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segunda-feira, maio 27, 2024

Um post de Diogo Vaz Pinto sobre a biografia de Manuel de Castro

Às vezes, entre as centenas de livros que se editam, o mais estranho é que, do meio da indiferença que nos gela e que é o maior dos abismos desta época, surge um leitor, um abelhão todo coberto do pólen que se reservou nalgumas páginas, nalgum desses livros feitos quase secretamente e só em nome dessa hipótese de haver mais alguém vivo nesta língua que quase se deixou de falar, e que está, para os efeitos de perturbação profunda e de mudança, praticamente morta. Daí o espanto quando afinal ainda nos surge um leitor pela frente, alguém vindo do outro lado, abrindo uma esperança de não sentirmos o desconhecido como um vazio, mas ainda como um território que nos desafie. Curiosamente, este leitor calha ser um antigo editor, desses que deu tudo e acabou atirado para a berma, muitas vezes também por esse género de autores tomados pela sanha de saltar para algo com um ascendente publicitário maior. Porque a chamada cultura literária entre nós ainda não fez mais que um punhado de escritores com verdadeira vontade de criar tudo outra vez, e por isso vão perfumando os cadáveres de ontem enquanto se queixam por não haver margem para fundar uma razão que diga respeito ao amanhã.

Diogo Vaz Pinto, sobre um artigo referente à edição da biografia de Manuel de Castro, no perfil da editora Língua Morta. Maio de 2024. 

terça-feira, março 24, 2020

O Fim da Deriva Editores pela Lusa. Há dois anos foi assim...

Logótipo: Gémeo Luís

https://tvi24.iol.pt/sociedade/08-03-2018/o-fim-da-editora-deriva?utm_source=facebook%26utm_medium%3Dsocial%26utm_campaign%3Dshared_site&fbclid=IwAR1at8Yz7NTCrjL3zp05RFhVpt8OmaMy83dEQ8JD3u7Plkzoed8qNgFVKsE

Foi há dois anos e não retiro uma só palavra do que então disse à Lusa. É evidente que teria mais nomes que me ficaram na memória e que aproveito para citar aqui e agora. Talvez um dia eu faça a história da Deriva e alguns dos seus momentos mais ou menos gloriosos, mas de uma dedicação de 15 anos em que se firmaram grandes amizades e não menos decepções. Mas agora é o tempo de agradecer, tudo junto, que é mais bonito:
Catarina Nunes de Almeida, Joaquim Castro Caldas, Marilar Aleixandre, Pedro EirasAntónio Alves MartinsPedro Teixeira Neves, João Pedro Mésseder, Rui Pereira, Vicente Romano, Xavier Queipo, Gonzalo Navaza, Kenneth White, Paulo Kellerman, Miguel Carvalho, Isabel Pereira Coutinho, Santiago Lopez-Petit, Luís Mourão, Jean-Marc Rouillan, Patrick Raynal, Xurxo Borrazás, Antón Riveiro Coello, John Zerzan, Peter Lamborn Wilson, Ramón Caride Ogando, Regina Guimarães, José Manuel PurezaHenrique Manuel Bento FialhoJoão Mineiro, Bruno Moraes Cabral, Ana Estevens, Bruno Monteiro, João Carlos Louçã, João Camargo, Maria Helena Marques, Sofia Lai Amândio, Pedro Abrantes, João Teixeira Lopes, Jorge Bastos da Silva, Teresa Martins de Oliveira, Gonçalo Vilas-Boas, Jean-Pierre Sarrazac, Pascal Quignard, Antoine Compagnon, Jean-Claude Pinson, Stephane Mallarmé, Stenvenson, Coleridge, Wyndham Lewis, Olivier Py, Anselm Kiefer, Carlo Ginzburg, Xurxo Borrazás, João Paulo Sousa, Nuno Barros, Ludwig Wittgenstein, João José Almeida, Nuno Venturinha, Michel Pialoux, Christian Corouge, Mikhail Bakhtin, Elfriede Jelinek, Maria Leonor Figueiredo, Filipa Leal, Maria Sofia Magalhães, Luis Maffei, Hugo Neto, Catarina Costa, Aurelino Costa, João Queirós, Inês Brasão, José Ricardo NunesRicardo Gil Soeiro, Ricardo Romero, Florencia Abbate, Mariana Rei, João Rodrigues, Nuno Teles, Carla Baptista, Filipa Subtil, Colaboração com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da FLUP, TEatro Ensaio: Pedro Estorninho e Inês Ferreira Pereira Leite, Instituto de Sociologia da FLUP, Le Monde Diplomatique: Sandra Monteiro, Nuno Teles, Bruno Monteiro, João Rodrigues, Costas Lapavitsas, Eugénia Pires, José Castro Caldas, José Guilherme Gusmão, Maria Mariana Mortágua, Mark Weisbrot, Maurice Lemoine, Maurizio Lazzarato, Octávio Teixeira, Rafael Correa, Raoul-Marc Jennar, Renaud Lambert, Rosário Caetano, Sara Rocha, Wolfgang Streek, Akram Belkaïd, Alain Gresh, Alexeï Malachenco, Benoît Bréville, Dominique Vidal, Feurat Alani, Hana Jaber, Hiccham Alaoui, Ibrahim Warde, Jean-Pierre Séréni, Julien Théron, Laurent Bonelli, Nabil Mouline, Olivier Zajec, Patrick Baudouin, Peter Harling, Philippe Leymarie, Pierre Conesa, Serge Halimi, Vicken Cheterien, Carla Baptista, Carla Martins, Carlos Camponez, Frederico Pinheiro, Jacinto Godinho, Joao Ramos de Almeida, Joaquim Fidalgo, José Goulão, José Luís Garcia, Liliana Pacheco, Maria João Silveirinha,, Pedro Cerejo, Sara Meireles Graça, Vasco Ribeiro, Alfredo Margarido, Ana Santos, Cláudia Castelo, Diogo Ramada Curto, Elsa Peralta, Irene Flunser Pimentel, Isabel Castro Henriques, João Leal, José Borges Reis, José Manuel Sobral, Luís Bernardo, Manuela Ribeiro Sanches, Miguel Bandeira Jerónimo, Nuno DomingosPaula Godinho, Pedro Sanches Duarte, Sílvia Correia, Victor Correia, AlexandreAbreu,Carlos Santos, Dominique Lévy, Eva Illouz, Frédéric Lordon, Gérard Duménil, Ignacio Ramonet, João Rodrigues, Luís Bernardo, Owen Jones, Patrick Vassort, Pedro Bingre do Amaral, Pierre Rimbard, Ricardo Paes Mamede, Vincent Gayon, Yvon Quiniou, Prefaciadores: Isabel do Carmo, Viale Moutinho, Valente de Oliveira, Manuel Bragado Rodríguez e muitos outros... Ilustradores: Gémeo Luís, Manuela São Simão, Emílio Remelhe, João Maio Pinto, Miguelanxo Prado. Participação do II Centenário das Guerras Peninsulares. I e II Derivas de Maio, Corrente d'Escritas, Publicação das actas dos Encontros de Literatura para a Infância e Juventude etc.etc.. Houve ainda prémios literários e traduções para a Europa. Esta lista será continuamente observada, não vá faltar alguém ou alguma instituição... Não se contam aqui as intervenções em apresentações de livros, de convidados vários e de participações várias de cumplicidade feita. Um abraço para livreiros que estiveram sempre ao nosso lado: Letra Livre, Livraria Utopia (Herculano Lapa), Gato Vadio (Isabel CamarinhaJúlio Gomes e Cesar Figueiredo), Livraria Poetria, Miguel de CarvalhoViriato PortoLuís Filipe Sarmento, Isabel Ramalhete, João Paulo Vaz, Dina Almeida, Helena Topa, Bruno Monteiro...
ColabPedro Ferreira, Ana Sílvia.

quinta-feira, março 08, 2018

Tudo se poderá reduzir a pouquíssimas palavras: a Deriva terminou a sua viagem de 15 anos. Criada em 2003, publicou mais de duas centenas e meia de livros onde se contam vários géneros como a poesia, romance estrangeiro e português, sociologia, história, filosofia, arte, antropologia, literatura infanto-juvenil e intervenção política, colaborando com várias instituições no domínio jornalístico, social, político, universitário e cultural. 
Junto com o cansaço de lutar contra tempestades donde não perspectivámos sequer bonanças próximas, acompanhavam-nos igualmente as impossibilidades burocráticas e as diversas austeridades económicas que, para as pequenas editoras, nunca deixaram de existir. Agradecemos sinceramente aos leitores e autores que nos acompanharam desde sempre. 
Autor do logo. Gémeo Luís

António Luís Catarino
Porto, 8 de março de 2018

segunda-feira, setembro 04, 2017

sexta-feira, julho 21, 2017

quinta-feira, julho 13, 2017

Cadernos Desobedientes, edições Cultra/Deriva

Netos diretos da famosa coleção 6Balas, dos anos 60, eis os livros dos Cadernos Desobedientes (edições Deriva/Cultra) que seguem, seguros, a mesma senda do êxito popular. Cada exemplar 5 euros:



terça-feira, junho 20, 2017

Ainda à venda com o Le Monde Diplomatique «Guardar as sementes» de Maria Helena A.G. Marques

ISBN: 978-989-8701-28-2
REFERÊNCIA: 1510011
FORMATO: 12x19 cm
1ª EDIÇÃO: Junho 2017
PAG.  352
Preço: 12 euros

Em Portugal, a prática milenar dos agricultores de colher e guardar sementes para posteriores sementeiras permanece viva, sobretudo no âmbito da agricultura familiar prioritariamente destinada ao consumo doméstico. Ela é expressão de um modelo social em que o ideal de autosuficiência se mantém presente, não obstante a crescente uniformização de processos e produtos cultivados, bem como do uso de sementes e plântulas comerciais e das restrições legais relativas à sua produção e circulação. Entre as sementes mais salvaguardadas estão as das variedades tradicionais, cuja

especificidade resulta da especial adaptação aos lugares ecológica e socialmente distintos em que foram mantidas e, portanto, com a sua ligação à gastronomia local, à história familiar e colectiva. Neste livro, que resulta de uma pesquisa em antropologia, realizada sobretudo em Terra de Miranda e Beira-Serra algarvia, abordam-se diferentes perspectivas sobre a preservação de recursos fitogenéticos agrícolas e os interesses conflituantes em jogo, dando primazia ao ponto de vista daqueles que são os primeiros guardiões da agrobiodiversidade: os pequenos agricultores.

domingo, junho 11, 2017

Feira do livro em Coimbra. A Deriva no Pavilhão da Companhia das Artes


«Desobedecer às Indústrias Culturais», de Regina Guimarães. No Porto

(clicar para ver melhor)

As “indústrias culturais” e “criativas” estão por todo o lado e moldam os produtos artísticos de modo a que eles respeitem os padrões e imperativos comerciais. Nas nossas cidades, as indústrias ditas cul...e cria... transformam vento em evento e mostram-se aptas a enquadrar a mega operação de gentrificação do edificado que, na sequência de décadas de abandono e de especulação imobiliária, ainda não tinha sido conquistado e/ou investido pelas classes abastadas. Não acreditamos em bruxas pero que las hay las hay...
A facilidade com que nos é dado denunciar o processo de falsificação e desmontar o funcionamento
mercantilista das ditas indústrias culturais/criativas poderia levar-nos a pensar que é igualmente fácil
lutar contra a sua hegemonia, desobedecer ao seu ditame, escolher e partilhar outras sendas e outras
situações no campo da criação artística lato sensu. Ora, nada é menos certo. Mas é desse desejo e de
gestos que procuram concretizá-lo que este livro fala.

Regina Guimarães (Porto 1957) é escritora e videasta. Desenvolve trabalho nas brechas e nas margens da escrita, do cinema, da tradução, da canção, etc.

Título Desobedecer às Indústrias Culturais
Autora Regina Guimarães
ISBN  978-989-8701-29-9
REFERÊNCIA 1810003
FORMATO 10,5 x 14,8 cm
Nº PAG. 64
1ª EDIÇÃO junho 2017

PVP 5 euros

O livro pode ser adquirido através do mail: infoderivaeditores@gmail.com - ver condições neste blog através do item loja

sexta-feira, junho 09, 2017

«Guardar as Sementes», de Maria Helena A.G. Marques, já à venda com a edição do jornal Le Monde Diplomatique de junho 2017

«Guardar as Sementes», de Maria Helena A.G. Marques, o novo livro que acompanha o Le Monde Diplomatique de junho. Com a parceria Deriva Editores, Coop. Outro Modo.
À venda com a edição do jornal Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, de junho 2017
ISBN: 978-989-8701-28-2
REFERÊNCIA: 1510011
FORMATO: 12x19 cm1ª EDIÇÃO: Junho 2017
PAG. 352
Preço: 12 euros

Em Portugal, a prática milenar dos agricultores de colher e guardar sementes para posteriores sementeiras permanece viva, sobretudo no âmbito da agricultura familiar prioritariamente destinada ao consumo doméstico. Ela é expressão de um modelo social em que o ideal de autosuficiência se mantém presente, não obstante a crescente uniformização de processos e produtos cultivados, bem como do uso de sementes e plântulas comerciais e das restrições legais relativas à sua produção e circulação. Entre as sementes mais salvaguardadas estão as das variedades tradicionais, cuja
especificidade resulta da especial adaptação aos lugares ecológica e socialmente distintos em que foram mantidas e, portanto, com a sua ligação à gastronomia local, à história familiar e colectiva. Neste livro, que resulta de uma pesquisa em antropologia, realizada sobretudo em Terra de Miranda e Beira-Serra algarvia, abordam-se diferentes perspectivas sobre a preservação de recursos fitogenéticos agrícolas e os interesses conflituantes em jogo, dando primazia ao ponto de vista daqueles que são os primeiros guardiões da agrobiodiversidade: os pequenos agricultores.
Índice
9 Introdução
14 Capítulo 1 DIVERSIDADE AGRÍCOLA E PLURALIDADE CULTURAL
19 A importância das variedades autóctones
21 O recuo da agricultura em Portugal: dos anos 70 do século XX ao século XXI
30 Capítulo 2 PATRIMÓNIOS EM CONFLITO
30 As plantas cultivadas: entre natureza e cultura
47 Capítulo 3 GUARDAR AS SEMENTES
49 Primórdios do estudo e conservação de plantas em Portugal
59 Ensino, investigação e difusão do saber agronómico em Portugal
63 O papel das ‘organizações da lavoura’ na difusão de novas técnicas agrárias
70 A prolífi ca Estação Agronómica Nacional
76 Os bancos de germoplasma vegetal
89 Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV)
94 Um polémico Banco Global de Sementes
104 O papel das associações cívicas na preservação da agrobiodiversidade: o exemplo da Colher para Semear
111 Capítulo 4 DA ALDEIA DO NORDESTE TRANSMONTANO AO SÍTIO ALGARVIO
113 O sítio algarvio
114 Alto Trás-os-Montes e Terra de Miranda
119 O clima e o calendário agrícola
130 Entre a Serra do Caldeirão e o Barrocal
133 O Barrrocal
135 Diferentes climas e culturas agrícolas
140 O concelho de Loulé
142 Freguesias de Alte e de Salir
146 Monte Ruivo (Alte)
149 Brazieira do Meio (Salir)
149 O concelho de Silves
149 A freguesia de São Bartolomeu de Messines
155 Notas sobre o concelho de Ponte de Lima
159 A freguesia da Correlhã: lugar de Barros
162 Freguesia da Ribeira: lugar de Crasto
162 Freguesia Santa Comba: lugar de Santa Comba
163 Notas sobre o concelho de Cantanhede
166 Cordinhã
167 Freguesia de Portunhos: Pena
169 Capítulo 5 OS GUARDIÕES DE SEMPRE
170 Guardar sementes para poupar nos custos de produção
175 As sementes daqui
209 Semear para casa, plantar para vender; variedades rentáveis e para auto-consumo
224 Manjares rituais: o Carnaval
225 Técnicas e saberes associados à guarda e uso de sementes
232 Alguns exemplos de técnicas de extracção e armazenamento de sementes
246 Sementeiras
247 Sementeira em alfobre ou viveiro
249 Sementeira em local definitivo
256 Capítulo 6 CIRCULAÇÃO DE PESSOAS E DE SEMENTES
259 As sementes que vieram de França
260 As inovações nas culturas: entre a relutância, a adaptação e o prazer da novidade
271 Variedades sem nome
273 A obrigação de retribuir
279 Capítulo 7 A SEMENTE QUE A LEI PORTUGUESA CONSENTE
279 O Catálogo Nacional de Variedades
290 O caso das sementes de hortícolas
294 Variedades locais/regionais ou variedades de conservação
298 Sementes «fora-da-lei»
301 A polémica em torno da proposta nova lei europeia das sementes
317 CONCLUSÕES
332 BIBLIOGRAFIA

sábado, junho 03, 2017

«Guardar as Sementes», de Maria Helena A.G. Marques, o novo livro que acompanha o Le Monde Diplomatique de junho. Com a parceria Deriva


GUARDAR AS SEMENTES
PRESERVAR A BIODIVERSIDADE AGRÍCOLA E A PLURALIDADE CULTURAL
de
MARIA HELENA A. G. MARQUES

À venda com a edição do jornal Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, de junho 2017

ISBN: 978-989-8701-28-2
REFERÊNCIA: 1510011
FORMATO: 12x19 cm
1ª EDIÇÃO: Junho 2017
PAG.  352
Preço: 12 euros

Em Portugal, a prática milenar dos agricultores de colher e guardar sementes para posteriores sementeiras permanece viva, sobretudo no âmbito da agricultura familiar prioritariamente destinada ao consumo doméstico. Ela é expressão de um modelo social em que o ideal de autosuficiência se mantém presente, não obstante a crescente uniformização de processos e produtos cultivados, bem como do uso de sementes e plântulas comerciais e das restrições legais relativas à sua produção e circulação. Entre as sementes mais salvaguardadas estão as das variedades tradicionais, cuja 
especificidade resulta da especial adaptação aos lugares ecológica e socialmente distintos em que foram mantidas e, portanto, com a sua ligação à gastronomia local, à história familiar e colectiva. Neste livro, que resulta de uma pesquisa em antropologia, realizada sobretudo em Terra de Miranda e Beira-Serra algarvia, abordam-se diferentes perspectivas sobre a preservação de recursos fitogenéticos agrícolas e os interesses conflituantes em jogo, dando primazia ao ponto de vista daqueles que são os primeiros guardiões da agrobiodiversidade: os pequenos agricultores.


Índice
9 Introdução
14 Capítulo 1 DIVERSIDADE AGRÍCOLA E PLURALIDADE CULTURAL
19 A importância das variedades autóctones
21 O recuo da agricultura em Portugal: dos anos 70 do século XX ao século XXI
30 Capítulo 2 PATRIMÓNIOS EM CONFLITO
30 As plantas cultivadas: entre natureza e cultura
47 Capítulo 3 GUARDAR AS SEMENTES
49 Primórdios do estudo e conservação de plantas em Portugal
59 Ensino, investigação e difusão do saber agronómico em Portugal
63 O papel das ‘organizações da lavoura’ na difusão de novas técnicas agrárias
70 A prolífi ca Estação Agronómica Nacional
76 Os bancos de germoplasma vegetal
89 Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV)
94 Um polémico Banco Global de Sementes
104 O papel das associações cívicas na preservação da agrobiodiversidade: o exemplo da Colher para Semear
111 Capítulo 4 DA ALDEIA DO NORDESTE TRANSMONTANO AO SÍTIO ALGARVIO
113 O sítio algarvio
114 Alto Trás-os-Montes e Terra de Miranda
119 O clima e o calendário agrícola
130 Entre a Serra do Caldeirão e o Barrocal
133 O Barrrocal
135 Diferentes climas e culturas agrícolas
140 O concelho de Loulé
142 Freguesias de Alte e de Salir
146 Monte Ruivo (Alte)
149 Brazieira do Meio (Salir)
149 O concelho de Silves
149 A freguesia de São Bartolomeu de Messines
155 Notas sobre o concelho de Ponte de Lima
159 A freguesia da Correlhã: lugar de Barros
162 Freguesia da Ribeira: lugar de Crasto
162 Freguesia Santa Comba: lugar de Santa Comba
163 Notas sobre o concelho de Cantanhede
166 Cordinhã
167 Freguesia de Portunhos: Pena
169 Capítulo 5 OS GUARDIÕES DE SEMPRE
170 Guardar sementes para poupar nos custos de produção
175 As sementes daqui
209 Semear para casa, plantar para vender; variedades rentáveis e para auto-consumo
224 Manjares rituais: o Carnaval
225 Técnicas e saberes associados à guarda e uso de sementes
232 Alguns exemplos de técnicas de extracção e armazenamento de sementes
246 Sementeiras
247 Sementeira em alfobre ou viveiro
249 Sementeira em local definitivo
256 Capítulo 6 CIRCULAÇÃO DE PESSOAS E DE SEMENTES
259 As sementes que vieram de França
260 As inovações nas culturas: entre a relutância, a adaptação e o prazer da novidade
271 Variedades sem nome
273 A obrigação de retribuir
279 Capítulo 7 A SEMENTE QUE A LEI PORTUGUESA CONSENTE
279 O Catálogo Nacional de Variedades
290 O caso das sementes de hortícolas
294 Variedades locais/regionais ou variedades de conservação
298 Sementes «fora-da-lei»
301 A polémica em torno da proposta nova lei europeia das sementes
317 CONCLUSÕES

332 BIBLIOGRAFIA

quinta-feira, junho 01, 2017

A Deriva no Pavilhão A85 da Feira do Livro de Lisboa

(clicar para ver melhor)
A Deriva Editores no Pavilhão A85 da Feira do Livro de Lisboa

quarta-feira, maio 03, 2017

«Dons e Disciplinas do Corpo Feminino» de Inês Brasão, no Porto e em Lisboa





Foi assim no Porto, vai ser assim em Lisboa (dia 4) a apresentação do livro «Dons e Disciplinas do Corpo Feminino» de Inês Brasão, apresentado, no Porto, por Helena Topa e Bruno Monteiro. A Deriva, a Outro Modo e o Le Monde Diplomatique, presentes.

sábado, março 11, 2017

Dia 15 de Março saberemos o vencedor do Prémio SPA Autores de Poesia 2017. Com Ricardo Gil Soeiro e Palimpsesto, editado pela Deriva

Ricardo Gil Soeiro, com Palimpsesto, editado pela Deriva Editores é um dos nomeados, juntamente com Maria Teresa Horta e Daniel Jonas. Acreditamos.

sábado, fevereiro 25, 2017

Maria João Cantinho ao «Hoje Macau»: onde se fala da poesia e ensaio de Ricardo Gil Soeiro e do próximo romance na Deriva

Tens uma obra dividida pelo ensaio e pela poesia, e ambas reconhecidas. Gostava que falasses acerca do modo como entendes cada uma delas, no teu modo de escrita, e também em relação aos outros, ou seja como vês essas escritas para além da tua. 
Creio que sou mais reconhecida no ensaio do que na poesia, pois tenho publicado poesia em editoras discretas. Hoje, a ideia de fronteira, relativamente aos géneros, está mais esbatida e temos uma tradição fortíssima de poetas que são ensaístas ou vice-versa, o que mostra que a escrita não pode ser tomada de uma forma monolítica. A concentração da poesia (e a sua exigência de rigor e de contenção) é compatível com a respiração do ensaio. Eu diria que são passagens que se abrem (ou se fecham) e que a poesia bebe nas margens do não-dito, do não-explicável, do que não é racionalizável, do imediato, da pulsão, ao passo que o ensaio procura a claridade e a explicação ou, pelo menos, a sua tentativa. Temos uma tradição forte, na poesia contemporânea portuguesa, de autores que são também ensaístas, estou a pensar no Luís Quintais, mais pertencente à nossa geração, mas também em poetas como António Cabrita, Luís Miguel Nava (cuja precoce morte não nos deixou senão um conjunto breve de ensaios) Manuel Gusmão, Helder Macedo, o jovem poeta Ricardo Gil Soeiro (a meu ver o caso mais consistente desse paralelismo nos escritores mais jovens) e Gólgona Anghel, já sem falar do genial Jorge de Sena, Joaquim Manuel Magalhães, entre outros. Mas parece haver ainda um certo preconceito, de ambos os lados, em relação a tal. O que une o ensaio e a poesia, neste caso concreto, é essa capacidade de leitura e de interpretação das potencialidades da linguagem, o conhecimento profundo da própria tradição e dos autores. De uma forma geral, os ensaístas são grandes leitores e isso faz muita diferença (a meu ver) na poesia. Não entram nela de forma ingénua e desavisada. Devo dizer-te, no entanto, que a poesia portuguesa, um pouco contrariamente ao que se diz, está muito viçosa. Não quer dizer que seja tudo igualmente bom e o tempo há-de acabar por separar as águas, mas entre tanta coisa que se publica, neste universo de pequenas editoras, como a Douda Correria, a Língua Morta, a Averno, a Mariposa Azual e muitas outras editoras pelo país, cuja distribuição nos dificulta o acesso (estou a pensar nas editoras do Porto e de Coimbra), há muita coisa de qualidade. Em movência, proveniente de vários filões. Muitos poetas jovens que estão a fazer um excelente trabalho e é preciso esperar a evolução deles para avaliar a qualidade. As tertúlias, o trabalho militante de lugares que já são hoje de «culto», como o Irreal, o Povo, terças-feiras clandestinas, etc., são notáveis pela esperança que vieram criar para a jovem poesia portuguesa e fomentam o diálogo e o espaço propício à criação. Respeito muito quem trabalha assim, de forma militante, à margem das «facilidades» das grandes editoras, que sempre tiveram um trabalho mais facilitado. A poesia é hoje, mais do que nunca, um espaço de resistência, de contra-poder. E isso é profundamente político.

Outra das tuas actividades é a de coordenadora ou directora de um novo projecto cultural online chamado Caliban. Como surgiu essa ideia e como está a correr?
Não gosto muito de escarafunchar em histórias tristes, tanto mais que a Caliban é a história muito feliz do que se faz com finais tristes. Não gosto do termo directora, é demasiado formal para o meu gosto, prefiro o de coordenadora, é mais feliz e mais justo. O nome partiu desse engenhoso poeta que ambos conhecemos, o António Cabrita, mas houve muita gente amiga que se associou imediatamente ao projecto, com muito entusiasmo, também do lado brasileiro, amigos como Marcia Tiburi, Rubens Casara, Bartira Fortes, Renato Rezende. Os outros foram chegando, para utilizar uma expressão brasileira. Energia positiva gera mais energia positiva. A Caliban é lida em Portugal e no Brasil. Creio haver ainda alguma suspeita num certo meio intelectual português, que torce o nariz ao online, mas que nos lê «às escondidas», o que me diverte. É bom sinal. Todos os dias se somam novos seguidores e num universo tão pequeno como é o da literatura (não é um jornal genérico), com conteúdos ligados à arte e à literatura, à poesia, crónica, etc., não é de esperar que haja uma adesão maciça. Mas somos lidos nas comunidades portuguesas e recebo respostas muito positivas de quem mora longe e não tem acesso ao que se vai fazendo por cá. Creio que teremos de abolir este preconceito contra a revista electrónica (que o Brasil já não tem, por exemplo, ainda que ame o suporte de papel) para vencermos a resistência do leitor bem-pensante. As redes sociais, por seu lado, ao facilitarem a divulgação do projecto, têm sido óptimas para a sua divulgação, pois até agora, ao fim de seis meses, só uma rádio se interessou por nós. Mas estamos de saúde, é um projecto democrático e que pretende, antes de mais, dar voz e dar a conhecer quem não passa no crivo dos jornais e das revistas literárias, mas que, nem por isso, tem menos qualidade. Temos colaboradores (que têm tanta autonomia como eu ou o Cabrita) portugueses e brasileiros (e deste lado é preciso dizer que contamos com ensaístas e poetas extraordinários, como Alberto Pucheu, Renato Rezende, Luciana Brandão, Ney Ferraz Paiva, Vicente Franz Cecim, Marcia Tiburi, Rubens Casara, Marcio Seligmann-Silva, Danielle Magalhães, Yasmin Nigri, Bia Dias, etc.) que tão generosamente se dispõem a colaborar. É o tipo de projecto que fundas e deixas crescer livremente, espero que em breve possamos conseguir, de alguma forma, financiar, se houver interesse.

Tens um doutoramento em filosofia. Como entendes essa relação, em ti, entre a filosofia e a poesia?
É uma relação de profunda inquietação. Não que acorde angustiada a pensar em problemas existenciais todos os dias (os meus são mais prosaicos como pagar as contas, etc.), mas a filosofia esconde-se nos interstícios de tudo o que fazemos, uma espécie de animal intruso e invisível, que reclama o alimento, mas que também nos indica algo a partir dela, dessa necessidade de compreender, dessa paixão autofágica, como sabemos. Faço parte de uma linhagem poética que consideraria metafísica, não tenho nada a ver com o que se faz (e que eu respeito) hoje, a poesia do quotidiano, sou sempre movida pelos meus autores, muito atraída pela uma tradição mística, mas sem me deixar vencer por ela, nesse sentido de querer ser uma mística. Eu não quero ser nada, deixo que as palavras me guiem, o meu prazer é o da descoberta, esse trabalho da contenção da linguagem e da sua força, um trabalho de homenagem permanente, de dívida para com os meus autores, os meus temas. Não sei se o doutoramento tem aqui algum peso, pois eu nunca penso nisso nem quero que a erudição transpareça em exercícios fúteis de estilo, isso não me interessa para nada. Eu diria que a poesia me mantém à tona dessa inquietação filosófica. Sem a escrita acho que não vivia bem, não sei sequer se sobreviveria, nunca me aconteceu estar longe dela, desde que me lembro.

Que projectos para este ano?
Para já, uma tradução, que penso acabar este mês. Mas tenho um romance, que sairá em Maio, pela editora Deriva. Depois, vou atirar-me a um livro de ensaio, que conto publicar na Documenta/Sistema Solar. Só estou à espera de ter tempo para me consagrar a ele. E o resto vai acontecendo, é o trabalho académico, os textos ensaísticos que vou publicando em revistas, as conferências planeadas, um congresso internacional que estou a co-organizar, sobre memória e arquivo, com os meus ilustres colegas da Nova (Comunicação e História de Arte) e da Clássica (Centro de Filosofia). E a Caliban.

Entrevista conduzida por Paulo José Miranda em
http://hojemacau.com.mo/2017/02/24/maria-joao-cantinho-nao-quero-ser-nada/