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domingo, março 08, 2026

"Geada", Thomas Bernhard

 

Dois Dias edições, 2023. Tradução de Bruno C. Duarte. Posfácio de Marcos Foz. 
O primeiro romance de Thomas Bernhard, editado em 1963. Hesito em afirmar que «Geada» talvez seja o mais complexo que li dele, o mais profundo, pela densidade dos pensamentos expostos em que as relações sociais são afloradas com pleno desprendimento e genuinidade do autor. A geada é o frio, o gelo, com que é determinada a interacção entre o pintor Strauch e as diversas pessoas que com ele se cruzam todos os dias numa estalagem que o repugna. Esta estalagem encontra-se numa terra estranha, imaginada, Weng, montanhosa e fria, hostil, como hostis são os que a habitam. Weng é a sociedade e tal como o sanatório de «A Montanha Mágica» de Mann, também aqui é atravessada por incompreensões e tensões que são trazidas para palavras e acontecimentos. Strauch sofre com a frigidez das relações entre a sua família e particularmente com o seu irmão, construindo uma rede cúmplice entre ele e o médico estagiário, tornado narrador (sem nome) do romance de Bernhard. Serão vinte e sete dias registados nos «relatórios» do médico estagiário que constituem o âmago de «Geada», mais umas quantas cartas ao irmão do pintor Strauch e alguns pensamentos aparentemente aleatórios. Na segunda carta, o narrador escreve uma afirmação daquele: «(...) É mesmo isso: tudo me dá que pensar, e o mesmo acontece neste caso em particular. Cores, cheiros, graus de frio - esta geada que avança, que avança em tudo e em todos e por toda a parte, com a sua inaudita possibilidade de ampliação dos conceitos, é da maior, e continua sempre a ser da maior importância.» (pág.304) É nessa geada que tudo cobre que se poderá antever o que de mais determinante é tido pelos pensamentos niilistas de Strauch, seguramente misantropo, anti-racional, e profundamente amoral no sentido em que ultrapassa as noções básicas do bem e do mal, mesmo que aponte essa imoralidade a toda a sociedade que o envolve nas figuras desconcertantes da estalajadeira, do esfolador, do engenheiro ou do médico-chefe, seu irmão odiado. É neste conjunto que emerge a figura do homem nietzschiano, sofredor e ausente de qualquer postulado social e que não o leve ao consenso social, para ele o seu fim. Pelo contrário, Strauch vê na sua acção o princípio da possibilidade suicida, ao deslocar-se na geada fria, na neve que o assola, no frio do seu quarto não aquecido propositadamente pela estalajadeira, pelas ravinas, pelos estreitos da montanha, e pelo perigo da queda iminente. A geada também pode ser a «queda de um império», diz ele.

Interessante é verificar a construção ideal do homem político para o pintor que, para o ser totalmente, terá que incluir a base do sonho: «Ora eu diria então que um homem que é em igual medida político e sonhador é aquele que podemos classificar como o que está mais perto da perfeição (...)» (pág.306) Tal como o seu pensamento em relação ao Estado: «É tudo uma pirosice bárbara. Sim. (...) O próprio Estado é imbecil, e o povo é patético. O nosso Estado é ridículo. E, ainda por cima, tudo isto finge ser altamente musical. Depravação pequeno-burguesa... para mim é demasiado repulsivo: a camada de gordura da classe alta e a estupidificação geral, desenfreada da população... estamos numa fase de abandono absoluto. O nosso Estado (...) é um hotel da ambivalência, o bordel da Europa, com uma excelente reputação além-mar.» (pág.270)

Strauch tinha sido um professor substituto, antes de se tornar pintor, e as suas elucubrações sobre a escola e a profissão não deixam de impressionar pela veemência com que são expostas, chegando a defender que a escola deveria ser substituída por matadouros para que os alunos tivessem acesso às maledicências próprias do mundo. Mas não só: «Os edifícios escolares são grandes edifícios de medo. Mesmo para mim, enquanto adulto, os edifícios escolares eram grandes edifícios de medo. O medo dos edifícios escolares, assim como o medo da escola em geral, é o medo mais terrível que existe. A maioria das pessoas morre disso. Se não em criança, então mais tarde. Até com sessenta anos se pode morrer de medo da escola.» (pág.177) «Em toda a minha vida nunca odiei nada como odeio os professores. Os professores que sempre me pareceram ser o cúmulo de toda a estupidez disciplinada até ficar 'em sentido' e até às cuecas. Uma ridicularia que é um perigo público e que ainda por cima tem grandes pretensões.» (pág.201)

A sua diatribe abarca igualmente os artistas e as gentes, em geral: «(...) Os artistas são os grandes indutores do vómito do nosso tempo, forma desde sempre os grandes, os maiores indutores do vómito... Os artistas, não serão eles um devastador exército do ridículo, da escumalha? (...) Os artistas são os gémeos idênticos da hipocrisia, os gémeos idênticos da baixeza, os gémeos idênticos da exploração protectorada, da maior exploração protectorada de todos os tempos. Os artistas, tal como os conheci, são todos insípidos e pedantes, nada mais que insípidos e pedantes, nada mais...» (pág.135), «Quando aparecem à minha frente, todas as pessoas que conheço parecem iguais. E mesmo o que está dentro delas parece sempre o mesmo, seja de quem for. Dentro de todos eles está uma e a mesma coisa. Enoja-me. Quando deixo que se afastem, quando digo 'retirem-se', fica no ar um cheiro que obscurece tudo.» (pág.82)

alc

domingo, dezembro 14, 2025

"O Náufrago", Thomas Bernhard

 

Relógio D'Água, 2024. Tradução de Leopoldina Almeida 

Thomas Bernhard foi aluno de Horowitz, juntamente com Glenn Gould e Wertheimer, no Mozarteum de Salzburgo e no Conservatório de Música e Artes Dramáticas de Viena. Bernhard e Wertheimer sendo pianistas de grande talento, sucumbiram, no entanto, à arte de excelência, dificilmente igualável de Glenn Gould. E foi a partir desta impossibilidade que deixaram de pensar em voltar a tocar piano. É Gould que se encontra na capa deste livro e basta percorrer alguns filmes sobre ele «off the record» e «on the record», para sentir o que estamos a afirmar: dobra-se sobre o piano de uma forma quase animal, vocaliza as notas, ergue o corpo sobre a cauda do piano, ajusta-se, funde-se com o instrumento que o torna num só corpo. 
A partir de Glenn Gould, Thomas Bernhard cria uma narrativa torrencial, disruptiva, desafiando-nos a percorrer pensamentos sobre o suicídio, a decadência, a loucura e a doença, a tensa relação com os outros. E a relação com os outros, principalmente com a sociedade vienense e austríaca, é complexa. Já tínhamos lido «Betão» e «Derrubar Árvores» do mesmo autor e sentimos como essa tensão se abria à nossa frente, através das suas palavras quer irónicas, quer violentas, sobre a intelectualidade e a sociedade austríacas. Toda ela, aliás. Não é o único autor da Áustria que assim se comporta: temos outros exemplos de divórcios litigiosos com essa mesma sociedade a que chamam de hipócrita e decadente. Assim foi com Elfriede Jelinek, Georg Haas, Ingeborg Bachmann e outros. Talvez seja esta a prova que a Áustria ainda não se refez de alguns traumas que pretende esconder a todo o custo, o que não a impede de apresentar uma das melhores literaturas. E este livro é disso prova.

«Dia e noite escuto o lamento dos grandes pensadores que fechámos nas nossas bibliotecas, essas ridículas sumidades de espírito, como cabeças mirradas dentro de uma vitrina, assim dizia ele [Wertheimer], pensei. Toda essa gente profanou a natureza, dizia ele, cometeu crime maior contra o espírito, e por isso são punidos por nós e encerrados para sempre nas nossas bibliotecas. Porque morrem sufocados nas nossas bibliotecas, essa é que é a verdade. As nossas bibliotecas são como presídios em que encerrámos as nossa sumidades de espírito, o Kant numa cela de isolamento, como é natural, tal como Nietzsche, tal como Schopanhauer, como Pascal, como Voltaire, como Montaigne, as figuras mais insignes em celas isoladas, todos os outros em celas colectivas, mas todos ali metidos para todo o sempre, meu caro, para toda a eternidade até ao fim dos tempos, eis a grande verdade. (...)» (pág.57)

«Mas tudo o que dizemos é um absurdo, dizia ele, pensei, seja o que for que dissermos é tudo um absurdo, e toda a nossa vida é uma absurdidade total. Percebi isso muito cedo, mal comecei a ser capaz de pensar logo o percebi, só falamos em absurdos, tudo o que dizemos é absurdo, mas também tudo o que é dito pelos outros é um absurdo, tal como tudo é dito de uma maneira geral, neste mundo só se têm dito absurdos, até hoje, assim dizia ele, e, na realidade como é natural só se têm escrito absurdos, todas as obras escritas que possuímos mais não são do que absurdos porque só podem ser absurdos, e a história tem-no provado, dizia ele, pensei.» (pág.58)

alc

segunda-feira, setembro 16, 2024

«Derrubar Árvores - Uma Irritação», Thomas Bernhard

 

Sistema Solar/Documenta, Abril de 2024, Tradução e Prefácio de José A. Palma Caetano.
(Não segue o AO90)
Se isto é uma simples irritação, o que se encontraria se Thomas Bernhard estivesse em fúria! Não diz mal quem quer, só quem pode. E este autor austríaco é cáustico para com a sociedade literária vienense. O livro não tem parágrafos, é uma torrente de escárnio arrasador apontada aos «artistas» austríacos principalmente, aos que, mostrando uma verve e uma prática de antigos «rebeldes» se tornam odiosos para os seus pares e mesmo para quem lhes dá subsídios que lhes permitem ter uma vida desafogada, assente em quimeras estafadas ou já ultrapassadas há muito. Balofos e inúteis. Thomas Bernhard nem consigo se mostra condescendente ao voltar a encontrar em Viena, após 30 anos em Londres, e muito menos com essa gente de que foi amiga e com quem conviveu. O suicídio de «Joana», uma amiga comum, leva-o a descrever um «jantar de artistas» vienense pretensamente em sua homenagem. Uma lembrança que leva a outras recordações e é esse o mote do livro. A obra foi escrita em 1984, nos anos 80 que o autor abomina, e foi proibida por interposição em tribunal do compositor Lampesberg que se reconheceu na figura de Auersberger. O prefaciador e tradutor José A. Palma Caetano explica bem o escândalo e ficamos atónitos como foi fácil proibir uma obra, retirando-a da circulação (em Portugal aconteceu isso com o opúsculo «O Bispo de Beja» editado pela saudosa &etc. e a acção da PJ cobriu-se, então, de ridículo) com a argumentação que alguém se revia numa personagem! Mesmo depois da justiça dar o dito por não dito e voltar a estar disponível a obra, Thomas Bernhard foi mais longe e proibiu a venda, na Áustria, não só do «Derrubar Árvores», mas da totalidade dos seus livros.

Tenho pensado bastante sobre o particular desconforto que os melhores escritores e compositores austríacos têm para com o seu país. Não foi só Thomas Bernhard a mostrá-lo. Relembro aqui a ostracização e perseguição a que foram sujeitos Ingeborg Bachmann, Karl Kraus, o compositor Georg Friederich Haas (que eu tive a sorte de ver a composição, na Casa da Música, o seu «In Vain» contra a FPO de Haider e a extrema-direita) hoje exilado nos EUA, a nobelizada e autora de «O Piano» e «Manual de Sabotagem» Elfriede Jelinek (que editei na Deriva e que em três livrarias de Viena, ninguém sabia quem era, ou teriam algum livro à venda!), Musil, Broch, Peter Handke (este último quase proscrito), Marlen Haushofer e outros, tantos outros. No caso de Thomas Bernhard e particularmente neste livro ele dá razões de sobra para que tal aconteça na democrática (mas não tanto assim) Áustria. Lembremo-nos que todos eles ressaltam o antissemitismo e nazismo larvar que ainda hoje permanece na Áustria, sem que este país tenha sequer sentido a culpabilização sobre a Alemanha ou uma desnazificação com esse nome. Além disso, não será por acaso que a Áustria foi dos primeiros países, se não mesmo o primeiro, a aliar a democracia-cristã com a extrema-direita.

«Ser artista significa na Áustria, para a maior parte, submeter-se ao Estado, seja ele qual for, e ser por ele sustentado durante toda a vida. O ser artista na Áustria é um caminho abjecto e hipócrita de oportunismo estatal, que é pavimentado de bolsas de estudo e prémios e atapetado de condecorações e que termina numa sepultura de honra no Cemitério Central.» (pág.170)

Tal como em «Betão», já aqui falado e analisado, para além da impotência das personagens de Thomas Bernhard em modificar seja o que for, visto haver sempre os empecilhos burocráticos de Estado e da sociedade baseada no dinheiro e no seu poder, para além disso, é possível retratar igualmente Portugal, os seus elementos ditos artísticos e literários, e fazê-los emergir no palco mais ou menos hipócrita, mentiroso e ignorante de que é feito o «milieu», em francês, que soa melhor. Quando escrevi, ao início, que não diz mal quem quer, mas quem pode, lembro-me, para só citar os contemporâneos, de um Luiz Pacheco e o seu «sonâmbulo chupista», uma Natália com o deputado Morgado, Cesariny com o «Virgem Negra» ou Almada a zurzir no Dantas. Com uma diferença: Thomas Bernhard é atravessado por uma melancolia e uma tristeza que nada têm a ver com os nossos. Mas isso é característico das terras alpinas, não é? Morre em 1989. Fica a sua obra extraordinária.
alc

segunda-feira, janeiro 02, 2023

«Betão», de Thomas Bernhard


Pela segunda vez, no espaço de duas semanas apenas, vejo-me a ler mais um livro titulado de «Betão»! Não sei se é mau ou bom sinal, mas tanto me importa. O primeiro «Betão», de Anselm Jappe, como é evidente para quem o conhece, nada tem a ver com este de Thomas Bernhard. Este último, situa-se numa espécie de tragicomédia, onde se instala a procrastinação, a doença, a depressão, os terrores do mundo pequeno que envolvem a personagem, Rudolfo, um escritor que se prepara há dez anos para escrever a primeira frase de um romance sobre Mendelsshon. Odiando a irmã com quem por vezes vive, não consegue, contudo, deixar de estar com ela, mas, quando está. espera ansiosamente que se vá embora. As duas situações impedem-no de criar ou começar o tal romance, que não é um romance, nem um conto, ou um ensaio de música embora trate de música!

É provável que se veja aqui a influência de Kafka, mas eu lembrei-me várias vezes de Bartleby, de Melville, e daquele seu icónico «I prefer not to». Gostei de ler Thomas Bernhard mesmo um livro sem qualquer parágrafo. Daí o ter lido logo de seguida? Numa só noite? Pese embora (ironia minha aplicada ao betão, mesmo que a ironia tenha falhado pela necessidade de explicação) a torrente de pensamentos do autor, concorde-se com ele ou não (com a personagem, bem-entendido) sobre a raiva a Viena, cidade que eu gosto muito, ele não deixa de ser um excelente autor que tem uma visão muito particular sobre o Outro:

«Por um lado, sobrestimamos o outro, por outro, menosprezamo-lo e estamos sempre a sobrestimarmo-nos e a menosprezarmo-nos, e quando nos deveríamos sobrestimar, menosprezamo-nos, tal como nos deveríamos menosprezar quando nos sobrestimamos. E, de facto, sobrestimamos todo o tempo, principalmente o que projetamos fazer porque, na verdade, cada trabalho do espírito é, como qualquer outro trabalho, sobrevalorizado em exagero e não há no mundo nenhum trabalho do espírito a que este mundo sobrevalorizado não pudesse renunciar, tal como não há ninguém, nenhum espírito, a que não se devesse renunciar neste mundo; aliás, a tudo se deveria renunciar caso tivéssemos força e coragem para isso. (pág.29)»

Rudolfo, que está há dez anos para iniciar a primeira frase de um livro sobre Mendelsshon não gosta de lugares que não seja a sua casa na aldeia de Peiskham, na Áustria. Abre uma exceção para Sintra e Palma. Quando diz que vai por quatro meses, ao terceiro dia já se encontra na sua casa aquecida (não muito) e no seu escritório em pânico com uma possível chegada da irmã e dos seus convidados, todos ricos, negociantes e filantrópicos. Como neste estado não consegue escrever assim, vai pensando «As pessoas que dizem constantemente que estão prontas para todos os sacrifícios e que constantemente sacrificam tudo, em última análise até as suas próprias vidas, etc, esses santos que, para se sacrificarem e por espírito de sacrifício, se empurram uns aos outros como os porcos diante da selha, existem em todos os países e continentes, podem ter todos os nomes possíveis e imagináveis, podem-se chamar Albert Schweitzer ou Madre Teresa, essas pessoas repugnam-me profundamente. (pág.39)».


A depressão de Rudolfo (pode ser Thomas Bernhard, não brinquemos, toda a sua obra é autobiográfica, li-o!) faz-lhe dar vivas à indústria química da Suíça, de Montreux e Vevey que o mantém ainda vivo, senão estaria sob uma placa de betão num qualquer cemitério também cheio de betão! «Como hoje em dia quase toda a humanidade está doente e depende de remédios, deveria instantemente pensar que, na maior parte dos casos, existe exclusivamente devido a essa química que tanto amaldiçoa. (...) Mas o ser humano é mesmo assim, amaldiçoa mais o que o mantém e mesmo o que o mantém em vida. Devora os comprimidos que o salvam e, a todo o momento, desfila pelas grandes metrópoles decadentes de hoje, levado pelo seu estúpido impulso de condenação, para se manifestar contra esses comprimidos que o salvam (...) (pág.74)».

Por vezes, penso que um homem como Bernhard que teve uma infância difícil, tratado como ilegítimo, traumatizado pela morte precoce da mãe, vivendo com os avós que, com dificuldade, lhe deram uma educação musical e cultural sólida, pela estadia traumatizante num colégio nacional-socialista que rejeitou e a tuberculose séria que o acompanhou desde 1944, moldaram-lhe a maneira de ser e de escrever. É óbvio. Tal como é evidente a sua relação com a Áustria a quem nunca perdoou a sua aventura nazi e que continuava com um antisemitismo larvar. Por causa disso proibiu que muitas das suas peças tivessem palco em território austríaco! Contudo, premiado e reconhecido ao contrário de uma Nobel, nem citada na wikypedia junto com outros, Elfriede Jielinek! Que estranho país que trata assim os seus escritores. Morreu em 1989.

Editora Minotauro. Tradução de Maria Olema Malheiro. Edição original de 1982, ed, portuguesa 2019. Foto da Campo das Letras.

alc