domingo, junho 10, 2007

Thomas Mann editado pelo lulu.com

Arte Cavernícola

«Hoje Thomas Mann não seria publicado. Não teria editor!», disse um crítico da praça exultando contra a dita classe. Nada que uma outra crítica não tenha pensado já: «Hoje, a edição é inútil. Com o lulu.com, os problemas estarão, à partida, resolvidos. Primeiro a edição na net, mais tarde em papel. Sem editor. Basta o agente e o autor». Assim, desta maneira simples como o ovo de Colombo, se partiria de uma nova premissa e de um novo conceito que exigirá a ausência do editor. Continua uma outra, exigentíssima, crítica: «Ai América, América! Os livros, muito por culpa da América, estão a mudar. Hoje, os autores desdobram-se em mini-encontros de 5 minutos com os livreiros (endeusados pelos promotores - sic) dando tudo: rebuçados, bolinhos, porta-chaves, malas de viagens».

É nestas alturas que me lembro de Ginsberg (não, não é por causa do Uivo induzido pelo Ai América da crítica!) e dos livros da City Ligths Books, do Herberto Helder, do Carlos e do Luís e de como gostávamos dos livros, os trocávamos, discutíamos e os roubávamos, até. Não, a Deriva não oferece viagens, nem canetas, nem porta-chaves... e quanto a Thomas Mann, o Presidente da República que infelizmente temos, apoiado por muito desta gente, não foi o que disse que estava a ler a Utopia, precisamente escrita por ele? É que a diferença entre estas promoções é ténue, como se sabe.
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