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| Capa da edição galega da Galaxia e foto do autor |
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| Capa de Gémeo Luís na Deriva Editores (2006) |
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| Capa de Gémeo Luís na Deriva Editores (2006) |
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A extrema fluidez com que se lê Ser ou Não liga-se fundamentalmente com a estrutura narrativa directa e, por vezes, cruel com que Xurxo Borrazás trata as emoções e os desejos. A história centra-se na realização da própria obra literária numa aldeia perdida no interior da Galiza e onde duas personagens, o autor e uma velha aldeã, se encontram de uma forma estranha e intensa. A atribuição de um prémio literário acompanha paralelamente o desenrolar da história. A ironia encontra-se sempre presente numa obra já marcante da nova literatura galega. Tradução de Isabel Ramalhete.
As Rolas de Bakunine de Antón Riveiro Coello não é só a construção literária do anarquismo galego durante os anos da Guerra Civil de Espanha. É, também, uma excelente narrativa tendo por base a vida de Camilo Doldán que atravessa o século com a postura altiva dos que pouco têm a perder a não ser a dignidade de homens verdadeiramente livres. Um retrato real dos que deram a vida por uma utopia estampada nas páginas desta excelente obra na nova literatura galega a quem foi atribuído o Prémio García Barros. Tradução de Dina Almeida
Xurxo Borrazás é um dos escritores mais atentos e polémicos da Galiza actual
Xurxo Borrazás, nascido em Carballo, Galiza, em 1996, e inicia a sua obra narrativa com um forte impulso inovador. Em 1991 publica a sua primeira novela, "Cabeza de chorlito", e, posteriormente, no ano de 1994, ganha o Prémio da Crítica Espanhola e o Prémio San Clemente de jovens leitores com "Criminal". A partir da sua terceira novela, "Eu é" (1996) vai iniciar uma etapa em que a reflexão e o aforismo se misturam com a ficção com os livros "O desintegrista" (1999) e "Pensamentos impuros" (2002). A sua última etapa como narrador inicia-se com a novela "Na maleta" (2000), em que abandona a experiência formal para se aproximar de uma narração de tom coloquial que gera uma leitura fluida.

Com As Rolas de Bakunine, Antón Riveiro Coello ganhou o Prémio García Barros de Novela, nos idos de 2000. Não seria o primeiro, nem este foi o último. Entretanto este galego de Xinzo de Limia (muito perto da nossa «fronteira»), nascido em 1964, foi finalista do Prémio Torrente Ballester em 1998, obteve o Prémio Café Dublin, com o seu livro «Animalia» e o Prémio Álvaro Cunqueiro, com a ficção «Homónima». As Rolas de Bakunine não é só a construção literária do anarquismo galego, se é que existe um «anarquismo galego» para uma teoria política que recusa a identificação nacionalista ou regionalista. O interesse do livro está, para nós, no ambiente de efectiva luta e de construção de uma sociedade nova durante a Guerra Civil de Espanha. Como Antón pergunta na entrevista, duvidamos hoje ser capazes de deixarmos os nossos cómodos lares para lutar por um ideal como fizeram aqueles homens e mulheres da Galiza. Resta o ajuste de contas, afinal, com a História. Do mesmo modo que ela pode também entrar na nossa porta. Um livro a ler, portanto.
ALC - As Rolas de Bakunine exigiram-te um especial trabalho de investigação sobre o anarquismo na Galiza. Falaste com pessoas que viveram, de facto, os acontecimentos que descreveste no teu livro. Isso criou-te uma afectividade particular com essas pessoas?
ARC - Si, nun primeiro momento, houbo un fondo estudo da memoria escrita e despois un intenso traballo físico de investigación no que fixen un percorrido polas aldeas e falei con persoas nonaxenarias que me entregaron os segredos do seu pasado. E foi nesta altura, na revalorización da memoria oral, onde naceron os máis dos personaxes. E ese o único xeito que temos os escritores de vivir outros tempos e amorear esas memorias emprestadas para traballar sobre elas coma unha materia viva. Está claro que no camiño un fai moitos amigos e créanse certos vínculos de afectividade. De calquera xeito, cando volvo polos lugares da novela prefiro non preguntar por estes amigos que, debido á idade, van desaparecendo.
ALC - Ao ler o livro a impressão que nos dá é o enorme respeito que tens por indivíduos que deram tudo (inclusive a sua vida) pelo ideal anarquista. Mas, curiosamente, foges aos estereótipos comuns que estão assentes nas ideologias daquela altura. Há também um certo carinho pelos comunistas que neste processo são vítimas do franquismo e não inimigos do anarquismo como em Barcelona ou em Madrid, não?
ARC - A represión iguala as vítimas e calquera diferenza política que puidese haber entre comunistas e anarquistas perde a súa natureza unha vez se produce o alzamento fascista (aínda que non hai que esquecer que, mesmo iniciada a guerra, os comunistas teimaban na necesidade de poñer freo á revolución para gañaren primeiro a guerra, mentres que os anarquistas estaban convencidos de que gañaren a guerra e faceren a revolución eran dous termos inseparables dentro do esforzo bélico republicano).
Con todo, a admiración por esta xente que loitou pola liberdade e a igualdade é unha admiración grande. A eles debémoslles moito. E, aínda que hoxe se pretende relativizar os méritos, non sei cantos de nós estariamos dispostos a abandonar as nosas familias e as nosas casas por uns ideais. Nin eu estou tan certo de me botar ao monte, como fixeron moitos. A distancia moitas veces fainos crer que o heroísmo está ao alcance de todos e non sempre é así. Por iso, a miña admiración por todos eles arrastra un sentido agradecemento dentro da novela.
ALC - Certos autores, inclusive aqui em Portugal, defendem que não houve guerra civil na Galiza, mas sim pura e simples repressão franquista. Penso que o teu livro dá-nos a ideia de uma luta de guerrilha em pequenos grupos (um deles de Dóldan) e que foram facilmente presos. Concordas com essa posição?
ARC - Si, concordo totalmente. En Galicia a guerra, en sentido bélico, non durou máis de dúas semanas. Despois viría a dureza da represión, que estendeu os seus xuízos sumarísimos a todos aqueles que apoiaran, sobre todo, a causa republicana. A súa acusación era, curiosamente, de “rebelión militar”. E é certo que os fuxidos que se botaron ao monte, entre eles, moitos anarquistas, organizaron unha dispersa loita de resistencia formada por guerrillas. De calquera xeito, na miña novela os movementos de Camilo e mais dos seus amigos prodúcense no ano 1934, logo dos graves acontecementos de Asturias. Estes asaltos e sabotaxes dos meus personaxes son feitos históricos que aparecen nos documentos e nos periódicos da época. O único que fixen nestes casos foi darlles un verniz literario e miralos con ollada de cámara para conseguir a maior obxectividade posible.
ALC - Estes homens e estas mulheres foram anarquistas até ao fim. Mesmo depois de emigrarem, de sairem da Galiza (e voltarem), mantiveram-se fiéis aos seus ideais. O que deixaram eles na sociedade galega de hoje?
ARC - Eu sempre digo que esta novela nin é unha novela do anarquismo, nin da guerra civil. É fundamentalmente a historia dunha xente que, a pesar das continxencias históricas, foi capaz de atravesar case un século mantendo as súas ideas intactas. E ese é o seu mérito. Despois poderemos estar de acordo con eses ideais ou non, pero non nos queda
outro remedio que respectalos. O que si estamos obrigados a admirar nestes militantes e nas bases do anarquismo é a súa visión racional do mundo e mais a convicción de que a ignorancia é incompatible coa liberdade. Non houbo ningún movemento obreiro que lle dese tanta importancia á cultura como llo deu a CNT. Ser anarquista era toda unha filosofía de vida. Reuníanse nos ateneos, asistían a conferencias, aprendían a ler, non descoidaban o contacto coa terra, e promulgaban aquelas fermosas palabras de liberade, solidariedade, fraternidade... Cecais ese desexo de instrución para seren libres foi unha das pegadas que os anarquistas deixaron na sociedade galega.
5 de Abril de 2006