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segunda-feira, fevereiro 26, 2024

«Vidas Passadas» e «Anatomia de uma Queda»

 


Nora nasceu na Coreia do Sul, onde viveu até aos 12 anos, quando os pais resolveram emigrar para o Canadá. Nessa altura, o que mais lhe custou foi deixar Hae Sung, o seu amigo mais próximo. 

Os anos passaram e ela mudou-se para Nova Iorque, onde é agora uma dramaturga de sucesso e vive feliz com Arthur, o seu marido americano. O amigo, por seu lado, manteve-se na Coreia, formou-se em engenharia mecânica e serviu algum tempo como militar. 

Um dia, através da internet, Nora e Hae Sung retomam o contacto. E quando, alguns anos depois, ele decide visitar Nova Iorque, os dois marcam um encontro. A resolução de se estarem juntos novamente será uma viagem ao passado que se vai revelar bastante dolorosa.

Estreado no Festival de Cinema de Sundance e nomeado para os Óscares de melhor filme e argumento original, esta reflexão semi-autobiográfica sobre o amor e o destino é escrita e realizada pela canadiana de origem sul-coreana Celine Song, que aqui se estreia em cinema. Greta Lee, Teo Yoo e John Magaro dão vida às personagens. PÚBLICO


Samuel é encontrado morto após cair da varanda da sua casa, situada nos Alpes franceses, onde vivia com a mulher, Sandra, uma famosa escritora alemã, e Daniel, o filho de onze anos de ambos.

Quando as autoridades chegam para tomar conta da ocorrência, a dúvida instala-se: terá sido acidente, suicídio ou homicídio? Depois de algumas inconsistências no seu testemunho, Sandra torna-se suspeita de assassinato, algo que é agravado quando Daniel refere as recentes discussões entre o casal.

Durante a investigação e, mais tarde, no longo processo em tribunal, o casamento deles é escrutinado, com Daniel a ser pressionado a descrever a relação dos pais. Isso vai criar uma inevitável tensão na relação entre mãe e filho.

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2023 e considerado o melhor filme pela Academia do Cinema Europeu, "Anatomia de Uma Queda" está nomeado para 11 Césares e para cinco Óscares da Academia de Hollywood, entre eles os de melhor filme, realizador e actriz principal.

Este drama familiar tem realização de Justine Triet (Na Cama Com VictoriaSibyl), que escreve o argumento com Arthur Harari – seu companheiro e também argumentista e realizador de Onoda - 10.000 Noites na Selva (2021) – e conta com as actuações de Sandra Hüller, Swann Arlaud, Milo Machado Graner e Samuel Theis. PÚBLICO

quinta-feira, março 16, 2023

«A Voz das Mulheres», de Sarah Polley

 

Não cheguei a entender (mea culpa) se o filme, baseado em factos reais numa colónia evangélica na Bolívia, entre 2005 e 2009, onde várias mulheres eram sistematicamente violadas, tinha por objetivo a crítica implícita a toda a sociedade patriarcal ou só era explícito a violência particular daqueles actos concretos. Se assim foi, nesta segunda hipótese, é um filme consistente e atingiu os seus objetivos, se não, temos aqui metáforas não totalmente conseguidas: será possível transpor esta situação a toda uma sociedade oprimida? E se assim é, a solução entre fugir, ficar ou lutar, base de toda a discussão entre as mulheres violentadas, será a de fugir? Não me parece, se foi essa a mensagem da escritora canadiana Miriam Toews, uma solução inteiramente digna para quem apresenta uma possibilidade de liberdade da mulher. Ou de uma sociedade? 

sábado, fevereiro 25, 2023

«Tár»

 

2022. De Todd Field. Com Cate Blanchett e Nina Hoss
Creio ser já um lugar comum afirmar que é um grande filme, embora fuja, até certo ponto, à matriz de Hollywood. Creio igualmente que todos estiveram com atenção ao seu início com a entrevista de Tár: o Tempo torna-se o mote da conversa levado inteligentemente para o debate pela maestrina protagonizada por uma Cate Blanchett soberba. O tempo que pode ser tanto o ritmado pelo metrónomo ou pelo tempo da vida, aquele que flui durante a nossa duração por aqui. A música pode ser matemática como liberdade pura. É razão e emoção. É Mahler ou Bach, os opostos. Tár vive obcecada pelo som, pelo tempo, e persegue-os e às personagens que os criam. O filme tem igualmente uma visão que pode ser caleidoscópica ou total: o poder que Tár exerce sobre tudo e todos os que a rodeiam sem se dar conta que há todo um mundo lá fora (da música e da política burocrática) que pode virar-se repentinamente contra ela pelo género, pela manipulação tecnológica da imagem (e, já agora, dos fonemas passados a palavras), pela comunicação social e redes sociais, por alunos e assistentes que usam contra o si o poder que lhes dá, numa teia onde, provavelmente, o mérito é o menos importante. Tár cai e a queda é ruidosa. Os seus inimigos exultam. Não por ser uma maestrina de excelência, e o filme abre-nos a porta a excertos musicais como é raro ver em filmes - Miguel Ramalhete Gomes fala disso aqui, num post seu sobre o filme, utilizando um termo «selvajaria» com que logo me identifiquei sobre o som da 5ª de Mahler que nos esmaga -, mas porque o jogo da substituição sem freio é o mote dos dias de hoje, mais do que o crime e castigo das tragédias. A queda está sempre presente, é sempre possível, em nós e o filme lembra-nos isso de uma forma inteligente.
alc

sábado, outubro 02, 2010

Festa do Cinema Francês - 11.ª edição


Festa do Cinema Francês from festa do cinema francês on Vimeo.


 A Festa do Cinema Francês apresenta o até 9 de Novembro, 125 sessões, em Lisboa, Almada, Porto, Guimarães, Faro e Coimbra. Nesta 11.ª edição, teremos  20 longas-metragens em antestreia nacional — quase todas com distribuição já assegurada para o nosso país, segundo os responsáveis do Instituto Franco-Português, que organiza a Festa.
De entre os filmes apresentados em antestreia, o público vai escolher o seu filme de eleição, atribuindo-lhe o Prémio do público e contribuindo para a sua difusão nas salas de cinema portuguesas.