quarta-feira, setembro 30, 2009

Jorge Vasques (1958-2009)

O Jorge Humberto, como nós o chamávamos em Coimbra, morreu. Depois de conhecer o CITAC em 1974, e connosco ter conhecido os gloriosos tempos do PREC, experimentando tudo o que era para experimentar, lendo toda a poesia possível e durante intermináveis noites, depois de ter optado por viver do teatro no Seiva Trupe e no Teatro Nacional de S. João, depois de ter continuado sempre com o Ricardo Pais, eis que se lembrou de se sentir mal e morrer em pleno camarim, como nos contam hoje mesmo os jornais. É uma notícia brutal porque era novo e porque uma pessoa que ama a sua profissão como ele o fez e com tanta coerência mereceria passar mais um tempo por aqui, por entre nós. À tua, Jorge Humberto.

«...porque são todos uns cretinos!»

Ouvi, na TSF e em directo, as declarações do Presidente da República. No carro, enquanto as pessoas passavam na rua aparentemente indiferentes à crise e aos «pulíticos» de que fala tanto Cavaco, com aquele ar superior de quem não se quer ao lado deles - dos «pulíticos» - e com aquela dicção especial de quem ainda cospe bolo-rei para cima de nós.
Não gosto da personagem. Enquanto esperava no meu carro ia, pouco a pouco, indignando-me com aquela comunicação ao país sem direito às perguntas dos jornalistas e que nada explicou, a não ser o fel que se lhe pressente à democracia, aos jornais, à cultura parlamentar, à livre escolha do povo.
À custa dele, da sua arrogância e da pouca elevação política que demonstrou, perguntava-me como foi possível terem-no eleito para presidente; isto só poderá ser explicado pela incompetência de Sócrates em teimar com o seu candidato a Belém. Mas lá está ele: inculto, rancoroso, tenso e muito pouco inteligente, sabemo-lo hoje, depois da comunicação ao tal país dele.
Enquanto ouvia a TSF, ontem, lembrei-me de uma história que me contaram sobre Sandro Pertini, o Presidente da República italiana no tempo de Betino Craxi, socialista corrupto que mais tarde viria a morrer sozinho na Tunísia, tendo conseguido fugir para lá enquanto era perseguido pela justiça. Sem que nada o fizesse prever e sendo Craxi primeiro-ministro, um belo dia Pertini chamou-o ao seu gabinete comunicando que estavam todos demitidos por ele. Craxi, na ocasião, balbuciou umas palavras onde se pôde perceber mais ou menos isto: «Mas, senhor presidente, não há nenhuma crise política, o governo funciona bem, não há contestação visível. Porquê?» Resposta de Pertini em bom italiano:
«Porque são todos uns cretinos!»
Infelizmente este episódio será impossível em Portugal. Não há autoridade moral para o fazer. Da parte de ninguém.

A foto foi tirada no DN de hoje, 30 de Setembro

terça-feira, setembro 29, 2009

Pedro Eiras à conversa com António Levy Ferreira na RUM



Pedro Eiras fala com António Levy Ferreira sobre si e sobre os seus livros

Podemos ouvir aqui a entrevista a Pedro Eiras por António Levy Ferreira, na Livros com RUM da Rádio Universitária do Minho, a 24 de Setembro. Para além da obra de Pedro Eiras que foi largamante falada, a conversa incidiu igualmente sobre Arrastar Tinta e Um Punhado de Terra. A ler com atenção.

Miguel Carvalho: a entrevita à Rádio Universitária do Minho (no Livros com RUM)


Esta entrevista na Livros com RUM deve ouvir-se devagar

Foi esta a entrevista dada por Miguel Carvalho a António Levy Ferreira, a 17 de Setembro, tendo como pano de fundo o Aqui na Terra. Para ouvir aqui

sábado, setembro 26, 2009

“Era uma vez um peixe vermelho"

(imagem retirada do blogue da Blogue da Biblioteca do Agrupamento Vertical de Jovim e Foz do Sousa)

Era uma vez um peixe vermelho. E era uma vez um aquário.”

São muitas as escolas que já leram O Aquário e, aqui na Deriva, gostamos de ter notícias de quem nos lê.Uma sumária pesquisa no Google mostra-nos que as escolas e os professores vivem os livros e nos livros.


A leitura de O Aquário já levou a interessantes experiências pedagógicas. Veja-se o jogo que, com base no livro, as educadoras do Jardim de Infância Falcão II criaram:



Jogo: “O AQUÁRIO”
Desenvolvimento do jogo:Vamos fazer de conta que a nossa sala é um enorme aquário. O peixe negro, vive sossegadamente no canto, mas hoje decidiu convidar amigos para a brincadeira, no entanto os peixinhos estão muito assustados, com a sua presença. Quando o peixe negro se aproxima escondem-se nas grutas pousadas nas areias do fundo do aquário. Se algum peixinho se atrasa a entrar para a gruta o peixe negro leva-o para o seu canto.Quando o peixe negro conseguir juntar todos os peixinhos no seu canto, acaba o jogo.

(Objectivo: vivenciar o volume e aquisição de alguns conceitos espaciais: dentro/fora; em cima/em baixo)


Mas há mais:


As visitas do João Pedro Mésseder a escolas (aqui e aqui)
O reconto de O Aquário - EB1 de Pernes (ver aqui)
A expressão plástica - EB1 de São Roque (ver aqui), Eb1 da Corujeira (ver aqui)
O reconto poetizado - EB2,3 de Cerva (ver aqui)
A escrita motivada pelo título da obra - EB1 Francelos - (ver aqui)
O reconto visual - Escola nº3 do Barreiro (ver aqui), Eb1 da Corujeira (ver aqui)
A Hora do conto da Biblioteca da Escola EB1 Mãe Soberana, Loulé (ver aqui)


E ainda, a música e o teatro - aqui e aqui!

Queremos saber como nos lêem, queremos participar nas vossas leituras.
Os nossos livros no Plano Nacional de Leitura:
O Aquário de João Pedro Mésseder e ilustrado pelo Prémio Nacional de Ilustração 2005, Gémeo Luís;

Vozes do Alfabeto de João Pedro Mésseder com ilustrações de João Maio Pinto

Com Quatro Pedras na Mão, do Bando dos Gambozinos ilustrado por Emílio Remelhe. (Esta novidade da Deriva é um trabalho musical sob a responsabilidade de Suzana Ralha em que musica poemas de José Mário Branco, Filipa Leal, João Pedro Mésseder, Jorge Sousa Braga, Luís Nogueira, Matilde Rosa Araújo, Luisa Ducla Soares e Joaquim Castro Caldas, entre outros)

O Elefante que não Era Elefante de Marta Rivera Ferner;
Galinhas à Solta! de Marta Álvarez.
Perigo Vegetal de Rámon Cáride (texto) e Miguelanxo Prado (ilustração).


Digam-nos que obra vão ler, pois nós queremos colaborar (ida do escritor ou do ilustrador à escola; preparação de uma visita de estudo à cidade do Porto a partir dos percursos propostos em Com Quatro Pedras na Mão, ...) Ideias não nos faltam!

O Aquário de João Pedro Mésseder e a leitura orientada em sala de aula

O Aquário de João Pedro Mésseder e Gémeo Luís conta já com 3 edições e continua a ser procurado nas escolas onde os autores se deslocam

O Aquário tem evidente recursos para a leitura orientada na sala de aula. Aprovado e recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 3º ano, tem uma amplitude muito maior de intervenção nas escolas como comprovam as experiências descritas aqui aqui aqui e aqui

Sobre o Aquário:
Uma história de peixes, cores e sabores para os mais pequenos. Um aquário é também um mundo em miniatura, onde se jogam relações entre iguais e diferentes, novos e velhos, e onde se geram preconceitos e ideias feitas. As ilustrações ajudam a compreender situações e personagens, sem deixarem de construir um cenário onírico e sedutor.


João Pedro Mésseder tem publicado poesia e obras para crianças, algumas delas premiadas. Um dos seus livros infantis foi nomeado, em 1999, para a Lista de Honra do IBBY de 2000.

Gémeo Luís obteve, em 2002, uma Menção Especial do Júri do Prémio Nacional de Ilustração e foi um dos cinco portugueses seleccionados para a exposição internacional Ilustrarte. Em 2006 O Prémio Nacional de Ilustração com o livro O Quê Que Quem.

Referência 1503003
ISBN 978-972-9250-12-x
3ª Edição - 2008
PP: 32 Formato: 180 x 200
Capa: Brochado
INCLUÍDO NO PLANO NACIONAL DE LEITURA - para o 3º ano de escolaridade -
Destinado à Leitura Orientada na Sala de Aula - Grau de Dificuldade II

Livros com defeito ou manuseados da Deriva / 3 euros

Livros Com Defeito(1)
Olá. Os livros nem sempre tem o tratamento que merecem. Nas lojas e nos armazéns são sujeitos a manuseamento, pó, sol, humidade, armazenamento indevido e muitas outras razões. Na Deriva achamos que esses livros continuam a ter validade na sua função e podem permitir o acesso a obras a pessoas que não tenham disponibilidade financeira para o fazer de outra forma, por exemplo.
Assim disponibilizamos aos nossos amigos e nossas amigas e aos seus amigos e amigas a oportunidade de adquirir algumas das nossas obras a preços mais baixos em livros com alguns efeitos que são indicados na lista junto dos títulos. As encomendas devem ser feitas para o nosso email: deriva@derivaeditores.pt ou podem ser adquiridos directamente na editora mediante confirmação de horário que pode também ser feita através do email.
Boas leituras
Os melhores cumprimentos
Pedro Ferreira

Deriva Editores
Rua de St. Ildefonso, nº85, 5º, sala 24000-468 Porto
Tel/Fax.: 00351 225365145
deriva@derivaeditores.pt
www.derivaeditores.pt

quinta-feira, setembro 24, 2009

Miguel Carvalho e a Deriva em campanha com o Aqui na Terra em Chaves, Viana e Guimarães. E neste JL, um artigo de Francisca Cunha Rêgo

Na falta de um fotógrafo à altura, a descrição pictórica da viagem a Chaves e em campanha (clicar na imagem)

Um aspecto da assistência na Associação Convívio, em Guimarães

O último número do JL traz uma entrevista com Miguel Carvalho (clicar na imagem para ler)

Basta dois dias sem net e o mundo desaba! Não conseguimos dizer-vos, em tempo real, que o Miguel Carvalho esteve muito bem acompanhado em Guimarães, com uma intervenção muito interessante de Carlos Mesquita, e em Chaves onde pontificou Maria José Fillol (se Chaves está bonita, muito deve àquela senhora!). Em ambos os eventos o Miguel foi recebido com carinho e entusiasmo. Gostámos muito. Em Viana do Castelo, João Ogando falou sobre a escrita do autor e foi a sessão mais emotiva. Nos entretantos, e neste último número do JL, Francisca Cunha Rêgo entrevista-o.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Aqui na Terra: hoje18, em Guimarães - Miguel Carvalho, Esser Jorge, Carlos Mesquita e DJMike. Dia 19, em Viana, com João Ogando

É na Associação Convívio, em Guimarães, que DJ Mike vai actuar
Começa às 21:30, mas não sabemos bem quando acaba. Que lá vamos estar, é verdade que vamos.
É muito simples e o mapa está aqui. O DJ Mike, o Carlos Mesquita, o Esser Jorge, vão apresentar o Miguel e o seu Aqui na Terra numa noite memorável nesse mesmo local onde já pisou o palco o mítico B Fachada (que eu vi pela primeira vez nas Quintas de Leitura).
Tenho bem a impressão que devem ir...
O Google Maps em Guimarães: só interessa o local da Associação!
No dia seguinte, a 19, ala para Viana onde, às 16h, pontificaremos com João Ogando no ATL Descansa a Sacola. Diremos mais pormenores em breve... mas a rua é esta: General Luís do Rego, 215. Em Viana, claro.

Em Viana, Miguel Carvalho vai estar com o Aqui na Terra no ATL Descansa a Sacola

O Antologia do Esquecimento de Henrique Fialho voltou

Aí está um regresso que se saúda. Faltava um blogue assim. Parabéns, Henrique Fialho. Aqui

quarta-feira, setembro 16, 2009

Vozes do Alfabeto, de João Pedro Mésseder e João Maio Pinto: aprender a ler com as letras em verso

Capa muito feliz de João Maio Pinto para Vozes do Alfabeto de João Pedro Mésseder. Para a aprendizagem dos mais pequenos

Retirado do site da Casa da Leitura
Ficha do livro:
«Álbum poético de dimensões reduzidas, Vozes do Alfabeto é mais um exemplo da criatividade associada à exploração das potencialidades da língua portuguesa, das suas grafias e dos seus sons. As letras do alfabeto são o mote para um conjunto de poemas muito divertidos, onde os efeitos sonoros são constantes. Herdeiros das rimas infantis, em particular das lengalengas, dos trava-línguas e de outros géneros e formas da tradição oral, os textos exploram uma dimensão lúdica da literatura ao mesmo tempo que, implicitamente, promovem o desenvolvimento de competências fonológicas, linguísticas e literárias. As ilustrações, muito coloridas, ocupam as páginas ímpares da publicação e partem do texto que acompanham, ligando a letra aos objectos e/ou personagens. Funcionando quase como um jogo, o pequeno álbum revela-se particularmente adequado para os primeiros leitores. Ana Margarida Ramos»

A letra T de Vozes do Alfabeto: um poema e a sua ilustração


Dados bibliográficos -->Título Vozes do Alfabeto Autor(es) João Pedro Mésseder, João Maio (ilustrador) Tipo de documento Livro Editora Deriva Local Porto Data de edição 2007 Área Temática Jogo, Poesia, Humor ISBN 978-972-9250-22-4

Correntes d'Escritas 2010: Paulo Kellerman e João Paulo Sousa presentes

Capa de Silêncios Entre Nós, de Paulo Kellerman e de O Mundo Sólido, de João Paulo Sousa, autores que estarão nas Correntes d'Escritas de 2010, na Póvoa.

Ainda não é oficial, mas já é oficioso: Paulo Kellerman e João Paulo Sousa vão estar presentes nas XI Correntes d'Escritas. O primeiro autor irá apresentar o seu próximo livro da Deriva (o quarto) em Fevereiro, durante as Correntes e dele falaremos adiante, até porque esperamos algumas novidades que serão, também aqui, analisadas. Com ele trará Gastar Palavras (premiado com o APE de Conto), Os Mundos Separados que Partilhamos e Silêncios entre Nós.
João Paulo Sousa estará nas Correntes levando na bagagem o seu último livro editado pela Deriva, O Mundo Sólido.
É evidente que estamos muito satisfeitos e a sempre activa Manuela Ribeiro dar-nos-á, estamos certos, mais novidades que iremos transcrever aqui.

Hoje, gravação de programas no Livros com RUM, de António Levy Ferreira com Pedro Eiras e Miguel Carvalho

Os nossos autores já são presença habitual no Livros com RUM de António Levy Ferreira

Hoje vamos iniciar mais uma «ronda» de gravações para o Livros com RUM de António Levy Ferreira, com a presença de Miguel Carvalho (vai levar o seu último Aqui na Terra) e Pedro Eiras (com os livros Arrastar Tinta e Um Punhado de Terra, entre outros). Em separado, entenda-se. Os programas poderão ser ouvidos em podcast no site da própria RUM em data a anunciar, mas que nunca será superior a 15 dias.
Lembramos que por Livros com RUM já passaram Marilar Aleixandre, Joaquim Castro Caldas, João Pedro Mésseder, Xavier Queipo, Catarina Nunes de Almeida e Filipa Leal, entre muitos outros (podem ouvir as suas entrevistas igualmente no site).

Acresce dizer que este é um dos pouco programas em que se respira verdadeiramente rádio e cujo tempo não marca o afoguemaento e ansiedade com que são feitos, quase na sua totalidade, os programas de rádio de entrevistas, mais atreitos ao soundbyte do que de conversa fluída e com algum sentido. O «culpado» por estas conversas é o António Levy Ferreira. A responsável pela excelente música é Marie Silva.

Letra Pequena on line, blogue de Rita Pimenta

O logo de Letra Pequena on line, de Rita Pimenta foi criado por Vítor Gaspar

Não há volta a dar. Este é dos casos em que se sente o gosto pelos mais pequenos e pela literatuta infantil e juvenil. Rita Pimenta habituou-nos a isso nas páginas do Público ao falar das crianças. Mas neste blogue respira-se a liberdade do espaço livre, da gravura, de desenho, da cor, das letras com que é feito. E com carinho. Perece-me evidente. Parabéns pelo Letra Pequena, em versão web!
Podem passear por ele aqui.

A Casa da Leitura recomenda os livros da Deriva

Cartaz do Congresso de Janeiro de 2009: A Casa da Leitura recomenda livros da Deriva

Na entrada do novo ano lectivo, em que os professores bibliotecários e professores organizam os planos curriculares das suas turmas e os planos de actividades de escola será sempre bom lembrar, não sem algum orgulo natural nestas coisas, que A Casa da Leitura recomenda, igualmente, os livros da Deriva. Podem vê-los no seu excelente site aqui mesmo. Procurem O Aquário, Vozes do Alfabeto, Com Quatro Pedras na Mão e deliciem-se com a facilidade e competência com que é apresentado um livro, desde a capa, ao miolo até ao texto de apresentação que é elaborado por gente que conhecemos bem o seu percurso: estamos a falar de Ana Margarida Ramos, Sara Reis Silva, João Paulo Cotrim, Fernanda Leopoldina Parente Viana, Mariana Sim-Sim David e Cristina Taquelim.
Não os queremos aborrecer com conselhos inúteis e fastidiosos nesta altura do ano em que professores, alunos e pais estão cheios de trabalho e preocupações, mas é evidente que devem consultar este site sempre que possam e procurem ideias para exploração pedagógica de livros e de leitura(s).
Retiramos do texto de apresentação do site:
«A Casa da Leitura nos seus distintos níveis de leitura, oferece não apenas a recensão de mais de 1400 títulos de literatura para a infância e juventude, organizados segundo faixas etárias e temas, com actualização periódica semanal, como desenvolve temas, biografias e bibliografias. Tudo dirigido preferiencialmente a pais, educadores, professores, bibliotecários, enfim, a mediadores de leitores. Em simultâneo, responde às dúvidas mais comuns sugerindo um conjunto de práticas destinadas às famílias e aos mediadores(...)»

terça-feira, setembro 15, 2009

PNL recomenda para a Área de Música/Artes o Com Quatro Pedras na Mão de Suzana Ralha


A área escolhida pelo PNL é de Livros Recomendados para Projectos Relacionados com Música/Artes, para o 3º, 4º, 5º e 6º anos de escolaridade.

A Deriva fez o seu pleno no Plano Nacional de Leitura com a entrada de Com Quatro Pedras na Mão, de Suzana Ralha e do Bando dos Gambozinos. Assim, todos os livros infanto-juvenis da Deriva pertencem ao PNL o que muito nos orgulha, aos autores, ilustradores e, agora, músicos que estiveram em todos estes processos criativos e que encaram as crianças e os jovens com o respeito e consideração que merecem.
Hoje será fácil adoptar este livro: basta um professor mostrar disponibilidade e interesse para o adoptar e levá-lo-emos até si, junto com as possibilidades de exploração pedagógica e com as pautas das músicas do CD que o acompanha.
Lembremos que Com Quatro Pedras na Mão são poemas musicados por Suzana Ralha que versam sobre a cidade do Porto e são cantados pelo Bando dos Gambozinos. As ilustrações foram de Emílio Remelhe. Os poetas escolhidos foram José Mário Branco, João Pedro Mésseder, Filipa Leal, Joaquim Castro Caldas, Matilde Rosa Araújo, Jorge Sousa Braga, Luísa Ducla Soares, Rui Pereira e Luís Nogueira.
Poderemos igualmente combinar com os professores a ida à sua escola do ilustrador Emílio Remelhe e de um grupo de alunos do Bando dos Gambozinos, embora esta acção esteja dependente da disponibilidade de Suzana Ralha.
A apresentação foi memorável no Cinema Batalha perante 900 pessoas que foram ouvir pela primeira vez (a única?) o Bando dos Gambozinos a cantarem ao vivo o Com Quatro Pedras na Mão. Em breve editaremos as pautas das músicas.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Plano Nacional de Leitura: os livros da Deriva podem encomendar-se facilmente

Este filme promocional explica sucintamente os anos de escolaridade recomendados pelo PNL para cada livro e algumas possibilidades de exploração pedagógica para várias disciplinas

Sabemos, por informações que nos têm chegado de alguns professores, que os livros da Deriva estão a ser procurados para fazerem parte das planificações quer de professores biblotecários, quer de departamentos de línguas ou de disciplinas.
Lembramos que todos os livros infantis e juvenis da Deriva estão inseridos no PNL tendo, todos eles, possibilidades interdisciplinares de exploração pedagógica para diversos níveis de escolaridade.
Podem, com grande facilidade, fazer as encomendas para a sede da Editora, por telefone, fax ou mail (este último é o mais fácil). Tel.Fax 225365145 ou deriva@derivaeditores.pt O livro Perigo Vegetal, de Ramón Caride, dispõe de um blogue com algumas fichas facilitadoras de exploração pedagógica e trabalho com os alunos do 5º e 6º ano de escolaridade em http://aventurasdesheilaesaid.blogspot.com/
Também o livro Com Quatro Pedras na Mão, do Bando dos Gambozinos, musicado pela Suzana Ralha, de poemas sobre o Porto está disponível para o Ensino Artístico.
O Aquário e As Vozes do Alfabeto, ambos de João Pedro Mésseder e ilustrados por Gémeo Luís e João Maio Pinto respectivamente, podem ser dquiridos com toda a facilidade junto de nós.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Que têm os fueguinos de mal?

Alguns fueguinos
Tenho pensado muito nisto. Não há ninguém que simpatize com eles? Os fueguinos, ao que me dizem, foram extintos, dizimados. Hoje, não existe nenhum, mas isso não impede o comum dos mortais, e mesmo de alguns dos imortais que foram eleitos pela ciência, de os escalpelizar com impropérios e maledicências que a antropologia já desconsiderou há muito. Além disso é feio dizer-se mal de quem já cá não está para se defender, não é? Outra das razões que me incomoda neste caso.

Tive ocasião, desde Junho deste ano, de ler os seguintes livros seguidos: Magalhães de Stephan Zweig, A Viagem do Beagle de Charles Darwin, As Aventura de Gordon Pym de Nantucket de Edgar Allan Poe e, por fim, reli Navegador Solitário de Joshua Slocum. Pois o que os une? O ódio visceral ao fueguinos, os antigos habitantes da Terra do Fogo! Não vou falar sequer de Slocum cuja arte de boa navegação à vela é inversamente proporcional ao seu carácter cívico: o tipo é um racista do piorio, tendo inclusive matado dois deles a tiro (isto em 1885!) e não ter mostrado o mínimo arrependimento! Eram fueguinos, pois... Allan Poe deveria estar com febre quando escreve sobre eles na parte final do livro em que Arthur sobrevive na Terra do Fogo e os seus habitantes (iguaizinhos aos fueguinos, pois então) são portadores de um carácter cobarde, vil e dissimulado que os faz resistir a... tiro, claro, para poderem sair da ilha incólumes e não serem comidos por estes. Por acaso, no mesmo romance, para quem está lembrado, Arthur sobrevive por que come literalmente um seu companheiro (tirado à sorte) num naufrágio, mas não era fueguino... pelo que estará desculpado!

Magalhães é o mais antigo de todos, reconheçamo-lo, mas mesmo assim por causa de um erro de navegação e de cálculo básico sobre o período invernoso naquelas paragens do sul, teve de ancorar na Terra do Fogo durante uns dois ou três meses, chamando-lhe Puerto de la Hambre e dando instruções claras à sua tripulação (isto sempre segundo Zweig) de não maltratar os seus habitantes que não largavam as naus. Claro que tiveram de matar alguns porque se estavam a aproximar demais dos barcos. Chatices... que não o impediram de abandonar à sua sorte dois nobres que conspiravam contra ele naquelas agradáveis paragens e junto a uma população assumidamente canibal. Claro que nunca mais se teve notícias dos dois desgraçados, mas era para ter? Poderíamos dizer que o canibalismo não colhe muita simpatia aqui pelo ocidente, mas os maoris também o eram e nem por isso deixámos de gostar deles, das suas tatuagens e imitarmo-los nas suas danças guerreiras nos desafios de raguebi. Aos fueguinos ninguém imita nada!

Todos este livros citam os fueguinos
Vou deixar para o fim Darwin, cuja simpatia por ele não escondo. Cinco anos esteve aquele cientista por todas as paragens que se pode imaginar contando histórias incríveis do Beagle (cuja vida a bordo não descreve muito), tendo embirrado abundantemente com duas regiões: o Brasil, mais os seus habitantes que chamava de brutos e esclavagistas, e isto no século XIX não esqueçamos, e quem mais?, com A Terra do Fogo!
Fala dos seus habitantes de um modo que custa a ouvir a um cientista daquela craveira, mas ele não se inibe: diz que são sujos, de feições monstruosas, lábios carnudos, cabelos desgrenhados, unhas sujas e compridas, parcamente vestidos, sem moral, cobardes, violentos para com as suas mulheres e crianças, canibais... ainda por cima das mais idosas que eles sufocavam no fumo das fogueiras e que se refastelavam com partes do seu corpo nas ocasiões de fome. Parece-me que foi o que mais agradável que Darwin disse deles - que comiam os seus anciãos, mas em ocasiões de penúria alimentar, estilo «pá, desculpa lá qualquer coisinha..mas tenho uma larica do caraças.. 'tás a ver aquela fogueira? Olha vem daí comigo...»
Pelos vistos Darwin só gostou dos bicos dos tentilhões, dos gaúchos argentinos (mais do que dos guachos chilenos, diga-se) dos lacraus da Tasmânia e dos dragões de Comodo. O que têm os fueguinos de tão mau? Fora isso, o que me traz ensimesmado com a sorte dos habitantes da Terra do Fogo, os livros são de ler e reler (Relógio de Água e Assírio & Alvim). Quanto a Slocum, se não gostar de vela não perde nada... (este é da Europa-América). O tipo diz mal de tudo e todos, menos dos anglo-saxónicos, só fala de si, e não lhe perdoo ter inventado uma tentativa de corrupção nos Açores que nunca aconteceu e não saber fazer contas: Então, ò Slocum, o Vasco da Gama partiu para a Índia no ano seguinte à viagem de Bartolomeu Dias? Bastava ir a uma enciclopédia americana...mediana.

quinta-feira, setembro 10, 2009

O peixe vermelho está com gripe A?

O Ângelo desenhou o peixe vermelho. Notem as bolhas...

Não sei porquê, mas o projecto Ler+, Agir Contra a Gripe lembrou-me que o isolamento a que estava votado o peixe vermelho de O Aquário, de João Pedro Mésseder e ilustrado pelo Gémeo Luís, (entretanto já vai na 3ª edição) poderá ter-se transmutado em Gripe A. Digo eu. E mais a mais com a análise atenta deste desenho do Ângelo do JI1 de Oleiros mais me convenceu que a temperatura do pequeno peixe estava alta: vejam as bolhas que sobem pelo aquário!

À atenção dos mais pequenos e dos professores para a abertura das aulas.

terça-feira, setembro 08, 2009

Casting de leitores de poesia no Teatro de Campo Alegre

Para todos os interessados em ler poesia nas Quintas de Leitura, devem dirigir-se ao TCA para saber o regulamento. As inscrições são entre 0 dia 7 e 29 de Setembro e o mail é o pvaz@tca-porto.pt. Boa sorte.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Aqui na Terra, Miguel Carvalho e a Deriva iniciam o seu périplo

Desfaz-se o engano: o pão de forma da Deriva é o azul!

O Miguel Carvalho, no seu A Devida Comédia tem o desplante de nos pôr à estrada assim. Nada de mais errado e demonstra algum desconhecimento, sempre imperdoável, do parque automóvel da Deriva Editores, como se pode ver pelo catálogo aposto de que somos proprietários (estamos a falar do catálogo...)

É, de facto, num Volkswagen pão de forma (a cores!) que iremos a Guimarães no dia 18 de Setembro e não no «chasso» completamente a preto e branco que a Devida Comédia refere! Estaremos pelas 21.30, na Associação Convívio (Largo da Misericórdia, 5 a 8), com apresentação de Esser Jorge e Carlos Mesquita e uma exibição de DJ Mike com a banda sonora do livro.

A 19 de Setembro, o chasso a cores irá percorrer Viana do Castelo até ao ATL Descansa a Sacola (Rua General Luís do Rego, 215) onde João Ogando apresentará o Aqui na Terra. Às 16:00.
Depois da necessária revisão e mudança de óleo (fizemos já duas viagens) chegaremos a Chaves dia 23 de Setembro, pelas 21:30, ao Sr. Pastel Café, na Rua do Sol.
Mas o périplo de Aqui na Terra não ficará por aqui. Em Outubro apresentaremos mais viagens, mais derivas... assim, dá gosto conhecer um Portugal desconhecido e a música que se lhe cola.

Tempos Interessantes, de Eric Hobsbawm

Ainda hoje Hobsbawm é considerado «matéria reservada» para o MI5

Tempos Interessantes de Eric Hobsbawm é um daqueles livros que não se pode ler (nem deve ler-se) de um só fôlego, mesmo que a tentação seja grande pelas situações descritas e opiniões sustentadas de pessoas e factos que este historiador tão bem faz e refere. Deve ler-se devagar.
Hobsbawm é comunista. Mas não nos iludamos: depois de perto de 50 anos de militância política que atravessou os eventos mais trágicos de quase todo o século XX, vê-se sem o Partido Comunista Britânico que sossobrou (ou implodiu) na crise de 89 e anos seguintes. O que resta dele, hoje, é um arremedo estalinista que tenta sobreviver a todo o custo sem que se perceba bem o seu projecto ou se vislumbre sequer uma base social de apoio que o levou a ser um dos principais partidos comunistas do ocidente. Hobsbawm nunca saiu do PC ou dele foi expulso, quando até teriam razões para o fazer; basta dizer que foi contra (e escreveu-o publicamente ao contrário do que dele disse Judt) a repressão húngara de 1956 e da invasão da Checoslováquia, em 1968. Apoiou alguns julgados nas purgas soviéticas dos anos 50 e questionou o papel de Estaline, assim como as diatribes de Kruchev já sem força para a Crise dos Mísseis que tentou manter com Kennedy. Esteve com Che Guevara de que não recorda grandes rasgos intelectuais e tem a coragem de o dizer na ocasião, prevendo, infelizmente com razão, o desastre boliviano e, já antes, congolês.
Mas Hobsbawm é também ele o militante judeu (sem dar grande relevo a isso) que, em Berlim assiste e luta nas ruas contra a ascensão de Hitler e das suas SA e SS. Que se opõe ao Anchluss austríaco e permanece em Viena, quando os primeiros judeus são deportados para os campos de trabalho na Polónia, onde aliás já contavam com amigos seus comunistas e social-democratas que os inauguraram. Como ele lembra, aliás.
É, portanto, um daqueles militantes comunistas de segunda e terceira geração, dos anos 30, que marcam toda uma época de luta e de utopias várias e que nós fomos, de uma maneira ou de outra, seus herdeiros. Que tiveram de gerir, mais tarde, o pacto germano-soviético e organizar a resistência à vertigem totalitária em que a Europa mergulhava. Tudo isto ele nos conta, sem um esgar de raiva ou de arrependimento. É honesto nos seus pressupostos de profunda mudança social que sempre o norteou. Mas é principalmente honesto para com a História e para com Cambridge, universidade que o acolheu e que o protegeu, mesmo depois das perseguições que estes intelectuais sofreram na pele nos anos da guerra-fria. Percebe-se que gosta da «sua» universidade e só assim se compreende a sua ligação com os «Apóstolos» de Cambridge e que tenha sobrevivido mesmo depois do «caso Kirby» de que ele, aliás, nada tinha a ver. Os espiões não devem gostar de intelectuais...
Hobsbawm lembra-se dos anos 60, o que faz dele um não pertencente a esta geração, diz ele, não sem uma certa ironia. Não gostava de ácido ou de drogas e nunca usou jeans. Gostava de jazz (foi crítico em revistas) e abominava o rock que ele acusava de imitar a música negra, embora simpatizasse com os Beatles.
Viveu a recuperação liberal de Reagan e Tatcher e soube juntar a esquerda que então passava períodos graves de dissolução. Continuava a não gostar da experiência cubana e a detestar o terrorismo que nasceu dos anos de chumbo. Já não dizia nada da URSS dos anos 70 - porque não havia nada a dizer sobre este país que comprometia mais do que produzia entusiasmo. Não gostou de lá ter estado. Nunca compreendeu a leveza e a falta de objectividade revolucionárias dos «soixante-huitards». Mas coloca os situacionistas como dos mais influentes movimentos revolucionários que apareceram nesta época. Não deixa de ser estranho que todos os seus livros de História, alguns tão importantes como A Era dos Extremos, A Era dos Impérios ou a Era das Revoluções, nunca tenham sido editados nos países do «socialismo real».
Hobsbawm tem razão, mesmo quando se engana.

terça-feira, setembro 01, 2009

Abrasivas de João Pedro Mésseder, esgotado

O Abrasivas foi editado em 2005, foi o primeiro livro de poesia da colecção e está praticamente esgotado. A capa é de Gémeo Luís, com um desenho de Emílio Remelhe

Caros amigos, para quem gosta de João Pedro Mésseder e das suas Abrasivas, avisamos que o livro está quase a esgotar. Para vender alguns, pouquíssimos, exemplares disponíveis já só mesmo pela editora. Quem quiser, pode dirigir-se-nos.

Deste Abrasivas, que vai ter continuação na Deriva, Ana Margarida Ramos escreveu no seu prefácio:

«Parece existir, portanto, por trás da escrita de Abrasivas, o culto de uma poética da condensação, fragmentária, alicerçada na elaboração do texto como experiência limite, que aposta na fractura e no sobressalto, mas também na contenção, no instantâneo, talvez mais próximo da ideia mítica da criatividade ingénua e espontânea. Daqui resulta, igualmente, a ligação próxima, quase umbilical, à tradição oral e/ou popular, na medida em que o aforismo (que caracteriza muitos dos textos compilados em Abrasivas), como "narrativa mínima" , encerra traços de uma filosofia ligada à contemplação do mundo e dos homens e obedece a um ritmo particular.»
Na Deriva, na sua colecção de poesia, João Pedro Mésseder editou igualmente Meridionais. Depois de Abrasivas, a continuação dos aforismos será assegurada pelo livro cujo título será, ao que tudo indica, Guias Sonoras.