quarta-feira, junho 07, 2006

Luís Miguel Cintra

foto de Luísa Ferreira
Enorme, este senhor. Fez bem, na entrega oficial do prémio que lhe foi atribuído, falar do populismo que afecta a programação teatral, a facilidade com que se procura o público. Este texto deve ser lido com urgência e quero lê-lo todo.

Dele, da Cornucópia, lembro-me de ver O Público, de García Lorca. Demorei três horas a recuperar a fala. De uma violência e ritmo alucinantes. Consegui articular um pensamento digno desse nome, ainda num bar do Bairro Alto, quando toda a gente estranhava o meu estado pré-catatónico. Recuperei pouco a pouco. Não sei se ainda hoje luto por saber o que se passou lá, naquela noite.

Mas todo o Heiner Müller e Handke ficou-me na memória. Principalmente, A Missão e Mauser. Mas, também, O Terror e a Miséria no III Reich, de Brecht (há muito), Três Irmãs de Tchekov e Um Sonho, de Strindberg.

Dou comigo a pensar que o teatro, este teatro de Cintra, me fez diferente. Não poderia continuar a ser igual, antes de o sentir numa cadeira frente ao palco de que ele se apropria sem, no entanto, deixar de se sentir incomodado por não estarmos lá, com ele, com Luís Miguel Cintra, com a Cornucópia.
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