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sábado, agosto 20, 2011

Pulsar e Cassiopeia, parceria Deriva Editores com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa


As colecções Pulsar e Cassiopeia, resultantes de uma parceria com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, da Faculdade de Letras do Porto,  dão a conhecer  estudos muito relevantes no âmbito da Teoria da Literatura. Na  Pulsar, foram já editados Jean-Pierre Sarrazac (com A Invenção da Teatralidade seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis), Pascal Quignard (com Um Incómodo Técnico em Relação aos Fragmentos) e Antoine Compagnon (com Para que serve a Literatura?), Jean-Claude Pinson (com Para que serve a Poesia hoje?).
A Cassiopeia acolheu  um inédito de Pedro Eiras, intitulado Tentações: Ensaio sobre Sade e Raul Brandão e Kafka: Kafka, um Livro sempre Aberto, organizado por Teresa Martins de Oliveira e Gonçalo Vilas-Boas.

domingo, maio 22, 2011

ILC: Pascal Quignard, Jean-Pierre Sarrazac, Antoine Compagnon





 

As colecções Pulsar e Cassiopeia, resultantes de uma parceria com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, da Faculdade de Letras do Porto,  dão a conhecer  estudos muito relevantes no âmbito da Teoria da Literatura. Na  Pulsar, foram já editados Jean-Pierre Sarrazac (com A Invenção da Teatralidade seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis), Pascal Quignard (com Um Incómodo Técnico em Relação aos Fragmentos) e Antoine Compagnon (com Para que serve a Literatura?).

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Odisseia: Oficina de Escita com Jean-Pierre Sarrazac e Alexandra Moreira da Silva


MOSTEIRO DE SÃO BENTO DA VITÓRIA | 6-8 de Fevereiro
Uma perspectiva ampla sobre um processo de qualificação da experiência dos diversos protagonistas que concorrem para o acto teatral não poderia prescindir de um raciocínio sobre a escrita dramática. Da torrente de ideias que terá emergido do colóquio de Janeiro, organiza-se um processo de criação em ambiente de formação capaz de as deter em ficções dramatizáveis. Jean-Pierre Sarrazac, professor no Instituto de Estudos Teatrais de Paris III, Sorbonne Nouvelle, autor de obra dramática e de análises fundamentais sobre a natureza do acto dramatúrgico (o TNSJ publicou, em 2002, O Futuro do Drama e apresta-se a publicar Eu Vou ao Teatro Ver o Mundo), saberá ser não apenas um motor da escrita como uma inesgotável fonte de informação qualificada sobre o património herdado e sobre as estratégias da dramaturgia contemporânea. A acompanhá-lo, Alexandra Moreira da Silva, investigadora em Estudos Teatrais e Estudos de Tradução, garante não apenas o trânsito entre línguas e a constância de acompanhamento dos formandos, como reforça essa intenção de juntar ao gesto de criação uma estrutura sólida de conhecimento, condição prévia a qualquer real emergência do novo. [via TNSJ]
O n..º1 da colecção Pulsar, uma parceria Deriva / ILC, é a A Invenção da Teatralidade, seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis, traduzido por Alexandra Moreira da Silva. 

segunda-feira, setembro 20, 2010

Para que serve a literatura?, Antoine Compagnon [trad. José Domingues de Almeida]

Para que serve a literatura?, Antoine Compagnon   [trad. José Domingues de Almeida]

Ao lado da questão teórica ou histórica tradicional: «O que é a literatura?», coloca-se hoje com maior premência uma questão crítica e política: «O que pode a literatura?», que valor a sociedade e a cultura contemporâneas atribuem à literatura? Que utilidade? Que papel? «A minha confiança no futuro da literatura, declarava Italo Calvino, assenta na certeza de que há coisas que só a literatura nos pode dar». Será este ainda o nosso credo?

Nascido em 1950, Antoine Compagnon ensinou na Sorbonne e na Universidade Columbia de Nova Iorque. É, desde 2006, Professor Catedrático de Literatura Francesa Moderna e Contemporânea: história, crítica, teoria no Collège de France. É nomeadamente o autor de La Troisième République des Lettres (1983), Les cinq Paradoxes de la Modernité (1990) e Les Antimodernes, de Joseph de Maistre à Roland Barthes (2005).

    
As colecções Pulsar e Cassiopeia, resultantes de uma parceria com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, da Faculdade de Letras do Porto, dão a conhecer estudos muito relevantes no âmbito da Teoria da Literatura.
Na Pulsar, foram já editados Jean‑Pierre Sarrazac (com A Invenção da Teatralidade seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis), Pascal Quignard (com Um Incómodo Técnico em Relação aos Fragmentos).
Na Cassiopeia, que já acolheu um inédito de Pedro Eiras, intitulado Tentações: Ensaio sobre Sade e Raul Brandão, teremos brevemente um ensaio sobre Kafka: Kafka, um Livro sempre Aberto, de Teresa Martins de Oliveira e Gonçalo Vilas-Boas.


terça-feira, agosto 24, 2010

Antoine Compagnon: Para que Serve a Literatura? [col. PULSAR]

(imagem daqui)

A propósito do lançamento de  Para que Serve a Literatura?, de Antoine Compagnon, na colecção PULSAR, fruto de uma parceria com o  Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, da Faculdade de Letras do Porto, onde foram já editados Jean ‑Pierre Sarrazac (com A Invenção da Teatralidade seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis), Pascal Quignard (com Um Incómodo Técnico em Relação aos Fragmentos), não resistimos a partilhar um  excerto de um texto   Rosa Maria Martelo que pode ser lido na íntegra aqui.



É  certo  que  a  literatura  “pode”  muita  coisa:  pode  proporcionar  um  contacto único com a complexidade do discurso; pode associar discurso e emoção  estética;  pode  promover  o  conhecimento  do  outro  no  tempo  e  no  espaço;  pode  facultar  ao  leitor  um  auto-conhecimento.  E  é  certo  que  o  que  chamamos  “literatura”  é  um  conjunto  de  práticas  discursivas  de  tal  modo  heterogéneo  e diversificado  que  seria  possível  desenvolver  aqui  listagens  imensas  e  cheias  de especificidades,  distinguindo  o  papel  da  poesia  do  da  narrativa,  distinguindo  a função da  literatura mais culturalista e de circulação  restrita daquela que obtém largos sucessos de mercado, distinguindo a literatura para a infância e a juventudecomo uma área de criação específica, etc.  Mas, hoje, talvez o mais importante seja transmitir  aos  estudantes  de  literatura,  e  de  poesia  em  particular,  que  o  seu trabalho  incide sobre  tipos de discurso que são extremamente abertos ao diálogo com  outras  artes,  com  outros  discursos,  com  outras  práticas  culturais.  Se  no século XIX  emerge,  fortíssima,  a  relação  entre  Literatura  e Nação,  hoje  o  que sobressai  é  o  modo  como  a  Literatura  põe  em  relação  identidade  linguística, cultural  e  social  com  a  experiência  intercultural  que  caracteriza  o  mundo  em vivemos. Não há como  recusar o breve diagnóstico de Antoine Compagnon, quando descreve o lugar da literatura na sociedade actual:
(...) le lieu de la littérature s’est amenuisé dans notre société depuis une génération:à  l’école,  où  les  textes  documentaires mordent  sur  elle,  ou même  l’on  dévorée;dans la presse, où les pages littéraires s’étiolent et qui traverse elle-même une crise peut-être funeste; durant les loisirs, où l’accélération numérique morcelle le temps disponible  pour  les  livres.  Si  bien  que  la  transition  n’est  plus  assurée  entre  la lecture  enfantine  (...)  et  la  lecture  adolescente,  jugée  ennuyeuse  parce  qu’elle requiert de longs moments de solitude immobile.

Se pensarmos na exiguidade das actuais tiragens de livros de poesia, na sua reduzida visibilidade nas páginas da imprensa, onde facilmente “perde” diante das artes que exploram a  imagem visual, se pensarmos na  reputação de “difícil” que lhe atribuem os estudantes, no lugar geralmente periférico que os livros de poesia ocupam nas livrarias, esse diagnóstico não pode senão agravar-se.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Pulsar e Cassiopeia [Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa,da Faculdade de Letras do Porto]

    

 As colecções Pulsar e Cassiopeia, resultantes de uma parceria com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa,da Faculdade de Letras do Porto,  dão a conhecer  estudos muito relevantes no âmbito da Teoria da Literatura.

Na  Pulsar, foram já editados Jean ‑Pierre Sarrazac (com AInvenção da Teatralidade seguido de Brecht em Processo O Jogo dos Possíveis), Pascal Quignard(com Um Incómodo Técnico em Relação aos Fragmentos). Muito em breve chegará, às livrarias, a Aula Inaugural no Collège de France de Antoine Compagnon Para que serve a Literatura? ).  Um ensaio essencial que problematiza o espaço e o valor da literatura hoje.

Na Cassiopeia, que já acolheu  um inédito de Pedro Eiras, intitulado Tentações: Ensaio sobre Sade e Raul Brandão,teremos brevemente um ensaio de Gonçalo Vilas-Boas sobre Kafka.

segunda-feira, março 15, 2010

A Invenção da Teatralidade, seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis, de Jean-Pierre Sarrazac



"A lição merece ser ouvida: não deveríamos nunca abordar a mínima questão de estética teatral sem antes nos termos instalado, ainda que mentalmente, em frente ao palco." (pg. 15)
***

"Desactivar a "máquina infernal" significa, tal como o sugerimos anteriormente, permitir acesso a uma dramaturgia não do "antes" mas do pós-catástrofe." (pg. 87)
*******
"Produzir possíveis infinitamente: este poder da máquina utópica é antinómico, pensamos nós, com o facto de lançar acusações e de decretar culpabilidades." (pg. 88)
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Prosseguir a tarefa (beckettiana) de acabar (outra vez) com o teatro, sonhando sempre com a possibilidade de começar tudo de novo, talvez seja este o novo último paradoxo da teatralidade. Porque o teatro só se realiza verdadeiramente fora de si mesmo, quando consegue desprender-se de si mesmo… Fazer, de cada vez, no teatro, o vazio do teatro.

Jean-Pierre Sarrazac - Ensaísta, autor dramático, encenador, professor no Instituto de Estudos Teatrais da Universidade de Paris III – Sorbonne Nouvelle, Jean Pierre Sarrazac tem desenvolvido, ao longo dos últimos trinta anos, uma vasta reflexão sobre as dramaturgias modernas e contemporâneas que está na origem de uma importante e diversificada obra ensaística, reconhecida recentemente com Prémio Thalia 2008, atribuído pela Associação Internacional de Críticos de Teatro.


A colecção Pulsar dirigida pelo Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, inclui textos relevantes em torno da literatura e de outras artes. Estes pequenos livros, que se podem ler numa viagem de comboio ou a uma mesa de café, pretendem emitir um sinal luminoso, sentidos de um pensamento, fulgurações de palavras. Como os enigmáticos e distantes pulsares.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Jean-Pierre Sarrazac é editado pela parceria ILC/Deriva

Já foi editado o livro de Jean-Pierre Sarrazac, A Invenção da Teatralidade, seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis, traduzido por Alexandra Moreira da Silva e o nº 1 da Colecção Pulsar.
A edição é fruto da parceria entre o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da FLUP e a Deriva. Os pedidos devem ser remetido para o ILC ou para a Deriva.
Amanhã, pela manhã, Jean-Pierre Sarrazac vai estar presente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto no Colóquio Transbordamentos Infinitos. Ver programa aqui

quinta-feira, novembro 19, 2009

Transbordamentos Infinitos - Colóquio na Sala de Reuniões da FLUP. 4 e 5 de Dezembro de 2009


O Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organiza um colóquio internacional destinado a reflectir, em termos teóricos e/ou aplicados, sobre as diferentes expressões, formais e culturais, da dramaturgia contemporânea, a sua circulação e a sua relação com a cena. O colóquio terá lugar na Sala de Reuniões da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, nos dias 4 e 5 de Dezembro de 2009.

Transbordamentos infinitos: A dramaturgia contemporânea

O carácter híbrido das dramaturgias contemporâneas é uma realidade cuja análise implica, hoje, a consciencialização de novos paradigmas, capazes de darem conta das constantes mutações da forma dramática que se afirma e se coloca para além do espaço meramente genológico. A forma canónica do drama de tradição aristotélico-hegeliana vive, há largas décadas, um processo de aparente “transbordamento infinito”, expressão introduzida por Jean-Pierre Sarrazac para traduzir as mais diversas e caleidoscópicas configurações do drama contemporâneo. É a este abandono de toda e qualquer modelização unificadora que, por exemplo, o conceito de “rapsodização”, proposto pelo mesmo autor nos anos 80, pretendeu dar resposta. Tendo como ponto de partida a sugestão avançada por Peter Szondi de que “o sentido está na forma”, este colóquio visa empreender uma reflexão crítica alargada sobre os mais repetidos processos de “desterritorialização” do drama, o mesmo é dizer da notória e permanente renovação que caracteriza a condição da escrita dramática contemporânea.

Participações confirmadas:
Fernando Matos Oliveira (Universidade de Coimbra)
Francisco Frazão (Universidade de Lisboa / Culturgest)
Graham Saunders (University of Reading)
Jean-Pierre Sarrazac (Université Paris III - Sorbonne nouvelle)

Joana Matos Frias (Universidade do Porto)
Manuela Veloso (ISCA-Instituto Politécnico do Porto)
Maria Helena Serôdio (Universidade de Lisboa)
Mickael de Oliveira (Universidade de Lisboa)
Miguel Ramalhete Gomes (Universidade do Porto)
Pedro Eiras (Universidade do Porto)
Rui Pina Coelho (Escola Superior de Teatro e Cinema / Universidade de Lisboa)
Sebastiana Fadda (Universidade de Lisboa)
Vera San-Payo de Lemos (Universidade de Lisboa)

Organização
Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Comissão organizadora
Alexandra Moreira da Silva
Paulo Eduardo Carvalho



O livro de Jean-Pierre Sarrazac« A Invenção da Teatralidade, seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis», traduzido e prefaciado por Alexandra Moreira da Silva, estará disponível na sessão.

sábado, novembro 07, 2009

Pré-publicação de A Invenção da Teatralidade, de Jean-Pierre Sarrazac. Tradução e prefácio de Alexandra Moreira da Silva

A colecção Pulsar é uma parceria entre a Deriva e o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, da FLUP

A INVENÇÃO DA TEATRALIDADE, de Jean-Pierre Sarrazac
Tradução e posfácio de Alexandra Moreira da Silva

«A arte só pode reconciliar-se com a sua própria existência
se voltar para o exterior o seu carácter de aparência, o seu
vazio interior»
Adorno, Teoria estética

A colecção Pulsar, dirigida pelo Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, inclui textos relevantes em torno da literatura e de outras artes. Estes pequenos livros, que se podem ler numa viagem de comboio ou a uma mesa de café, pretendem emitir um sinal luminoso, sentidos de um pensamento, fulgurações de palavras. Como os enigmáticos e distantes pulsares.
No início de Sobre a Arte do teatro[1], o Contra-Regra, que acaba de mostrar o local ao Amador de Teatro com o objectivo de lhe propor um breve olhar sobre o «mecanismo» («construção geral, palco, maquinaria dos cenários, aparelhos de luz e tudo o resto»), convida o seu hóspede a sentar-se «um momento na sala» e a interrogar-se sobre «o que é a Arte do Teatro»… A lição merece ser ouvida: não deveríamos nunca abordar a mínima questão de estética teatral sem antes nos termos instalado, ainda que mentalmente, em frente ao palco. Antes de reflectirmos sobre o teatro, é importante constatarmos novamente que este palco estreito – e no entanto destinado a servir de base a todo um universo – em repouso, parece um deserto. Noutros tempos, a cortina vermelha permitia dissimular este vazio aos olhos dos espectadores; entreabria-se apenas para deixar passar as miragens preparadas nos bastidores. Puramente funcional, a cortina de ferro interpõe-se hoje, no início da representação, entre o público e os artistas, simplesmente para melhor sublinhar a abertura, o vazio da cena moderna. Por detrás das cortinas de veludo, os nossos antecessores podiam adivinhar a abundância e a plenitude de um teatro alicerçado na ilusão. Actualmente, mal vemos subir a cortina de ferro, sabemos que aquele cenário, aquela cenografia nunca conseguirão preencher o vazio do palco nem satisfazer-nos completamente, a nós público, com os benefícios da sua aparência. O palco, mesmo (e sobretudo) o mais preenchido, continua vazio; e é justamente esse vazio – o vazio de toda e qualquer representação – que ele parece estar destinado a exibir perante os espectadores.
Aliás, desconfio que Gordon Craig e o seu Contra-Regra terão confrontado o seu Amador de Teatro com esta irremediável vacuidade do palco apenas para lhe incutirem a ideia de que a Arte do Teatro[2] já nada tem que ver com a plenitude e o jorro da vida, mas muito mais com os movimentos furtivos, erráticos e desencarnados da morte - «Esta palavra morte, nota Craig, surge naturalmente na escrita, por aproximação com a palavra vida constantemente reclamada pelos realistas».

Ilusão ou simulacro?

Partindo do principio de que a arte teatral do século XX continua a ter como base a imitação, o que deverá ser alvo de debate, esta imitação, no pensamento de Craig e de tantos outros – entre os quais um número importante de realistas – já não implica a submissão do espectador a uma ilusão, mas muito mais a observação crítica de um simulacro… Estaria tentado a dizer que a ribalta e a cortina vermelha foram, de facto, abolidas a partir do momento em que o espectador passou a ser convidado pelos actores ou por um outro mentor do jogo – contra-regra, encenador, autor, etc. – a interessar-se não tanto pelo acontecimento do espectáculo mas sobretudo pela forma como aparece o próprio teatro no coração da representação – pelo aparecimento daquilo a que chamamos teatralidade… Mudança de regime no teatro, que se liberta do espectacular associando o espectador à produção do simulacro cénico e ao seu desenvolvimento. Mudança implícita e difícil de circunscrever no caso de muitos criadores. Mudança perfeitamente identificável e explícita em Brecht, que deseja que «o teatro confesse que é teatro», e já antes em Pirandello: Não anuncia, o Contra-Regra de Esta noite improvisa-se[3], todas as noites ao público que vamos «tentar ver funcionar este jogo no seu estado puro, esta simulação, este simulacro, a que normalmente se chama teatro»?
Na transição do século XX, o teatro toma consciência, à semelhança das outras artes de representação, do seu vazio interior e projecta este vazio para o exterior. Uma tal reviravolta não teria tido lugar sem a junção, de Zola a Craig passando por Antoine, Lugné-Poe e Stanislavski, de um certo número de requisitos prévios essenciais: o aparecimento do encenador moderno, que tende a tornar-se no autor do espectáculo; a emancipação da cena relativamente ao texto; a focalização progressiva dos artistas na essência da sua arte, naquilo que é especificamente teatral; a autonomização completa – para além mesmo do compromisso e da indivisão proposta pela síntese wagneriana das artes ou Gesamtkunstwerk – do teatro e do teatral relativamente às outras artes e técnicas que contribuem para a representação… Sempre que tentamos definir a revolução que se produz neste momento da história do teatro damos particular atenção, merecidamente, à consagração do encenador e ao fim da tutela absoluta do dramático sobre o teatral; mas seria lamentável esquecermos um outro factor cuja importância só poderemos avaliar se estivermos face ao buraco negro do palco: a revelação da teatralidade graças ao esvaziamento do teatro.
De Roland Barthes, citamos de bom grado a famosa definição segundo a qual «a teatralidade é o teatro menos o texto». Contudo, será importante não esquecermos a sua luminosa apresentação do Bunraku, essa forma teatral onde, segundo Barthes, «as fontes do teatro estão expostas no seu próprio vazio» e onde «aquilo que é eliminado do palco é a histeria, ou seja, o próprio teatro, e o que é colocado no seu lugar é precisamente a produção do espectáculo: o trabalho substitui a interioridade»[4]. Se a teatralidade é o teatro quando este se transforma numa forma autónoma, então este processo de formalização não poderia concretizar-se, como se pode ler em Mitologias[5] (a propósito da luta livre tomada como paradigma de um teatro da exterioridade), sem «o esgotamento do conteúdo pela forma».
A ideia de um teatro crítico, que vai germinar nos anos cinquenta sob a protecção do TNP de Vilar, do Berliner Ensemble de Brecht e do Piccolo Teatro de Strehler, não se limita, como muitas vezes se pretendeu, à crítica do social pelo teatro. No espírito de Roland Barthes e de Bernard Dort, os dois principais instigadores desta ideia, a dimensão crítica e política da actividade teatral só tem sentido quando fundamentada numa crítica activa do próprio teatro e na libertação do potencial de teatralidade. Percebemos, então, que os animadores da revista Théâtre populaire[6] tenham escolhido como alvo todo um teatro psicológico e burguês cuja «interioridade», o «natural» e a continuidade proclamada entre a realidade e o teatro figuram como valores. No lado oposto, os artistas e escritores citados por Dort e Barthes – Brecht, evidentemente, mas também Pirandello ou Genet – não deixam de insistir na ruptura, na disjunção entre o real e a cena. Para dar a deixa ao mundo, para dar corpo à sua crítica da sociedade, o teatro deve, antes de mais, proclamar a sua insularidade: o palco já não está ligado à realidade pela peneira ou pelo sifão dos bastidores; já não é o lugar de um transbordamento anárquico do real mas um espaço virgem, um espaço vazio, uma página em branco na qual vão ser inscritos os hieróglifos em movimento da representação teatral.
(...)

segunda-feira, outubro 26, 2009

Parceria entre a Deriva e o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da FLUP

A colecção Pulsar

A Deriva e o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da Faculdade de Letras da Universidade do Porto iniciaram uma parceria que se consubstanciará na criação de duas colecções: a PULSAR, de livros de pequeno formato, de baixo custo e virada sobretudo para um público maioritariamente estudantil, onde serão publicados autores consagrados do teatro, da poesia e da literatura em geral. Os três primeiros livros a publicar serão, assim, de Jean-Pierre Sarrazac A Invenção da Teatralidade, seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis, com tradução e prefácio de Alexandra Moreira da Silva, Pascal Quignard, Um Incómodo Técnico em Relação aos Fragmentos, com tradução e posfácio de Pedro Eiras e de Antoine Compagnon, Literatura, Por Que Fazer? com tradução e prefácio de José Domingos de Almeida.
Igualmente no âmbito desta parceria inaugurar-se-á a colecção CASSIOPEIA que editará preferencialmente estudos literários. Assim, a primeira obra será Tentações, Ensaio sobre Sade e Raul Brandão de Pedro Eiras. Em breve faremos uma pré-publicação destas obras.

A colecção Cassiopeia

quinta-feira, outubro 22, 2009

Os próximos autores da Deriva


Antes de pormenorizar em outro post: vamos ter livros de Antoine Compagnon, Pascal Quignard, Pedro Eiras, Noam Chomsky, Santiago López-Petit, João Pedro Mésseder, Jean-Pierre Sarrazac e Paulo Kellerman. Esperem pelas notícias.