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domingo, junho 08, 2025

"Electra 28"



Costumo comprar a Electra de um modo intermitente mas não podia faltar a este último número, o 28, o da Primavera de 2025 (assim dito é muito mais apelativo). António Guerreiro conduz-nos pela história e perspectivas actuais e futuras do livro: o de papel e também o digital e a (im)possibilidade deste constituir uma verdadeira substituição ao velho fólio. Para quem gosta de livros e não pode viver sem eles, eis um número da revista que não pode perder.

Embora os artigos sejam muito díspares relativamente à sua qualidade, há alguns, dir-se-ia na sua grande maioria, que vale a pena ler, sublinhar, guardar e memorizar como argumentos necessários à conservação do livro tradicional, ainda assim, e até hoje, mais rápido de consultar do que o digital. Aliás, coisa que nenhum artigo do "Assunto" da Electra 28 releva é o paradoxo do livro digital copiar, no ecrã luminoso, a textura do papel, a passagem visual de uma página para a seguinte ou, até, o som de uma página a ser voltada por dedos inexistentes. Toda uma retro-tecnologia, pelos vistos! E o valor do preço dos livros digitais é tanto mais caro, quanto maior for a imitação do velho livro em papel. 

Sobre a indústria livreira actual com a série interminável de títulos que nos afogam em espaços comerciais que vendem toda a parafernália electrónica (já vi um carro eléctrico da Citroën e batedeiras para sumos à venda junto aos livros de Valter Hugo Mãe; mas, pensando bem, por que não?) é analisada com algum pormenor, principalmente nas entrevistas a John B. Tompson e a Roger Chartier. Este último afirma na entrevista, o seguinte:

"A originalidade radical do mundo electrónico foi o de estabelecer uma separação drástica entre o suporte e o discurso. O ecrã é o suporte de todos os textos que o seu utilizador convoca ou produz. Não está de modo algum ligado a um discurso particular, como acontece com os livros. Um 'livro electrónico' não é verdadeiramente um livro, uma vez que a identidade do seu discurso já não é materializada pelo objecto que o contém e transmite. No mundo da textualidade digital, os discursos já não estão inscritos em objectos que permitam reconhecê-los na sua identidade própria. O mundo digital é um mundo de fragmentos descontextualizados, justapostos, passíveis de serem indefinidamente recompostos, sem que seja necessário ou desejável compreender a relação que os inscreve no livro de onde foram extraídos". 

Entre mais considerações que aqui se poderiam plasmar, vale a pena ler os artigos sobre o que se entende pela novíssima "leitura acelerada" dos dias de hoje e da profusão de temas 'invasores' com que nos deparamos todos os dias e que nos leva a uma outra questão não menorizada pela revista: a da nova censura empresarial radicada nas redes sociais e do papel da Amazon na canibalização das editoras (ainda há editores que escolhem a coerência dos seus catálogos, ou são autores que, cada vez mais, pagam a sua própria edição?) e livrarias que ainda tentam ser independentes. 

A não perder igualmente: "O livro, esse objecto mágico",  artigo de António Guerreiro, "A Biblioteca de Alexandria e as bibliotecas", de Robert Darnton, "O livro numa encruzilhada" de Diogo Ramada Curto e "Pod.Cast", de Diogo Vaz Pinto. 

alc

segunda-feira, abril 10, 2017

«Vozes de Mulheres» - Feira do Livro, exposições, debates, leituras. Livraria das Mulheres, 28/30 de abril. No Porto

O livro «Dons e Disciplinas do Corpo Feminino», de Inês Brasão será apresentado a 29 de abril, às 17:30, no Pólo Zero (Rua de São Filipe de Nery, 4050-070), no âmbito da Feira do Livro «Vozes de Mulheres» organizada pela Confraria Vermelha, Livraria de Mulheres e pela SdDUP.

domingo, junho 22, 2014

Call Centers, de João Carlos Louçã no Porto: as fotos. A estória

Adriano Campos, dos Precários Inflexíveis, João Carlos Louçã, antropólogo e autor de Call Centers e Manuel Loff, historiador da FLUP

18:30 e embora as massas populares (estiveram 45 pessoas na esplanada da Gato Vadio) mostrassem alguma ânsia pelo início das hostilidades, esta demoraria pouco a começar

Uma certeza comum a todos os intervenientes sobre o estado atual da exploração do trabalho: há direitos que se perderam. Estamos a falar de direitos que julgávamos intocáveis até pela sua justiça: férias, direito à greve, a salários justos, direito à reforma, direito à opinião.

Tentativa do editor em entrar pelos campos do surrealismo: uma foto tentando encontrar a Andrea do outro lado do espelho. Mas só conseguiu que o ponteiro do relógio, um ícone surrealista e tudo, fosse transformado num balão de S. João.

A livraria Gato Vadio é mais que isso. É um espaço de liberdade e de promoção do bem-estar, muito diferente da FNAT salazarista que pretendia a alegria no trabalho. Aqui, é mais a alergia pelo trabalho enquadrada necessariamente pelo espírito da rebelião.

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Diálogo construído numa grande superfície à sua beira ou de como não se compra Suicidas

- Boa tarde. Tem Suicidas, de Henrique Manuel Bento Fialho?
- Um momento. Vou ver aqui no computador. Hmmm...hmmm....
- Sim?
- Temos. Está aqui registado Suicidas, sim senhor! Só há um.
- Ok. Obrigado. Onde? Não o vejo na estante da poesia, nem na dos autores portugueses.
- Só há um, mas no Algarve!
- Desculpe? (admiração e espanto)
- O que temos aqui registado é que só temos um exemplar, mas numa livraria do Algarve. (mostra enfado)
- Mas estamos no Porto, carago! (alguma irritação)
- Posso pedir (revira os olhos em círculo) para lá. Leva 5 a 8 dias! (olha para longe, sem fitar ninguém em particular)
- Ao menos em Lisboa. Não há lá nenhum. Pelas contas demoraria 2 a 3 dias! (produz-se um sorriso amarelo)
- É o que temos. (como quem está a falar com um atrasadão)

Hoje, na Fnac de Sta. Catarina, Porto

Na Fnac de Sta. Catarina, no Porto, já se encontra à venda Dos espaços confinados, de Catarina Costa, o seu segundo livro.

Hoje, na Livraria Latina, Porto

Estante de poesia da Livraria Latina, no Porto. Pode contar-se com Compositores do período barroco, do José Ricardo Nunes, com Dos Espaços confinados, de Catarina Costa e Bartlebys reunidos, de Ricardo Gil Soeiro

sábado, janeiro 11, 2014

Na Gato Vadio, Porto. Os livros da Deriva

Eis a montra da Gato Vadio com os livros da Deriva simpaticamente expostos num espaço de debate já importante no Porto. Os nossos livros lá estão mais as últimas novidades, sem as ânsias e as «escolhas de mercado» dos grandes espaços cada vez mais claustrofóbicos.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Na Livraria Utopia, as novidades da Deriva

Livraria Utopia, na Rua da Regeneração, 22, no Porto

Outra das Livrarias que marcam o Porto: a Utopia onde pontifica o Herculano que conheci nos idos de 80, em Coimbra, quando andávamos a publicar na Centelha. Ele, rock e anarcas, eu poesia, situacionistas e marxistas libertários. Seja como for ficámos amigos até hoje. Ainda lá não se pode beber um copo, mas há um café ao lado bem simpático. Como alfarrabista, encontram-se livros de História e Filosofia que nenhum «grande espaço» tem a veleidade de ter. E outra coisa: tem um stock de poesia de invejar qualquer pessoa de bom gosto. Aberto da 10h às 19h. É na Rua da Regeneração, 22 (à Praça da República). O Herculano tem lá, se não todo, grande parte do espólio glorioso da Deriva.

As novidades da Deriva que lá pode encontrar são estas:
  • Segmento, de Hugo Neto (Poesia)
  • Suicidas, de Henrique Manuel Bento Fialho (Prosa poética)
  • Compositores do Período Barroco, de José Ricardo Nunes (Poesia)
  • Crónicas Peugeot, de Michel Pialoux e Christian Corouge (Ensaio/Sociologia/Movimento Operário)
  • Dos Espaços Confinados, de Catarina Costa (Poesia)
  • Ao Encontro de Max Frisch, de Teresa Martins de Oliveira (Ensaio, ILC)
  • Samuel Taylor Coleridge, Biographia Literaria, de Jorge Bastos da Silva

Na Livraria Gato Vadio as novidades da Deriva

Livraria Gato Vadio, na Rua do Rosário, 281, no Porto

Na Livraria Gato Vadio podemos encontrar todas as novidades da Deriva e o seu catálogo mais antigo. Pode-se beber um copo e falar um pouco com quem aparecer. Um local óptimo no Porto para, ao fim do dia, estar. Devagar e tudo. É na Rua do Rosário, 281 e quando dissemos ao fim da tarde é mesmo assim: só abre às 17h. Bem feito, para os adoradores do trabalho e dos ritmos sincopados dos escravos modernos! Às sextas está lá o António sempre com ideias novas e com dois dedos de conversa sempre prontos. Um amigo sincero.

São estas as novidades que lá pode encontrar:
  • Segmento, de Hugo Neto (Poesia)
  • Suicidas, de Henrique Manuel Bento Fialho (Prosa poética)
  • Compositores do Período Barroco, de José Ricardo Nunes (Poesia)
  • Crónicas Peugeot, de Michel Pialoux e Christian Corouge (Ensaio/Sociologia/Movimento Operário)
  • Dos Espaços Confinados, de Catarina Costa (Poesia)
  • Ao Encontro de Max Frisch, de Teresa Martins de Oliveira (Ensaio, ILC)
  • Samuel Taylor Coleridge, Biographia Literaria, de Jorge Bastos da Silva

terça-feira, setembro 10, 2013

Hoje, na Bertrand Dolce Vita, Porto

Bartlebys Reunidos, de Ricardo Gil Soeiro na secção de Poesia. Junto com Domingo no Corpo, de Aurelino Costa, Vale Formoso de Filipa Leal, Compositores do Período Barroco de José Ricardo Nunes

Compositores do Período Barroco, de José Ricardo Nunes

Que se Lixe a Troika, de João Camargo, bem acompanhado na secção de Política

Na secção de Ensaio o livro da Deriva/ILC da FLUP coordenado por Teresa Martins de Oliveira Ao Encontro de Max Frisch

sábado, fevereiro 16, 2013

Hoje, em destaque na Livraria Poetria

Hoje, em destaque na Livraria Poetria o livrinho de Jean-Claude Pinson Para que serve a poesia hoje?, onde a Deriva tem grande parte dos seus livros de poesia e da coleção Pulsar e Cassiopeia. Quem quiser ganhar algum tempo e ir lá e ver as suas estantes é junto ao Teatro Carlos Alberto.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Livraria Leitura no Shopping Cidade do Porto. Livros da Deriva




Talvez seja a melhor livraria do Porto, se pensarmos no belíssimo stock existente que nos dá o que dificilmente uma grande superfície tem. Tempo, preços muito acessíveis e livros (pasme-se) com seis meses a um ano de existência! Mas, na poesia, na filosofia, história, sociologia e linguística podemos encontrar obras muito, muito anteriores, o que nos deixa com vontade de passar lá umas tardes. Acho que há quem o faça, para sua felicidade e proveito. É nestes preparos que os livros da Deriva se dão bem. Todos os autores da Deriva estão lá e qual foi o espanto ao encontrar-se os esgotados Abrasivas de João Pedro Mésseder e A Cidade Líquida e Outras Texturas, mais O Problema de Ser Norte, de Filipa Leal, nas estantes muito cheias da Leitura. Os livros juvenis e infantis lá se podem encontrar também, com Perigo Vegetal, O Futuro Roubado e Ameaça na Antártida, de Ramón Caride à venda, bem destacados.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Wittgenstein na Livraria Leitura, Shopping do Bom Sucesso, Porto


O livro da Deriva «Observações Sobre o Ramo Dourado de Frazer» de Ludwig Wittgenstein
encontra-se em escaparate na Livraria Leitura do Bom Sucesso, no Porto


quarta-feira, setembro 12, 2012

Apresentação de Vale Formoso, de Filipa Leal na FNAC GAIASHOPPING. 30 de setembro, Domingo, 17h

20 de setembro | 21h00 | Livraria Leitura Shopping Cidade do Porto

Numa altura em que se prepara para lançar um novo livro, Como Tu (Booklândia, 2012), destinado aos mais jovens, a poeta Ana Luísa Amaral é a convidada do próximo encontro O que Arde, Cura, que terá lugar a 20 de setembro, pelas 21h00, na Livraria Leitura do Shopping Cidade do Porto. A sessão será moderada por Marinela Freitas.
Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa, em 1956. Licenciou-se em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, instituição onde leciona Literatura e Cultura Inglesa e Americana, Estudos Feministas e Estudos queer. Doutorou-se em 1995 com uma tese sobre a poesia de Emily Dickinson.
O seu primeiro livro de poesia, Minha Senhora de Quê (Quetzal), data de 1990. Desde então, tem vindo a publicar regularmente poesia, teatro e literatura para a infância. Em 2007, venceu o Prémio Literário Casino da Póvoa, com a obra A Génese do Amor (Campo das Letras). No mesmo ano, foi galardoada em Itália com o Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi. Já em 2008, o seu livro Entre Dois Rios e Outras Noites (Campo das Letras) obteve o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. A sua poesia encontra-se reunida no volume Inversos: Poesia 1990-2010 (Dom Quixote, 2010).
Destaca-se ainda a sua atividade enquanto tradutora. Verteu para português Ponto Último e Outros Poemas, de John Updike (Civilização, 2009). Traduziu, posfaciou e organizou o volume Cem Poemasde Emily Dickinson (Relógio d’Água, 2010).
De momento, encontra-se em pré-lançamento Como Tu (Booklândia, 2012), uma obra destinada aos mais jovens que conjuga a poesia e a ilustração na abordagem às temáticas da sexualidade, do civismo e o do ambiente.

O que Arde, Cura
Encontros na Leitura tem lugar todas as terceiras quintas-feiras de cada mês no espaço da Livraria Leitura Books & Living do Centro Comercial Cidade do Porto.

sexta-feira, março 30, 2012

sábado, janeiro 08, 2011

Livrarias que pensam

Lemos no blogue da Capítulos Soltos, de Braga, o texto da Catarina da Livraria Trama em Lisboa e porque é nestas livrarias que nos sentimos em casa e  porque gostamos de leitores e não de clientes.  e porque acreditamos que vale a pena resistir e porque não acreditamos em livros caixas de bombons, nem livros caixas de sapatos e porque gostamos da Trama, da Capitulos Soltos, da Centésima, da Pó dos Livros, da Index, da Poesia Incompleta, da Poetria, da Arquivo, da Letra Livre , da Livro do Dia, da A das Artes, da Escriba e de outras livrarias com rumo. Transcrevemos a Catarina, da Trama:

às que pensam, às que respiram, às que escolhem. às livrarias que defendem, que apontam, que libertam. às livrarias que vendem livros em vez de produtos, que têm leitores em vez de clientes. às livrarias que se afirmam diariamente - porque existem, porque resistem, porque não se vergam. às livrarias menos arrumadas, às livrarias que não têm «caixeiros» mas sim livreiros, às livrarias que se estão nas tintas para mercados, consumidores, tendências, às livrarias que são casas, que são escolas, grutas, ninhos, livrarias de corujas, morcegos, vespas, às livrarias livres, eu desejo o melhor, melhor, dos anos. [via Trama]