terça-feira, dezembro 31, 2024
terça-feira, fevereiro 06, 2024
A Ideia 100 a 103. Desenho para o Suplemento de homenagem aos 100 anos de Mário Cesariny
domingo, janeiro 28, 2024
«A Ideia», 100 a 103. Outono de 2023
quinta-feira, janeiro 19, 2023
Na Galeria da Revista «A Ideia». Manuel de Castro e Pedro Oom
quarta-feira, janeiro 04, 2023
2 de janeiro - 100 anos do nascimento de Mário-Henrique Leiria
quinta-feira, dezembro 23, 2021
Abjectos Surreais - edição de 120 exemplares esgotada
sábado, dezembro 04, 2021
Abjectos Surreais metidos em trabalhos...surreais 1
quarta-feira, novembro 17, 2021
Aquisição do livro «Abjectos Surreais»
Neste momento, estou em condições de ceder-vos o meu livro sobre surrealistas portugueses, «Abjectos Surreais». São 14 desenhos meus, complementados com textos escolhidos dos autores e acompanhados pela bibliografia consultada. São eles: Pedro Oom, Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Mário-Henrique Leiria, António José Forte, Henrique Risques Pereira, António Dacosta, Carlos Eurico da Costa, Virgílio Martinho, Cruzeiro Seixas, Manuel de Castro, Manuel de Lima, Herberto Helder e Álvaro Lapa. A publicação foi das Artes Breves e o trabalho de composição foi de António Alves Martins. Tiragem 120 exemplares. A aquisição do livro far-se-á através do messenger e mail. Abraço-vos desde já.
domingo, outubro 03, 2021
Sobre o autor (eu mesmo) de «Abjectos Surreais»
Sobre o
autor: vive agora
em Coimbra, retornado há somente quatro anos. Tendo nascido na Sé Nova, na
Arregaça, onze anos depois do fim dos campos de concentração e cuja proximidade
cronológica com o extermínio em massa nazi o deixa, ainda, perplexo. Nessa altura,
os carros eram quase todos pretos, os caixotes de lixo eram de alumínio e
tinham o nome familiar de «Jacós». Aprendeu a ler, a escrever e não tanto a
contar. Nunca esteve muito tempo no mesmo lugar, acreditando ser um nómada algo
frustrado. Foi sedentário no Porto durante quase vinte anos, não abandonando
igualmente a frustração inerente a essa condição. Fundou e desligou a luz da
Deriva Editores após quinze anos e muitos livros editados. Expôs, em 2018,
também no Liquidâmbar, «Anjos do Desespero» desenhos onde pontificavam os
mensageiros da destruição e do amor entre poetas luminosos, filósofos obscuros
e terroristas dos anos de chumbo.
Consegue alguma paz de espírito desenhando e escrevendo; contudo, uma
inquietação fininha acalenta-lhe esperanças, provavelmente vãs, de que venha a
ser um pessimista cínico, coisa que não consegue por mais que tente. Hoje, com
«Abjectos Surreais» tenta levantar a poeira nas estradas da subversão, do
desejo e da plenitude reparando, tarde demais, que as estradas e as ruas foram,
entretanto, cobertas com alcatrão.
Contacto para aquisição de quadros: abjectossurreais@gmail.com
A base da apresentação que antes de tudo seria um anúncio, mas nem tanto assim foi
Não
se deve misturar surrealismo com academismo. Se o fizerem, o efeito imediato da
cicuta é o menos mau se comparado com a lástima que será a infusão de arsénico
num qualquer chá. O surrealismo foi um meu companheiro de longos anos passados
em cafés, em bares, em sítios improváveis, tomados com estricnina, fumado a
eito e partilhado verso a verso, imagem a imagem em janelas e vitrines chuvosas
ou em verões escaldantes debaixo de figueiras e carvalhos ou, se não atreitos
ao bucolismo (nada tinha de), em esplanadas ventosas com os pés ao alto para
não nos enterrarmos em alcatrão quente. Esse enterro veio mais tarde, já não em
pez, mas em lama algo lodosa.
Aí, nesses lugares probabilíssimos onde vivi com desespero feliz aninhava-me nas margens de rios dourados das fontes de Bagdade, alimentados por chuvas ácidas azuis de Berlim, por espremidas laranjas Vietname, onde peixes-voadores vinham sorver o oxigénio líquido dos hospitais, os salmões subiam pelas nossas coxas e nas paredes das galerias de arte, os cavalos loucos e ciosos galgavam as margens das estepes entre cães desamparados e gatos de olhos rutilantes de ódio cismático. Assim era o surrealismo sentido por mim. Em busca de derivas cadentes e incandescentes de desejo, esquadrinhava as lentes das cidades nocturnas fugindo ao dia que me dilacerava, adorando o sol e a morte que emanava. Os dias passavam-se na cadência de uma camioneta lenta, de um comboio de apeadeiros vazios e de boleias inúteis. As folhas contavam-se pelos livros que guardava e em algumas sentia com prazer estupendo os caracteres de tipos rugosos.
Lido
Helder e Cesariny, Pacheco e Oom, encontrava-os e encontrava-me em sigilo e
cumplicidade. Surrealistas? Alguns nem tanto. Atravessavam-lhes o abjeccionismo.
Surrealistas que não desejavam sê-lo. Abjeccionistas que não pretendiam a
abjecção pela abjecção. Neo-realistas arrependidos, outros arreigados às
comunidades. Os rótulos literários passaram-se para a reforma agrária e para os
apartamentos citadinos. As armas eram reclamadas pelo Mário-Henrique Leiria.
Nunca as usou, porque preocupado com o cão, presumo. Pouco me importaram estas tentativas
de branqueamento capital ou de personagem. Continuava a lê-los como último
recurso para uma vida que se queria vivida rápida e ferozmente, sem
compromissos. Abandonei Deus? É possível, enquanto descobria outros enviados
pelo surrealismo da casa, ainda assim próximo do cânone bretoniano, o tal papa
laico. Sagir ou a deusa-mãe, Ísis e Osíris e a Metaciência de António Maria Lisboa,
Milarepa de Lapa, Varuna de Manuel de Castro, Eros de Dacosta ou os deuses
animistas de Seixas. Ter-lhes-iam sido fiéis estes deuses, estranhamente
subsumidos nos seus pensamentos, nas palavras que diziam não serem sequer
necessárias para ser Poeta? Seria mesmo verosímil a sua busca pelas forças do
Caos em luta milenar contra os céus de mel e prazeres infinitos? A chamada dos deuses
fez-se em vida destas personagens terrenas com Baal em luta contra Enkil,
Varuna observando e incitando a desordem para convocar os deuses da ordem e do
bem. Ter-se-ão dado conta da luta interior convocada por eles? O perigo
iminente que os rondava?
Mais do que construírem as palavras e as imagens sob a batuta ortodoxa da metodologia automatista criaram a possibilidade de edificarem a República de Crianças, aquela que constitui o verdadeiro palco da crueldade, do amor, da verdade e dos jogos de guerra permanentes. Uma entidade indígena que não foi preservada pelos arqueólogos literários do costume, envoltos em cartografias manhosas, criadores de pequenas correntes de ar de que falava Helder, mas sim pela escolha límpida e cúmplice da auto-dissolução, pela vontade plenamente livre dos seus protagonistas.
Todos tiveram vidas trágicas, no sentido mais profundo da tragédia grega. Uma fusão de Diónisos com Afrodite e Eros, os deuses imoladores que menos mentiam e mais sentiam. E a maior parte deles pagaram com a existência em limite constante o desejo violento de uma outra vida. Esta terra não era para eles; demasiado mesquinha, feita de pides e informadores, magalas e marialvas, mulheres escravas e que gostavam de o ser, povo medroso, supersticioso e ritualista que fugia do comunismo e da democracia. Que idolatrava a pobreza e a castidade. Que poderia o poeta ser muito mais do que morrer abjectando tudo e todos? António Maria Lisboa, Manuel de Castro, Manuel de Lima, Pedro Oom, Mário-Henrique Leiria, António José Forte não morreram demasiado cedo. Pura e simplesmente não desapareceram porque não lhes deu para se prostrarem de deferência perante os vivos. Tentaram Paris e Londres, exigiam liberdade que cá não tinham e alguns acabaram a pedir sandes em Montparnasse para não morrer de fome, outros em minas de carvão na Checoslováquia, em navios de cruzeiro ou mercantes, outros adoeceram, enlouqueceram, empregaram-se e remeteram-se ao silêncio ou, pior, saíram de si próprios e não voltaram mais.
Acabado o Prec, a fase mais poética e insurrecional de que o povo português foi capaz (em muito esforço) nos meados do século XX, lá para 77, o surrealismo tornou-se-me mais distante. A provocação e a destruição de uma ordem fascista e abjecta deixou de existir e o sangue parou de correr na saudosa África. Disse o que queria dizer: abjecta. E, já muito antes, dei conta da dicotomia surrealismo/abjeccionismo tão caro aos debates áridos das academias que dizem desprezar trocadilhos nas palavras. Hoje o academismo «estuda», pomposo, o surrealismo rebaixando-o a «movimento» a «grupo» que os próprios rejeitaram.
Portanto, desde 1949, e para quem conhece a história surrealista, deparamos já com dissoluções e combates intestinos. A coisa assim foi até declararem, pela honestidade e frontalidade brutais que lhes são reconhecidas, que não haveria nenhum grupo surrealista, mas sim um conjunto de surrealistas que embora de iniciativas individuais os ligavam um fio de revolta e subversão, iniciado por manifestos comuns na década de 40 e 50.
Seja
como for, devo-lhes a vida. Devo-lhes a palavra, a textura, a cor e o som. Apontaram-me
as armas mais perigosas: as da subversão pelo amor e pela destruição. Não
levantei os braços em rendição. Dispararam. Hoje, acertámos contas. Estamos pagos.
Coimbra, 19 de Setembro de 2021
A Fotoreportagem da apresentação de «Abjectos Surreais». Fotos de Paulo Góis
As fotos são da autoria de Paulo Góis e o cartaz que se vê acima é de Ana Catarino
paulocostagois@gmail.com
Eu sei que não precisam nada disto, mas agradeço a presença de Ananda, Cristina Bertrand, Maria João, Isaura, Alzira, Abraão, António Alves Martins, Anabela, Anabela Santos, Margarida, Cristina, Paulo Góis, Arlete e todos aqueles que nos dias seguintes foram dar um salto à exposição de 14 desenhos e tiveram a paciência de me ouvir. Que foi divertido, lá isso foi. O catálogo, cuja capa foi votada democraticamente seguirá dentro de momentos para a tipografia!
terça-feira, setembro 28, 2021
O objecto de «Abjectos Surreais». Dia 1 a 18 de Outubro de 2021, no Liquidâmbar.
O objecto dos «Abjectos Surreais» (passe a cocofonia) é esse mesmo: uma revisitação aos surrealistas portugueses que mudaram profundamente a modorra do país que tínhamos e o autor não ficou incólume ao tirocínio. Depois deles, nada foi como dantes. Todos os surrealistas vivem agora em permanente errância num qualquer panteão dourado, continuando sempre presentes nas derivas muito pessoais à poesia, ao texto escrito, à acção. Coisas do outro mundo tão irreais quanto as estranhezas que nos assaltam todos os dias. Vou mostrar-vos, em catorze desenhos, como eu os vivo e convivo com eles. São eles: Pedro Oom, Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Mário-Henrique Leiria, António José Forte, Henrique Risques Pereira, António Dacosta, Carlos Eurico da Costa, Virgílio Martinho, Cruzeiro Seixas, Manuel de Castro, Manuel de Lima, Herberto Helder e Álvaro Lapa. Estes dois últimos porque sim. Seja como for, devo-lhes a vida. Devo-lhes a palavra, a textura, a cor e o som. Apontaram-me as armas mais perigosas: as da subversão pelo amor e pela destruição do inútil. Não levantei os braços em rendição. Dispararam. Hoje, acertámos contas. Estamos pagos.
A exposição será no Liquidâmbar, entre 1 a 18 de Outubro de 2021. A conversa com os amigos será no próprio dia 1, sexta-feira, às 18:00.
António Luís Catarino
sexta-feira, setembro 24, 2021
«Abjectos Surreais». De 1 a 18 de Outubro. Liquidâmbar, Coimbra
quarta-feira, setembro 22, 2021
«Abjectos Surreais», exposição de 1 a 18 de outubro do Liquidâmbar, em Coimbra
Já não será muito cedo para informar-vos que vai acontecer mais uma exposição minha no Liquidâmbar, entre 1 a 18 de Outubro de 2021. A conversa com os amigos, e se tudo correr bem, será no próprio dia 1, sexta-feira, às 18:00.
O objecto dos «Abjectos Surreais» é esse mesmo: uma viagem aos surrealistas portugueses que mudaram profundamente a modorra do país que tínhamos. Depois deles, nada foi como dantes. Todos já em permanente errância num qualquer panteão dourado, continuam sempre presentes nas minhas visitas muito pessoais à poesia, ao texto escrito. Coisas do outro mundo tão irreais quanto as estranhezas que nos assaltam todos os dias. Vou mostrar-vos, em catorze desenhos, como eu os vivo e convivo com eles. São eles: Pedro Oom, Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Mário-Henrique Leiria, António José Forte, Henrique Risques Pereira, António Dacosta, Carlos Eurico da Costa, Virgílio Martinho, Cruzeiro Seixas, Manuel de Castro, Manuel de Lima, Herberto Helder e Álvaro Lapa. Estes dois últimos porque sim.










