domingo, junho 24, 2007

Livraria Orfeu, em Bruxelas: apresentação de Dragona, de Xavier Queipo

Reparaz - La Voz de Galicia


Depois de Vigo, Dragona (ed. Xerais), de Xavier Queipo foi apresentado em Bruxelas na livraria portuguesa Orfeu, de Joaquim Pinto da Silva. Este livro publicar-se-á ainda em 2007 em Portugal, pela Deriva, constituíndo assim o 3º livro deste autor a ser editado por nós. O primeiro foi Bebendo o Mar (2004) e Ciclos do Bambu (2006). O autor nascido em Santiago de Compostela em 1956, é médico e biólogo, e vive há dezoito anos em Bruxelas. O artigo de Juan Olivier da Voz de Galicia sobre esta apresentação pode ser consultado aqui.

Plano Nacional de Leitura: O Elefante que não era Elefante, Galinhas à Solta e Perigo Vegetal na nova listagem

Para além de O Aquário de João Pedro Mésseder, já presente desde o ano passado no Plano Nacional de Leitura foram agora escolhidos mais três livros infantis e juvenis da Deriva. São eles:











O Elefante que Não era Elefante, Marta Rivera Ferner - INCLUÍDO NO PLANO NACIONAL DE LEITURA - para o 1º ano de escolaridade - Destinado à Leitura Orientada na Sala de Aula - Grau de Dificuldade II



Galinhas à Solta, de Marta Álvarez - INCLUÍDO NO PLANO NACIONAL DE LEITURA - para o 3º ano de escolaridade - Destinado à Leitura Autónoma e/ou leitura com apoio dos professores ou dos pais

Perigo Vegetal, de Ramón Caride - INCLUÍDO NO PLANO NACIONAL DE LEITURA - para o 6º ano de escolaridade - Destinado à Leitura Orientada na Sala de Aula - Grau de Dificuldade II

terça-feira, junho 19, 2007

Debate, dia 6 de Julho, pelas 21:30, sobre Futuro Primitivo de John Zerzan na Galeria Sargadelos, Porto




É na Galeria Sargadelos, aqui no Porto, que se vai debater o Futuro Primitivo de John Zerzan, a convite de André Martins. Vamos, com todo o gosto. As intervenções iniciais, porque esperamos outras mais tarde e de todos, são de António Alves da Silva e Rui Pereira. Lá estarei, também, para falar de um livro que me deu grande prazer editar.

É no dia 6 de Julho (sexta), pelas 21:30. A Galeria é na Rua Mouzinho da Silveira, 294. Tel.: 222011666.

William Morris e a Beleza da Vida, edições &etc

«Ao olhar para a Assembleia aqui reunida, sou levado a pensar em tudo o que ela representa e não consigo evitar que a minha alma seja tocada pelos problemas da vida que afectam o homem civilizado e se inquiete com a expectativa de os superar. Mais uma vez, não vou poder deixar de vos transmitir a mensagem de que, presumo, um qualquer desígnio me encarregou. Trata-se, em suma, de apelar para que ouseis enfrentar o mais recente dos perigos que ameaçam toda a humanidade e que é um perigo imanente: o de ela vir a ser privada de toda a beleza da vida por causa de uns tantos que defendem o direito exclusivo aos privilégios. É, de facto, um perigo que os mais fortes e mais sábios entre os humanos, no seu afã para um total domínio sobre a natureza, possam vir a destruir os seus bens mais singelos e generosos, a tornar seus escravos os mais simples e, a eles, escravos de si próprios, o que levará ao mundo a uma segunda barbárie ainda mais ignóbil e muitíssimo menos esperançosa do que a primeira. (...)»


William Morris, A Beleza da Vida, Conferência no Twon Hall, Birmingham, em 1880. Livro recém- editado pela &etc

segunda-feira, junho 18, 2007

Gonçalo M. Tavares e Paulo Kellerman na Bulhosa, em Lisboa, dia 28 de Junho, às 18:30

Vai ser em Lisboa, na Bulhosa, a 28 de Junho ao fim da tarde (18:30), o encontro de Gonçalo M. Tavares e Paulo Kellerman autores com uma bonita relação com o conto. Falarão a dois: o Paulo de Breves Notas sobre o Medo último livro do Gonçalo a sair na Relógio d' Água e este apresentará Os Mundos Separados que Partilhamos do Paulo, editado cá pela Deriva.
Uma salutar relação que se construirá assim, na prática e perante todos, contrariando aqueles que ainda supõem este género literário como um parente pobre da literatura. E. já agora, uma bela parceria das duas editoras. Vamos lá estar todos.

domingo, junho 17, 2007

Da Sombra que Somos, de Maria Sofia Magalhães. Apresentações

Capa de Gémeo Luís

As letras arrumadas
descodificam
a solidão
na ausência de sentidos.
Movo os olhos
e recebo a luz.
Esqueço as mãos
descomprometidas
do mundo.

Maria Sofia Magalhães Loureiro dos Santos, nasceu a 27 de Dezembro de 1961, em Vendas Novas, e vive em Oeiras. Exerce medicina na área da anatomia patológica. Publicou um livro de poesia (A Luz que se Esconde).

Apresentações:
Lisboa - Livraria Barata, 29 de Junho pelas 18:30
Porto - Livraria Poetria / Palácio Balsemão (ao Carlos Alberto), 4 de Julho, 21:30

quinta-feira, junho 14, 2007

Henry David Thoreau e o espírito nómada

«Na literatura, só o que é selvagem nos atrai. Sabedoria e doçura são sinónimos de aborrecimento. O que nos arrebata é o não familiar, o não civilizado, o pensamento livre e vagabundo, o que não se aprendeu na escola, o que não foi refinado nem polido pela arte. Um livro verdadeiramente bom é algo tão natural, primitivo, selvagem, tão misterioso, tão ambrosíaco, tão prolífico como um líquen ou um cogumelo.»

Henry David Thoreau, citado por Kenneth White em O Espírito Nómada a ser publicado pela Deriva. Tradução de Luís Nogueira.

terça-feira, junho 12, 2007

Já à venda - Futuro Primitivo de John Zerzan

Já está à venda Futuro Primitivo de John Zerzan que escreveu um prefácio à edição portuguesa. A capa é de Gémeo Luís, a tradução do prefácio de Cecília Gradim e as ilustrações/colagens de Arte Cavernícola (secção lusa). O livro tem 64 páginas, extensa bibliografia e é uma pedrada no charco na antropologia dita oficial. A uma nova visão da Pré-História e do Homem primitivo contrapõe-se uma necessidade de mudança com o fim de evitar uma catástrofe anunciada há muito na sociedade hodierna. Não é um livro de fim-de-semana. Também não é para conformistas ou para gente cujos percursos nómadas habituais é de casa para o supermercado mais próximo. São 12 euros; 10.50, para assinantes cá da multinacional (aqui, por encomenda).

Para saber mais sobre o livro e sobre o autor clicar em John Zerzan.

domingo, junho 10, 2007

Meridionais, de João Pedro Mésseder a 15 de Junho em Évora e Avis

Apresentações ao Sul de Meridionais de João Pedro Mésseder:

Dia 15 de Junho - Avis, às 13:00 - encontro com alunos na Escola E.B. 2/3 de Avis (com debate sobre o Aquário)
18:00 - Feira do Livro de Avis
21:30 - Biblioteca Pública de Évora

Edição de Junho do le Monde - A Formação da Mentalidade Submissa de Vicente Romano

É José Nuno Matos que assina a crítica de A Formação da Mentalidade Submissa de Vicente Romano na edição de Junho da edição portuguesa do Le Monde Diplomatique. Uma edição a ler.

Tapoquê?

Não percebi o que disse Cavaco Silva no 10 de Junho: leu Taprobana? Trapobana? Tapobrana? Que raio foi aquilo?

Thomas Mann editado pelo lulu.com

Arte Cavernícola

«Hoje Thomas Mann não seria publicado. Não teria editor!», disse um crítico da praça exultando contra a dita classe. Nada que uma outra crítica não tenha pensado já: «Hoje, a edição é inútil. Com o lulu.com, os problemas estarão, à partida, resolvidos. Primeiro a edição na net, mais tarde em papel. Sem editor. Basta o agente e o autor». Assim, desta maneira simples como o ovo de Colombo, se partiria de uma nova premissa e de um novo conceito que exigirá a ausência do editor. Continua uma outra, exigentíssima, crítica: «Ai América, América! Os livros, muito por culpa da América, estão a mudar. Hoje, os autores desdobram-se em mini-encontros de 5 minutos com os livreiros (endeusados pelos promotores - sic) dando tudo: rebuçados, bolinhos, porta-chaves, malas de viagens».

É nestas alturas que me lembro de Ginsberg (não, não é por causa do Uivo induzido pelo Ai América da crítica!) e dos livros da City Ligths Books, do Herberto Helder, do Carlos e do Luís e de como gostávamos dos livros, os trocávamos, discutíamos e os roubávamos, até. Não, a Deriva não oferece viagens, nem canetas, nem porta-chaves... e quanto a Thomas Mann, o Presidente da República que infelizmente temos, apoiado por muito desta gente, não foi o que disse que estava a ler a Utopia, precisamente escrita por ele? É que a diferença entre estas promoções é ténue, como se sabe.

domingo, junho 03, 2007

Intervenção de José António Gomes na Feira do Livro do Porto a 1 de Junho de 2007

Duas notas para o debate sobre «O gosto de ler» – Feira do Livro do Porto, 1/6/2007, em que participaram Teresa Calçada (RBE e PNL), Vladimiro Feliz (vereador da Cultura da CMP), Luísa Dacosta (escritora) e Francisco Madruga (APEL)

1. Não obstante o aumento da percentagem de leitores, observada nas últimas décadas, sobretudo entre as camadas mais jovens da população, a verdade é que no fundamental vivemos num país de não-leitores. Um país com elevados índices de iliteracia e uma intolerável taxa de analfabetismo, 33 anos passados sobre o 25 de Abril. Um país de 9 milhões de habitantes
• onde cada novo livro de poesia de qualidade não é lido por mais de 300 a 500 leitores;
• onde os livros de ensaio têm destino semelhante;
• onde, devido às baixas tiragens, é quase impossível manter colecções de bolso com livros a preços módicos;
• onde não há revista literária que por muito tempo se aguente;
• onde os jornais ditos de referência reduzem cada vez mais o espaço dedicado à divulgação e crítica de livros, substituindo-o por secções de ‘faits divers’ e noticiário sobre frivolidades;
• onde encerram livrarias todos os anos;
• onde muitas editoras e distribuidoras vivem, cada vez mais, em situação de insolvência, numa asfixia lenta, mitigada por efémeros ‘balões de oxigénio’ (a publicação de ‘novidades’, umas após as outras);
• onde o mercado editorial se encontra completamente desregulado (cerca de 80% nas mãos das grandes superfícies (FNAC, hipermercados, Livrarias Bertrand) e o resto nas mãos de livrarias com a corda na garganta), um mercado a ser absorvido, de modo crescente, por um punhado de grandes grupos empresariais, cujo único fito é o lucro;
• onde as grandes superfícies forçam as editoras a ruinosas margens de desconto, o que, paradoxalmente, resulta em aumento generalizado dos preços de venda a público;
• onde entramos na maioria dessas grandes superfícies e nunca encontramos o livro que queremos, pois os escaparates estão inundados de ‘best sellers’ de autores anglo-saxónicos e de outros produtos editoriais altamente tóxicos;
• onde a maioria das famílias portuguesas possui pouquíssimos ou quase nenhuns livros em casa;
• onde existem muitas vilas, e até cidades, sem uma única livraria digna de tal nome;
• onde, quando morreu Augusto Abelaira, ouvimos falar da presença do então presidente da República no lançamento de um livro de José Mourinho, mas nada lhe ouvimos dizer, nesses mesmos dias, acerca da personalidade do autor de “A Cidade das Flores”;
• onde as Bibliotecas Públicas se vêem e acham para arrancar uns tostões aos orçamentos das autarquias a fim de acudir a necessidades várias: crescimento dos fundos documentais, actividades de promoção da leitura, etc.; e onde por vezes são inauguradas, com pompa e circunstância, Bibliotecas Públicas quase sem livros, por autarcas que não perdem um minuto por dia com a leitura;
• onde, sobre a actividade cultural, predomina uma visão economicista e se encara com frequência a cultura – assim a vêem os que nos têm governado – como uma actividade mercantil e um espectáculo mediático;
• onde o louvável e necessário projecto da Rede de Bibliotecas Escolares avança mais lentamente do que seria desejável (por exemplo, no Porto, em cerca de 60 escolas do 1º ciclo, apenas metade ou menos de metade possui bibliotecas integradas na Rede).
Num país assim que – afirma-o José Mário Branco numa das suas canções (falando sintomaticamente de Luís de Camões e do século XVI português) – “te mata lentamente”, num país assim, só nos podemos congratular com campanhas e programas de promoção do livro e da leitura, como o Plano Nacional de Leitura, cuja divisa é LER MAIS.
Campanhas que passam, como esta passa, pela Escola Pública. (Pois, que se saiba, estar equipada com Biblioteca Escolar não é requisito essencial para que uma escola privada funcione; donde, as públicas são melhores do que as privadas.) A Escola que é, neste país, um dos poucos espaços onde a Literatura, a verdadeira Literatura, trabalhada de modo continuado e persistente graças aos professores, vai sobrevivendo. Para a maioria dos jovens, o único espaço, a bem dizer, onde lhes é dada a possibilidade de conviver com o literário.
2. Um segundo tópico a que gostaria de aludir – indirectamente relacionado com o PNL e directamente ligado à questão da promoção do livro – prende-se com a qualidade da Leitura, a qualidade dos livros, a qualidade das selecções que se propõem. Prende-se com o modo como passamos pelos ‘clássicos’ e pelos grandes livros, mesmo os da chamada literatura infantil, como gato por vinha vindimada, e nos deixamos encandear pelo novo só porque é novo – sendo muitas vezes medíocre. E prende-se eventualmente com a qualidade das actividades de promoção da leitura e de animação. Por vezes pergunto-me: anima-se sim; mas o quê?, e como? E, em boa verdade, promove-se?
Aqui não resisto a evocar por graça um dos episódios mais hilariantes do “Dom Quixote de La Mancha”. Refiro-me ao capítulo VI, cujo título é, na versão de Aquilino Ribeiro, “[Capítulo] Que trata do largo escrutínio que o cura e o barbeiro fizeram na livraria do nosso engenhoso fidalgo”.
Nesta passagem se narra a iniciativa do cura amigo de Dom Quixote que, certa manhã, com a ajuda do barbeiro, trata de lançar ao fogo quanto livro mau, quanto mau romance de cavalaria encontra na biblioteca pessoal de Dom Quixote. Livros responsáveis, segundo o cura – que era homem de saber e bom gosto literário – pelos desvarios mentais do ‘cavaleiro da triste figura’.
Não advogando que se queimem livros, e lembrando-me sempre de outras muitas fogueiras e censuras de má memória, não quero deixar de dizer que esta espécie de parábola de Cervantes é uma lição sobre a qual nem sempre temos sabido meditar. É dos mais admiráveis textos que conheço sobre a questão da promoção da leitura, a promoção dos bons livros. Por isso entendo – como outros já têm explicado melhor do que eu – que seria preferível a divisa do PNL ser LER MELHOR em vez de LER MAIS. Com as implicações que este ‘slogan’ deveria ter.

sábado, junho 02, 2007

Meridionais, de João Pedro Mésseder. Texto de apresentação de Paula Cruz no Clube Literário do Porto a 18 de Maio de 2007

Meridionais é um livro habitado de memórias. A memória que é uma arte: a do “canto obstinado das cigarras”, do “prumo branco das colunas” e do “fruto ainda verde dos ciprestes ” (p. 7). É este entendimento da memória – da mnemósine – que nos remete desde o início para uma estética aprumada, que foge ao neo-barroquismo que invade os escaparates dos supermercados de livros, e procura uma verticalidade que se afirma pelo prumo e aprumo, pelas colunas e pelos ciprestes.
Os textos são breves, densos, condensados, volumes gnómicos, muitas vezes aforísticos (a lembrar um outro título do autor, Abrasivas). Por vezes aproximam-se da aguarela pela sua aquosidade e leveza, em outros momentos são incisivas legendas. Todos eles são porosos, dados à respiração nítida e a um líquido silêncio, inundado de uma memória de um mar liso, muito azul e de uma planície, paradoxalmente, vertical.
O poema inaugural de Meridionais apresenta-se com uma reconfortante certeza:
“Afinal
o mundo
tem um centro” (p.7)
Esse centro é Delfos, o cordão umbilical dos poetas. Não é preciso procurar mais. Delfos, reverenciado por todo o mundo grego como o umbigo do universo, é o começo, a génese, o centro. É também em Delfos, na água bebida na “Fonte Castalia” que reside a graça poética. Não, seguramente, a “graça” / inspiração de Mésseder: afinal quem bebe “a água que jorra do umbigo da terra” são os outros – aqueles que buscam “um grão de juventude” (p. 8) – não ele. O desejo de distanciamento desses outros que necessitam dessa “água” é mais do que vincado: são eles – esses que a bebem – não ele.
O silêncio de Mésseder não é uma metáfora gasta, mas sinestésico que se vê e se respira. É esse silêncio que se encontra em Epidauro, no teatro. Este anfiteatro reproduzia de forma audível, nas últimas bancadas, o som de um alfinete atirado ao chão. No entanto, é mais fácil hoje ouvir hoje um alfinete cair, do que respirar a nitidez inteiriça do silêncio.
À estética aprumada de Mésseder não falta a pulsão da justiça social. O poeta não esquece Elgin, lorde inglês que no séc. XIX retirou parte das esculturas sobreviventes do Parténon e as levou para Inglaterra, nem Teodósio – imperador e cristão – que antes tinha destruído esse mesmo templo. Dois lamentáveis exemplos da afirmação e legitimação da nobreza (ou de uma espécie de nobreza). Estranhamente, estas vis linhagens têm sido as eleitas, sendo preteridos os homens que “a troco de um soldo – como é justo” (p. 16) erguem templos. A propósito de Ídhra, a ironia continua: a bela e maternal ilha agasalhou em seu regaço corsários que se tornaram homens ricos (não ricos homens). Conclui o poeta: “Assim se fundam nobres genealogias de ladrões”. (p. 17).
É a pulsão social, o sentido ético que não deixa nunca de ser o farol, o sul, a coluna vertebral destes cadernos fragmentados.
A revisitação feita pelo sujeito poético leva-nos, por vezes, a uma minimalização do presente e faz sobressair o elemento natural. É a natureza que perdura. Ela estava antes dos deuses e continua depois deles. A presença quase obsessiva do mar é disso exemplo: ”mar de laranjeiras”, “o mar de oliveiras”, o “liso mar azul”, “o mar sem fúria” ou mesmo o “azul sarónico”. Quase que nos atrevemos falar de uma eco-poesia.
Os deuses gregos, que partilhavam o divino com os mortais, já partiram. Na areia restam apenas “estilhas dos ossos de Ícaro”. Aquele que queimou as asas de cera ao querer subir ainda mais alto. Agora estamos abandonados a nós próprios.
Depois deste Sul grego que, brincando com as palavras, norteia Meridionais, temos outro sul: o Alentejo. Um Alentejo mítico e mitificado. Um Alentejo revolucionário e resistente, um Alentejo cujo vibrante silêncio é estratégia de sedução.
A paleta de cores muda. Já não é apenas o branco e o azul: a paisagem está agora marchetada de amarelos, ocres e castanhos. São deste caderno palavras-chave a planície, a verticalidade, a justiça, a cal, o vento e numa estrutura menos visível, mas muito presente: a esquerda.
O vento de que se fala talvez seja real, mas é também uma vontade de mudança, de um rumo novo a um outro sul: um sul ao sul do Sul.
Numa “receita” filológica, Mésseder explica a génese do Alentejo enquanto país: A um rio – o Tejo – juntou-se um advérbio: além. Com homens, vinho e pão rude e digno temos um país:
“Junta o rio e seu advérbio: nasce um país. Com homens, vinho, um pão difícil.” (p.34)
O Alentejo é, aqui, anunciado como um país que exige ser nomeado como se fosse uma planície, um sopro na paisagem. O mar do sul, do Caderno Grego, transforma-se aqui numa “terra interminável”, de “horizonte inteiro e raso onde – nada dir-se-ia – está inscrito” (p.64). Há um cuidado em limpar as palavras e em “resgatá-las” na sua inteireza: caiá-las. Mas a planície, a vastidão, não esquece nunca a verticalidade e a justiça. Metonimicamente, o Alentejo representa a revolução. Além Tejo, há homens que são “pilares de sangue e suor que atravessaram séculos de paisagens golpeadas.” (p. 59). Diz Mésseder que esses pilares de sangue “nunca cessaram de florir por dentro da fome”. Esta imagem é violenta e fortíssima: “florir por dentro da fome”. Se florir implica um renascer e uma Primavera (quiçá um Abril?), a fome é a opressão. Contudo, nem a fome conseguiu aniquilar a esperança e o sonho. O Alentejo afirma-se assim como o berço de uma “ambição civil” (p. 59), ambição essa que ainda vive, mais que não seja nas palavras. (p. 60). Palavras que alguns se esforçam por apagar, como se fiz algures: “as palavras que morrem com os anos” (p. 60)
O breve texto “Torre do Castelo de Beja”: “Como um homem erguido do chão, o orgulho da pedra vertical.” (p. 67) reserva em si mesmo a essência da Revolução: o erguer-se, o levantar-se do chão, o construir-se, o orgulhar-se de si e da sua verticalidade. Esta prosa mínima dialoga directamente com “Operário em Construção” de Vinicius: “E o operário disse: Não!”. É esse o orgulho vertical, a frontalidade, a dignidade, o rigor, o florir por dentro, mesmo contra a fome, contra a opressão, com as nobrezas imerecidas.
O poema “Domingo em Nisa” (p. 41) é um olhar duro sobre um país povoado e sobre uma certa forma de ser português, longe da sombra divina dos deuses gregos. «Domingo em Nisa» é também Cesário e Nobre («Georges! anda ver meu país de romarias e procissões»). É um texto de uma violência atroz, porque nos mostra desabridamente parte do que somos (ou do que nos tornamos). É o mostrar de um Portugal «abrasivo» – «o sol golpeia o ar» –, sem a limpidez grega («imundos de poeira»). O cheiro do fumeiro, do suor, a soneira e as cólicas: a noiva branca, os convidados «barbeados e bovinos» e os «absurdos / longos vestidos de noite para um evento diurno». Contudo, nem esta forma de estar, de ser ou ir sendo, deslustra o ser Meridional.
Texto publicado no Suplemento Literário Das Artes e Das Letras de O Primeiro de Janeiro a 28 de Maio de 2007


quinta-feira, maio 31, 2007

Páginas Soltas: João Pedro Mésseder entrevistado por Bárbara Guimarães. Dia 1 de Junho, pelas 20:45h


É no Dia Mundial da Criança, a 1 de Junho, que Bárbara Guimarães entrevista João Pedro Mésseder no Páginas Soltas da SIC-Notícias. A primeira emissão é às 20:45 horas, mas repetirá muitas vezes nos dias e semanas seguintes. A conversa terá como tema central os livros infantis da autoria deste autor onde sobressai O Aquário. No entanto, serão lidos poemas de Meridionais. E não dizemos mais nada...

sexta-feira, maio 25, 2007

A Deriva nas Feiras do Livro de Lisboa e Porto

O programa das feiras? É o de sempre. Nada a registar. Os livros da Deriva? Ah, sim, estão lá e a bons preços:

Feiras do Livro:presente nos Pavilhões da CENTRALIVROS.

Feira do livro de Lisboa: Pavilhão 127, 131, 135, 139

Feira do Livro do Porto: Tenda C3 e C5





Boas feiras!

Gonçalo M. Tavares

Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco APE. Parabéns ao Gonçalo M. Tavares.

quarta-feira, maio 23, 2007

Salvem a crítica literária nos jornais?

Norman Rockwell
Preparo-me para um dia tramado. Era o dia da apresentação, no Clube Literário, de Meridionais de João Pedro Mésseder pela Paula Cruz. Correu bem, muito bem, mas não há volta a dar e o nervoso miudinho é o de sempre. E também como sempre compro uma resma de jornais e bebo café mais do que o aconselhado.
Abro o Ipsílon e deparo-me com um apelo logo na página de abertura: «Salvem a crítica literária nos jornais» (sem ponto de exclamação, como quer o Mexia, que é contra). Nada que já não escrevessemos aqui no Deriva das Palavras e já há muito tempo - aponte-se para que não se esqueça! Não deixa de ser estranho, contudo, que um jornal que apela desta maneira a que não se acabe com a crítica literária nos jornais, tenha sido o mesmo que acabou com o Milfolhas e com a colaboração de muitos jornalistas culturais, assim como diminuiu drasticamente o espaço para os livros. Tal como todos os jornais diários e semanários ditos de referência. Voltemos à notícia em questão: tratava-se de uma petição on-line da americana National Book Critics Circle que apelava ao envio de cartas de leitores para as direcções de jornais e de editores (de jornais!) para que não se acabasse, sem mais, com a crítica de livros. Não consta que mandassem para Portugal, visto que não devem ter razões de queixa. Escritores americanos em jornais portugueses é só escolher. Conseguiram ao que consta 5442 assinaturas! Nada de especial, diga-se, e que faria sorrir um qualquer candidato à Câmara de Lisboa.
Ora, eu tinha comprado a tal resma de jornais de referência. Era o dia da apresentação de Meridionais e o dia Internacional de Museus. Dos quatro jornais só um escrevia da presença de Manoel de Oliveira em Cannes, o mesmo que referia a VII edição do Imaginarius de Santa Maria da Feira, outra referência a Ricardo Pais no TNSJ e a Baptista-Bastos tudo junto com páginas de Britney Spears, Michael Moore, Wraygunn, The Who, Julio Iglesias, Madonna, Paris Hilton, o filme Zodiac, Hillary Clinton, a depressão de Lars von Trier, Anne-Nicole Smith mais a publicação dos seus diários, Mick Jagger e Demi Moore. Falta de crítica literária? Não... isto é outra coisa, mas preparemo-nos... acabe-se a crítica e venha daí o fait-divers. Pelas «tranferências» a que assistimos nos jornais de referência bem podemos ficar descansados. Eles são críticos (também de referência, claro) sempre defensores dos livros e da literatura (de referência, é óbvio) a passaarem directamente para outros suplementos e para outras «realidades» mais digitais, mais turísticas, mais mediáticas. Estamos (mais) conversados...

domingo, maio 20, 2007

Futuro Primitivo de John Zerzan, a publicar dentro de dias

Capa de Gémeo Luís

John Zerzan nasceu em 1943, em Oregon, EUA, e é licenciado em Ciências Políticas pela Stanford University e em História pela San Francisco State University. Preso em 1966, nos EUA, pela sua participação nos movimentos de desobediência civil e contra a guerra do Vietnam, conhecidos pelos tumultos de Berckeley. Abandonou, mais tarde, uma carreira universitária na University of Southern California. Hoje, dedica-se à educação de crianças e à jardinagem. Promove, ainda, conferências sobre o Primitivismo e Paleo-Anarquismo em todo o mundo. Destaca-se como escritor e filósofo do chamado Primitivismo com a edição de Elements of Refusal (Left Bank Books, Seattle, 1988) e de Future Primitive (Autonomedia, New York, 1994) livro agora traduzido para português pela Deriva e que lhe deu projecção internacional ao serem traduzidas versões para várias línguas. Questioning Technology (Freedom Press, Londres, 1988), The Mass Psychology of Misery, Tonality and the Totality, The Catastrophe of Postmodernism e The Nihilist's Dictionary contam-se entre as suas obras mais recentes. Em 2002, edita Against Civilization: Readings and Reflections, em Los Angeles.

As ideias de John Zerzan situam-se na crítica à tecnologia e à cultura simbólica como origem da degenerescência da Humanidade que a iniciou com o advento da agricultura e da domesticação de toda a vida humana e da natureza. Rejeita, portanto, a divisão social e sexual do trabalho e o patriarcado, assim como a separação entre a Natureza e a Cultura. Singular, na visão de Zerzan, é a síntese de várias correntes filosóficas que elabora na crítica à sociedade moderna e pós-moderna como suportes que fazem parte de um mundo que se encontra moribundo. As fontes teóricas do Primitivismo a que Zerzan dá voz vão desde Adorno, aos situacionistas, à antropologia, ao luddismo, à ecologia e ao feminismo, assim como às correntes igualitárias e anti-autoritárias americanas e europeias. O Futuro Primitivo é, para nós, a obra mais marcante de John Zerzan. Para além de reflectir uma revisitação teórica da Pré-História, ataca violentamente as ideias preconcebidas da antropologia oficial e dá-nos a possibilidade de encontrar uma ténue saída para a catástrofe iminente.

«Definir» um mundo não alienado seria impossível e talvez indesejável, mas creio que podemos e deveríamos tentar revelar o não-mundo dos nossos dias e como se chegou até ele. Caímos num monstruoso erro ao adoptarmos a cultura simbólica e a divisão do trabalho, abandonando um mundo de deslumbramento, compreensão e totalidade e esperando por um Nada que nós encontramos, hoje, na doutrina do progresso. Vazia, cada vez mais vazia, a lógica da domesticação, com as suas exigências de domínio total, mostra-nos a ruína de uma civilização que destrói tudo em que toca. Presumir a inferioridade da natureza favorece o domínio de sistemas culturais que não tardarão a tornar a Terra inabitável.
O pós-modernismo diz-nos que uma sociedade sem relações de poder não é mais que uma abstracção. É uma mentira, a menos que aceitemos a morte da natureza e que renunciemos para sempre ao que foi e que poderá, um dia, vir a ser de novo. Turnbull falou-nos da intimidade entre os Mbuti e a floresta, e da sua maneira de dançar como se fizessem amor com ela. Na fímbria de uma vida onde todos os seres são iguais, onde não existia nenhuma abstracção e que se esforça ainda por manter-se viva, eles «dançam com a floresta, dançam com a lua». (Futuro Primitivo, 2007, Deriva). Esta edição portuguesa da Deriva é acompanhada por um prefácio do autor.

John Zerzan

segunda-feira, maio 14, 2007

«Meridionais» de João Pedro Mésseder no Clube Literário a 18 de Maio, Sexta-feira, pelas 21:30. Apresentação de Paula Cruz



“Um mito como outros, o sul, ou apenas um lugar, um ponto cardeal? Para o que habita esse lugar, existe sempre, todavia, um outro sul. E, por isso, um qualquer norte – ou desnorte – é a sua morada. Aí elabora sobre a distância que o separa do cenário inatingível. Uma vez mais, “o nada que é tudo”. Desse nada, desse tudo, uma escrita emerge. Sustentando o mito.” Assim se apresenta o novo livro do poeta João Pedro Mésseder: «Meridionais». Em dois tempos – “I. De um Caderno Grego”, “II. De um Caderno Antigo” – vai retomando tempos e lugares às vezes junto ao mar, às vezes próximos da lentidão da terra. Às vezes, também, lugares sem explicação, como este: “Casa branca no centro da planície. E um nome escrito na cal: mãe ou morada” (no poema “Nome”). João Pedro Mésseder (nome literário de José António Gomes) nasceu em 1957, no Porto, onde completou estudos universitários e exerce funções docentes. Colaborador do suplemento «das Artes das Letras», publicou, entre outros livros de poesia, «A Cidade Incurável» (1999), «Fissura» (2000), «Elucidário de Youkali seguido de Ordem Alfabética» (2006) e «Abrasivas» (Deriva, 2005). Retirado de Das Artes, das Letras, 14/05/07.
Esta é a notícia de Meridionais no «Das Artes, das Letras» de O Primeiro de Janeiro. Nós acrescentamos que o lançamento deste mesmo livro é no Clube Literário, aqui no Porto (mais concretamente na Rua Nova da Alfândega, 22, à Ribeira, frente ao parque de estacionamento), às 21:30 e terá apresentação de Paula Cruz.

segunda-feira, maio 07, 2007

António Mega Ferreira escreve sobre a poesia de Filipa Leal na Os Meus Livros de Maio.


Trata-se do último número da revista Os Meus Livros de Maio. Lá, António Mega Ferreira escreve duas páginas sobre a poesia de Filipa Leal de Talvez os Lírios Compreendam até A Cidade Líquida e Outras Texturas, este último publicado pela Deriva, em 2006.
Arriscando-me a reduzir o excelente artigo sobre a Filipa, não posso deixar de citar AMF quando escreve: «O mundo da sua poesia é o das memórias que se acumulam e se perdem (e esta aparente perda, este parecer que vê tudo a partir do esquecimento, é uma das pulsões mais estimulantes da sua escrita), o mundo das partidas que se encenam e não se concretizam, das mudanças que trazem sempre consigo o rasto do que é deixado para trás, do desacerto entre as vozes que "caem como estrelas nómadas" e como estrelas se reerguem, na noite continuamente renovada da Poesia. (...)». Um artigo, portanto, não perder.

domingo, maio 06, 2007

O J. foi baleado

O J. foi baleado no bairro onde mora e onde se encontrava a jogar futebol. Conhecia-o. Tinha 11 anos. Estive com ele em várias ocasiões num programa de acção tutorial. Miúdo inteligente, respondão, provocador, mas acabava por fazer o que lhe propunhamos: uma ficha de cálculo, outra de português, ou de História (aí escapava-lhe a preferência para as tácticas de caça e armas da Pré-História). Lembro-me de o ter ajudado a fazer cálculos de médias de viagens em distância e tempo. Não se interessava muito até conseguir captar-lhe a atenção atribuíndo marcas sonantes aos carros e falando da VCI ou da A1. «Se o teu Ferrari for a 210 km/h, pela A1 fora, e quiseres ir a Coimbra que fica a 150 Km, chegas lá daqui a quanto tempo?» Era assim o J. Na sexta-feira, depois de ter sido baleado por um bando rival, ainda me dirigi a amigos para saber o seu estado. «Mal, mal...deram-lhe dois tiros. Um no braço e outro na perna!». Fiquei, mais uma vez, com um aperto no estômago e pensei por que razão não tinha este puto um boletim clínico à disposição? Pensei na «lógica dos sentimentos» que o Vasco Pulido Valente critica (e bem), de Rousseau e dos filhos dos inúteis que saem todos os dias na merda das revistas e comparei tudo isto com a vida de J. e o silêncio de um ataque brutal aos seus onze anos de vida. Mesmo que saiba que não é um santo, mesmo que saiba que a tal lógica dos sentimentos é a única coisa igualitária porque junta o irreconciliável, julgo sempre que a acção política é responsável por isto. Porque, voltando a VPV e a J.: não me interessa saber se o Rousseau é percursor da «lógica do sentimento». Mas sei qual a sua posição (contra Voltaire, diga-se) no terramoto de 1755 de Lisboa: se houve aquele desastre foi porque se construiu a cidade em cima de uma falha sísmica. Quais deuses? Quais falhas de previsão? Que ciência poderia salvar Lisboa se os homens a construiram contra ela?
Não me venham, portanto, com merdas: o J. conheceu cedo demais a violência física bem longe dos lares da classe média. Num bairro cada vez mais gueto, onde a droga impera e até baixou de preço. Estamos a educá-lo numa falha sísmica. Nem Rousseau nos pode valer. Trata-se de estupidez e avidez de lucros e, aí, as defesas que temos são políticas.

Curso de Línguas e Literaturas ou o poeta ofendido

O poeta ofendido dirige-se a Nunes, o secretário

Para quem anda com mais um pouco de atenção às coisas da educação isto já não era novidade - o Curso de Línguas e Literaturas está a morrer. Há uns seis anos, o Departamento a que pertencia enviou um documento ao ME (os tais que tentam demonstrar a participação dos professores) denunciando, entre outras coisas, que um aluno que fosse para o 10º ano para o Curso de Línguas e Literaturas poderia, através de uma política estúpida de opções, nunca vir ter a disciplina de Literatura Portuguesa. Ou seja, chegaria à Universidade sem a disciplina! (Aliás passa-se o mesmo a Medicina: um aluno pode ter de optar entre Química ou Biologia no 10º! Mas isso é outra conversa.). Até hoje não houve resposta do ME tendo o meu departamento enviado, para que não houvesse extravio, o mesmo documento por e-mail. Sei que houve centenas de pareceres nessa altura. Disseram, na ocasião, que estavamos a «corporizar». Hoje, os media acordaram para o «problema». Há cada vez menos alunos para este curso no secundário. Como haverá certamente para História e para Filosofia (hoje equiparadas às inócuas Educação Tecnológica, Área de Projecto ou Estudo Acompanhado, em tempos atribuídos por semana) . O ataque a estas últimas já começou há bué (palavra inscrita no Dicionário da Ac. das Ciências).
Solução do secretário de estado Nunes: «que sim, já pensámos nisso, vamos agir!» (não tinha pensado nada, mas está bem!). No dia seguinte veio a resposta: o Curso de Línguas e Literaturas vai integrar as Ciências Sociais!! Não há melhor. A ratio da disciplina de Latim, em Portugal, é de 1 aluno para 1000, a mais baixa da Europa. Na Alemanha é de 100! Logo, junta-se a desgraça à desgraça alheia - Literaturas e Ciências Sociais - e a coisa tem de dar resultado. Talvez haja, até, mais uns distraídos de CS que escolham Latim e Grego até os pais os demoverem por causa da média final! Mas aí encontra-se-á mais uma solução óbvia como fizeram com a Filosofia. Abaixo os exames no Secundário! E a coisa vai. Mas façam-me um favor: nunca mais me falem em rigor e exigência com as vossa caras de actores manhosos de um filme de série B da TVI, está bem?

quinta-feira, maio 03, 2007

Exposição de fotografias de Paulo Gaspar Ferreira

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Recebemos este convite: é a 4 de Maio na Serv'artes (ali numa transversal da Constituição, nº2105, no Porto) pelas 22h a inauguração de fotografia Espíritos Elementares de Paulo Gaspar Ferreira. São fotografias baseadas em textos de poetas portugueses. A ir.

terça-feira, maio 01, 2007

Mayday, o precariado rebela-se

Estiveram na cauda da manifestação do 1º de Maio em Lisboa. É um movimento representativo (mas ainda muito embrionário) dos precários que em Portugal são já 600 mil. É necessário que estejam em manif's e que saibamos qual o seu projecto. O precariado rebela-se? Saibamos mais aqui

domingo, abril 29, 2007

Comunicado acerca dos acontecimentos na Praça da Figueira a 25 de Abril

Sobre a repressão de manifestantes na Praça da Figueira, no dia 25 de Abril, que se intitulavam antifascistas e anti-capitalistas recebemos o comunicado que transcrevemos na íntegra não sem antes dizer claramente que estranhamos o desvelo profissional com que a polícia de intervenção bate em quem abre a boca contra a extrema-direita e luta abertamente contra o crescimento da arrogância fascista. Também não nos é indiferente o facto de tentarmos, sem êxito, aceder ao site do Indymedia português, para recolher algumas imagens. Que se passa com este site?
Comunicado sobre a manifestação anti-autoritária contra o fascismo e o capitalismo.
«Com o intuito de protestar contra a crescente visibilidade da extrema-direita e a sua componente racista e xenófoba, contra a cada vez maior exploração capitalista, contra a precariedade social imposta pelo capitalismo, contra o crescente totalitarismo democrático, pela liberdade, solidariedade e dignidade humana, por um mundo sem fronteiras uma plataforma de grupos e indivíduos de várias tendências anti autoritárias, anarquistas, anti capitalistas e antifascistas convocou para o dia 25 de Abril pelas 18:00H na praça da figueira uma manifestação anti autoritária.
A manifestação reuniu cerca de 400 pessoas que percorreram o Rossio, a Rua do Carmo e a Rua Garrett até ao Largo de Camões num ambiente contestatário mas festivo e sem incidentes. Muitos transeuntes aplaudiram e aderiram à manifestação. Após um breve período em que a manifestação permaneceu no largo Camões esta continuou espontaneamente pela Rua Garrett em direcção ao Rossio.A meio da Rua do Carmo, duas hordas de elementos do corpo de intervenção da PSP encurralaram os manifestantes na rua fechando as saídas e sem qualquer ordem ou aviso de dispersão começaram a agredir brutal e indiscriminadamente manifestantes, transeuntes e até mesmo turistas.Com isto a polícia não tentou dispersar ninguém, mas por outro lado quis bater, espancar e atacar os manifestantes. Pessoas que caíram no chão indefesas foram ainda agredidas por vários polícias à bastonada e ao pontapé. Aqueles que tentaram fugir foram perseguidas por toda a baixa e muitos transeuntes e lojistas somaram-se aos manifestantes no fundo da Rua do Carmo em protesto contra a brutalidade policial. As únicas agressões à polícia foram em legítima defesa, que é um direito ao qual não renunciamos.Foram detidas doze pessoas de forma bastante violenta e é impossível contabilizar todos os feridos entre manifestantes e pessoas alheias ao protesto. Foi mobilizado um aparato policial desmedido (dezenas de carrinhas do corpo de intervenção da PSP com certamente mais de uma centena de elementos) que impôs o terror na baixa de Lisboa por várias horasUm grupo de indivíduos que se queria juntar à manifestação e que tinha ficado para trás foi cercado e escoltado até ao cais do sodré (possivelmente pela sua cor de pele).Os detidos foram levados para a esquadra da 1ª divisão da PSP na Rua Gomes Freire onde foi negada qualquer informação aos seus amigos e durante muito tempo foi impedida a entrada aos advogados. Houve uma tentativa de levar os detidos a constituírem-se arguidos sem a presença dos advogados o que é ilegal.
Em solidariedade com os detidos cerca de 50 pessoas concentraram-se em frente à esquadra aguardando a sua transferência para os calabouços do comando da PSP de Lisboa. Mesmo em frente à esquadra a polícia continuou com o abuso de poder e expulsou as pessoas aos empurrões impedindo que estas pudessem continuar a demonstrar a sua solidariedadeO que tem vindo a ser noticiado nos variados órgãos de comunicação social está repleto de incoerências e desvios daquilo que realmente aconteceu na baixa de Lisboa. Nomeadamente, a confusão com outras manifestações, a aceitação da versão policial dos acontecimentos e a necessidade de caracterizar como ilegal uma característica natural das pessoas que é o ajuntamento e a manifestação, que a democracia diz defender. Num período em que foram muitos os ajuntamentos, manifestações, acções e encontros este era também um protesto de repúdio aos tempos que se vivem e aos ataques constantes do poder às pessoas.Caricatamente é no dia 25 de Abril que a polícia defende cartazes de partidos fascistas e ataca manifestações antifascistas.Num momento em que já se sabia que os cravos estão murchos todos estes acontecimentos servem para o reconfirmar.Plataforma antiautoritária contra o fascismo e o capitalismo.»

Culturgal, Feira do Livro e da Indústria Cultural, em Pontevedra. De 10 a 13 de Maio

De Manuel Bragado (responsável da Xerais de Galicia e do blog Bretemas) recebemos, com pedido de divulgação, a notícia de uma Feira do Livro e da Indústria Cultural em Pontevedra entre 10 a 13 de Maio. O programa (muito bom) é convidativo a um fim-de-semana na Galiza, juntando o útil ao agradável.
O evento denomina-se Culturgal e podem consultar o programa e mais informações aqui.

quinta-feira, abril 26, 2007

Hoje, dia 27 de Abril, João Pedro Mésseder presente no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo (Moita)

João Pedro Mésseder inicia hoje, na Moita, a viagem de apresentação de Meridionais que o levará ao Sul. Évora, Montemor, Aviz e Barreiro são algumas das cidades já confirmadas onde estará presente e sempre nas suas bibliotecas (a seu tempo diremos as datas). O Porto, não tão ao sul é certo, mas também a sul de algum norte, terá apresentação no Clube Literário a 18 de Maio, pelas 21:00.

Hoje, dia 27, será no Centro Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira (um dos pólos da Biblioteca da Moita, pelas 21:30) onde apresentará Meridionais.

Autoridade, Gliese 581c e outras notas

Ainda sobre o já anunciado aumento da autoridade dos professores na escola, chega-me às mãos uma notícia inquietante: todos os partidos parlamentares votaram esta lei favoravelmente, à excepção do PC. Será que só este partido vê a autêntica bomba que constitui colocar nas mãos de professores a gestão da «justiça» numa escola? Ao mesmo tempo que os preparam para a «violência» com acções de formação para o efeito? Mas está tudo doido?

«Obscuro». Eu, que só abro de tempos a tempos a caixa do mail para os anónimos. E é ele, o luminoso anónimo que me chama obscuro. Gosto. Como gosto que os italianos chamem «sinistra» à esquerda. Manias.

O espaço sempre me fascinou. Falo do sol, de estrelas e de planetas como quem parte e vem logo dali a nada. Existir uma super-Terra, com água líquida e temperaturas variáveis entre os 0 e os 40 graus, faz-me pensar partir para uma qualquer colónia, numa qualquer nave, para Gliese 581c. À velocidade da luz levaríamos (dizem eles, os tais da nasa) 20 anos a navegar. Nada que impeça a prática salutar da deriva.

Abro o Público no dia 25 de Abril. Deparo-me, na mesma página (a 8 da P2) com um título e uma notinha: «Em Portugal, para bater nas mulheres chamam-se as skingirls» do tal António Salas que afirma que os skins tugas são dos mais cultos da Europa; depois, a notinha: O P2 viajou a convite da Dom Quixote.

Não consigo estar muito tempo à volta do Deriva das Palavras. Muito tempo, não.

A próxima Mealibra vai publicar a intervenção de Fernando Venâncio no Clube Literário do Porto sobra a obra de Paulo Kellerman. Gostei.

Vicente Romano editado de novo pela Deriva

A Intoxicação Linguística - O uso Perverso da Língua é o novo livro de Vicente Romano que vai ser publicado, em breve, pela Deriva. O uso da língua sob o ponto de vista ideológico, mesmo escondido pelo manto supostamente neutral da linguagem e da comunicação oral (já não falando dos media) é tratado pelo autor de uma forma que já nos habituou em A Formação da Mentalidade Submissa: não fazendo cedências ao poder, chamando as coisas pelos nomes, enfrentando a complexidade da política, da economia e das lutas sociais actuais e utilizando uma linguagem e ideias de uma assinalável clareza e concisão.
A capa que vemos é da edição espanhola de El Viejo Topo.