sexta-feira, julho 25, 2008

As Aventuras de Sheila e Said: uma nova colecção juvenil da Deriva. A sair em breve. Para já, um blog

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No seguimento do Perigo Vegetal (à venda nas livrarias), de Ramón Caride, a Deriva publicará em breve a continuação desta saga das Aventuras de Sheila e Said. Assim, sairão, por esta ordem, A Ameaça na Antártida, O Futuro Roubado e a Negrura do Mar. Para já, um blog com o seu nome e com algumas explorações pedagógicas para estes livros incluídos no Plano Nacional de Leitura.

quarta-feira, julho 23, 2008

Filipa Leal à conversa com Catarina Nunes de Almeida. Nas Quintas de Leitura


Filipa Leal e Catarina Nunes de Almeida

Alegre, mas não muito“Allegro ma non troppo, un poco maestoso” foi o nome sugerido por Catarina Nunes de Almeida para a sessão das Quintas de Leitura dedicada à sua poesia. O Teatro do Campo Alegre recebeu a jovem poeta no dia em que era lançado o seu segundo livro, «A Metamorfose das Plantas dos Pés». O nosso diálogo começou não pela poesia de Catarina, mas pela saudade de Catarina, actualmente a ensinar Língua Portuguesa na Universidade de Pisa. Catarina, que escreveu um dia “Não moro não quero morar nunca”, que escreveu “Eu sigo por onde não há caminho”, que perguntou “Em que rua moras nesta cama?”.

Filipa Leal: em que rua mora em Pisa? [Risos] Na verdade, eu não moro em Pisa...
Mas trabalha em Pisa...Sim, trabalho em Pisa mas moro em Luca, uma cidadezinha muito simpática, um burgo medieval que me ensinou a andar de bicicleta outra vez. É uma cidade muito especial porque para além de ser a cidade do Puccini, é uma cidade muito poética, muito inspiradora... Acho que fui parar ao sítio certo.
Mas foi para lá porque preferiu Luca ou tratou-se de um acaso?
Eu comecei por estar num quarto em Pisa, mas calhou logo nos primeiros fins-de-semana ir passear a Luca...E apaixonou-se...Sim. Quem vai a Luca percebe por que é que se tem que ficar em Luca.
Fale-nos um pouco dessa sua experiência: porquê Pisa, porquê sair de Portugal? Prazer ou sacrifício pelo projecto?Antes de ir para Pisa eu já tinha estado em Itália, e não foi por motivos nada profissionais, foi por motivos até bastante passionais... [Risos]
E foi por isso que escolheu voltar?
Quando fui, estive em Nápoles, não estive ali. Depois a ideia de ir para Pisa foi realmente a de trabalhar, mas é sempre um bocadinho um sacrifício. Eu sou muito ligada às minhas raízes.
Custa-lhe estar longe?
Custa mesmo.
Mas pensa voltar quando acabar este projecto...
Sim, eu estou a pensar em voltar no próximo ano, até! [Risos]
Para Lisboa.
Sim. Ou para o Porto...Vamos ver se há motivos passionais...Por exemplo. [Risos]
Sempre desejou partir, ou foi uma opção mais tardia? Quando era criança tinha imaginado sair de Lisboa?
Não. Eu nunca fui muito de expandir-me no espaço, digamos assim. Sempre gostei muito de viajar, mas pensando em voltar. Era sempre por curtos períodos e nem consigo imaginar de maneira diferente.
Como é que tem sido a sua experiência na Universidade, nomeadamente no ensino de Português? Há muita gente a estudar Português em Pisa?
Em Pisa, se calhar não tanto como em outras partes de Itália, não sei porquê. Mas em Itália há muito interesse pela Língua Portuguesa. Começa logo pelo Brasil, mas depois quando eles têm contacto com a literatura portuguesa, com a nossa música, com a nossa cultura, até acabam por se voltar mais para nós e deixar um bocadinho o Brasil... E os alunos são muito queridos – tornaram-se os meus melhores amigos. Levam-me à praia, levam-me ao cinema... Porque quando eu cheguei lá estava um bocadinho perdida. Em Nápoles, estava no meio de uma relação, tinha amigos, havia pessoas que entraram logo na minha vida... E ali, em Pisa, estava um bocadinho deslocada no início, mas entretanto abriu-se um novo ciclo e foi muito bom.
Sei que tem desenvolvido outros projectos, a par do ensino da língua.
Sim, sim. Tenho procurado divulgar a cultura portuguesa, sobretudo a literatura porque é a área em que eu tenho feito alguns estudos. E não só: recentemente meti-me num grupo de teatro com os alunos...
Fazem teatro em português?
Sim, em português...
E é a Catarina que escreve as peças?
Foi uma adaptação do Torga, d’«Os Bichos», porque achei que seria fácil para eles. E correu muito bem.
Sente que esta saída, esta experiência, tem tido um impacto visível na sua poesia? Este novo livro contém esta experiência?
Sim, sim...
Dedica este livro de uma forma muito curiosa [“Ao Vesúvio, que me engoliu”]...
Eu dedico este livro ao Vesúvio porque grande parte do livro foi escrito em Nápoles. A experiência amorosa que está por trás foi vivida em Nápoles e achei que fazia todo o sentido dedicá-lo ao Vesúvio.
Mas é o lado passional ou o lado da distância que está aqui contido?
Também. Foi uma experiência nova para mim estar longe, e eu não sou nada de me ausentar por muito tempo – sou um bocadinho conservadora nisso. Mas não só. O livro foi publicado também em Itália e isso não se teria proporcionado se eu não tivesse estado ali. Conheci as pessoas certas, provavelmente, e o livro foi traduzido e curiosamente foi publicado primeiro em italiano e só depois em português... Eu não queria nada, mas foi assim...
O Jornal de Letras [JL] dedicou, em 2007, uma edição especial à dita “Novíssima Poesia Portuguesa”, e a Catarina foi uma das contempladas. Sente-se parte de uma geração? Há uma geração no sentido da proximidade de estilo, como no surrealismo, por exemplo? Há uma novíssima?
Sim, eu acho que me insiro na “Novíssima”, com certeza – na velhíssima seria difícil. [Risos] Percebe-se que há vários caminhos que estão agora a começar a ser trilhados. Eu não sei se não estamos todos ainda a olhar para os nossos pés – não sei se temos já a percepção de um estilo ou de uma corrente, porque a geração geralmente só se define quando já está fechada – não me apercebo muito disso mas se existe uma “Novíssima”, por que não fazer parte dela? Acho que sim...
Mas sente-se próxima dos poetas seus contemporâneos?
Sim, mas há sempre alguns com que nos identificamos mais...
No texto que publicou nessa edição do JL, fala de uma “cadência erótica e feminina que sobressai, como a que sobressai na natureza”. A relação íntima, quase carnal, com a natureza – como a própria fusão do homem com a árvore, por exemplo – é nítida na sua poesia. É uma das suas marcas mais visíveis, a par do erotismo. Aliás, há um exemplo para mim claríssimo destas duas vertentes, nos versos: “Um calor primitivo roça a madrugada: és tu o sol que me nasce entre as pernas”. Julgo que era a Anaïs Nin que dizia que “a pornografia revelava e o erotismo sugeria”. Interessa-lhe esse lado de sugestão, de provocação?
Sim, sim. Interessa-me sobretudo revelar as coisas mas deixando sempre um véu, deixando as sombras, os interditos, os silêncios...
Sente que encontrou um estilo? Reconhecer-se-ia de fora?
Sim, eu reconheço uma voz interior e já estou mais ou menos à vontade com ela. Se isso for um estilo, digo que sim.
Voltemos à expressão que utilizou - “cadência erótica e feminina” - mas agora para pegarmos no segundo adjectivo: “feminina”. Há uma escrita feminina?
Não sei... Eu começaria logo por dizer que o poeta é um fingidor. Não acredito muito que seja por o poeta ser homem ou mulher que vai reflectir masculinidade ou feminilidade.
Portanto um homem pode escrever um poema feminino e uma mulher pode escrever um poema masculino...
Exactamente. Porque é o sujeito que ele encarna. Eu posso ser uma mulher e escrever o poema mais machista deste mundo, porque estarei a ser esse fingidor...
A certa altura, escreve: “Não cabe mais ninguém nos meus poemas/ Agora serei só eu e as minhas romãs e os meus mestres espalhados pelos arrozais”. Tanto no JL como em ambos os livros, remete para os seus ‘mestres’. Neste poema, parece que também eles se confundem com a natureza... Quem são os mestres de Catarina Nunes de Almeida?
Se calhar, um bocadinho por influência da minha tese (tenho lido muitos textos orientais), os meus mestres são os orientais, os poetas do haiku... Eu busco a síntese.
“Na Primavera ando mais feliz”
Deixemos agora a poesia e cheguemos a si. Antes disso: nós somos a nossa poesia ou somos outra coisa diferente? Há alguns poemas seus que quase nos fazem corar: é assim atrevida também na vida real, ou é só na poesia?
É só na poesia! [Risos]Alguém cometeu uma inconfidência e me contou que costuma ficar mais distraída na Primavera... É verdade?
Sim, é verdade. [Risos] Ouço mais música na Primavera. Há mais sol e então reparo mais nas coisas... Sim, na Primavera ando mais feliz.
Escreve-se melhor na Primavera?
Sim... Ouve-se os passarinhos [Risos]...E depois escreve-se poemas eróticos... [Risos]Também. [Risos]
No seu resumo biográfico, diz que conheceu cedo o fascínio pelo teatro... Chegou a fazer teatro? Sim, formei-me um bocadinho. Fiz alguns workshops, algumas coisas amadoras, mas nunca trabalhei a sério.
Mas em Pisa tem participado?
Não. Enceno apenas. Mas na próxima eles já estiveram a insistir e por isso deverei entrar...
Agora vou fazer uma pergunta autobiográfica, se é que isso é possível: acha que o poeta é um actor frustrado?
Acho. Eu sou...
Eu também. [Risos]
Fala muita vezes (ou seja, os seus livros falam muitas vezes) de fábulas, como se a verdade estivesse nesse exercício de imaginação ou de memória antiga. É necessária essa evasão?
Sim, completamente. Eu sou muito assim, vivo muito no mundo da fantasia e não gosto de sair. Por mim estava sempre, por exemplo, no plano do cinema. Às vezes acordo cinematográfica.
Sente-se dentro de um filme? É como se faltasse apenas a banda sonora?
Sim, sim.
Por outro lado escreve: “Certamente uma palavra não é um lugar habitável”. Mesmo assim, prefere morar lá, na palavra?
Sim.
Porquê o título desta sessão? Porquê “Alegre mas não muito”? Isto tem um lado autobiográfico?Não. Bem, tenho momentos tristes, mas não é autobiográfico. Diz-se muitas vezes que os poetas são um bocadinho tristes...
É um mito, não é? [Risos]Sim, é um mito. [Risos] Neste caso, até foi porque já que havia uma relação com Itália na minha poesia, agora sobretudo no segundo livro, achei que fazia sentido trazer um título em italiano, e isto vem da Nona Sinfonia do Beethoven – é um andamento...Que ouviu na Primavera.
Provavelmente! [Risos]

Hypomnemata, de Pedro Eiras. No Rivoli até 27 de Julho

A não perder, no Rivoli, no Pequeno Auditório, o Hypomnemata de Pedro Eiras. Com encenação de Renata Portas, música de Joaquim Paixão e interpretação de João Henriques. Até 27 de Julho, às 21:30. Aos domingos, às 18:30.

Vozes do Alfabeto no Plano Nacional de Leitura


Mais um... agora, o Vozes do Alfabeto de João Pedro Mésseder e de João Maio Pinto foi chamado para o Plano Nacional de Leitura como leitura autónoma para o 3º ano de escolaridade. Fazemos assim o pleno: todos os livros infanto-juvenis da Deriva fazem parte no PNL. Parabéns aos dois.

sábado, julho 05, 2008

A Metamorfose das Plantas dos Pés, de Catarina Nunes de Almeida. Um novo livro de poesia

A Metamorfose das Plantas dos Pés, de Catarina Nunes de Almeida, que a Deriva agora edita, é constituído por três capítulos. O primeiro, que dá o nome ao livro, seguido de Corpo Floresta e A Descoberta do Fogo. Poesia caleidoscópica onde se conjuga o mar, as montanhas, as nuvens de onde vemos a terra e os homens que a habitam e sempre as árvores e os ramos como se cada um de nós pretendesse fazer parte e as disputássemos por um lugar exequível. Uma poesia que é uma orquestra para os sentidos. «…Das nuvens uma flor não é uma flor. / Duas flores não são duas flores. Das nuvens uma plantação de flores é apenas / um rectângulo amarelo / onde podem existir girassóis / guarda-sóis ventoinhas - / o que é que importa se por lá / também correm crianças?»


Catarina Nunes de Almeida nasceu em Lisboa, numa manhã de Agosto, a poucos passos do castelo. Muito cedo conheceu o fascínio pelo Teatro, frequentando diversos cursos e projectos criativos, mas acabou por se licenciar em Língua e Cultura Portuguesa, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 2005, começa a publicar poemas em diversas revistas literárias portuguesas e estrangeiras. Com o livro Prefloração (Quasi, 2006)recebe o Prémio de Poesia Daniel Faria e o Prémio do PEN Clube Português para a Primeira Obra. Entretanto, tem participado em diversos encontros internacionais de poesia. Iniciou em 2007 a preparação de uma Tese de Doutoramento sobre a poesia portuguesa contemporânea e as estéticas orientais, na Universidade Nova de Lisboa. Desde então, tem produzido alguns estudos ensaísticos, integrados em diversas publicações. Ensina actualmente Língua Portuguesa na Universidade de Pisa, onde tem organizado, com frequência, actividades culturais no âmbito da literatura portuguesa. A Metamorfose das Plantas dos Pés é o seu segundo livro de poesia, publicado em 2008 em Portugal e Itália.
Apresentações:
Porto, dia 11 de Julho, pelas 18:30, na Livraria Índex (Junto ao Palácio de Cristal). Com Pedro Eiras.
Lisboa, dia 18 de Julho, pelas 21:30, na Fnac Colombo. Com José Luís Peixoto.

quarta-feira, junho 11, 2008

Dragona de Xavier Queipo, já nas livrarias

Capa de Gémeo Luís



«Dragona» levou doze anos a ser escrito até chegar a esta versão publicada pela Deriva. Portanto, uma obra que se crê adulta e burilada, onde os pormenores aparentemente inócuos ou pouco importantes, atingem um significado muito difícil de contornar, nesta narrativa simultaneamente provocadora e atenta aos dias de hoje. A protagonista é uma imigrante argentina que choca com uma sociedade em transformações culturais e de valores profundas, como todas as sociedades modernas. Sendo bissexual e de gostos profusos, não se vê a refrear os seus impulsos agressivos ou ternos perante os outros, figurantes quase sempre de um teatro que se esqueceu de lhes dar um guião. «Dragona» prevê num futuro que é já hoje, um jogo onde nada é definitivo ou perene, de moral ou amoral. Nada, neste romance, é o que parece.



Xavier Queipo – é um escritor multifacetado. Poeta, ensaísta e tradutor que conhece bem Portugal, conta com várias participações no Correntes d’Escritas, Literaturas em Viagem e colaborou em vários programas de rádio e revistas literárias. Depois de editar o seu primeiro livro em língua portuguesa «Árctico e Outros Mares», em 1990, publicou, pela Deriva, «Bebendo o Mar» tradução de «Papaventos», em 2003, e «Os Ciclos do Bambú», em 2005. Detentor de vários prémios literários como o Prémio da Crítica Espanhola, Café Dublin ou García Barros, traduziu ainda para o galego Amin Maalouf, Conrad, Joyce e Guivert. Colabora regularmente nos sites Vieiros, culturagalega.org, na Revista Grial e no «Diário Cultural» da Rádio Galega, para além de uma coluna no semanário «A Nosa Terra». Em 2007, é membro do Dichterscollectif de Bruxelas e escolhido como poeta oficial da mesma cidade onde vive desde 1987. Da sua já vasta obra literária que toca em todos os géneros literários, como gosta de ressalvar, conta-se «Ringside» (1993), «Diários de um Nómada» (1993), «O Paso do Noroeste» (1996), «Malaria Sentimental» (1999), «O Ladrón de Esperma» (2002) e «Dragona» este mesmo romance publicado na Galiza em 2007, ano em que edita igualmente «Saladina».

quarta-feira, maio 28, 2008

Jorge Sousa Braga apresenta Filipa Leal. Este sábado, 31 de Maio no auditório do Planetário. Às 18h

Foto de Mafalda Capela Foto de Manuel Leitão
É já este sábado, dia 31 de Maio pelas 18:00h, no Auditório do Planetário aqui no Porto, que Jorge Sousa Braga apresenta O Problema de Ser Norte de Filipa Leal. Serão lidos poemas pelos elementos da Caixa Geral de Despojos. Estaremos lá...

A Deriva nas Feiras do Livro

Este ano a Deriva estará presente, em Lisboa, no Stand 154 da Centralivros. No Porto, no Stand F2, do Clube Literário do Porto.

Para além de todos os livros com os descontos habituais, temos promoções na área da colecção de narrativa (na imagem).

domingo, maio 04, 2008

Apresentação do livro Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas, com Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo

Sexta-feira, dia 9 de Maio, pelas 21:00, no auditório da Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, apresentar-se-á o livro Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas. Com Pedro Eiras que coordenou a edição e Rosa Maria Martelo.
«Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas começou por ser um ciclo de palestras em torno de um desafio comum. Realizou-se no dia 11 de Outubro de 2007, em quatro sessões de comunicações e debates, no Auditório da Biblioteca Florbela Espanca, com organização da Câmara Municipal de Matosinhos. (…)
Durante todo o dia 11 de Outubro, um público numeroso e fidelíssimo acompanhou e dialogou com estas leituras da mais jovem poesia. O livro que agora se publica corresponde aos doze textos, revistos, eventualmente repensados a partir dos debates. (…)
Da mais premente contemporaneidade se fala também neste livro. Os doze autores chegaram ao ensaio precisamente no momento em que os poemas aqui lidos eram escritos. Pretende-se dar conta desse encontro. Alguns dos autores deste livro, embora se apresentem aqui como ensaístas, são também poetas revelados nas décadas de 1990-2000, e chegam a ser estudados em alguns ensaios.
Geram-se pois, ao mesmo tempo, coincidências e dispersão – igual-mente produtivas. Por um lado, há referências que se cruzam, repetem, permitem definir projectos do que seja a poesia hoje. Para uma escrita necessariamente em transformação, dizem-se assim algumas cartografias possíveis.»
Do Prefácio, por Pedro Eiras
O encontro «Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas» aconteceu no Auditório da Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, a 11 de Outubro de 2007, organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos, com concepção inicial e coordenação de Pedro Eiras.
Nesse dia, a todos os títulos memorável pelo seu interesse e pela novidade no campo da crítica e do ensaio literário, ouviram-se as intervenções de Marinela Freitas, Mariana Leite, João Paulo Sousa, Catarina Nunes de Almeida, Miguel Ramalhete Gomes, Raquel Ribeiro, Margarida Gil dos Reis, Helena Lopes, Joana Matos Frias, José Ricardo Nunes, Andréia Azevedo Soares e Daniel Jonas.
Da contracapa

sábado, abril 26, 2008

Paulo Kellerman e Luís Mourão na Arquivo, em Leiria, dia 29/04. Às 18:30


Na Livraria Arquivo, em Leiria, a 29 de Abril (terça) pelas 18:30, vai estar o Luís Mourão a apresentar o último livro de contos de Paulo Kellerman «Silêncios entre Nós». O Paulo e o Luís conversarão convosco e criar-se-á, esperamos todos, mais um bom momento de literatura em forma de conto e de conversas à volta dela. Em jeito de causa-efeito. Vamos lá estar todos e conhecer mais de perto este novo livro do Paulo.

quinta-feira, abril 24, 2008

Versos para Adormecer, José Ricardo Nunes

Versos para Adormecer

Ontem, para adormecer, embalei-me
nos versos que acontecem antes
de adormecer, quando o sono já manda
e o corpo não obedece à ordem
de acender a luz e procurar papel
e caneta. Antes de adormecer escrevi
os versos que escrevo agora, à secretária,
numa pausa apressada, para combater
o stress com desactualizada ortografia. E lembro-me
que voltei a pensar neles de manhã, na sonolência
do autocarro, ao chegar ao terminal. O corpo
vinha então aos versos, a despropósito,
estava parado a ser. De manhã,
à entrada de Lisboa, os versos são por vezes coisas
que coloco em paralelo ao rio.

Apócrifo, José Ricardo Nunes, Deriva, 2007

domingo, abril 20, 2008

Brutal – 3º Festival Internacional de Poesia Contemporânea em Zagreb. Filipa Leal presente





A edição deste ano, acontecerá de novo em dois espaços previlegiados da cidade: na livraria-café Booksa e no bar Gjuro II, que este ano conta com a presença de 11 jovens poetas de nove países europeus, entre os quais Portugal.

Há 3 anos que este festival é organizado, e há 3 anos que o Instituto Camões vem a apoiar esta iniciativa, que tem contado com uma presença portuguesa desde o início. Este ano, a convidada é a poetisa e jornalista Filipa Leal.

No final do festival será publicado um livro (à semelhança das edições anteriores) com os poemas de todos os participantes. Os poemas estarão nas suas línguas originais e também serão apresentadas as respectivas traduções em croata.

Durante essa semana, os estudantes da Cátedra de Língua e Literatura Portuguesas da Faculdade de Letras da Universidade de Zagreb terão a oportunidade de conhecer Filipa Leal um pouco melhor, através de um Workshop de Poesia que dinamizará na Faculdade.

15, 16 e 17 de Abril de 2008
Livraria-café Booksa e no bar Gjuro II
Zagreb
Do site do Instituto Camões



A Deriva não resiste a editar O Problema de Ser Norte na língua croata:



Problem je biti sjeverno
Bio je to stih s drvećem okolo.
Imao je problem što je sjeverno
i što je dan i što je tako oprečan prirodi.
Bio je to stih bez zraka
ali s drvećem okolo,
a ja u središtu, dolje, na kamenim
stubama, puna zelenila i hladnoće
razmišljam kako i dalje ne shvaćam
oprečnu prirodu pred svojim očima.
Jer ako je drveće jedini
krajolik ovoga stiha, svugdje okolo,
a ja u središtu, dolje, na kamenim
stubama još uvijek, ako se okrenem, ako umrem,
hoće li to drveće još uvijek biti krajolik ovoga stiha,
kako da ga volim
a da me

neka
posebna
tišina još

ne prekine?


O Problema de Ser Norte, Deriva, 2008

abril/maio

Debord



Raoul Vaneigem - La vie s'ecoule

segunda-feira, abril 07, 2008

Alberto Sughi «descobre» Paulo Kellerman

No blog de Alberto Sughi fala-se de Paulo Kellerman e do seu Silêncios entre Nós (tradução, um pouco livre, para Il Silenzo dentro di noi) a sair muito em breve, ainda no final deste mês. Vamos conhecê-lo aqui , um pintor que foi referido pelo Paulo em vários dos seus contos.

A Metamorfose das Plantas dos Pés, de Catarina Nunes de Almeida publicado em Itália. Sairá em Julho pela Deriva

Catarina Nunes de Almeida
La metamorfosi delle piante dei piedi(A metamorfose das plantas dos pés)
traduzione italiana di Martino Baldi
LietoColle - Collana Erato

... bisogna ricominciare dal corpo, amare la vita che è in noi, farla crescere ogni giorno come una pianta dentro, non lasciarla morire. Corpo come luogo vegetale, come biologia dell’uomo: un filone che collega Catarina Nunes de Almeida, non solo a Daniel Faria, ma anche a Jorge Reis-Sá, un filone poetico portoghese inaugurato forse da Al Berto con quel suo zibaldone portatile che era O medo (La paura), che ha anche alimentato una nuova generazioni di giovani scrittori talentuosi e precoci quale Catarina Nunes de Almeida, figli del tempo nostro, e quindi bambini in rovina, come direbbe José Luís Peixoto. Dopo Prefloração, suo libro d’esordio, nella lettura di questa nuova raccolta poetica di Catarina ho avuto la conferma dell’impressione di freschezza verde della sua poesia, bella e sofferta, consapevole del mondo e aperta ad esso, come una pillola di ossigeno, un palliativo poetico per i mali umani che, come diceva Gil de Biedma, sono dell’anima, ma si leggono nel corpo come un libro aperto.
dalla postfazione di António Fournier

sábado, março 29, 2008

Já nas livrarias: Kenneth White e Filipa Leal

Kenneth White e Filipa Leal constituem as novidades já editadas pela Deriva neste mês de Março. Um livro de ensaio literário sobre o movimento da geopoética, O Espírito Nómada (ver na etiqueta Kenneth White) e a última publicação de poesia da Filipa Leal - O Problema de Ser Norte.

Todos com capa de Gémeo Luís, já se encontram disponíveis nas livrarias e para os assinantes da Deriva. Sobre estes dois livros cremos que se irá falar muito deles. Teremos tempo.

Silêncios entre Nós, de Paulo Kellerman - a sair, já em Abril

Capa de Gémeo Luís na remodelada colecção de narrativa/contos da Deriva. É este o próximo livro de Paulo Kellerman - Silêncios entre Nós. A sair em Abril.

Contos de Paulo Kellerman e João Pedro Mésseder editados no Brasil

A Editora Destaque editou, entre muitos outros autores brasileiros e portugueses, mini-contos de Paulo Kellerman e João Pedro Mésseder. Uma pubicação importante cuja organização pertenceu a Laís Chaffe. Para saber mais http://www.casaverde.art.br/

quinta-feira, março 27, 2008

Vozes do Alfabeto, de João Pedro Mésseder e João Maio Pinto. O novo livro infantil da Deriva





Vozes do Alfabeto, de João Pedro Mésseder, reúne cerca de três dezenas de poemas. São versos preferencialmente destinados a crianças em fases iniciais de aprendizagem da leitura e da escrita, ou seja, em idade de frequentar o 1º ciclo do Ensino Básico. A cada letra corresponde um texto, por vezes dois. Se aqui o poema se assemelha a uma micro-história em verso, acolá encena um pequeno episódio burlesco; e outros há que se mantêm num registo lírico. Organizados de acordo com a ordem das letras no alfabeto (primeiro o poema centrado no A, depois no B, depois no C, e assim sucessivamente), inspiram-se no trava-línguas da tradição oral. Deste modo, a simplicidade da linguagem, ao alcance da capacidade de compreensão da criança, vê-se literariamente compensada pelo recurso à aliteração, à assonância, à anáfora, ao jogo linguístico e a outros elementos expressivos. Rimados e ritmados, facilmente memorizáveis, os textos permitem, se lidos em voz alta, activar a atenção auditiva e concorrem para o desenvolvimento da consciência fonológica, sem nunca abdicarem da dimensão lúdica e do humor que são traços distintivos deste livro, profusamente ilustrado com imagens de assinalável qualidade..

segunda-feira, março 03, 2008

Pedro Teixeira Neves, na Bulhosa de Entrecampos, sexta, 7 de Março, 18:00. Com Maria Teresa Horta


Apresentação de O Sorriso de Mona Lisa de Pedro Teixeira Neves

Com Maria Teresa Horta

Bulhosa do Campo Grande, sexta, 7 de Março, 18:00


Joaquim Castro Caldas na Ler Devagar a 8 de Março, pelas 18:00, com Bibi Perestrelo e João de Sousa


Apresentação de Mágoa das Pedras de Joaquim Castro Caldas

Ler Devagar, Lisboa. Sábado, 8 de Março. 18:00
Com João de Sousa e Bibi Perestrelo

terça-feira, fevereiro 19, 2008

O Sorriso de Mona Lisa, seguido de Quatro Contos de Fronteira, de Pedro Teixeira Neves

Capa de Gémeo Luís

O Sorriso de Mona Lisa

Nada aconteceu de um dia para o outro, do dia para a noite, como se costuma dizer. Foi antes um processo longo e demorado, quase imperceptível, invisível a olho nu, tal como o movimento dos ponteiros de um relógio. Tentamos vê-los moverem-se e é impossível, o nosso olhar simplesmente não consegue captar aquele «parado movimento», se é que assim se podem pôr as coisas. Pois foi precisamente desse modo que as coisas se passaram neste caso. E curiosamente, quem deu o alarme, nem foi sequer um especialista, mas antes um anónimo e cinzento guarda museológico, um simples funcionário.
Havia poucos meses que o país inteiro se encontrava extasiado ante a descoberta revelada pelos conservadores do Louvre. Por mero acaso, numas obras forçadas por via de infiltrações, numa das muitas e recônditas salas de reservas e fundos da instituição, um dos conservadores, ao espreitar para dentro de um velho sarcófago, tinha dado de caras com uma estátua! O tratar-se de uma estátua, por si só, já seria estranho, pois nunca se soubera de estátua alguma guardada num sarcófago. Mais estranho ainda era tratar-se de uma estátua grega, ainda se fosse egípcia... Retirada a estátua e levada para uma sala de restauro, de imediato especialistas em arte grega reputaram a descoberta como «magnífica», «única» e «milagrosa». «Milagrosa» por duas razões, pela sua beleza extrema, mas também por via do seu notável estado de conservação. «Magnífica» e «única» porque... bem, quanto ao porque já lá iremos.
Interessa reportar, de momento, que logo, logo a estátua foi limpa e preparada para ser mostrada ao público. Ninguém duvidava de que passaria a ser mais uma «jóia da coroa» do museu. E assim sucedeu, ultrapassando-se mesmo as melhores e mais optimistas expectativas. Em questão de dias, tendo conhecimento da descoberta, milhares e milhares de pessoas, amantes de arte, especialistas ou tão-só ignaros turistas em trânsito, acotovelaram-se em filas intermináveis para com os seus próprios olhos, se pudessem com as próprias mãos, poderem ver de perto aquela «nova» maravilha de arte que, não se duvidasse, passaria doravante a constar em todos e quaisquer manuais, guias de arte, dicionários ou enciclopédias sobre arte ocidental. Do mesmo modo, também nas escolas de arte, a estátua passou a ser uma das obras mais estudadas e aquela que maior número de alunas havia escolhido para dissertação de tese final de curso.
Pelo porte, musculado e avantajado, sabia-se que tinha sido um guerreiro. Era um nu sublime, único e singular, fascinante e esplendoroso no modo como, de uma forma exuberante e ao mesmo tempo natural, exibia a intimidade da personagem representada. Olhos redondos, bem definidos, lábios grossos, nariz à grega, testa alta e larga soçobrando-lhe caracóis fartos, todo ele, dos cabelos à planta dos pés, exibia, apesar da força que emanava e encerrava, uma graciosidade que não era senão a tradução divina de uma graça em forma de corpo. A meio caminho, a flor, a divina protuberância masculina revelando-se em todo o seu fulgor e ânimo. Em tudo semelhava um atleta olímpico da actualidade e, em matéria genital, ninguém duvidava, um Deus! Era um grego, está de ver.
Detalhes e rigores técnicos de execução aparte, a beleza das proporções, a maravilha das linhas, o suave da cor da pedra, a luminosidade radiante que do todo se desprendia, a verdade é que o seu apelo maior, e logo motivo maior e bem patente do seu êxito de público, residia naquele concreto e desmesurado instrumento. «Realidade ou ficção da mão que o esculpira, ninguém o sabia precisar, já que subsistiam dúvidas sobre a sua autoria», explicava a um bando de japonesas uma guia solícita e despachada, repetindo as suas explicações e comentários em pelo menos quatro línguas.
Sem qualquer ponta de pudor, no que, bem vistas as coisas, se revelava a liberdade de que desfrutara o seu autor, o «belo grego», como já era conhecido nos meios artísticos, exibia-se naquele museu havia apenas seis meses, desde que fora encontrado numas ruínas nos arredores de Roma. Era um belíssimo exemplar da escultura helenista clássica e nunca, até então, fora encontrado um outro seu similar em tão bom estado de conservação. Para mais, tratava-se de um dos poucos exemplares escultóricos do chamado conceito de contrapposto – posição na qual a escultura apoia totalmente numa perna, deixando a outra livre, facto que oferece à obra um grande dinamismo. Policleto, Miron, Praxíteles e Fídias foram seus grandes representantes, tal como Lisipo, que, nas suas tentativas de plasmar as verdadeiras feições do rosto, conseguiu acrescentar uma inovação a esta arte, criando os primeiros retratos. O «belo grego» teve, por conseguinte, e até porque ainda ninguém percebera como uma estátua daquelas fora ali parar (para mais, a um sarcófago!), honras de exposição na mais afamada sala do museu, naturalmente junto de «Mona Lisa», também conhecida como Gioconda. Para sermos mais exactos, a estátua foi colocada mesmo em frente a Gioconda.
(...)


de O Sorriso de Mona Lisa, excerto do conto do mesmo nome. Deriva, 2008, 125pp. 14 euros

Filipa Leal e Pedro Teixeira Neves nas Correntes d'Escritas 2008


Capa de Gémeo Luís / Pedro Teixeira Neves



Pedro Teixeira Neves que escreveu O Sorriso de Mona Lisa, seguido de Quatro Contos de Fronteira, na Deriva, esteve nas Correntes d' Escritas, na Póvoa de Varzim, no dia 15 de Fevereiro, numa mesa moderada por Michael Klegger e constituída por valter hugo mãe, Eduardo Halfon, Ignacio del Valle e João Paulo Cuenca. O tema foi «A Literatura rasga a Realidade?». Na noite de quinta-feira fez-se o lançamento do livro. A intervenção do Pedro foi extremamente objectiva. Uma resposta muito concreta à questão formulada pela organização das Correntes e cujo Sorriso de Mona Lisa responde cabalmente. Basta ler.


Filipa Leal por Mafalda Capela


Filipa Leal, esteve na sexta-feira, dia 16, na mesa «Poesia: a bem dita e a mal dita» com Janet Nuñez, Jorge Sousa Braga, Ondjaki e Teresa Rita Lopes. Também a Filipa vai, muito em breve, lançar o seu próximo livro de poesia na Deriva com o título O Problema de Ser Norte. De uma grande clareza a intervenção de Filipa Leal.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Apresentação de Mágoa das Pedras de Joaquim Castro Caldas. Clube Literário do Porto, 18:00, dia 31 de Janeiro, Quinta.

Se há algum sentido na escolha da palavra coragem para adjectivar a poesia ela aplica-se sobretudo a Joaquim Castro Caldas, homem de muitos ofícios que desde sempre e em múltiplas geografias optou por uma vida verdadeiramente livre que se confunde com as palavras que lhe assomam. Que tenha a forma de livro é esta a regra do jogo. Deste e de outros que distribuía em locais de uma verdadeira deriva experimental que o autor, felino, frequenta. Como ele diz, «escrevo à mão a quem se debruça ainda nas líricas impressas como as árvores curvadas sobre os lagos de água da chuva, marcando o livro com indisciplina, a quem ainda chira atinta, raízes e barro, a quem usa o romantismo para aliviar o tremor dos homens...».

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Marilar Aleixandre, a 25 de Janeiro, 21:30, no Clube Literário do Porto

Foto Xoán Soler - La Voz de Galicia

Marilar Aleixandre afirma que tem a língua fendida e que usurpou o nome da sua mãe. O seu primeiro poemário, Catálogo de Venenos (1999, premio Esquío), foi seguido por Desmentindo a primavera (2003, Xerais), Abecedário de árvores (2006) e Mudanças (2007, Premio Caixanova-PEN Clube), uma reescrita das metamorfoses desde as vozes das mulheres. Bióloga de formação, professora de Didáctica das Ciências na Universidade de Santiago de Compostela, mas com um pé na Costa da Morte, referência dos contos de Lobos nas ilhas (1996, Xerais), ou de histórias infantis como A vaca de Fisterra. Os seus romances mereceram prémios como o da Xerais por Teoria do Caos (2001, Xerais), o de Álvaro Cunqueiro por A Companhia Clandestina de Contrapublicidade (1998, Galaxia) e na literatura juvenil, o de Lazarillo por A Banda sem Futuro (Xerais, 1999, em português Âmbar, 2001), ou o da Crítica da Galiza por A expedição do Pacífico (Xerais, 1994; Dom Quixote, 1998); sendo a última Rua Carvão (Xerais, 2005) sobre o conflito no País Basco. Também publicou ensaio, teatro e guiões de banda desenhada.

Derrotas Domésticas

deve ter sido muito difícil
degolar as enguias
sem cortar os dedos
desviar-te para que não te envolvessem
as escamas do besugo
fugir do nó corredio dos lençóis

nas noites opacas
que batalhas contra os grãos-de-bico
crescendo disformes na água que absurda tarefa
separar as lentilhas do arroz
que impotência
quando o leite fervido vai por fora
inevitavelmente

e se a barafunda das frigideiras
não te deixava ouvir música
se o teu francês e alemão
eram inúteis contra a gordura dos fogões
se os canos de água berram como crianças
ou gaivotas e as batatas se pegam
ao fundo da panela

mãe
como é que estás a sorrir nas fotos?

Catálogo de Venenos
(Tradução de Paula Cruz)

A Marilar estará dia 25 de Janeiro, pelas 21:30, no Clube Literário do Porto. Contará com a presença de José António Gomes e de Paula Cruz

domingo, dezembro 30, 2007

Catálogo de Venenos, de Marilar Aleixandre. Poesia da Galiza

Capa de Gémeo Luís


Catálogo de Venenos é um acto de amor e um ajuste de contas. Uma filha interroga-se sobre a mãe-madrasta, sobre uma relação na que se cruzam amor e ódio, dependência e identificação: “não sabia que foste tu quem me educou/contra ti mesma”. Venenos íntimos, herdados ou escolhidos. Venenos que fendem a língua, pois caminhar sobre o gume da língua é tão perigoso como andar pelo gume dos cutelos. Rebelião que é possível ao levar por baixo das unhas restos da terra ou da tinta da mãe. Quem é a que escreve? A mãe fazendo-o em nome da filha? Talvez a outra, a que usurpa nomes e imagens, a ladra de línguas.
Livro bilingue (português e expressão galega) com tradução de Paula Cruz. À venda nas livrarias a partir de Janeiro.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

quarta-feira, novembro 14, 2007

Dorregarai, A Casa-Torre de Anjel Rekalde apresentado por Rui Pereira, dia 16 no Porto e a 17 em Coimbra

É já dia 16, sexta-feira, pelas 21:30, que no foyer da Biblioteca Almeida Garrett, aqui no Porto, que Dorregarai, A Casa-Torre vai ser apresentado por Rui Pereira e com a presença de Anjel Rekalde que terá oportunidade de debater com os presentes a luta do povo basco pela independência desde há séculos.
No dia 17, pelas 18:00, será a vez de Coimbra no espaço da Almedina Estádio.