terça-feira, maio 16, 2006

Filipa Leal entrevista Paulo Kellerman

No dia 15 de Maio, o Artes e Letras, suplemento literário de O Primeiro de Janeiro, deu a conhecer a primeira entrevista de fundo a Paulo Kellerman, autor de Gastar Palavras e a quem foi atribuído o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco APE/Câmara Municipal de V.N. de Famalicão. Conduziu a entrevista Filipa Leal, jornalista que pouco a pouco se vai afirmando como uma das melhores e mais prometedoras críticas literárias da sua geração por, entre outras coisas, não hesitar em emprestar rigor e seriedade aos trabalhos que assina. A entrevista começa assim:

E se alguém perguntasse: quem és? Paulo Kellerman foi o vencedor do Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco. Nasceu em Leiria, em 1974. Responde como quem pergunta. Povoa como quem parte. Concebeu a revista literária «Cadernos do Alinhavar», foi colaborador do DNa e da Storm Magazine, divide a sua bibliografia entre “edições de autor e edições a sério”. Assim se apresenta: “Escreve contos, estórias e histórias. Não compreende quem considera a narrativa curta uma forma literária inferior ao romance ou à poesia. Colabora aqui e ali, publica onde calha, faz pela vida. De certo modo, anda à deriva”. Deriva é também o nome da editora que lhe publicou o livro «Gastar Palavras», que acaba de receber o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco (APE/ Câmara Municipal de Famalicão). Uma obra surpreendente, onde Paulo Kellerman confessa: “Gostava que me pedisses: fala de ti”. Nós pedimos.
Filipa Leal

Comecemos por uma frase deste livro: “E se alguém perguntasse: quem és?”
Não sei bem, ainda me estou a procurar. Mas começa a ser irrelevante. Há cada vez mais gente a dizer: és uma pessoa boa. E isso vai-me bastando, essa simplicidade. Quem sou? Uma pessoa que tenta ser boa, que amanhã poderá ser melhor. E que depois morrerá, e pronto.

A certa altura, escreve: “E assim tenho ocupado a minha existência: a povoar”. Qual é o lugar das palavras nesse processo?Suponho que as palavras povoam a imaginação, permitem-lhe conceber sonhos, projectos, utopias, ideais. Ou seja: libertam.

A cegueira, a velhice, a indiferença, a morte como metáfora de um íntimo abandono, o amor envelhecido, gasto talvez, como as palavras. São também estas as preocupações que o povoam enquanto ser humano?
(ler a continuação da entrevista...)
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