![]() |
| Os últimos livros da coleção de ficção da Deriva têm nomes como Xavier Queipo, Pedro Teixeira Neves, João Paulo Sousa, Paulo Kellerman e Anjel Rekalde. |
Mostrar mensagens com a etiqueta Paulo Kellerman. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paulo Kellerman. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, dezembro 31, 2012
Em 2013 poderá adquirir alguns títulos da coleção de ficção da Deriva
Marcadores:
Anjel Rekalde,
Deriva,
João Paulo Sousa,
Paulo Kellerman,
Pedro Teixeira Neves,
Xavier Queipo
terça-feira, dezembro 04, 2012
Edição espanhola de Os Mundos Separados que Partilhamos, de Paulo Kellerman
![]() |
| Só soubemos hoje. A editora espanhola é a Baile del Sol (grande nome para uma editora, diga-se), a capa é interessante e Paulo Kellerman está de parabéns. Vamos dando notícias. |
domingo, dezembro 02, 2012
Chega de Fado, de Paulo Kellerman
![]() |
| O último livro de Paulo Kellerman editado pela Deriva. Uma entrevista a Novos Livros: |
1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Chega de Fado»?
R- É a quarta colectânea de contos que publico na Deriva. Tecnicamente, continuo a tentar diversificar e explorar as potencialidades das formas mais breves de narrativa, seja o conto, a micro-narrativa, o diálogo dramático. Tematicamente, perpassa por todo o livro – o que acontece pela primeira vez, de modo consistente – um certo desejo de indignação e insurreição, que caracteriza as personagens (normalmente apáticas e conformadas, quase desistentes) mas que também pode ter uma leitura mais abrangente e ser lido no contexto do nosso actual momento social. Daí o título do livro, no sentido em que o termo “fado” pode designar, de forma abrangente, um certo estado de espírito melancólico e dramático, resignado, uma persistente lamúria e passividade, uma desistência sofrida, uma saudade passiva do que foi.
2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- O livro é constituída por dezenas de estórias que foram escritas ao longo dos últimos dois anos e, na sua maioria, divulgadas no blogue. Parti do conceito do título e seleccionei, sequenciei e, por vezes, reescrevi todas essas estórias de forma a formar os dez “capítulos” que constituem o livro; cada um destes “capítulos” é composto por um número variável de contos que retratam diversos momentos do relacionamento entre as personagens que integram esse “capítulo” e tendem a derivar para uma intenção de resolução, de superação, de confrontação. O livro nunca deixa de ser uma colectânea de contos, onde cada estória é autónoma e vale por si, mas encerra igualmente uma leitura mais subliminar, já que cada um dos “capítulos” pode ser visto como um esquiço de uma novela em potência.
3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Estórias que vou colocando no blogue, uma peça de teatro e os primeiros alinhavos de um romance que não sei se virá a ser efectivamente escrito.
__________
Paulo Kellerman
Chega de Fado
Deriva Editores, 13€
quinta-feira, maio 10, 2012
Feira do Livro de Lisboa: ir ao A44 ver os livros de Paulo Kellerman
quarta-feira, março 28, 2012
Paulo Kellerman lança novo ebook. A 31 de Março, 22:00, Bar Alinhavar, em Leiria
sábado, setembro 17, 2011
Consultório, de Paulo Kellerman
De Paulo Kellerman, autor de Gastar Palavras (2006), Os Mundos Separados que Partilhamos (2007), Silêncios entre Nós (2008, ) Chega de Fado (2010), todos publicados na Deriva, chega-nos agora, o e-book Consultório, que reúne seis contos originais e seis pinturas de Joana Lucas.
sábado, dezembro 18, 2010
Chega de Fado, Paulo Kellerman
Chega de Fado, o quarto livro de contos de Paulo Kellerman editado pela Deriva, representa a consolidação do percurso discreto mas sólido, e em diversos aspectos ímpar, que este escritor tem vindo a desenvolver. Explorando ao máximo as potencialidade na narrativa breve e marcado por uma construção original. Chega de Fado é um livro habitado por vinte personagens que, unidas em duplas, compõem dez “capítulos” que o formam; em cada um destes “capítulos” (verdadeiros esquissos de potenciais romances), as estórias vão-se sucedendo sob diversas formas narrativas (contos, micro-narrativas, diálogos dramáticos) e evoluindo ou desenvoluindo até à inevitável, e por vezes inconsequente, confrontação total.
Desta multiplicidade de estórias, formatos e vozes nasce uma radiografia desapaixonada e incisiva do quotidiano, um retrato cru dos gestos e dos silêncios, das banalidades e das frustrações, das esperanças e dos secretismos que atravessam as relações e caracterizam a precariedade e imprevisibilidade dos comportamentos e sentimentos de todos nós. Numa escrita elegante e sensível, Paulo Kellerman compõe ambientes urbanos e impessoais perpassados pela omnipresença da incomunicação e da melancolia, ambientes sombrios povoados por seres ávidos de intimidade e compreensão mas incapazes de alcançar uma qualquer forma de felicidade, mesmo que transitória. Ambientes saturados de pessimismo e desânimo, de apatia e solidão, de impotência, de desconforto existencial; até que alguém se insurge e grita chega de repetição e passividade monotonia, chega de lamúria; chega de fado.
quarta-feira, agosto 18, 2010
Importa-se de parar de olhar para mim? - um conto de Paulo Kellerman
De repente, ele diz: importa-se de parar de olhar para mim?
Sinto um súbito embaraço, vergonha misturada com surpresa, vontade de fugir; ou de reagir; mas limito-me a murmurar, em tom humilde: peço desculpa. E volto a cabeça, ostensivamente.
Penso que ninguém se terá apercebido desta breve troca de palavras, ou que ninguém se tenha importado, se tenha surpreendido, o que limita o meu embaraço. Mas o autocarro está cheio - imagino que esteja cheio - e é impossível mudar de lugar; tenho de permanecer aqui, em frente a este homem que acabou de me proibir de o olhar; e não sei bem o que fazer: olhar para a direita ou para a esquerda rapidamente me provocará dores no pescoço, e talvez na coluna; e, neste momento, já tenho dores suficientes. Por isso, penso que resta olhar para os sapatos; pergunto-me por que se terá incomodado o homem com o meu olhar; depois, tento imaginá-lo: pela voz, suponho que será alguém mais velho que eu; talvez seja um pouco atarracado, pequenino: vozes agressivas compensam, muitas vezes, estaturas minúsculas; talvez um aposentado precoce, por motivos de saúde; alguém contrariado, que se considera demasiado infeliz, injustamente maltratado pelas forças do universo; um homem dolorosamente banal, que sabe que a sua passagem pelo mundo não modificou absolutamente nada. Ou seja: alguém que me poderia entender. Mas estou a fantasiar, como sempre faço. A sua inesperada agressividade indispôs-me contra esta pessoa, que talvez até seja encantadora. Mas também tenho o direito de me indignar, de ser irracional: e apesar de não o conhecer, odeio-o. Um daqueles ódios viscerais, que por vezes me corroem e dilaceram; o ódio intemporal e genérico que transporto na minha alma, desde sempre, e que por vezes não consigo deixar de focalizar em alguém específico, como se fosse esse alguém a causa única da minha raiva.
Tento distrair-me, com as divagações habituais: sendo cego, deveriam permitir que olhasse para onde desejasse; para os outros, deveria ser indiferente que os olhasse ou não, já que não os posso ver; contudo, acontece o contrário: apesar de não ver, meu olhar parece incomodar mais que o olhar dos que podem ver. Como se imaginassem o meu olhar como uma acusação, um pedido de desculpas. E vou pensando nisto, remoendo os mesmos pensamentos de sempre, as mesmas lamentações de sempre, as mesmas culpas de sempre.
O tempo vai passando, devagarinho e escuro. Esforço-me por me manter distraído, o que é fundamental para não cair na tentação de ter pena de mim, de me chorar; penso no homem e tento odiá-lo, tranquilamente, anonimamente; na verdade, preciso de odiar os outros - um outro qualquer - para não me odiar a mim, ou para esquecer que me odeio.
Gostava de ser uma pessoa normal, fazer o que faz uma pessoa normal: olhar pela janela, por exemplo. E ver. Olhar lá para fora; ver a paisagem desfilar; e não pensar, não pensar, em nada. Olhar, simplesmente: porque olhar e ver é fugir; e eu estou preso em mim. Condenado a mim.
O autocarro pára e o homem sai; sinto-o passar junto de mim, respiro o seu cheiro, a sua hostilidade, a sua pressa. Não resisto a imaginar-lhe um destino; e como sempre, os destinos que fantasio para aqueles que odeio representam os destinos que desejo para mim mas sei que nunca viverei; o que me permite aprofundar o ódio, descobrir novas nuances no ódio que preciso de ir alimentando, para que depois me alimente dele. Mais importante que tudo: é preciso distrair-me de mim. Fingir que posso fugir.
Estou tão absorvido que, de início, nem reparo que a mulher que se senta ao meu lado falou para mim; mas depois, quando percebo o sentido da sua frase, compreendo que só pode estar a dirigir-se a mim. Disse ela: sabia que o senhor que acabou de sair, aquele que se chateou consigo, também era cego?
Não, claro que não fazia ideia. No meu silêncio, ela adivinha a minha resposta; e não insiste no diálogo - que certamente não lhe interessa -, sente que já cumpriu a sua função. Deixa-me só, com a minha estupefacção. Penso no inesperado da situação, no ridículo: dois cegos a olharem-se, sentindo que estão a ser olhados, incapazes de suspeitar que estão a ser olhados por outro cego. Olham: mas não vêem nem são vistos. E fico a pensar nisto. Não ver nem ser visto; ou seja: não existir. Fico a pensar nisto durante muito tempo. Distraído.
Paulo Kellerman, in Gastar Palavras

TODOS OS LIVROS DO PAULO KELLERMAN AQUI
quarta-feira, julho 28, 2010
[a entrevista a Paulo Kellerman foi retirada do blogue Novos Livros]
1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Chega de Fado»?
R- É a quarta colectânea de contos que publico na Deriva. Tecnicamente, continuo a tentar diversificar e explorar as potencialidades das formas mais breves de narrativa, seja o conto, a micro-narrativa, o diálogo dramático. Tematicamente, perpassa por todo o livro – o que acontece pela primeira vez, de modo consistente – um certo desejo de indignação e insurreição, que caracteriza as personagens (normalmente apáticas e conformadas, quase desistentes) mas que também pode ter uma leitura mais abrangente e ser lido no contexto do nosso actual momento social. Daí o título do livro, no sentido em que o termo “fado” pode designar, de forma abrangente, um certo estado de espírito melancólico e dramático, resignado, uma persistente lamúria e passividade, uma desistência sofrida, uma saudade passiva do que foi.
2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- O livro é constituída por dezenas de estórias que foram escritas ao longo dos últimos dois anos e, na sua maioria, divulgadas no blogue. Parti do conceito do título e seleccionei, sequenciei e, por vezes, reescrevi todas essas estórias de forma a formar os dez “capítulos” que constituem o livro; cada um destes “capítulos” é composto por um número variável de contos que retratam diversos momentos do relacionamento entre as personagens que integram esse “capítulo” e tendem a derivar para uma intenção de resolução, de superação, de confrontação. O livro nunca deixa de ser uma colectânea de contos, onde cada estória é autónoma e vale por si, mas encerra igualmente uma leitura mais subliminar, já que cada um dos “capítulos” pode ser visto como um esquiço de uma novela em potência.
3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Estórias que vou colocando no blogue, uma peça de teatro e os primeiros alinhavos de um romance que não sei se virá a ser efectivamente escrito.
R- O livro é constituída por dezenas de estórias que foram escritas ao longo dos últimos dois anos e, na sua maioria, divulgadas no blogue. Parti do conceito do título e seleccionei, sequenciei e, por vezes, reescrevi todas essas estórias de forma a formar os dez “capítulos” que constituem o livro; cada um destes “capítulos” é composto por um número variável de contos que retratam diversos momentos do relacionamento entre as personagens que integram esse “capítulo” e tendem a derivar para uma intenção de resolução, de superação, de confrontação. O livro nunca deixa de ser uma colectânea de contos, onde cada estória é autónoma e vale por si, mas encerra igualmente uma leitura mais subliminar, já que cada um dos “capítulos” pode ser visto como um esquiço de uma novela em potência.
3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Estórias que vou colocando no blogue, uma peça de teatro e os primeiros alinhavos de um romance que não sei se virá a ser efectivamente escrito.
Os livros do Paulo na Deriva:
terça-feira, julho 20, 2010
Apresentação de "Chega de Fado", de Paulo Kellerman - dia 24/7 - Marinha Grande
Apresentação de Chega de Fado, de Paulo Kellerman, dia 24 de Julho, pelas 21.30, no Sport Operário Marinhense (Bar), na Marinha Grande.
Dramatização de alguns excertos do livro pelo GATO - grupo Teatral (encenação Pedro Wilson).
Dramatização de alguns excertos do livro pelo GATO - grupo Teatral (encenação Pedro Wilson).
sexta-feira, julho 09, 2010
Apenas de Passagem (e.book), de Paulo Kellerman
Paulo Kellerman autor que já publicou na Deriva quatro livros: Gastar Palavras, Silêncios entre Nós, Os Mundos Separados que Partilhamos e, recentemente, Chega de Fado, publica agora, em formato digital, o resultado das cumpliciades com Tina Azinheiro.
Disponível na Livraria Arquivo.
quarta-feira, junho 02, 2010
Os autores da Deriva na Feira do Livro do Porto [programação]
Sábado 5 de Junho, 21h30 | LEITURAS CRUZADAS [Praça Azul]
João Paulo Sousa (O Mundo Sólido) e valter hugo mãe
domingo, 6 de Junho, 18h
Bando dos Gambozinos (Com quatro pedras na mão)
(praça ESMAE)
quarta, 9 de Junho, 21h30 | Pelos Caminhos de Portugal (auditório)
Álvaro Domingues, Miguel Carvalho (Aqui na Terra)
domingo, 13 de Junho, 17h30 | LEITURAS CRUZADAS (auditório)
Fernando Pinto Amaral, Paulo Kellerman [Chega de Fado]
sexta, 18 de Junho, 18h30 | LEITURAS CRUZADAS (auditório)
António Mega Ferreira, Filipa Leal
sexta, 18 de Junho, 21h30 | LEITURAS CRUZADAS [Praça Azul]
Pedro Eiras, Rui Zink
João Paulo Sousa (O Mundo Sólido) e valter hugo mãe
domingo, 6 de Junho, 18h
Bando dos Gambozinos (Com quatro pedras na mão)
(praça ESMAE)
quarta, 9 de Junho, 21h30 | Pelos Caminhos de Portugal (auditório)
Álvaro Domingues, Miguel Carvalho (Aqui na Terra)
domingo, 13 de Junho, 17h30 | LEITURAS CRUZADAS (auditório)
Fernando Pinto Amaral, Paulo Kellerman [Chega de Fado]
sexta, 18 de Junho, 18h30 | LEITURAS CRUZADAS (auditório)
António Mega Ferreira, Filipa Leal
sexta, 18 de Junho, 21h30 | LEITURAS CRUZADAS [Praça Azul]
Pedro Eiras, Rui Zink
terça-feira, maio 11, 2010
Chega de Fado de Paulo Kellerman, por Henrique Fialho
[Recensão a Chega de Fado de Paulo Kellerman, no Rascunho.net, por Henrique Fialho ]
O percurso que marca a afirmação de Paulo Kellerman (n. 1974) como um dos mais consistentes contistas portugueses começou com várias publicações caseiras que coligiam estórias mais ou menos absurdas, grotescas, irónicas. A primeira colectânea que a Deriva lhe publicou − Gastar Palavras (2005, Grande Prémio de Conto “Camilo Castelo Branco” C.M. de Vila Nova de Famalicão/ APE em 2006) – revelou-nos um autor com suficiente agilidade para, dentro de um mesmo registo narrativo, produzir inflexões nas temáticas predilectas e experimentar novos caminhos. Se é verdade que algumas das publicações caseiras já vinham anunciando um autor especialmente focalizado nas rotinas da vida a dois, menos verdade não será que essas rotinas foram sendo aprofundadas do ponto de vista reflexivo nos livros subsequentes: Os Mundos Separados que Partilhamos (2007) e Silêncios Entre Nós (2008). Nesses livros, erguidos a partir de diálogos informais com pinturas de diversos artistas, a vida a dois aparece retratada sob uma perspectiva existencial, refém da melancolia e da monotonia que o objecto observado imprime no observador. Não se nota em nenhuma dessas compilações um esforço de distanciamento que permitisse pensar as relações humanas neste mundo contemporâneo, que só dizemos civilizado por distracção, para lá da previsibilidade dos comportamentos mais facilmente detectáveis. O que se nota é uma revelação perspicaz da fractura que a encenação da vida conjugal civilizada estabelece entre a intimidade e a partilha. [continue a ler aqui]
sexta-feira, abril 16, 2010
Fernando Ramalho, no Le Monde Diplomatique, escreve sobre Chega de Fado
Bom, a crítica de Fernando Ramalho sobre Chega de Fado de Paulo Kellerman, neste número de Abril do Le Monde Diplomatique, é densa, pormenorizada e criteriosa. Sinceramente gostámos de a ler. Apontamos esta parte final:
«Quase sempre, a tensão principal é entre a angústia de manter as coisas como estão e a incerteza de mudar o rumo das coisas, sendo que, também quase sempre, a opção que vence é a segunda. É por isso que, em certo sentido, este livro é uma espécie de elogio da determinação e do optimismo, mesmo que o desenraizamento que implica a mudança seja a semente que criará novas raízes, ou seja, novos bloqueios, angústias, incertezas. Apesar disso tudo, valerá a pena viver o risco. Ao «chega de fado» talvez valesse a pena acrescentar chega de raízes, chega de etimologia».
Pedro Teixeira Neves escreve sobre Chega de Fado na TicketLine Magazine
No último número da TcketLine Magazine, revista de grande tiragem e divulgação, e na sua página de Livros, Pedro Teixeira Neves escreve sobre Chega de Fado de Paulo Kellerman referindo-se-lhe como um dos maiores contistas da nova geração de escritores portugueses. Um nota importante de um crítico (PnetLiteratura), também ele, contista e escritor.
segunda-feira, abril 12, 2010
Apresentação “Chega de Fado”, Paulo Kellerman, com argumentos gastronómicos .....
Apresentação de Chega de Fado, de Paulo Kellerman a 17 de Abril (Sábado), na Livraria Arquivo
Com a presença d’ O Gato - Grupo de Teatro (Encenador: Pedro Wilson).
O convívio (e o lanche / jantar / ceia) continua no Bar Alinhavar...
A quem não bastarem os argumentos literários, eis os argumentos gastronómicos (cortesia da Lídia)....
- Mini muffin de laranja com peru fumado e molho arando;
- Caixinhas de milho com ceviche de camarão, manga e lima;
- Mini croquete monsieur;
- Empadinhas picantes de chouriço;
- Biscoito de queijo;
- Mini folhado de alheira;
- Tranche de café e chocolate com creme de queijo e framboesa;
- Bolinhos de coco;
- Bolinhos de gema;
- Quadrados de chocolate e caramelo;
- Muffins de chocolate com ganache;
- Fruta.
Arquivo - Av. Comb. da Grande Guerra (Leiria)
Alinhavar - Largo de Infantaria 7 (Leiria)
domingo, abril 11, 2010
Chega de Fado, Paulo Kellerman
Claro que me sinto terrível, ao pensar isto; da mesma forma que me senti terrível no parque, quando pensei em homens que passeiam cães como se fossem seus filhos e homens que passeiam os seus filhos como se fossem cães (sinto de novo um incómodo no estômago, ao consciencializar este pensamento repugnante; e contraio-me ligeiramente, talvez até tenha feito uma careta de repulsa; a miúda atenta e preocupada, pergunta: estás doente papá?). Mas é precisamente por isso que não consigo deixar de a olhar, tentando talvez captar a atenção, o seu interesse; porque, na verdade, suponho que gostaria de discutir este assunto com alguém, conversar sem correr o risco de ser recriminado, confessar-me a alguém com pecados semelhantes; perceber que não sou o único.
Francisco/ Ângela, in Chega de Fado, Paulo Kellerman
domingo, abril 04, 2010
Chega de Fado | Paulo Kellerman - Ficção?
Regresso ao livro mas sou incapaz de me concentrar. Olho em redor mas nada me capta a atenção, nada me entusiasma a curiosidade; a miúda continua a correr de um lado para o outro, juntamente com outros miúdos. Há mais mães espalhadas pelos bancos (óculos escuros no cimo da cabeça e telemóveis nas mãos, olhares absortos), alguns casais de avós com máquinas fotográficas nas mãos e tristeza (ou será apenas indiferença?) nos olhares;gritos distantes da gente que joga futebol na outra ponta do parque misturados com os ruídos do tráfego da cidade, dissolvendo-se no sussurro dos pássaros escondidos pelas árvores.
ELE (curioso): Qual é a tua?
EU (apontando): A que tem o boné cor de laranja.
[...]
Fico a Vê-lo afastar-se, caminhando lentamente; o cão vai farejando o chão, um pouco mais atrás, indiferente ao dono. Há crianças que param durante uns instantes a olhar o cão mas nenhuma se aproxima, talvez receosas, talvez envergonhadas.
Um homem passeia o cão. Como eu que passeio a minha filha.Paulo Kellerman, Chega de Fado
Chega de Fado, o quarto livro de contos de Paulo Kellerman editado pela Deriva, representa a consolidação do percurso discreto mas sólido, e em diversos aspectos ímpar, que este escritor tem vindo a desenvolver. Explorando ao máximo as potencialidade na narrativa breve e marcado por uma construção original. Chega de Fado é um livro habitado por vinte personagens que, unidas em duplas, compõem dez “capítulos” que o formam; em cada um destes “capítulos” (verdadeiros esquissos de potenciais romances), as estórias vão-se sucedendo sob diversas formas narrativas (contos, micro-narrativas, diálogos dramáticos) e evoluindo ou desenvoluindo até à inevitável, e por vezes inconsequente, confrontação total.
Desta multiplicidade de estórias, formatos e vozes nasce uma radiografia desapaixonada e incisiva do quotidiano, um retrato cru dos gestos e dos silêncios, das banalidades e das frustrações, das esperanças e dos secretismos que atravessam as relações e caracterizam a precariedade e imprevisibilidade dos comportamentos e sentimentos de todos nós. Numa escrita elegante e sensível, Paulo Kellerman compõe ambientes urbanos e impessoais perpassados pela omnipresença da incomunicação e da melancolia, ambientes sombrios povoados por seres ávidos de intimidade e compreensão mas incapazes de alcançar uma qualquer forma de felicidade, mesmo que transitória. Ambientes saturados de pessimismo e desânimo, de apatia e solidão, de impotência, de desconforto existencial; até que alguém se insurge e grita chega de repetição e passividade monotonia, chega de lamúria; chega de fado.
Desta multiplicidade de estórias, formatos e vozes nasce uma radiografia desapaixonada e incisiva do quotidiano, um retrato cru dos gestos e dos silêncios, das banalidades e das frustrações, das esperanças e dos secretismos que atravessam as relações e caracterizam a precariedade e imprevisibilidade dos comportamentos e sentimentos de todos nós. Numa escrita elegante e sensível, Paulo Kellerman compõe ambientes urbanos e impessoais perpassados pela omnipresença da incomunicação e da melancolia, ambientes sombrios povoados por seres ávidos de intimidade e compreensão mas incapazes de alcançar uma qualquer forma de felicidade, mesmo que transitória. Ambientes saturados de pessimismo e desânimo, de apatia e solidão, de impotência, de desconforto existencial; até que alguém se insurge e grita chega de repetição e passividade monotonia, chega de lamúria; chega de fado.
Chega de Fado nas livrarias e na loja online da Deriva.
sexta-feira, abril 02, 2010
Chega de Fado, de Paulo Kellerman (nas livrarias)
"Sim, talvez continue à espera que chegues. Que venhas: e sorrias.Dirás (possivelmente) que tiveste saudades e olharás para mim em silêncio, durante um instante; e depois? Um beijo, breve, na face ou na testa ou no cabelo; e pegarás no meu copo de água, beberás um pouco. Depois, ficaremos em silêncio, olhando-nos, confortáveis. Sem nada para dizer, para acrescentar." (Paulo Kellerman, Chega de Fado)
Chega de Fado é um livro sobre os intervalos da vida. Sobre os entretantos que ocupam mais que a própria vida. Não há aqui epifanias, revelações, apenas quotidianos e banalidades. Os piores quotidianos e as piores banalidades, porque são exactamente aquelas que não queremos ver, aquelas que não admitimos viver. Chega de fado não é sobre a "vidinha," é sobre as vidas dos outros e a nossa. Vidas precárias, sentimentos precários, sensações precários. Um retrato da nossa imperfeição.
Um livro sobre a indiferença, sobre as barreiras, sobre as insuficiências das palavras e dos silêncios.
quarta-feira, março 31, 2010
Chega de Fado nas livrarias
pg.8, in Paulo Kellerman, Chega de Fado"Gostaria que despedida não estivesse a ser tão triste, tão melancólica, tão amargurada. Ou que fosse diferente, apenas; por exemplo: poderíamos conversar tranquilamente sobre os nossos planos para o futuro, partilhando um último maço de cigarros; ou recordar estórias antigas, sorrindo. Empurrar as caixas juntos e rir com gosto (uma última vez e por ser a última, talvez fossem os melhores risos de sempre)" quando elas se rebentassem à entrada do elevador ou algum vizinho se queixasse do barulho.As caixas vão ficando cheias, devagarinho; simultaneamente, sinto que a minha vida vai ficando mais vazia, mais leve, pronta para recomeçar."
Subscrever:
Mensagens (Atom)

































