 2009
Dois Anos a Ferver é tempo demais.

sexta-feira, setembro 11, 2009
Que têm os fueguinos de mal?
Tive ocasião, desde Junho deste ano, de ler os seguintes livros seguidos: Magalhães de Stephan Zweig, A Viagem do Beagle de Charles Darwin, As Aventura de Gordon Pym de Nantucket de Edgar Allan Poe e, por fim, reli Navegador Solitário de Joshua Slocum. Pois o que os une? O ódio visceral ao fueguinos, os antigos habitantes da Terra do Fogo! Não vou falar sequer de Slocum cuja arte de boa navegação à vela é inversamente proporcional ao seu carácter cívico: o tipo é um racista do piorio, tendo inclusive matado dois deles a tiro (isto em 1885!) e não ter mostrado o mínimo arrependimento! Eram fueguinos, pois... Allan Poe deveria estar com febre quando escreve sobre eles na parte final do livro em que Arthur sobrevive na Terra do Fogo e os seus habitantes (iguaizinhos aos fueguinos, pois então) são portadores de um carácter cobarde, vil e dissimulado que os faz resistir a... tiro, claro, para poderem sair da ilha incólumes e não serem comidos por estes. Por acaso, no mesmo romance, para quem está lembrado, Arthur sobrevive por que come literalmente um seu companheiro (tirado à sorte) num naufrágio, mas não era fueguino... pelo que estará desculpado!
Magalhães é o mais antigo de todos, reconheçamo-lo, mas mesmo assim por causa de um erro de navegação e de cálculo básico sobre o período invernoso naquelas paragens do sul, teve de ancorar na Terra do Fogo durante uns dois ou três meses, chamando-lhe Puerto de la Hambre e dando instruções claras à sua tripulação (isto sempre segundo Zweig) de não maltratar os seus habitantes que não largavam as naus. Claro que tiveram de matar alguns porque se estavam a aproximar demais dos barcos. Chatices... que não o impediram de abandonar à sua sorte dois nobres que conspiravam contra ele naquelas agradáveis paragens e junto a uma população assumidamente canibal. Claro que nunca mais se teve notícias dos dois desgraçados, mas era para ter? Poderíamos dizer que o canibalismo não colhe muita simpatia aqui pelo ocidente, mas os maoris também o eram e nem por isso deixámos de gostar deles, das suas tatuagens e imitarmo-los nas suas danças guerreiras nos desafios de raguebi. Aos fueguinos ninguém imita nada!
quinta-feira, setembro 03, 2009
Tempos Interessantes, de Eric Hobsbawm
Ainda hoje Hobsbawm é considerado «matéria reservada» para o MI5quarta-feira, agosto 26, 2009
O Século XX Esquecido, Lugares e Memórias, de Tony Judt
Tony Judt perpassa todo o século XX de um modo literalmente arrasador. O pior século de que há memória em termos de mortes e catástrofes humanas. Aceita Albert Camus e Hanna Arendt como filósofos honestos (embora ostracizados) e que viram onde estava o gérmen do terror e do mal. Bate em Sartre e Beauvoir e, cá para nós, muito bem. Defende (exageradamente?) Arthur Koestler e Manés Sperber. Desdenha de Althusser. Aponta, displicente, Antoine Compagnon. Condescende com Eric Hobsbawm (ainda bem) e Edward Said. Explica-nos melhor o suicídio de Primo Levi. Ataca Israel de hoje (ele que esteve na fundação de um Kibutz, logo em 1948) e é feroz para com Reagan e Tatcher. Ridiculariza Blair e a Terceira Via (terá Sócrates lido este livro?), assim como o socialismo que renega o papel regulador do Estado. No entanto, é liberal e aqui o problema torna-se insolúvel. Perante a negação de Marx, pelo menos o de um certo Marx, as alternativas que apresenta sossobram ainda. Não basta um estado regulador e interventivo à boa maneira do New Deal. Para esse peditório já demos nos anos 30. Hoje a humanidade defronta-se com problemas mais sérios e Tony Judt deixa tudo em aberto. Mais do que interpretar, podia, ao menos, ter a vontade de transformar... mas isso é marxista. De qualquer maneira, O Século XX Esquecido - Lugares e Memórias, é um livro indispensável para quem quiser lê-lo abertamente, sem preconceitos. Quem o publica é as Edições 70 e a tradução é de Marcelo Felix.segunda-feira, junho 01, 2009
Algumas sugestões presentes na Feira do Livro do Porto
Um Punhado de Terra, de Pedro Eiras






















