terça-feira, junho 25, 2013

Ciclo de debates de João Camargo com o livro Que se Lixe a Troika


Amanhã, dia 26 de junho de 2013, apresentação do livro ao Grupo dos Embaixadores da América Latina em Portugal.

6ª feira apresentação do livro na Corunha, a convite da Confederação de Sindicatos da Galiza, Bloco Nacionalista Galego, Plataforma en defensa do ensino público, ADEGA (asociación ecoloxista), Comites (asociación estudantil universitaria), Galiza Nova e Asociación de veciñ@s de Monte Alto.

sexta-feira, junho 21, 2013

Uma espécie de recital de poesia. Susana Menezes e Filipa Leal, 22 junho em Almada


FALAR AGORA DE COISAS TÃO SOLENES COMO ESSE GRÃO DE ARROZ
- Uma espécie de recital de poesia -


"Falar agora
de coisas tão solenes
como esse grão de arroz
que transbordou"
      Ana Luísa Amaral


POEMAS DE
Maria Teresa Horta (n.1937)
Ana Luísa Amaral (n. 1956)
Maria do Rosário Pedreira (n. 1959)
Adília Lopes (n.1960)
Margarida Vale de Gato (n. 1973)
Margarida Ferra (n. 1977)
Inês Fonseca Santos (n. 1979)
Catarina Nunes de Almeida (n. 1982)

APRESENTAÇÃO E SELECÇÃO DE TEXTOS: Filipa Leal
LEITURAS: Susana Menezes e Filipa Leal
IMAGEM: Susana Menezes

Sexta, 22 de Junho
BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ALMADA
Praça da Liberdade
21h30
ENTRADA LIVRE

quinta-feira, junho 20, 2013

Bartlebys Reunidos e Compositores do Período Barroco. Encomendas: infoderivaeditores@gmail.com

Bartlebys Reunidos
Poesia
Ricardo Gil Soeiro
11,5 euros
Compositores do Período Barroco
Poesia
José Ricardo Nunes
15 euros.

pedidos a infoderivaeditores@gmail.com

Seminários do fim do mundo. Joana Matos Frias. 26 de junho, sala 102. FLUP

Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa
26 de junho de 2013, 18:00. Sala 102 da FLUP
por Joana Matos Frias

domingo, junho 16, 2013

Fotos do lançamento de Compositores do Período Barroco, de José Ricardo Nunes

Pedro Mexia, cá o editor e José Ricardo Nunes. Em baixo, José Ramalho recitando alguns dos poemas do livro e aspecto do público presente no CCC





 
Sessão memorável, esta do lançamento de Compositores do Período Barroco, de José Ricardo Nunes. Perto de 100 pessoas assistiram com interesse indisfarçável às intervenções de Pedro Mexia e de José Ricardo no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha. Antes, já José Ramalho tinha lido alguns dos poemas do livro com viva adesão do público.
Pedro Mexia, falou dos tempos em que conheceu, em Lisboa e cremos que no DN, José Ricardo e deu conta da cumplicidade existente entre ambos, quando se iniciavam como poetas. Sobre o livro, sobre este último livro, apresentou-nos como uma espécie de paradoxo entre o tema unificador - a música barroca - e a impossibilidade de o leitor em poder sentir qualquer tipo de música, já que, para o leitor de poesia e citando Jorge de Sena, a poesia é lida e sentida através dos ritmos, cadências e até a métrica própria que é imprimida por este. Disse, igualmente, que não conhecia sequer dois terços do rol de músicos que aí aparecem, tentando questionar mesmo se eles existiam provocando José Ricardo Nunes, mas dizendo ao mesmo tempo que era indiferente a sua existência, já que para o teor destes poemas, a existência ou não desses músicos balizados entre os séculos XVI e XVIII, pouco ou nada mudaria a sua beleza e importância.
José Ricardo Nunes, lembrou que este é o seu sexto livro de poesia, o quarto editado pela Deriva e agradeceu a todos o que tornaram isto possível. Leu igualmente, e tal como Pedro Mexia, dois poemas.
Num sábado à noite, pensar-se-ia que este público se tentasse por outras paragens. Mas estar ali a ouvir e debater poesia é um sinal de satisfação para todos nós e um bom aviso à navegação. Que se quer, neste caso, à Deriva.

quarta-feira, junho 12, 2013

Pedro Mexia apresenta «Compositores do Período Barroco» de José Ricardo Nunes


No dia 15 de Junho, pelas 21:30, Pedro Mexia apresentará Compositores do Período Barroco de José Ricardo Nunes no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha. Ouvir-se-á música barroca e alguns dos poemas do livro por José Ramalho.

Donna mi prega: Soeiro y Bartleby escriben sus silencios.


Donna mi prega: Soeiro y Bartleby escriben sus silencios.: Bartleby, the Scrivener (2009), Helena Pérez García Concluía hace unos meses que la amistad es otra forma de escritura. Podría de...

segunda-feira, junho 10, 2013

Apresentação de Compositores do Período Barroco, de José Ricardo Nunes

Caldas da Raínha, sábado, 15 de Junho, pelas 21:30 no Centro Cultural e de Congressos

Entrevista a José Ricardo Nunes acerca de Compositores do Período Barroco

José Ricardo Nunes, que livro é este?

Compositores do Período Barroco é um livro de poesia em que convoco vários compositores desse período e os convido a falar sobre factos importantes das suas vidas. São máscaras de que me sirvo para fazer diversos exercícios acerca da morte, do tempo, da posteridade, dos paradoxos da criação. Utilizei como base um Guia de música barroca e o livro organiza-se como uma enciclopédia.

Para quando a apresentação do livro?

O livro vai ser apresentado nas Caldas da Rainha, onde moro, no próximo dia 15 de Junho, pelas 21,30. Fará a apresentação o Pedro Mexia e antes ouviremos algumas peças musicais de compositores barrocos e o José Ramalho lerá alguns poemas. A ideia é juntar amigos e família num momento informal de convívio.

Quais são as expectativas, Josdé Ricardo?

Gosto bastante deste livro, mas a verdade é que o livro mais recente é sempre o melhor. Por isso é difícil por agora falar de expectativas, há que deixar o tempo fazer o seu trabalho, só se pode avaliar mais adiante.

Costumas ir a escolas falar de poesia?

Não tenho tido muitos contactos com alunos, não vou com frequência falar de poesia ou ler poemas a escolas. Estou convicto de que o interesse pala literatura e pela poesia, em particular, tem vindo a diminuir, mas não é um problema específico dos jovens. Penso que a qualidade e a capacidade de motivação dos professores são os factores mais importantes. Se calhar, é importante deixar as figuras de estilo de lado e procurar o sentido dos textos e o modo como podem afectar a nossa vida, mas confesso que não estou muito à vontade nestes assuntos.

Queriam a Feira do Livro no Porto? tss...tss...


Sobre a impossibilidade e inexistência da Feira do Livro do Porto cabe dizer que as coisas assim estão bem. Não há livros para ninguém. Se a ideia era guardar os dias habituais da feira para lá ir comprar uns livritos que durante o ano planificamos com algum labor, desenganem-se. Rui Rio não deixou. Mais dinheiro fica para o Grande Prémio da Boavista. Se as pequenas editoras pensaram ir lá compor o ramalhete, tentando diminuir o stock que teima em não escoar, deixem de ser piegas e inovem, empreendam. Mas há uma questão que permanece por esclarecer: a apatia da direcção da APEL perante o facto rapidamente consumado da não realização da Feira do Livro do Porto. Mas faça-se o seguinte exercício: pense-se na composição da direcção da APEL, por favor. Agora, cheguem à conclusão óbvia que esta é formada por um grupo de gente das grandes editoras, por acaso e só por acaso, das que foram objecto das recentes fusões. Após este exercício, vão passear pelos centros comerciais da cidade do Porto e qual é o vosso espanto? Neste momento, encontram feiras dos livros em todos os lados, com descontos de 60, 70 e até 80% em livros. Ora aí está. Conclusão? Depois da concentração e da fusão, nós é que mandamos nisto. Se a feira tinha leis próprias baseadas em normas igualitárias e democráticas, isso acabou. Ganharam as leis do mercado. Fossem predadores, não as vítimas nesta história. É assim a vida, filhos. Aprendam.

domingo, junho 09, 2013

Sobre as intervenções de Maria João Cantinho e Ricardo Gil Soeiro


Maria João Cantinho e Ricardo Gil Soeiro na apresentação de Bartlebys Reunidos

Penso ainda na intervenção de Maria João Cantinho na apresentação de Bartlebys Reunidos de Ricardo Gil Soeiro e acredito que é assim, de um modo límpido, que a poesia tem de ser entendida. A menos que a tenhamos de a viver quotidianamente, mas isso será uma outra conversa para termos, com outra predisposição e tempo. À volta de Bartlebys e da ideia «I would prefer no to» Maria João Cantinho interpretou e ligou teias formadas por derivas de negação pela criação literária. Falou-se portanto de Célan, de Rimbaud, de Steiner, de Borges, de Wittegenstein e de muitos outros para quem a solicitação de deixar de escrever foi forte e, por exemplo no caso de Rimbaud, foi determinante para a sua vida. Não será preciso ler Melville, portanto, para entender a poesia de Ricardo Gil Soeiro, mas é condição muito importante. E é isso que faz a beleza de uma vida poética: a procura incessante de um tema unificador que faz e refaz experiências, as teias e labirintos da negação (expressão muito usada por Maria João Cantinho) em que se transforma a leitura de um poema. Ricardo Gil Soeiro avançou com uma noção mais concreta destes labirintos, na possibilidade da declaração de Bartleby ser, ela própria, uma contradição em si mesma. Como se pode dizer que se pode deixar de escrever ao mesmo tempo que se escreve esta intenção? E disse-o, concretizando com o desejo recente de Lobo Antunes em deixar de escrever. Será interessante perceber se o consegue, ou não. De qualquer maneira, a óptima intervenção de Maria João Cantinho fez-me pensar na Deriva como editora de poesia e nos labirintos que criou desde há dez anos. Aliás, a «nossa» deriva é a de Quincey e do mapa oculto da cidade de Londres onde se procurava ópio em zonas não declaradas no mapa oficial da cidade. Todo um programa de experiência, de aventura e de procura constante da felicidade, portanto. As outras derivas, essas, deram-nas os dadaístas de Zurique, os surrealistas de Londres e Berlim, os situacionistas  de Paris. Há coisas assim.

sábado, junho 08, 2013

Hoje, na Livraria Pó dos Livros, em Lisboa. Apresentação de Bartlebys Reunidos

A sala da Pó dos Livros estava cheia

Notável, a intervenção de Maria João Cantinho sobre Bartlebys Reunidos  e os múltiplos  labirintos que a leitura e análise da obra de Ricardo Gil Soeiro permitem percorrer
Gisela Ramos Rosa lê alguns dos poemas de Bartlebys Reunidos

segunda-feira, maio 20, 2013

Entrevista a Ricardo Gil Soeiro na publicação de Bartlebys Reunidos



Deriva: Dia 8 de junho encontrar-nos-emos em Lisboa?
RGS.: Sábado, dia 8 de Junho, pelas 16:30, haverá poesia na Livraria Pó dos Livros!
Deriva: Quem estará presente nessa apresentação?
RGS.: A ensaísta Maria João Cantinho apresentará o livro Bartlebys Reunidos e a poeta Gisela Ramos Rosa emprestará o fascínio da sua voz à leitura de alguns poemas escolhidos. Contaremos, ainda, com a presença do editor António Luís Catarino. O livro constitui o segundo volume de uma “Tetralogia de uma Poética Palimpséstica” que estou a escrever (um projecto constituído por quatro volumes que assentam nos mesmos moldes formais) e baseia-se na personagem criada por Herman Melville, no conto Bartleby, the scrivener (1853): o escrivão Bartleby que, a cada solicitação ou ordem, limita-se a retorquir: “Preferiria não o fazer.”
Deriva: Qual o objectivo dessa procura?
RGS.: Visa, fundamentalmente, interrogar poeticamente a pulsão negativa e a atracção pelo nada, tal como esta se desenha no labirinto da literatura do Não (tendo-me aqui inspirado no híbrido romance Bartleby & Compañia, de Enrique Vila-Matas). Na verdade, o tema da desistência literária, a que o subtítulo da obra alude (“Para uma Ética da Impotência”), sempre me fascinou. Mas trata-se de uma negatividade que, paradoxalmente, pode ser terreno fértil para a afirmação da criação, para o triunfo do gesto, enfim, para a plenitude da palavra. Estas questões serão o ponto de partida para uma tarde poética bem passada.

sábado, maio 18, 2013

José Ricardo Nunes publica Compositores do Período Barroco na Deriva.

Capa do novo livro de poesia de José Ricardo Nunes a sair em junho na Deriva. Compositores do Período Barroco é o título. A apresentação será nas Caldas da Rainha, no dia 15 e contará com a presença de Pedro Mexia. Daremos mais informações.

Ricardo Gil Soeiro publica Bartlebys Reunidos. A sair


É esta a capa de Bartlebys Reunidos, de Ricardo Gil Soeiro a publicar, em junho, pela Deriva. A apresentação será a 8 desse mês, em Lisboa, na Pó dos Livros e contará com a presença de Maria João Cantinho. Daremos mais novidades ao longo destes dias. Para já, a capa.

terça-feira, maio 14, 2013

Stevenson na Ler de maio. Recensão de José Guardado Moreira

É na Revista Ler, nº 124, que se encontra uma recensão crítica de José Guardado Moreira sobre Stevenson  e o seu já muito falado A Moralidade da Profissão das Letras que finalmente a Deriva, em parceria com o Instituto de Literatura Comparada Magarida Losa da FLUP, se encarregou de editar com uma belíssima tradução de Jorge Bastos da Silva.
Neste número consta igualmente uma entrevista a Ribeiro Telles, uma interessante conversa entre Rentes de Carvalho e Fernando Venâncio e também duas excelentes notícias no âmbito editorial: uma nova edição de Pipi das Meias Altas e a edição de uma biografia de Mesrine, esse grande gangster e amigo de Debord, pela mão da Antígona.

segunda-feira, maio 06, 2013

Que se lixe a troika!, de João Camargo nas mãos do Prof. Marcelo

Foi ontem, dia 5 de maio, que na sua prelecção dominical, o Professor Marcelo se referiu, na TVI, ao Que se lixe a troika!, de João Camargo. Repare-se no sorriso  aquiescente e quase jactante de quem acredita que, afinal, a troika nem está perto de se lixar. Provavelmente seremos nós. Na ideia dele, claro.

Henrique Fialho escreveu sobre A Moralidade da Profissão das Letras, de Stevenson



Dar ao público o que ele não quer, mas esperar ser sustentado: temos aí uma estranha pretensão, contudo não invulgar, sobretudo entre os pintores.
Robert Louis Stevenson

Quem se detenha no título deste ensaio, não deixará de se espantar. Primeiro por nele ser admitida uma profissão das letras, depois por pressupor-se nessa profissão uma moralidade. O ensaio data de 1881, os tempos eram outros, mas Robert Louis Stevenson (1850-1894) mantém-se actual. Ainda que o conceito de profissão das letras nos pareça vago, sobretudo num país como o nosso, ele faz sentido onde as letras podem ser tomadas com a seriedade de outros negócios. A urgência de uma moralidade na profissão, que já então suscitava debate, é outra história. Basta ler A Informação, de Martin Amis, para se compreender que também neste negócio, o das letras, a moralidade tem tectos falsos e fronteiras relativas. Mas essa é uma realidade que, apesar de tudo, está distante da nossa, pois por cá o amadorismo e a diletância, no pior e no melhor dos sentidos, vão como que garantindo um certo desprendimento que mantém o negócio em território paralelo. Perdem os autores, explorados até ao tutano das palavras, ganham, quando ganham, os editores, as distribuidoras, os retalhistas (que já nem se resumem a esse sôfrego espaço das livrarias, pois por todo o lado se vêem livros à venda como outrora se viram tremoços). O cenário é apenas similar ao experienciado por Stevenson, pese embora o facto de no que à porcaria diz respeito haver sempre pormenores que nunca mudam. E esses pormenores fazem a diferença. Disto não pode ser abstraída a natureza humana, retratada pelo autor, na sua essência, nessa magistral efabulação intitulada The Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde. A bipolaridade da personagem tipifica o pensamento de Stevenson nos mais variados temas, não sendo excepção os três ensaios coligidos neste pequeno volume da colecção Pulsar (Deriva, Dezembro de 2012). No primeiro, que dá título ao volume, subentende-se o esforço colocado na defesa de uma literatura rigorosa que não se faça depender, exclusivamente, das ambições lucrativas. Entenda-se aqui o lucro em termos meramente materiais, pois outros há que ultrapassam a configuração salarial. Passam por valores igualmente viciantes como os do reconhecimento, da fama, da promoção académica, da afirmação pessoal, da pura vaidade. Isto torna actualíssimo o principal desejo do autor de An Inland Voyage: «Melhor fora que os nossos templos serenos estivessem vazios do que cheios de padres vendilhões e embusteiros» (p. 17). A expressão “templos serenos” é denotativa do lugar em que Stevenson colocava a sua actividade, olhando para a literatura de um modo que as práticas actuais não se esforçam para desmentir. Stevenson acreditava na função educativa das letras, encarava-o como uma missão, preocupando-se pois em estabelecer uma separação clara entre uma literatura preocupada em instruir e outra meramente ocupada em agradar. Não obstante, admitirá, com laivos de ironia: o fim de toda a arte é agradar e o primeiro dever de um indivíduo é ganhar o seu sustento (cf. p. 40). Note-se que a crítica do entretenimento não deixa de ser curiosa num autor cujos méritos, muitas vezes, não foram elevados a outros patamares. Talvez existisse nesta postura uma necessidade de afirmação, algo que o leva a concluir ser intelectual o primeiro dever de qualquer um que queira escrever. No entanto, essa necessidade é colocada de lado quando critica a parcialidade do jornalismo, reivindica a busca da verdade, preocupa-se em atribuir às letras uma utilidade que será sempre mal paga. E conclui: «Na literatura como na conduta, nunca podemos esperar proceder com correcção exacta. Tudo o que podemos fazer é procurar a máxima certeza; e para isso há apenas uma regra. Nada que possa ser feito devagar deve ser feito à pressa» (p. 28). É esta a ferida que um texto escrito há 130 anos melhor abre, pois exige-nos que pensemos a nossa relação com o tempo e como a mesma determina tudo o que fazemos, mesmo quando o fazemos contra o tempo, indiferentes à utilidade dos ofícios pagos ou à atribuição de um salário. Talvez o acto de escrever, que na Carta a um Jovem Cavalheiro que se Propõe Enveredar pela Carreira das Artes é separado das «profissões rotineiras» e colado à «vocação», se tenha transformado numa espécie de ritual com direito a fazer parte de uma comunidade restrita. O elogio, os encómios, a popularidade (sempre relativa), pagam a jorna. Evocada, ontem como hoje, a cegueira da «grande massa do público», pouco mais nos resta. Robert Louis Stevenson não teve que se queixar senão de uns desgraçados pulmões, o que lhe valeu repouso eterno nas ilhas do Pacífico. Do mal, o menos. Sem ceder à mediocridade, foi popular. Nele, o idealismo encontrou o realismo e este assentou no regaço daquele. Mesmo tendo em conta uns parcos 44 anos de vida, não foi extensa a sua produção. Velejar, afinal, era mais útil do que escrever.


Henrique Manuel Bento Fialho,

domingo, maio 05, 2013

Que se lixe a Troika!, de João Camargo: 5 086 000 000 000 euritos

«5 086 000 000 000 euritos
Assim foi. Antes deste anúncio, a Alemanha já tinha resgatado a Hypo Real Estate, assim como outros países tinham resgatado o Dexia e o Fortis. Continuaram os resgates e, apenas no período de 15 de setembro de 2008 a 1 de junho de 2009, os países da zona euro gastaram no seu conjunto 2028 biliões de euros com o resgate das ''instituições relevantes'' do sistema bancário e financeiro. É o equivalente a 21% do PIB da zona euro.
A 1 de outubro de 2012, o apoio aprovado na União Europeia a 27 para as instituições financeiras e bancárias chegou aos 5086 biliões de euros, equivalente a 40,3% do PIB da União Europeia. (...)»
Pág. 30

sexta-feira, maio 03, 2013

Stevenson: Da moralidade da profissão das letras

«Ora a Natureza, seguida fielmente, mostra ser uma mãe cuidadosa. Um rapaz, por gostar da música das palavras, resolve dedicar-se às Letras por toda a vida; a pouco e pouco, quando aprende maior gravidade, descobre que fez melhor escolha do que pensara; que, se ganha pouco, ganha-o amplamente; que, se recebe um salário pequeno, está em posição de prestar serviços consideráveis; que está em seu poder, em certa medida, proteger os oprimidos e defender a verdade. Está o mundo tão bem ordenado, tão grande proveito pode surgir de um pequeno grau de autoconfiança humana, e é tal, de modo particular, a boa estrela deste ofício da escrita, que deve combinar prazer e proveito para ambas as partes, e ser a um tempo agradável, como tocar rabeca, e útil, como uma boa prédica. (...)»
Pags. 18 e 19. Tradução de Jorge Bastos da Silva

Ao encontro de Max Frisch. Da introdução

«O escritor suíço Max Frish (1911-1991) é, sem dúvida, um dos ícones da literatura de expressão alemã dos anos 50. A sua obra, que no período coincidente com a ascensão do nazismo e com a 2ª Guerra Mundial se revela desligada de qualquer comprometimento político, concentra-se, a partir do final dos anos 40, na questão do papel que cabe ao ser humano, esmagado pela culpa e pelas pressões do poder. Terá sido Frish um dos primeiros escritores a levantar a questão da responsabilidade no desenrolar da guerra que deve ser atribuída à Suíça, tão ciosa da sua neutralidade.
Nas peças teatrais e na prosa ficcional e não-ficcional que publica a partir de 1950, Frish alia a velhos motivos literários, como a dificuldade de conciliar a vida artística com a vida burguesa, outros temas que se tornarão centrais no século XX: a busca da identidade própria, o relacionamento com o outro, os limites e condicionalismos da linguagem. A estas grandes questões juntam-se aquelas a que se foram impondo como próprias do pensamento frischiano: a necessidade de uma inquietação constante e da questionação de todas as certezas, bem como, principalmente, a importância de não criar imagens do outro nem aceitar como boas imagens que outros construam de nós próprios, e, ainda, o perigo do ser humano falhar a sua própria existência e de se alienar de si próprio. (...)»

Introdução, págs 7/8. Teresa Martins de Oliveira

Biographia Literaria de ColeridgeSobre esta edição

«Biographia Literaria é uma obra de importância maior no contexto do ensaísmo britânico oitocentista e fundamental no panorama do Romantismo europeu e norte-americano (o Transcendentalismo da Nova Inglaterra), mas nunca foi traduzida para a nossa língua, a despeito do facto de ser correntemente estudada em cursos universitários. O presente volume oferece ao leitor português um conjunto de excertos, seleccionados com o intuito de representar as várias dimensões componentes da obra: a narrativa autobiográfica, os apontamentos críticos sobre cultura literária, as considerações sobre matérias filosóficas - vertentes e incidências temáticas que, aliás, se entretecem nas sinuosidades do texto. Esta centena de páginas (correspondendo a perto de um quinto da extensão total da obra) visa um leitor primordialmente interessado em questões de história, de crítica e de teorização literárias, mas que não deve ignorar o facto de esses problemas, no pensamento de Coleridge, serem indissociáveis de reflexões de carácter filosófico e mesmo do sentimento religioso, uma vez que é uma esfera de transcendência que o autor vem a identificar a razão de ser da sua existência pessoal e da própria vocação da mente criadora e pensante. (...)»

Introdução, pág. 31. Jorge Bastos da Silva

sábado, abril 27, 2013

A TEatroensaio apresenta: Estórias de Mato - a guerra colonial em palco.


Memórias de Guerra e de Futuro
Sexta-feira, dia 3 de Maio, 21h30
Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto
(Rua Rodrigues Sampaio, 140, Porto - ao Rivoli, TLF: 222 080 565)
Entrada Gratuita
com:
Jaime Froufe Andrade (jornalista e escritor)
Nuno F. Santos (jornalista)
Pedro Estorninho (dramaturgo, encenador e director artístico TEatroensaio)

Esta conferência é um evento paralelo de promoção do espectáculo
Estórias do Mato - a guerra colonial em palco

de 9 a 12 de Maio de 2013, pelas 21h30
Teatro Helena Sá e Costa
(Rua da Escola Normal, 39, Porto, TLF Bilheteira: 225 193 760)
Dramaturgia e encenação de Pedro Estorninho e música original de José Mário Branco, espectáculo criado a partir do livro "Não sabes como vais morrer" de Jaime Froufe Andrade (4ª edição, Colecção Memória perecível, AJHLP).
Sinopse:
No começo de um dos muitos debates que se têm feito sobre a guerra colonial e sobre os ex-combatentes, Alferes Isidro conta-nos a sua história, transportando-nos numa analepse que nos coloca no seu último dia de guerra e de África onde se encontra numa situação de espera com o Sargento João, contando um ao outro as suas histórias de guerra e do mato.

Dados sobre o espectáculo:
Duração: (aprox.) 1h
Classificação: maiores de 12 anos
Bilheteira: 225 193 760 / 961 631 382 (Aberta em dias de Espectáculo, duas horas antes do mesmo)
Preçário: Bilhetes Ex-Combatentes: 5€; Bilhetes Normais:10€; Bilhetes Jovens (25 anos)/Estudantes/ Reformados e Profissionais do Espectáculo: 5€: Grupos com ou mais de 10 pessoas: 7,50€
Teatro Helena Sá e Costa, Rua da Escola Normal, 39 Porto.

Ficha Artística:
Texto original: Jaime Froufe  Andrade
Dramaturgia e Encenação: Pedro Estorninho
Música Original: José Mário Branco
Direcção de Produção: Inês Leite
Interpretação: José Topa, Paulinho Oliveira, Pedro Estorninho, Pedro Roquette;
Cenografia: Paulo Barrosa
Figurinos: Inês Mariana Moitas
Desenho de Luz e Som: Romeu Guimarães

Ficha Técnica:
Trailer e Registo Vídeo: Eduardo Morais
Registo Fotografia: Pedro Ferreira
Design Gráfico: Makeup Design / Augusto Pires
Documentário televisivo: TKNT (Co-Produção com o TEatroensaio)
--
TEatroensaio
Tlf: (00351) 222 083 835
Tlm: (00351) 918626345
http://teatroensaio-teatreia.blogspot.com/
http://teatroensaio.wix.com/teatroensaio
www.youtube.com/TEatroensaio.com

Apoios / Parcerias
IEFP,IP - CACE Cultural Porto / ESMAE - IPP/ TNSJ/ Moagem CERES S. A./ Deriva
Editores/ Vinhos do Porto Fonseca apoia a Cultura/Nouvelle Vague Photo

Porto Sentido, exposição


sexta-feira, abril 26, 2013

Em breve nas livrarias: Ao Encontro de Max Frisch, coordenação de Teresa Martins de Oliveira




O escritor suíço Max Frisch [1911- 1991] é, sem dúvida, um dos ícones da literatura de expressão alemã dos anos 50. A sua obra, que no período coincidente com a ascensão do nazismo e com a 2.ª Guerra Mundial se revela desligada de qualquer comprometimento político, concentra-se, a partir do final dos anos 40, na questão do papel que cabe ao ser humano, esmagado pela culpa e pelas pressões do poder.
Deriva/ILC Margarida Losa da FLUP

Teresa Martins de Oliveira (coordenação)
Ofelia Martí-Pena
Gonçalo Vilas-Boas
Teresa Martins de Oliveira
Alexandra Moreira da Silva
Maria Antónia Gaspar Teixeira
Ana Isabel Marques
Maria Alexandra Côrte-Real

domingo, abril 21, 2013

Alberto Carneiro em Serralves


E por falar em coerência e honestidade concetual no campo das artes, Serralves apresenta-nos um Alberto Carneiro que, não sendo novo, permite-nos ver que a sua proposta artística continua quase incólume 40 anos depois. Hoje a árvore, ontem as pedras e o campo. Gosto de o ver assim. Isto é também provocação, pensamento, inconformismo.

Only the stars to teach us light, Jorge Martins

Ontem, em Serralves, Jorge Martins numa exposição retrospetiva da sua obra. Num tempo em que a arte é, cada vez mais, mercadoria que se compra e vende ao desbarato é necessário um outro olhar para a coerência e honestidade.