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sexta-feira, agosto 21, 2009

Pack Ser ou Não, de Xurxo Borrazás e As Rolas de Bakunine, de Antón Riveiro Coello. 10 euros

Pack de 10 euros em sua casa e sem custos

A extrema fluidez com que se lê Ser ou Não liga-se fundamentalmente com a estrutura narrativa directa e, por vezes, cruel com que Xurxo Borrazás trata as emoções e os desejos. A história centra-se na realização da própria obra literária numa aldeia perdida no interior da Galiza e onde duas personagens, o autor e uma velha aldeã, se encontram de uma forma estranha e intensa. A atribuição de um prémio literário acompanha paralelamente o desenrolar da história. A ironia encontra-se sempre presente numa obra já marcante da nova literatura galega. Tradução de Isabel Ramalhete.

As Rolas de Bakunine de Antón Riveiro Coello não é só a construção literária do anarquismo galego durante os anos da Guerra Civil de Espanha. É, também, uma excelente narrativa tendo por base a vida de Camilo Doldán que atravessa o século com a postura altiva dos que pouco têm a perder a não ser a dignidade de homens verdadeiramente livres. Um retrato real dos que deram a vida por uma utopia estampada nas páginas desta excelente obra na nova literatura galega a quem foi atribuído o Prémio García Barros. Tradução de Dina Almeida

Xurxo Borrazás é um dos escritores mais atentos e polémicos da Galiza actual

Xurxo Borrazás, nascido em Carballo, Galiza, em 1996, e inicia a sua obra narrativa com um forte impulso inovador. Em 1991 publica a sua primeira novela, "Cabeza de chorlito", e, posteriormente, no ano de 1994, ganha o Prémio da Crítica Espanhola e o Prémio San Clemente de jovens leitores com "Criminal". A partir da sua terceira novela, "Eu é" (1996) vai iniciar uma etapa em que a reflexão e o aforismo se misturam com a ficção com os livros "O desintegrista" (1999) e "Pensamentos impuros" (2002). A sua última etapa como narrador inicia-se com a novela "Na maleta" (2000), em que abandona a experiência formal para se aproximar de uma narração de tom coloquial que gera uma leitura fluida.


Está confirmado que Antón Riveiro Coello optou claramente pela romance histórico tendo ganho com As Rolas de Bakunine o Prémio García Barros
Antón Riveiro Coello, nascido em Xinzo de Limia, Galiza, em 1964, é um dos narradores mais destacados e premiados da nova literatura galega. Com "A quinta de Saler" foi finalista do Prémio de narrativa Torrente Ballester em 1998, no ano seguinte, "Animalia" obteve 0 Prémio Café Dublin de Narrativa e "As Rulas de Bakunin" seria Prémio Garcia Barros de Novela no ano de 2000. "Homónima", novela que lhe deu o Prémio Álvaro Cunqueiro de Narrativa publicou-se também nesse ano de 2000. No ano de 2003, a sua última novela, "A Esfinxe de amaranto".

sexta-feira, maio 05, 2006

Rolas de Bakunine e Ser ou Não - Jornal das Letras



Do JL de 26 de Abril a 9 de Maio:

«Notável. É o mínimo que se pode dizer do trabalho que a Deriva tem vindo a desenvolver no campo da divulgação de autores galegos em Portugal. Traduzindo clássicos ou apostando em novos valores, com edições cuidadas e traduções rigorosas, é uma aproximação às raízes que nos ligam àquela região espanhola. Duas novas vozes surgem agora, com a edição dos livros As Rolas de Bakunine e Ser ou Não. O primeiro tem por base a vida de Camilo Sábio Doldán, pretexto para se descrever a activismo anárquico durante a Guerra Civil espanhola. O segundo, por seu turno, desconstrói o conceito de romance, narrando o autor a sua própria criação, sem esquecer a atribuição de um prémio literário.»

Antón Riveiro Coello, As Rolas de Bakunine, trad. de Dina Almeida, 176 pp, 15 euros.
Xurxo Borrazás, Ser ou Não, trad. de Isabel Ramalhete, 134 pp., 13 euros.

pedidos a deriva@derivaeditores.pt

quarta-feira, abril 05, 2006

Entrevista a Xurxo Borrazás, autor de Ser ou Não.


Fixem este nome: Xurxo Borrazás. Provavelmente desconhecido para a maioria dos leitores e dos bloggers. Xurxo é da Galiza, mais propriamente de Carballo e nascido em 1963. Dele conheço a excelente novela «Eu é», assim mesmo, cujos protagonistas se aventuram a horas tantas pelo Porto. Li também «Criminal», salvo o erro, segundo livro dele. Conheci-o pessoalmente num encontro de escritores galegos e portugueses lá para os lados de Vila Nova de Cerveira, apresentado pelo sempre amigo e editor da Galaxia, Carlos Lema. Silencioso, não enganava os outros - tratava-se de um observador compulsivo das pessoas que o rodeavam. Simpatizei logo com ele. Esta entrevista prova o excelente escritor que é e de como se empenha na literatura. Faz dela vida, como poucos. Não resisto a transcrever um excerto do Ser ou Não, há pouco editado pela Deriva e que tem tradução rigorosíssima de Isabel Ramalhete:

«As relações dos homens com as mulheres são uma fonte inesgotável de enigmas, um poço sem fundo. Têm-no dito os intelectuais que eu admiro. Estão incluídos os misóginos, a aristocrática maioria dos filósofos, literatos, cientistas, políticos, médicos, artistas, que encheram obras e tratados, formaram a nossa tradição cultural e modelaram a nossa ideia de razão. No poço sem fundo eles viam um abismo lamacento ligado ao inferno, a desculpa alheia para as próprias misérias. Não ser misógino sendo culto constitui um mérito. estes apologistas do sexo fraco nem consideraram que há mulheres e mulheres nem devem ter nascido de uma mãe.»

Ser ou Não, pág. 72, Deriva Ed. 2006, trad. de Isabel Ramalhete.

ALC - Xurxo, estás de acordo que este teu livro é polémico? Tiveste essa noção quando o escreveste? Procuraste a polémica ou o que está lá foi aquilo que sentiste que devia ser dito, desafiando a tua própria liberdade de escritor, não olhando a peias, a obstáculos criativos ou, talvez pior, a qualquer processo de auto-censura?

XB - As dimensións do campo literario galego son pequenas. É por iso que falar de libros polémicos é un tanto pretencioso. Se nos estivesemos a referir a un sistema literario amplo, ou normal, entón si, entón seguramente sería un libro case escandaloso, creo que sen motivo. Non tanto porque eu o procurase como porque non me autocensurei ao escribilo. Simplemente con evitar chamarlle ás partes do corpo polo seu nome e con que o sexo das personaxes principais fose o contrario, deixaría de ser escandaloso. Pouco escándalo é ese.

ALC - O livro é extraordinariamente bem escrito (e isto é a minha opinião) e releva para um campo já não muito usual da escrita, digamos, «actual». A sinceridade brutal e cruel que existe sempre entre duas pessoas que constroem uma relação obsessiva. Tens essa noção? Que pretendem as duas personagens da vida? De eles próprios?

XB - A relación entre as dúas personaxes protagonistas é obsesiva por parte do home. Tanto no home coma na muller é unha relación baseada no desexo. Non é tanto un romance de sexo explícito coma de exploración do desexo. Entre as personaxes flúe o desexo reprimido durante décadas, e iso é explosivo. Ambos teñen que tirar a máscara do pasado e a da idea que teñen de si mesmos: a realidade material imponse a outro xeito de vida que consiste en construir a realidade a base de abstraccións encadeadas. O fluxo do desexo é máis forte cá propria satisfacción do desexo.

ALC - Ser ou Não é atravessado por uma ironia cortante. Comovemo-nos com a solidão pesada das personagens e rimo-nos com algumas situações construídas na tua obra, principalmente nos diálogos para a atribuição de um prémio literário ou nas elucubrações comuns de um viciado na net. Utilizas a ironia como uma faca que agride as pessoas. O leitor sai cansado de sentimentos confusos. Dás-te conta?

XB - Son os lectores que teñen unha relación máis "profesional" ou máis ligada á institución literaria e á tradición os que achan a miña escrita, especialmente neste romance, como impactante. Moitos outros, os máis desprexuizados... non moral senón culturalmente, áchana fundamentalmente divertida. Ás veces o meu emprego do humor ou da ironía, é certamente agresivo: é o lado non social da persoa, os sentimentos e os soños non refreados pola educación. Entendo que algúns lectores se sintan feridos. Eu procuro escribir coma se os lectores non existisen.

ALC - Utilizas uma ironia ácida para as ancestrais figuras da cultura galega e mesmo para o galeguismo. Tenho de perguntar-te se isso corresponde a qualquer posição política que assumiste como autor ou é fruto de uma evidência de uma personagem «não-alinhada» com ninguém... e que não existe realmente. Só existe no Ser ou Não.

XB - Un ás veces pásase de irónico, ou carece do talento para explicarse ben. O que eu buscaba no romance era basicamente unha crítica aceda do nacionalismo españolista, non do galeguista. Por iso o personaxe principal, do que saen as críticas ao galeguismo, é un tolo paranoico. Eu, coma calquera autor, formo parte das contradiccións do galeguismo e da cultura galega. E síntome perfectamente aliñado nun galeguismo máis radical có actualmente presente nas institucións. O que non aturo son as tendencias homoxeneizadoras e reducionistas dos partidos políticos ou das institucións culturais. A miña idea da cultura é libre e independente.

4 de Abril de 2006.