O mundo a desabar entre o autoritarismo e a violência das guerras e da repressão e nós aqui entalados entre um odioso e ridículo Ventura e um autodenominado moderado e humanista pela mão de Seguro. Mesmo que a escolha entre um e outro seja clara na defesa do que ainda há de liberdade nas sociedades actuais, não deixa de ser singular a falta de debates em temas verdadeiramente importantes e que terão a ver com a nossa vida, como a recusa da guerra e do militarismo, a possibilidade cada vez mais necessária de decrescimento económico, a crise climática e o papel do capitalismo verde (a IL, de mansinho, veio colocar a agenda na substituição das energias renováveis pelo extractivismo, pelo carvão e pelo petróleo), a profunda crise do capitalismo liberal que pretende destruir o estado social e a pobre discussão em torno da Constituição já completamente empobrecida com sucessivas revisões. Mesmo o abandono do interior e a destruição de equipamentos sociais e comunitários no interior do país (na Europa é igual) e de que se gosta de proclamar soluções em períodos eleitorais, este discurso é inexistente. Por muito que custe a alguns sectores da sociedade (não tão pequenos como isso) o anticapitalismo é ultrapassado a grande velocidade pelo antifascismo, e aí se vê a importância política do Chega e dos espécimes que o compõem e que ainda não compreenderam o seu triste papel: construir uma união forçada em torno da ideia democrática pela anulação dos seus opostos.
quinta-feira, janeiro 29, 2026
sexta-feira, janeiro 23, 2026
Nota de rodapé 20/01/2026
É quase uma pequena nota no Público de hoje: "a revista científica Lancet [estima] que 14 milhões de mortes possam ocorrer até 2030 com o fim dos programas alimentares e de saúde da USAID". Não posso deixar de ligar isto a um facto descrito em "Terra Queimada", de Jonathan Crary, que citando o "Lugano Report", de 1999, dá conta das perspectivas neoliberais desenhadas pelos autocratas e conselheiros trumpistas que defendem a redução drástica da população mundial afirmando, sem qualquer pudor, que "não podemos defender o sistema liberal de mercado livre e, ao mesmo tempo, continuar a tolerar a presença de milhões e milhões de pessoas supérfluas e improdutivas".
alc
segunda-feira, outubro 06, 2025
Sobre Gaza
domingo, setembro 21, 2025
Pode ser sempre bem pior
The Worst is not / So long as we can say ''This is the worst''
Shakespeare, Rei Lear
Quando um lagostim, uma morcela e um vinho branco baratinho de 75 euros, se juntam na forma de Isaltino para borregar um fascista que diz que o vai meter na prisão, como se algemar e confinar na prisão as pessoas fosse a única verdade que lhe sai da boca e a previsível forma de cumprir verdadeiramente o seu programa político, conseguimos antever o que aí vem e ao que chegámos. Quando vejo a esquerda a glorificar a morcela de Oeiras, então batemos no fundo, cujo alçapão escondido se abriu para bater ainda mais fundo e assim sucessivamente até que o poço em que caímos todos se transforme em masmorra. Claro que então será tarde demais. Shakespeare tinha toda a razão quando Edgar diz: «Não é o pior enquanto conseguirmos dizer ''Isto é o pior''.» Muitas lições retiramos com a leitura avisada deste inglês ainda assim com origem galesa.
A questão não está tanto na multiplicação deste tipo de ''reels'' nas redes sociais que, evidentemente, têm o algoritmo completamente dominado pela agenda ideológica da extrema-direita. Sabemo-lo e calculamos que as opiniões que são publicadas defendendo posições, mesmo em bases mínimas, a solidariedade, a dignidade e a humanidade (que não o ambíguo ''humanismo'') são alvo de diminuição clara de visibilidade e mesmo de censura aberta e sem recurso a protestos, visto que as nossas opiniões estão privatizadas e reguladas em empresas multinacionais. O antifascismo já mal cabe aqui, não tem lugar e se repararem bem, como importante indicador, as páginas «antifa» já quase despareceram há muito.
O problema maior reside no jornalismo autointitulado de «referência». O fascínio mal contido ao fascista maior e ao partido que ele criou, através das páginas destes jornais e televisões, é enorme nas redes sociais. Completamente desproporcionada, chamam Ventura para os seus posts a todo o momento, mesmo quando é atacado, por vezes de uma maneira pífia, que só serve para lhe darem mais poder. É evidente que isto é feito para aumentar audiências que perdem todos os dias pelos meios tradicionais. Duvido muito que a informação, ou «debates», ainda sejam procurados como há uns anos, o que indica que as direcções e administrações estão a perder o controlo da própria informação. Os comentários das televisões privadas e jornais nas redes sociais tornaram-se um autêntico esgoto em que tudo é possível dizer e defender: a pena de morte, as prisões a esmo, o aumento das penas já de si enormes para pequenos crimes, o gozo pela miséria, a denúncia, o boato torpe, a mentira, a menorização da mulher, a boçalidade, a abertura à caça de transgéneros, o racismo, o ódio à pobreza e por aí fora. Isto é permitido por quase todos os meios de informação conhecidos e com ainda alguma expressão no país. Nada é regulado. As caixas de comentários são, neste momento, o pior de que falava no início. E em Rei Lear, o pior ainda não é o pior, porque se disse que isto era o pior!
alc
Listagem de conteúdos tóxica
Gostaria de partilhar convosco a listagem de conteúdos nos últimos 10 minutos na minha página de FB, onde a grande maioria dos amigos é antifascista. Não disse "de esquerda" propositadamente, mas também são muitos. Inegável. Tento não ter fachos por aqui por uma razão simples: não consigo argumentar com o fascismo. É como argumentar com alguém que acredita em milagres. Não dá. Quando os topo, clico numa barra preta que me pergunta se os quero bloquear. Quero.
segunda-feira, maio 19, 2025
Solução na Dissolução?
alc
terça-feira, fevereiro 04, 2025
A Esquerda e o woke
Ainda sobre «O Contrário de Nada» de Tess Gunty e o pensamento woke: é necessário alguma cautela na esquerda antes de criticarem a expressão, que aliás não me entusiasma por aí além. Prefiro «liberdade» ou, se quiserem «direitos», «novas subjectividades», «superação do Iluminismo», porque é disso mesmo que se trata. Arranjar, à pressa, desculpas para a condição mais que recuada da esquerda, principalmente na sua frente eleitoral, devido à adopção do chamado «wokismo» é dar à direita e à extrema-direita (estranhamente ou talvez não, aqui também estão juntas) a legitimidade para continuarem a sua demanda para o pior da Idade Média. Experimentem focar-se no «pensamento» anti-woke e deparar-se-ão com um cortejo de horrores que nem a Margaret Atwood era capaz de imaginar. Está lá tudo: a mulher como reprodutora sem quaisquer direitos, a proibição do aborto, o fim da igualdade de género e proibição dos movimentos LGBTI+, a culpabilização das revoluções passadas, a prisão para quem não segue o pensamento único e o aumento exponencial do tempo de prisão de penas por crimes até agora considerados menores, a proibição da divulgação de qualquer ideia comunista ou anarquista, a regulação de uma só moral social, a publicação e divulgação mediática das teses revisionistas da História, o liberalismo puro e duro à Milei e à Trump, a culpabilização da pobreza, o desrespeito total pelos mais elementares direitos das pessoas, o fim da natureza tal como a vemos hoje, o retorno ao extractivismo selvagem...querem que eu continue?
sexta-feira, dezembro 06, 2024
Gaza, Palestina. Dezembro de 2024
quinta-feira, maio 06, 2021
Uma história «sem álibis nem omissões», um artigo de Manuel Loff
Manuel Loff
Só agora (tarde, portanto) li este artigo de Manuel Loff. Pois é, a necessidade de quebrar consensos políticos perante a História deste país é uma obrigação bem mais honesta do que procurar a paz artificial. Todo o artigo aqui:
David Priestland: sobre o trabalho e a distribuição capitalista e socialista na «estagnação»
quinta-feira, dezembro 10, 2020
A ignorância ao serviço do nazismo
Lenine e Nós, de Boaventura de Sousa Santos
O artigo de Boaventura de Sousa Santos é este:
António Luís Catarino
7 de Dezembro de 2020
domingo, outubro 18, 2020
Auschwitz «in progress». O horror como mercadoria barata
Atualização em outubro:
«á carga!»
ALC
Coimbra, 15 de outubro de 2020





