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segunda-feira, setembro 05, 2022

«Fragments of an Anarchist Anthropology», de David Graeber

 

Talvez dos livros mais importantes de David Graeber, a seguir ao seu monumental «Debt, the first 5000 years» e «Trabalhos de Merda», que me pronunciarei em breve sobre ele. Dizem que já está esgotado e não me admira. É um livrinho de 100 páginas, mas bem elaborado e com uma síntese impecável sobre o que é o Anarquismo, hoje. Creio, não errar se disser que provavelmente ele escreveu-o para a galáxia marxista, mais do que para anarquistas. Por mim, apanhei-o a tempo e dou por mim a pensar que anarquistas haverá que talvez reajam com alguma surpresa e desconfiança o cada vez maior número de pessoas que se aproximam das suas teses e que leem com novo vigor as teses de Proudhon, Bakunine (não sabia que ele traduziu «O Capital» de Marx para russo!) e Kropotkine. O mais interessante é que o editor da «Prickly Paradigm Press» é o nosso conhecido Marshall Sahlins que escreveu o icónico «Âge de Pierre, âge d'abondance - l'économie des sociétés primitives». No seguimento da minha afirmação anterior também não será de estranhar as referência a Castoriadis, aos situacionistas, aos autónomos italianos e americanos e aos conselhistas, segundo ele os marxistas mais próximos à prática anarquista. Já não nos admira tanto a sua referência aos anarquistas e libertários como John Zerzan, um primitivista que editei na Deriva com o seu «Futuro Primitivo» e que esteve nas grandes assembleias de Seattle e ao recém-falecido Peter Lamborn Wilson autor das «Utopias Piratas», também editado pela Deriva. Com estes autores mantive uma correspondência bastante frutuosa. Gostei bastante deles e sendo este um fator subjetivo, vale o que vale, mas não queria deixar passar este facto em branco. Portanto, não tendo já essa possibilidade, peço que traduzam este livro para português, pela sua importância. Penso que a Antropologia cá da terra, e as pessoas que ainda não se recusam a ler e a pensar criticamente, só teriam a agradecer e não é com surpresa que vejo algumas afinidades com o livro de João Carlos Louçã no seu «Pensar a Utopia-Transformar a Realidade» principalmente na aproximação do marxismo ao anarquismo.

Neste livro, escrito em fragmentos e apresentando-nos pensamentos aparentemente desligados uns dos outros (como aliás toda a técnica da escrita fragmentária) reconhecemos uma sólida formação de antropólogo que não foge aos problemas vários do capitalismo e da construção de alternativas. São a construção desses paradigmas de liberdade individual e coletiva que nos leva a conhecer não só algumas práticas ditas de sociedades primitivas, mas criticá-las também. Provavelmente, teremos de pensar em alternativas ao capitalismo em moldes completamente novos. E é esse o desafio da democracia direta que nos traz David Graeber, além de outros desafios. Passa a pente fino a fixação ocidental (eis um conceito que deve acabar, o de «ocidental») na «democracia» ateniense e espartana como fossem o início de toda a governabilidade, quando existiam povos que usavam o consenso democrático muitos milhares de anos antes. A própria ideia de «representação» é de um dos maiores logros, ele chama-a de «trap» o que é uma palavra bem que acentua melhor o «nosso» sistema político. 

Deixo para o fim o inteligente debate imaginário entre os sempre céticos de uma nova liberdade sem capitalismo, pode-se chamar anarquismo ou não, e aqueles que acreditam numa nova era alternativa, com bases sólidas de organização popular, autónoma, consensual, de vizinhança e de solidariedade comuns. Impossível? A História mostra-nos que não, mas omite as experiências livres que ocorreram desde há dois séculos e que ainda ocorrem em Chiapas, nas assembleas argentinas (após a sua derrocada económica) ou nas ZAD's autónomas por todo o lado na Europa, Estados Unidos ou Canadá. Opondo uma prática não-violenta à violência brutal do capitalismo (ele goza com o adjetivo «tardio») e a que já nos habituámos. Infelizmente. Até porque é cada vez mais letal.

É evidente que não se esgota aqui, nesta minha ficha de leitura, a riqueza das ideias de David Graeber e o pensamento crítico com que nos brinda em cada página. Que nos faz pensar. Mas é um desafio interessante ver que os antropólogos estarão na primeira fila do que ele chamaria de novos paradigmas, porque têm o saber necessário para desconstruir um sistema que nunca funcionou ou, se o fez, foi à custa de escravatura, genocídio de milhões de indivíduos, racismo, nacionalismos que levaram a guerras fratricidas, exploração desenfreada de recursos e criação de refugiados expulsos das suas terras ancestrais. E tudo isto através de estruturas militares, prisionais e burocráticas.

Ah...e Portugal e Espanha são referidos, tal como o sistema colonial francês e inglês. As monarquias ibéricas não eram muito mais complexas que as do Congo como se verificou nos seus primeiros contactos. Mas isto não é dito nas disciplinas académicas atuais. O que faz com que a História hoje se apresente como uma enorme omissão, quando não mentira estudada, como o fazem os media atuais, ou a sociologia que pretende «perceber» as «sociedades» confundidas propositadamente com os «estados».

Termino com uma provocação de Graeber: «por que razão há tantos académicos marxistas e só na antropologia é que encontramos um número assinalável de anarquistas?»

terça-feira, janeiro 22, 2013

Um dia, esta civilização cai




John Zerzan nasceu em 1943, em Oregon, EUA, e é licenciado em Ciências Políticas pela Stanford University e em História pela San Francisco State University. Preso em 1966, nos EUA, pela sua participação nos movimentos de desobediência civil e contra a guerra do Vietnam, conhecidos pelos tumultos de Berckeley. Abandonou, mais tarde, uma carreira universitária na University of Southern California. Hoje, dedica-se à educação de crianças e à jardinagem. Promove, ainda, conferências sobre o Primitivismo e Paleo-Anarquismo em todo o mundo. Destaca-se como escritor e filósofo do chamado Primitivismo com a edição de Elements of Refusal (Left Bank Books, Seattle, 1988) e deFuture Primitive (Autonomedia, New York, 1994) livro agora traduzido para português pela Deriva e que lhe deu projecção internacional ao serem traduzidas versões para várias línguas. Questioning Technology (Freedom Press, Londres, 1988), The Mass Psychology of Misery, Tonality and the Totality, The Catastrophe of Postmodernism e The Nihilist's Dictionary contam-se entre as suas obras mais recentes. Em 2002, edita Against Civilization: Readings and Reflections, em Los Angeles.


Futuro Primitivo é a obra de John Zerzan traduzida pela Deriva

Futuro Primitivo é a obra de John Zerzan traduzida pela Deriva
As ideias de John Zerzan situam-se na crítica à tecnologia e à cultura simbólica como origem da degenerescência da Humanidade que a iniciou com o advento da agricultura e da domesticação de toda a vida humana e da natureza. Rejeita, portanto, a divisão social e sexual do trabalho e o patriarcado, assim como a separação entre a Natureza e a Cultura. Singular, na visão de Zerzan, é a síntese de várias correntes filosóficas que elabora na crítica à sociedade moderna e pós-moderna como suportes que fazem parte de um mundo que se encontra moribundo. As fontes teóricas do Primitivismo a que Zerzan dá voz vão desde Adorno, aos situacionistas, à antropologia, ao luddismo, à ecologia e ao feminismo, assim como às correntes igualitárias e anti-autoritárias americanas e europeias. O Futuro Primitivo é, para nós, a obra mais marcante de John Zerzan. Para além de reflectir uma revisitação teórica da Pré-História, ataca violentamente as ideias preconcebidas da antroplogia oficial e dá-nos a possibilidade de encontrar uma ténue saída para a catástrofe iminente.


domingo, dezembro 30, 2012

2013: a intervenção política da Deriva vai, seguramente, continuar

2013 vai ser um ano de intervenção política. Os nomes que constituem esta coleção da Deriva em que alguns passaram por Portugal são Vicente Romano, Santiago Lopéz-Petit, John Zerzan, Kenneth White e Peter Lamborn Wilson

segunda-feira, novembro 05, 2012

John Zerzan escreveu para a edição portuguesa de Futuro Primitivo

«Desde que o Futuro Primitivo surgiu, o som crescente da vida moderna tornou-se pior do que alguma vez poderíamos imaginar. Uma metamorfose crescente, que transformou não só a textura do estilo de vida, mas também todo um sentir das coisas. Num passado não muito distante, isso era ainda uma modificação parcial: agora a 'Máquina' arremete contra nós, penetrando cada vez mais no quotidiano das nossas vidas sem hipótese de fuga à sua lógica.
A única continuidade estável tem sido a do corpo, e este tornou-se vulnerável de uma forma sem precedentes. Agora, de acordo com Furedi (1997), fazemos parte de uma cultura de alta ansiedade que confina de um estado declarado de pânico. O discurso pós-moderno suprime as marcas do sofrimento, sendo uma faceta da sua acomodação à inevitável e sistémica desolação que se aproxima. A proeminência de doenças crónicas degenerativas estabelece um paralelo arrepiante com a erosão permanente de tudo aquilo que é saudável e pleno de vida numa cultura industrial. Assim, sendo possível ainda retardar a doença, afigura-se contudo impossível a sua erradicação total, dado que não se reconhece a raiz do problema.
Por muito que suspiremos pela comunidade, tudo está morto. (...)»

John Zerzan, Prefácio para a edição portuguesa de Futuro Primitivo, 2007

sábado, março 17, 2012

Futuro Primitivo, de John Zerzan

O livro com capa de Gémeo Luís
 Um dos livros que me deu mais prazer editar, não só pelos contatos com o autor que, por pouco, não veio a Lisboa e ao Porto apresentá-lo, mas também pelo trabalho de tradução e conceção gráfica, com colagens da Arte Cavernícola. A tradução afastou-se claramente da brasileira, baseando-nos no original inglês de expressão americana e corrigindo alguns erros daquela edição. Gémeo Luís fez a capa. A ideia forte do livro é a desmontagem que Zerzan faz das teorias da Pré-História que atribuem à evolução do Homem a base da violência. Para o autor, a seleção feminina dos machos não violentos, isto é, capazes de ajuda e cooperação na partilha de alimentos, é que produz a evolução humana como se pode verificar pelo recuo dos caninos humanos. Uma nota: Zerzan é um dos organizadores das manifestações de Seattle e um dos seus principais teóricos contra o capitalismo. O livro lê-se numa noite e fica-nos na memória. O facto de o livro não ter direitos de autor, não impediu o êxito da procura da obra principal de Zerzan e continua a ser pedido para o Brasil.
Colagem de Arte Cavernícola

sexta-feira, abril 01, 2011

FUTURO PRIMITIVO, de John Zerzan

FUTURO PRIMITIVO, de John Zerzan



As ideias de John Zerzan situam-se na crítica à tecnologia e à cultura simbólica como origem da degenerescência da Humanidade que a iniciou com o advento da agricultura e da domesticação de toda a vida humana e da natureza. Rejeita, portanto, a divisão social e sexual do trabalho e o patriarcado, assim como a separação entre a Natureza e a Cultura. Singular, na visão de Zerzan, é a síntese de várias correntes filosóficas que elabora na crítica à sociedade moderna e pós-moderna como suportes que fazem parte de um mundo que se encontra moribundo. As fontes teóricas do Primitivismo a que Zerzan dá voz vão desde Adorno, aos situacionistas, à antropologia, ao luddismo, à ecologia e ao feminismo, assim como às correntes igualitárias e anti-autoritárias americanas e europeias. O Futuro Primitivo é, para nós, a obra mais marcante de John Zerzan. Para além de reflectir uma revisitação teórica da Pré-História, ataca violentamente as ideias preconcebidas da antropologia oficial e dá-nos a possibilidade de encontrar uma ténue saída para a catástrofe iminente.

«Definir» um mundo não alienado seria impossível e talvez indesejável, mas creio que podemos e deveríamos tentar revelar o não-mundo dos nossos dias e como se chegou até ele. Caímos num monstruoso erro ao adoptarmos a cultura simbólica e a divisão do trabalho, abandonando um mundo de deslumbramento, compreensão e totalidade e esperando por um Nada que nós encontramos, hoje, na doutrina do progresso. Vazia, cada vez mais vazia, a lógica da domesticação, com as suas exigências de domínio total, mostra-nos a ruína de uma civilização que destrói tudo em que toca. Presumir a inferioridade da natureza favorece o domínio de sistemas culturais que não tardarão a tornar a Terra inabitável.
O pós-modernismo diz-nos que uma sociedade sem relações de poder não é mais que uma abstracção. É uma mentira, a menos que aceitemos a morte da natureza e que renunciemos para sempre ao que foi e que poderá, um dia, vir a ser de novo. Turnbull falou-nos da intimidade entre os Mbuti e a floresta, e da sua maneira de dançar como se fizessem amor com ela. Na fímbria de uma vida onde todos os seres são iguais, onde não existia nenhuma abstracção e que se esforça ainda por manter-se viva, eles «dançam com a floresta, dançam com a lua». (Futuro Primitivo, 2007, Deriva). Esta edição portuguesa da Deriva é acompanhada por um prefácio do autor.



John Zerzan nasceu em 1943, em Oregon, EUA, e é licenciado em Ciências Políticas pela Stanford University e em História pela San Francisco State University. Preso em 1966, nos EUA, pela sua participação nos movimentos de desobediência civil e contra a guerra do Vietnam, conhecidos pelos tumultos de Berckeley. Abandonou, mais tarde, uma carreira universitária na University of Southern California. Hoje, dedica-se à educação de crianças e à jardinagem. Promove, ainda, conferências sobre o Primitivismo e Paleo-Anarquismo em todo o mundo. Destaca-se como escritor e filósofo do chamado Primitivismo com a edição de Elements of Refusal (Left Bank Books, Seattle, 1988) e de Future Primitive (Autonomedia, New York, 1994) livro agora traduzido para português pela Deriva e que lhe deu projecção internacional ao serem traduzidas versões para várias línguas. Questioning Technology (Freedom Press, Londres, 1988), The Mass Psychology of Misery, Tonality and the Totality, The Catastrophe of Postmodernism e The Nihilist's Dictionary contam-se entre as suas obras mais recentes. Em 2002, edita Against Civilization: Readings and Reflections, em Los Angeles.

domingo, julho 18, 2010

Futuro Primitivo, de John Zerzan


 O Futuro Primitivo é, para nós, a obra mais marcante de John Zerzan. Para além de reflectir uma revisitação teórica da Pré-História, ataca violentamente as ideias preconcebidas da antropologia oficial e dá-nos a possibilidade de encontrar uma ténue saída para a catástrofe iminente.
 
«A divisão do trabalho, que tanto contribuiu para nos submergir na crise global do nosso tempo, age diariamente para nos impedir de compreender a origem do terror do presente. Mary Lecron Foster (1990) peca, certamente por eufemismo, quando afirma que, hoje em dia, a antropologia está «ameaçada por uma fragmentação grave e destrutiva». Shanks e Tilley (1987) fazem eco de um problema semelhante: «o objecto da arqueologia não é somente o de interpretar o passado, mas de transformar a maneira como é interpretado em benefício da reconstrução social actual.» Evidentemente, as Ciências Sociais, por si só, limitam a perspectiva e a profundidade da visão necessária que permitiria uma reconstrução como esta. No capítulo referente às origens e ao desenvolvimento da Humanidade, o leque de disciplinas e de sub-disciplinas cada vez mais ramificadas – antropologia, arqueologia, paleontologia, etnologia, paleo-botânica, etno-antropologia, etc. – reflecte o efeito redutor e incapacitante que a civilização personificou desde o seu início.No entanto, a literatura especializada pode dar-nos uma ajuda bastante apreciável, na condição de a abordar com método e vigilância apropriadas, na condição de decidir não ultrapassar os seus limites. De facto, as deficiências destas maneiras de pensar mais ou menos ortodoxas correspondem às exigências de uma sociedade cada vez mais frustrada. A insatisfação da vida contemporânea transforma-se em desconfiança perante as mentiras oficiais que servem para legitimar tais condições de existência; ela permite, assim, desenhar um quadro mais fiel ao desenvolvimento da humanidade. Explicou-se, exaustivamente, a renúncia e a submissão que caracterizam a vida moderna pelas contingências da «natureza humana». No fim de contas, o mito da nossa existência pré-civilizada, pretensamente vivida por privações, brutalidade e ignorância acabou por fazer parecer a autoridade como uma benfeitoria que nos salvou da selvajaria. Invoca-se sempre o «Homem das Cavernas» e o «Homem de Neanderthal» para nos lembrar como nós seríamos sem religião, Estado ou trabalhos forçados.(...)» Futuro Primitivo, de John Zerzan

sexta-feira, março 12, 2010

Futuro Primitivo, John Zerzan

J

 "A divisão do trabalho, que tanto contribuiu para nos submergir na crise global de nosso tempo, age diariamente  para nos  impedir  de compreender a origem do terror do presente.  Mary Lecron Foster (1990) peca, certamente por eufemismo, quando afirma que hoje em dia, a antropologia está "ameaçada por uma fragmentação grave e destrutiva". (John Zerzan, Futuro Primitivo)

As ideias de John Zerzan situam-se na crítica à tecnologia e à cultura simbólica como origem da degenerescência da Humanidade que a iniciou com o advento da agricultura e da domesticação de toda a vida humana e da natureza. Rejeita, portanto, a divisão social e sexual do trabalho e o patriarcado, assim como a separação entre a Natureza e a Cultura. Singular, na visão de Zerzan, é a síntese de várias correntes filosóficas que elabora na crítica à sociedade moderna e pós-moderna como suportes que fazem parte de um mundo que se encontra moribundo. As fontes teóricas do Primitivismo a que Zerzan dá voz vão desde Adorno, aos situacionistas, à antropologia, ao ludismo, à ecologia e ao feminismo, assim como às correntes igualitárias e anti-autoritárias americanas e europeias. O Futuro Primitivo é, para nós, a obra mais marcante de John Zerzan. Para além de reflectir uma revisitação teórica da Pré-História, ataca violentamente as ideias preconcebidas da antroplogia oficial e dá-nos a possibilidade de encontrar uma ténue saída para a catástrofe iminente.


O livro está disponível aqui.

John Zerzan nasceu em 1943, em Oregon, EUA, e é licenciado em Ciências Políticas pela Stanford University e em História pela San Francisco State University. Preso em 1966, nos EUA, pela sua participação nos movimentos de desobediência civil e contra a guerra do Vietnam, conhecidos pelos tumultos de Berckeley. Abandonou, mais tarde, uma carreira universitária na University of Southern California. Hoje, dedica-se à educação de crianças e à jardinagem. Promove, ainda, conferências sobre o Primitivismo e Paleo-Anarquismo em todo o mundo. Destaca-se como escritor e filósofo do chamado Primitivismo com a edição de Elements of Refusal (Left Bank Books, Seattle, 1988) e de Future Primitive (Autonomedia, New York, 1994) livro agora traduzido para português pela Deriva e que lhe deu projecção internacional ao serem traduzidas versões para várias línguas. Questioning Technology (Freedom Press, Londres, 1988), The Mass Psychology of Misery, Tonality and the Totality, The Catastrophe of Postmodernism e The Nihilist's Dictionary contam-se entre as suas obras mais recentes. Em 2002, edita Against Civilization: Readings and Reflections, em Los Angeles.

quinta-feira, julho 05, 2007

Dia 6 de Julho, sexta, às 21:30, na Galeria Sargadelos, debate sobre Futuro Primitivo de John Zerzan

Arte Cavernícola

É na Galeria Sargadelos, aqui no Porto, que se vai debater o Futuro Primitivo de John Zerzan. os moderadores de um debate que se quer alargado a todos os presentes serão Rui Pereira, André Martins, António Alves da Silva e aqui o editor. É no dia 6 de Julho (sexta), pelas 21:30. A Galeria é na Rua Mouzinho da Silveira, 294 (quem desce da estação de S. Bento para a Ribeira, do lado esquerdo). O telefone é o 222011666. Haverá uma comunicação escrita de John Zerzan para o debate.

terça-feira, junho 19, 2007

Debate, dia 6 de Julho, pelas 21:30, sobre Futuro Primitivo de John Zerzan na Galeria Sargadelos, Porto




É na Galeria Sargadelos, aqui no Porto, que se vai debater o Futuro Primitivo de John Zerzan, a convite de André Martins. Vamos, com todo o gosto. As intervenções iniciais, porque esperamos outras mais tarde e de todos, são de António Alves da Silva e Rui Pereira. Lá estarei, também, para falar de um livro que me deu grande prazer editar.

É no dia 6 de Julho (sexta), pelas 21:30. A Galeria é na Rua Mouzinho da Silveira, 294. Tel.: 222011666.

terça-feira, junho 12, 2007

Já à venda - Futuro Primitivo de John Zerzan

Já está à venda Futuro Primitivo de John Zerzan que escreveu um prefácio à edição portuguesa. A capa é de Gémeo Luís, a tradução do prefácio de Cecília Gradim e as ilustrações/colagens de Arte Cavernícola (secção lusa). O livro tem 64 páginas, extensa bibliografia e é uma pedrada no charco na antropologia dita oficial. A uma nova visão da Pré-História e do Homem primitivo contrapõe-se uma necessidade de mudança com o fim de evitar uma catástrofe anunciada há muito na sociedade hodierna. Não é um livro de fim-de-semana. Também não é para conformistas ou para gente cujos percursos nómadas habituais é de casa para o supermercado mais próximo. São 12 euros; 10.50, para assinantes cá da multinacional (aqui, por encomenda).

Para saber mais sobre o livro e sobre o autor clicar em John Zerzan.

domingo, maio 20, 2007

Futuro Primitivo de John Zerzan, a publicar dentro de dias

Capa de Gémeo Luís

John Zerzan nasceu em 1943, em Oregon, EUA, e é licenciado em Ciências Políticas pela Stanford University e em História pela San Francisco State University. Preso em 1966, nos EUA, pela sua participação nos movimentos de desobediência civil e contra a guerra do Vietnam, conhecidos pelos tumultos de Berckeley. Abandonou, mais tarde, uma carreira universitária na University of Southern California. Hoje, dedica-se à educação de crianças e à jardinagem. Promove, ainda, conferências sobre o Primitivismo e Paleo-Anarquismo em todo o mundo. Destaca-se como escritor e filósofo do chamado Primitivismo com a edição de Elements of Refusal (Left Bank Books, Seattle, 1988) e de Future Primitive (Autonomedia, New York, 1994) livro agora traduzido para português pela Deriva e que lhe deu projecção internacional ao serem traduzidas versões para várias línguas. Questioning Technology (Freedom Press, Londres, 1988), The Mass Psychology of Misery, Tonality and the Totality, The Catastrophe of Postmodernism e The Nihilist's Dictionary contam-se entre as suas obras mais recentes. Em 2002, edita Against Civilization: Readings and Reflections, em Los Angeles.

As ideias de John Zerzan situam-se na crítica à tecnologia e à cultura simbólica como origem da degenerescência da Humanidade que a iniciou com o advento da agricultura e da domesticação de toda a vida humana e da natureza. Rejeita, portanto, a divisão social e sexual do trabalho e o patriarcado, assim como a separação entre a Natureza e a Cultura. Singular, na visão de Zerzan, é a síntese de várias correntes filosóficas que elabora na crítica à sociedade moderna e pós-moderna como suportes que fazem parte de um mundo que se encontra moribundo. As fontes teóricas do Primitivismo a que Zerzan dá voz vão desde Adorno, aos situacionistas, à antropologia, ao luddismo, à ecologia e ao feminismo, assim como às correntes igualitárias e anti-autoritárias americanas e europeias. O Futuro Primitivo é, para nós, a obra mais marcante de John Zerzan. Para além de reflectir uma revisitação teórica da Pré-História, ataca violentamente as ideias preconcebidas da antropologia oficial e dá-nos a possibilidade de encontrar uma ténue saída para a catástrofe iminente.

«Definir» um mundo não alienado seria impossível e talvez indesejável, mas creio que podemos e deveríamos tentar revelar o não-mundo dos nossos dias e como se chegou até ele. Caímos num monstruoso erro ao adoptarmos a cultura simbólica e a divisão do trabalho, abandonando um mundo de deslumbramento, compreensão e totalidade e esperando por um Nada que nós encontramos, hoje, na doutrina do progresso. Vazia, cada vez mais vazia, a lógica da domesticação, com as suas exigências de domínio total, mostra-nos a ruína de uma civilização que destrói tudo em que toca. Presumir a inferioridade da natureza favorece o domínio de sistemas culturais que não tardarão a tornar a Terra inabitável.
O pós-modernismo diz-nos que uma sociedade sem relações de poder não é mais que uma abstracção. É uma mentira, a menos que aceitemos a morte da natureza e que renunciemos para sempre ao que foi e que poderá, um dia, vir a ser de novo. Turnbull falou-nos da intimidade entre os Mbuti e a floresta, e da sua maneira de dançar como se fizessem amor com ela. Na fímbria de uma vida onde todos os seres são iguais, onde não existia nenhuma abstracção e que se esforça ainda por manter-se viva, eles «dançam com a floresta, dançam com a lua». (Futuro Primitivo, 2007, Deriva). Esta edição portuguesa da Deriva é acompanhada por um prefácio do autor.

John Zerzan

sábado, março 17, 2007

Futuro Primitivo de John Zerzan, a publicar em Abril

John Zerzan publicará Futuro Primitivo, na Deriva, com um novo prefácio para a edição portuguesa, datado de 2006, o último das muitas edições que esta obra conheceu pelo mundo, desde o seu aparecimento em 1994. Trata-se de uma obra importantíssima pela recusa em enveredar pela cartilha da antropologia oficial (que Zerzan tão bem desmascara) e por uma perspectiva completamente nova da pré-história que nos é dada por este pensador libertário. Tudo é posto em causa: o trabalho, o patriarcado, a guerra primitiva, a família e a propriedade. A subtileza argumentativa do autor reside no uso que faz das ideias centrais e das afirmações dos académicos e cruzá-las de modo a parecerem, afinal, um conjunto de contradições insanáveis. A obra apresentará uma nova tradução.
«A divisão do trabalho, que tanto contribuiu para nos submergir na crise global do nosso tempo, age diariamente para nos impedir de compreender a origem do terror do presente. Mary Lecron Foster (1990) peca, certamente por eufemismo, quando afirma que, hoje em dia, a antropologia está «ameaçada por uma fragmentação grave e destrutiva». Shanks e Tilley (1987) fazem eco de um problema semelhante: «o objecto da arqueologia não é somente o de interpretar o passado, mas de transformar a maneira como é interpretado em benefício da reconstrução social actual.» Evidentemente, as Ciências Sociais, por si só, limitam a perspectiva e a profundidade da visão necessária que permitiria uma reconstrução como esta. No capítulo referente às origens e ao desenvolvimento da Humanidade, o leque de disciplinas e de sub-disciplinas cada vez mais ramificadas – antropologia, arqueologia, paleontologia, etnologia, paleo-botânica, etno-antropologia, etc. – reflecte o efeito redutor e incapacitante que a civilização personificou desde o seu início.
No entanto, a literatura especializada pode dar-nos uma ajuda bastante apreciável, na condição de a abordar com método e vigilância apropriadas, na condição de decidir não ultrapassar os seus limites. De facto, as deficiências destas maneiras de pensar mais ou menos ortodoxas correspondem às exigências de uma sociedade cada vez mais frustrada. A insatisfação da vida contemporânea transforma-se em desconfiança perante as mentiras oficiais que servem para legitimar tais condições de existência; ela permite, assim, desenhar um quadro mais fiel ao desenvolvimento da humanidade. Explicou-se, exaustivamente, a renúncia e a submissão que caracterizam a vida moderna pelas contingências da «natureza humana». No fim de contas, o mito da nossa existência pré-civilizada, pretensamente vivida por privações, brutalidade e ignorância acabou por fazer parecer a autoridade como uma benfeitoria que nos salvou da selvajaria. Invoca-se sempre o «Homem das Cavernas» e o «Homem de Neanderthal» para nos lembrar como nós seríamos sem religião, Estado ou trabalhos forçados.(...)»

Futuro Primitivo, de John Zerzan (a publicar em Abril, págs. 1 e 2)