domingo, junho 22, 2014

Call Centers, de João Carlos Louçã no Porto: as fotos. A estória

Adriano Campos, dos Precários Inflexíveis, João Carlos Louçã, antropólogo e autor de Call Centers e Manuel Loff, historiador da FLUP

18:30 e embora as massas populares (estiveram 45 pessoas na esplanada da Gato Vadio) mostrassem alguma ânsia pelo início das hostilidades, esta demoraria pouco a começar

Uma certeza comum a todos os intervenientes sobre o estado atual da exploração do trabalho: há direitos que se perderam. Estamos a falar de direitos que julgávamos intocáveis até pela sua justiça: férias, direito à greve, a salários justos, direito à reforma, direito à opinião.

Tentativa do editor em entrar pelos campos do surrealismo: uma foto tentando encontrar a Andrea do outro lado do espelho. Mas só conseguiu que o ponteiro do relógio, um ícone surrealista e tudo, fosse transformado num balão de S. João.

A livraria Gato Vadio é mais que isso. É um espaço de liberdade e de promoção do bem-estar, muito diferente da FNAT salazarista que pretendia a alegria no trabalho. Aqui, é mais a alergia pelo trabalho enquadrada necessariamente pelo espírito da rebelião.

sábado, maio 31, 2014

Feira do Livro de Lisboa-Pavilhão A36 Deriva/Companhia das Artes

Na Feira do Livro de Lisboa, a Deriva tem os seus livros à venda no pavilhão da Companhia das Artes, o
A36

quinta-feira, maio 29, 2014

Sobre João Carlos Louçã, autor de Call Centers, Trabalho, Domesticação, Resistências

João Carlos Louçã, autor de Call Centers. No Muro de Berlim
Nasceu em 1966 em Lisboa, onde vive. Estudante tardio, é doutorando em Antropologia na Universidade Nova de Lisboa, onde procura encontrar a ligação entre as utopias emancipatórias e projetos à margem da economia formal. Nos próximos anos, vai provavelmente dedicar-se  a comunidades de produção e consumo, trocas e partilha, de pessoas conscientes das limitações do planeta e da barbárie capitalista. Navegou sempre pelas águas da precariedade profissional, quase sempre em trabalhos de usar mais o corpo que a cabeça. Militante político por cultura e opção, sabe que as revoluções são obras coletivas ou não servem para nada. Mas também sabe que foi sempre a determinação de homens e mulheres que lutaram em circunstâncias concretas que nos fez sair das cavernas e rompermos as cadeias da exploração. Foi sempre fazendo filmes, primeiro na sua cabeça, depois em projetos alheios e agora sempre que encontra tema e pessoas com quem partilhar a vontade de falar assim do mundo que habitamos. Como grande parte da humanidade gosta de viajar e conhecer outras paragens e histórias. Como as do tango queer em Buenos Aires, do Hymarket em Chicago ou de Amaiur no País Basco. Gosta de Berlim e do bocado de muro que a cidade resolveu guardar. Para se lembrar de todos os muros que ficaram ainda por derrubar.

quarta-feira, maio 28, 2014

Sobre Call Centers, de João Carlos Louçã


A investigação realizada por João Carlos Louçã dá-nos conta essencialmente das consequências deste tipo de situações para os trabalhadores, através da observação das formas de intensificação do trabalho e de gestão (controlo) da mão-de-obra, bem como das formas de resistência por parte dos trabalhadores. A sua análise detalhada permite-nos concluir por uma regressão das formas de trabalho, em que os direitos sociais associados ao trabalho são cada vez menos uma realidade. (...)
Inês Fonseca

Serão estes trabalhadores e trabalhadoras de call center exemplo de “proletarização” da modernidade? Até que ponto os call centers serão as novas fábricas do século XXI remetendo os trabalhadores destes serviços a uma existência na base da pirâmide social? Serão as novas técnicas de gestão de recursos humanos e de organização do trabalho em call centers equivalentes atuais das teorias de Ford e Taylor no início do processo de produção em massa das sociedades industriais do início do século passado?
Questões que poderão sempre obter respostas a vários níveis, mais ou menos convergentes, mas que não poderão nunca deixar de tomar em consideração os homens e as mulheres que desta maneira vendem a sua força de trabalho, as consequências para as suas vidas na continuidade e divergência entre estes dois períodos históricos. (...)

João Carlos Louçã

segunda-feira, maio 26, 2014

Call Centers, de João Carlos Louçã. Novo ensaio da Deriva. Apresentações em Lisboa e Porto

É já no dia 3 de Junho, pelas 21:00, que no novo espaço MOB (Rua dos Anjos, 12 F, em Lisboa) se vai falar de Call Centers, um ensaio sociológico de João Carlos Louçã. Com ele estará a apresentar o livro Paula Godinho da FCSeH de Lisboa e Tiago Gillot, dos Precários Inflexíveis. 
Seguir-se-á o Porto, a 20/06 com Manuel Loff, no Gato Vadio (às 18:00).

quarta-feira, abril 02, 2014

2 de Abril: a Literatura infanto-juvenil em análise na Deriva


Os livros que estudam a literatura infanto-juvenil através da publicação das actas dos Encontros Luso-Galaicos-Franceses do Livro Infantil e Juvenil.

2 de Abril: Dia do livro infantil







Temos a convicção de que os nossos livros infanto-juvenis são únicos. Porque são solidários, bonitos, rigorosos na linguagem utilizada e maravilhosos nas ilustrações escolhidas. Orgulhamo-nos igualmente dos nossos autores: João Pedro Mésseder, Ramón Caride, Luís Mourão entre outros. Ilustradores como Gémeo Luís, Emílio Remelhe, João Maio Pinto, Manuela São Simão, Miguelanxo Prado são reconhecidamente dos mais criativos. Apresentaram-nos a Sara Reis Silva e a Ana Margarida Ramos. Temos teatro, contos, histórias, poesia. Como não podíamos enviar daqui um abraço a todos?

segunda-feira, março 17, 2014

Segmento, de Hugo Neto, apresentado na Casa Bocage, em Setúbal

Hugo Neto falando de dois dos seus poemas. Com Bruno Ferro, anfitrião da Casa Bocage ao fundo, de pé. A seguir: momentos partilhados com os amigos





domingo, março 02, 2014

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Literatura para a Infância e a Juventude e Educação Literária


Crónicas Peugeot: «Não sei se algum dia partirei da fábrica»

«Não sei se algum dia partirei da fábrica. Porque vou contar-te uma coisa perfeitamente parva, mas... há um ano, estivemos uma semana no desemprego, mesmo antes das férias, portanto isto dava cinco semanas. Ao fim de quatro semanas de férias – estávamos perto de Cherbourg – já não dava mais. Estava a bater mal lá. Estava a bater mal, fui obrigado a vir embora. Sabes, uma espécie de necessidade masoquista. Não estava bem. Quatro semanas, tudo bem, vês: recuperas fisicamente, fazes o ponto da situação na tua cabeça, tudo bem, descontrais... e depois, dizes para contigo: ‘O que é que me espera quando regressar? Portanto preciso de voltar. Preciso de voltar para ver, para estar ali porque... Começo a estar farto das férias, começo a andar às voltas. Ando aqui a coçar os tomates, tenho que bazar’. E foi o que nos aconteceu. Viemos embora uma semana antes. Demos cabo de uma semana de férias para vir embora. Precisava de ir ver a fábrica durante as férias, vês, quando a fábrica está parada. Ir diante da porta e dizer para comigo: ‘Merda, mas como é que a gente vai fazer para desmontar esta coisa?’ Fazer isto...
Crónicas Peugeot, de Michel Pialoux e Christian Corouge. Deriva

De «Compositores do período barroco», de José Ricardo Nunes: Pergolesi, Giovanni Battista

PERGOLESI, Giovanni Battista
(1710-1736)


Só o breve, curto
verso que em Pozzuoli,
no derradeiro Inverno, não ousei
apontar para não interromper
a composição do Stabat Mater, teria feito
justiça à minha vida, eu que mal
dispus dela, a despejá-la
à pressa, servo e senhor
ao mesmo tempo, como procurei
desajeitadamente esclarecer
no intermezzo, incapaz
de mando, obediência, prestes

a desconjuntar-me.

De «Suicidas»: Jack London, de Henrique Manuel Bento Fialho



JACK LONDON


Vou falar-te de excessos. Já estive à beira da morte. Pensando no assunto, estamos cada segundo das nossas vidas à beira da morte. A vida é um excesso, o meu nome é excessivo, eu acredito que não acredito em nada, a minha boca é excessiva. Vou contar-te do excesso. Vou contar-te de um corpo pendurado a seis passos do chão, a balouçar como se fosse um ponteiro de um relógio danificado, e o tempo a passar pelos músculos rasgados de tanta força fazerem para trazerem de novo à tona o corpo pendular. Vou contar-te da jóia negra que um dia comi sem sabê-la contaminada. Nunca fiz o teste, receei o resultado. Vou contar-te de uma coisa parecida com um corpo humano a saltar de um veículo em andamento, numa estrada atlântica ladeada de canaviais onde tantas vezes procurei esconder-me das luas cheias que me açoitavam as hormonas. Vou falar-te de uma orgia a céu aberto, com dois corpos rebolando-se sobre as brasas extintas de uma fogueira apagada, e de como cada um desses corpos ao rebolar-se daquela maneira deixou escrito a carvão, na pele que trazemos sobre a nossa própria pele, o quanto era importante activar todas as glândulas num único sentido: o do excesso que nos faz sentir vivos nem que seja por brevíssimos e esplendorosos e absolutamente únicos instantes. Vou falar-te de uma salada de maconha, respiração boca a boca em pleno deserto, com o mundo inteiro a transformar-se numa miragem. Quando morreres, que te prestem contas pelo que não fizeste. Que a vida te seja proveitosa no céu. A vida é um alvo ao alcance da mira excessiva, a vida é a bala em trânsito. Às vezes compro caixas de lua cheia e devoro-as num segundo, só para sentir o açúcar a embebedar-me o sal do sangue; sempre que bebo, bebo predispondo-me para a bebedeira com que um dia levantei ao ar um caixote do lixo com nome de mulher. Tinha um nome complexo. A revolução acabou de começar, mas é já a história a repetir-se. Isso mesmo, a revolução acabou de começar, mas é só a história a repetir-se. Toma lá um bafo, leva-o bem ao fundo dos pulmões, encolhe a respiração, explode de alegria e, faz-me esse favor, não lhe chames artificial. No fundo, é apenas a chama do riso a ser ateada. E nos meus pulmões o ar dos teus pulmões refazendo, como se diz, toda a perspectiva do mundo. Os meus olhos vêem-te por todo o lado sob todas as formas. E eu mudo-te o nome a cada instante. És igualzinha a um banho de sol em delírio, a uma guitarra distorcendo as ancas que dançam e pulam e giram e se abanam como se quisessem espanar do ar as poeiras que o vento traz. De onde traz o vento todas estas poeiras? Não quero saber. Já preparei a mochila, em breve seguirei por aí à procura de um rumo para os estilhaços espalhados pelo chão. Estou no ir. Há algo no ar que o vento traz, estou no ir. Todas as evidências enterradas, um passado inteiro atirado para a berma da estrada, estou no ir, uma ossada ganhando músculos, desabrochando, os nervos crescendo no corpo como uma flor na terra, sementes de pele rebentando sobre a carne viva, desnascer só pode ser isto, estar no ir, e eu estou a chover dentro de mim próprio para que alguma coisa nova nasça, estou a fecundar as terras do meu corpo para que alguma coisa nele brote, alguma coisa que se possa cultivar sem os cuidados exigidos das hortas lavradas, alguma coisa selvagem, um silvado carregado de amoras, um silvado excessivo onde alguém um dia mergulhará cada um dos seus anseios para de lá sair com o corpo cravado de espinhos, estou a flectir as pálpebras, a revirar os olhos para melhor observar o que dentro me vai impedindo de estar em sintonia com o que está fora, estou no ir. Para os teus banhos de sol, uma das minhas caixas de lua cheia. Podes ficar com a poesia.

Dos Espaços Confinados, de Catarina Costa. Um trecho

V

Vagueio indefinidamente nas ruas sossegadas, ando até cansar o corpo em acordo com a alma, dói-me até aquele extremo da dor conhecida que tem um gozo em sentir-se, uma compaixão materna por si mesma, que é musicada e indefinível.
Bernardo Soares, Livro do Desassossego


A produção das coisas do mundo fascina-o e oprime-o. Acorda querendo ouvir debaixo de si as grandes rodas da maquinaria, apesar de não ser mais que um operário a fazer render o material que lhe dão para as mãos no isolamento do seu posto. O ruído das máquinas embala-o ao longo das horas, amolecendo-as, oferecendo o prazer de as esquecer, o deleite de não guardar mais do que o seu movimento infernal. Porém, às cinco da tarde sai da fábrica e é deixado a sós com as suas suposições de vida que depressa se traduzem na necessidade de dar um sentido à constância do aperto frio no peito. E o extravasar da alegria ao longo destes anos de juventude é um longo júbilo tosco, gáudio que brota e se encaminha para a morte. Logo no primeiro dia, acabado de chegar à cidade fabril, ao mesmo tempo que acabando de encontrar o cenário ideal para os seus passeios demasiado desatentos ao próprio cenário, soube que ali lhe seria dado espaço para dar vazão aos seus dons subterrâneos para a alegria. Quantas vezes, desde então, ele passa entre os carros repetindo o roteiro desse primeiro dia, quando descendo do miradouro, de onde nada observou, à praça, em cuja estátua ao centro não viu mais que um monólito, percebeu que era por ali que poderia andar, sozinho, até ao soçobro. Por vezes, para aplacar a indispensabilidade do prazer, corre por atalhos afastados que o levam ao teatro ver uma peça que põe em cena, com toda a parafernália, alguma das suas obsessões. É porém certo que quando regressa, a cena derradeira da peça é-lhe já indiferente e sente apenas as influências do clima no corpo enquanto avança nas ruas, indefinidamente, sem que nenhum obstáculo súbito embargue os passos que se queriam deter em alguma circunstância.

domingo, fevereiro 02, 2014

Curso de Literatura. Shakespeare em crise. Miguel Ramalhete Gomes

Curso de Literatura. Shakespeare em crise. Orientado por Miguel Ramalhete Gomes. Na UPP

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Um poema de Segmento, de Hugo Neto

Hugo Neto, Setúbal. 2013

Lisboa, Março, 2008


Folha de rosto


Reparo na cara de um velho e admiro, com reverência,
a trajectória afirmativa das rugas, a audácia da água calejada na vista.

Na minha vincaram-se também linhas irreparáveis de um passado,
em debate com a pele ainda lisa, à espera de outras dobras.

Mas numa cara tão visitada por máscaras várias – a do velho,
da mulher, da criança, do feliz, do triste, do excluido,
do passional, do criminoso, do morto, do fugitivo…– furto-me
a decidir que feição tenha esboçado predominância;
que tipo de homem sou.

Algo, porém, predominou. Após cada máscara voltou sempre
a pausa de uma interrogação, a amargura duma expectativa;

lisa máscara da ausência. Somente
incriminada por dois olhos a tremerem numa água enverdecida,
que ora diz é já tarde, ora diz é possível;

é já tarde, é possível; é já tarde, é possível; é já tarde? É bem possível.

12 euros
Pedidos a infoderivaeditores@gmail.com

Paulo Kellerman com a Deriva em 2014

Paulo Kellerman no Bar Abrelatas. Leiria. Janeiro de 2014

Quintas de Leitura de Fevereiro. Já podem reservar bilhetes


terça-feira, janeiro 21, 2014

Apresentação de Crónicas Peugeot. Na Gato Vadio. Dia 31/01, 21:00


Filipa Leal e Aurelino Costa nas Correntes d' Escritas


Ainda é oficioso, mas poderemos avançar já com a informação: Filipa Leal (A Cidade Líquida e Outras Texturas, O Problema de Ser Norte, A Inexistência de Eva e Vale Formoso, na Deriva Editores) e Aurelino Costa (Domingo no Corpo, Deriva) vão estar nas Correntes d' Escritas. 

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Deriva/Ensaio


  • A Formação da Mentalidade Submissa, de Vicente Romano, 16,20
  • Intoxicação Linguística, de Vicente Romano, 14,40
  • Utopias Piratas, de Peter Lamborn Wilson, 12,50
  • O Espírito Nómada, de Kenneth White, 18,90
  • Futuro Primitivo, de John Zerzan, 8,80
  • A Mobilização Global, seguido de Estado-Guerra, de Santiago López-Petit, 15, 50
pedidos e contactos: infoderivaeditores@gmail.com