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terça-feira, maio 14, 2013

Stevenson na Ler de maio. Recensão de José Guardado Moreira

É na Revista Ler, nº 124, que se encontra uma recensão crítica de José Guardado Moreira sobre Stevenson  e o seu já muito falado A Moralidade da Profissão das Letras que finalmente a Deriva, em parceria com o Instituto de Literatura Comparada Magarida Losa da FLUP, se encarregou de editar com uma belíssima tradução de Jorge Bastos da Silva.
Neste número consta igualmente uma entrevista a Ribeiro Telles, uma interessante conversa entre Rentes de Carvalho e Fernando Venâncio e também duas excelentes notícias no âmbito editorial: uma nova edição de Pipi das Meias Altas e a edição de uma biografia de Mesrine, esse grande gangster e amigo de Debord, pela mão da Antígona.

sexta-feira, abril 19, 2013

A Moralidade da Profissão das Letras e outras Defesas da Literatura [5 ESTRELAS NA IPSÍLON ]



A Moralidade da Profissão das Letras e outras Defesas da Literatura
Robert Louis Stevenson
Deriva
Gustavo Rubin na IPSÍLON

"Nada que possa ser feito devagar deve ser feito à pressa." Eis a regra de escrita que resume toda a ideia de literatura defendida por Robert Louis Stevenson neste breve trio de ensaios publicado entre 1881 e 1888. É uma amostra, embora muito representativa, do trabalho ensaístico a que também se dedicou o autor de Ilha do Tesouro, de O Médico e o Monstro ou desse notável relato de viagens que é Nos Mares do Sul. Não sendo o único, o pequeno volume da colecção Pulsar passa no entanto a ser um dos raros com que podemos aceder em português ao pensamento literário de um grande escritor que nunca foi só o exímio narrador que toda a gente reconhece.O ensaio em título articula-se bem com os outros dois que completam o livrinho: a Carta a um jovem cavalheiro que se propõe enveredar pela carreira das artes e Uma nota sobre o realismo. A gravidade com que Stevenson coloca o problema da "moralidade da profissão das letras" mantém-se constante e ainda hoje é um magnífico antídoto contra certo cinismo envolvente. A ideia é inequívoca: por um lado, a literatura "é singularmente interessante para o artista", individualmente considerado; por outro lado, "num grau que lhe é peculiar entre as artes", a literatura "é útil à humanidade". E daí segue-se a consequência: "Estas são justificações suficientes para qualquer jovem, homem ou mulher, que a adopte como o ofício da sua vida."

Stevenson tem um entendimento amplo da profissão literária, não excluindo sequer o jornalismo, essa "universal reportagem" de Mallarmé que para o escritor escocês exemplifica o modo como "os deveres da literatura são negligenciados diariamente, a verdade diariamente pervertida e suprimida" - embora não deva nem tenha de ser assim. Nem seria sequer muito ousado ler este ensaio como reflexão sobre a autonomia da literatura na era do jornalismo, dando outra densidade à aproximação com Mallarmé, nada estranha porém, se pensarmos que Stevenson se descrevia a si mesmo como um "perfeito Gaulês". Flaubert, Voltaire (a que não achava graça nenhuma), Balzac, Dumas ou Musset são aliás referências a que recorre mais que uma vez ao longo dos ensaios.

De certa maneira, a Nota sobre o realismo é uma crítica da tradição do romance francês moderno, tomando como alvo contemporâneo o naturalismo de Zola mas entendendo-o restritamente como um tipo de realismo que "diz respeito a meras questões formais", isto é, aos "sucessos técnicos" em que se perderia a "força inquestionável do Sr. Zola". Em todo o caso, é em Walter Scott e no romance histórico que Stevenson vê a origem do realismo enquanto profusão do detalhe. É um problema muito diferente do daquilo a que chama "a verdade fundamental", preocupação que no ensaio sobre a moralidade da profissão era um dos dois deveres que incumbem a quem entra "no negócio da escrita: respeito pela verdade das coisas e um bom espírito no tratamento".

Resumido assim, soa a um manifesto moralista pelo bom senso literário mas o certo é que Stevenson nunca perde o humor com que encara (e desfaz) todas as pretensões ao equilíbrio entre intenções e obras. "Não há nenhum livro perfeito, sequer na intenção" é uma das afirmações menos vulgares que aqui se podem ler. E o respeito pela verdade das coisas é, sobretudo, o respeito pela noção de que na arte o assunto em si mesmo é secundário porque nela "é antes de tudo a atitude do autor que é narrada". O argumento (por exemplo, realista) que suprimisse esta consciência significaria "correr risco muito mais perigoso do que o de ser imoral: é ter a certeza de não ser verdadeiro". E é desta verdade fundamental em que o sujeito de escrita nunca está ausente que decorre o discurso trabalhista (digamos assim) que atravessa toda a "Carta a um jovem", ou seja, o discurso de um escritor para quem, por muito trabalho que a escrita dê e por muito árduo que ele de facto seja, "Na vida do artista não tem de haver hora desprovida de prazer."

Aconselhando devoção ao trabalho e confiança no tempo que acabará por trazer, mais tarde ou mais cedo, o gosto dessa devoção, Stevenson concentra a sua descarada publicidade da literatura como forma de vida no prazer de quem escreve. E a debilidade dos resultados atingidos por milhares de artistas e escritores não é contra-argumento válido para sugerir uma carreira alternativa: "O artista incapaz seria provavelmente um padeiro muito incompetente."

Bastante competente foi, não só Jorge Bastos da Silva, mas ainda o conjunto dos seus dez alunos do seminário de Tradução da Faculdade de Letras da Universidade do Porto que são co-responsáveis pelo texto deste opúsculo e cujo nome vem individualizado na nota introdutória. Trabalhos destes são a melhor resposta a quem duvida da utilidade social da profissão literária.

domingo, março 10, 2013

Recensão (completa) de Hugo Pinto Santos, Atual/Expresso sobre Coleridge



Biographia Literaria
Samuel Taylor Coleridge
Deriva
Tradução: Jorge Bastos da Silva
128 págs.
14 €
Ensaio
2012
5 estrelas

Para Eliot, que não era pródigo no elogio, Coleridge era “talvez o maior dos críticos ingleses, e em certo sentido o último” – juízo que diz bem da importância deste homem dispersivo e genialmente vário. “Biographia Literaria” é destilação das suas digressões ensaísticas sempre apontadas à maior diversidade de origens, literaturas e profícuos cruzamentos. Entre eles, o menor não seria a filosofia, como quando, nestas páginas, vê na verdade “um ventríloquo divino”, ou quando, algures, ecoa Schelling ao conceber a beleza como “estenografia hieroglífica da verdade”. Assistemático e sinuoso na estrutura e nos modos de consecução, este é um cume da crítica romântica e um passo determinante na história geral do pensamento crítico. S.T.C. elege o modo narrativo “para dar continuidade à obra”, fundindo, de forma superiormente pessoal, rememoração, idiossincrasia – “Se disserem que isto é Idealismo, lembre-se que é somente idealismo na medida em que é (…) o realismo mais verdadeiro” – e a mais persistente reflexão sobre o acto poético – “os dois pontos cardeais da poesia, o poder de excitar a simpatia do leitor por meio de uma adesão fiel à verdade da natureza e o poder de conferir o interesse da novidade através do colorido modificador que é próprio da imaginação”. Por outro lado, opõe-se aos postulados de Wordsworth, nomeadamente onde este defendia a naturalidade de dicção e o mimetismo da fala “natural”, que Coleridge contesta, advogando um estatuto universal de toda a língua e defendendo que a “melhor parte da linguagem humana (…) deriva da reflexão sobre os actos da própria mente”. O presente volume disponibiliza cerca de “um quinto da extensão total” de uma obra pela primeira editada entre nós, que contou com o excelente trabalho de tradução e anotação de Jorge Bastos da Silva.

sábado, março 09, 2013

Expresso: 5 estrelas para Biographia Literaria de Coleridge


Biographia Literaria de Samuel Taylor Coleridge, teve uma tradução de excelência de Jorge Bastos da Silva. Houve hoje a recensão crítica do Expresso pela mão de Hugo Pinto Santos: cinco estrelas para o livro. O tradutor, o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, a FLUP e a Deriva estão de parabéns.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

A Moralidade da Profissão das Letras, de Stevenson, na Pulsar. Deriva/ILC

 
Saiu ontem mesmo e já está na distribuição, mais um livrinho da coleção Pulsar, com a chancela da Deriva e do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da FLUP. O título é uma maravilha: A Moralidade da Profissão das Letras e Outras Defesas da Literatura, de Robert Louis Stevenson. A tradução e nota de leitura é do Professor Jorge Bastos da Silva.
Anotem, por favor, o que se lê à página 20: «A copiosa baixeza dândi do repórter americano ou do croniqueiro parisiense, ambos de leitura tão leve, hão-de exercer incálculável influência perniciosa; dão início à consideração de tudo, nas mentes jovens e impreparadas, num espírito indigno; sobre todos os assuntos, fornecem alguma pungência para as pessoas sem brilho citarem. O próprio volume dessa matéria feia esmaga o pouco que dizem os homens bons; os desdenhosos, os egoístas e os cobardes estão espalhados em grandes folhas em todas as mesas, enquanto o antídoto, em pequenos volumes, se encontra, por ler, na prateleira.»
 


domingo, novembro 11, 2012

Este mês pode encontrar nas livrarias mais dois livros do ILC/Deriva Editores sobre Coleridge e Pinson


Mais dois livros da parceria Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da FLUP e da Deriva Editores: na coleção Cassiopeia temos a Biographia Literaria de Samuel Taylor Coleridge com seleção, introdução, tradução e notas de Jorge Bastos da Silva e, na coleção Pulsar, um novo livro de Jean-Claude Pinson, Hobby e Dandy, Da Arte na sua Relação com a Sociedade. Procure-os nas livrarias.

sexta-feira, novembro 09, 2012

Samuel Taylor Coleridge, Biographia Literaria

Da coleção Cassiopeia do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da FLUP em associação com a Deriva Editores e com seleção, introdução, tradução e notas de Jorge Bastos da Silva saiu hoje da tipografia, pronto a preencher as estantes das livrarias. Daremos notícias em breve.