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sexta-feira, fevereiro 07, 2025

«Elfriede Jelinek - Une Biographie», Yasmin Hoffmann

 

Éditions Jacqueline Chambon, 2005
Não procuro biografias de autores que leio. Principalmente dos que sigo com interesse e que lhes conheço as obras. Sei por que o digo: há diferenças abissais entre o que se escreve e o que se faz e não vem mal ao mundo por isso. Da minha experiência como editor fiquei amigo de muito poucos autores que publiquei. Também não vem mal ao mundo. Muitos deles sabem que eu sei dos seus medos, das suas fraquezas, das contradições e do que seriam capazes para o bem e para o mal, maniqueísmos à parte, visto que não sou adepto desse tal Mani. Mas com Elfriede Jelinek é outra coisa. Esta biografia, feita por quem a conhece bem e sua tradutora de francês, prova que a coerência paga-se cara e que a escolha literária em defesa dos mais fracos, dos excluídos, dos marginalizados tem custos. A sua luta contra o nazismo e o fascismo actuais na Europa e principalmente na «sua» Áustria e na Alemanha moldaram a sua vida. Até quando lhe deram o Nobel em 2004, ela não cedeu e não quis que o governo conservador-liberal austríaco aproveitasse a cerimónia para que se esquecesse a sua ligação com a extrema-direita da FPÖ do malogrado Haider. Não foi a Estocolmo. Serviram-lhe a medalha friamente, por ligação online e ela não o foi menos para com a Academia. Mas essa não é estória nenhuma. Adiante.

Contraditória, ambivalente, punk antes do seu tempo (estamos a falar do início dos anos 70), bonita, nunca conheceu outra casa que não fosse a da mãe com quem se dava bastante mal. Essa relação, aliás, vem bem descrita no livro «A Pianista» e no filme homónimo de Michael Haneke, embora Jelinek negasse qualquer traço autobiográfico, antes pretendendo afirmar as relações de domínio entre uma relação de homem e mulher. A crítica nunca lhe perdoou o seu afastamento das elites literárias e a sua sobranceria face aos meios culturais vienenses que ela denunciou como hipócrita e vendida a interesses materiais. Jelinek não era judia, mas, na sua família, 49 membros da parte do pai passaram por campos de trabalho e de concentração alemães. Adere ao PC austríaco nos anos 80 e abandona-o em 91 juntamente com o seu comité central. Antes, nos finais dos anos 60, tinha aderido por muito pouco tempo às comunas de jovens vienenses de extrema-esquerda. A mãe recebe-a em casa e inicia um período de escrita e de leitura em doses industriais e iconoclastas, não sem antes entrar em conflito contínuo com a mãe que exigia dela uma carreira ligada ao piano no Conservatório de Viena. Escrevia sempre, mantendo uma rotina com poucas mudanças no seu quotidiano. Escrevendo de manhã, lendo vários jornais (sabe-se que grande parte dos seus romances partiram de pequenas notícias criminais e de fait-divers), lendo livros que iam dos clássicos, até BD, passando por policiais e ficção científica, encontrando-se com os amigos nos cafés do bairro. Recusava-se a andar de avião ou a conduzir. Acompanhava particularmente a obra de Ingeborg Bachmann (o seu «Malina» está publicado pela Antígona), de Hölderlin, de Robert Walser, de Broch ou de Kleist. Tinha uma relação tensa com a obra quer de Arendt, quer do seu «mestre» Heidegger, que o acusava de ser o mal em pessoa, sob a capa de uma pretensa neutralidade da filosofia e do cargo de reitor da universidade de Berlim. Também acusava Hanna Arendt de ter sabido o que pensava e do modo como pensava Heidegger, não lhe perdoando o facto de nunca o ter atacado devido ao «valor» da sua obra filosófica. 

Denunciou igualmente o facto do seu país ter escondido até hoje um passado entranhadamente nazi, proporcionalmente maior do que na Alemanha. O facto de em 1943, na Declaração de Moscovo, os Aliados terem escrito que a Áustria foi «a primeira vítima do nazismo» permitiu que o país nunca tivesse assistido a uma desnazificação, após 1945, digna desse nome ou sentido a necessidade de qualquer processo de interiorização de culpa perante as vítimas que provocou. Não é de estranhar, portanto, o particular ódio que lhe nutre a extrema-direita que chegou a colar cartazes contra Elfriede Jelinek nas ruas de Viena. Também não é de estranhar que eu próprio, em Viena, depois de procurar os seus livros em livrarias de referência, uma delas a Shakespeare and C.º que nem sabia existir na cidade, nenhuma delas tinha sequer um único livro dela. Resta-me o facto incontornável de a ter editado com o seu «Manual de Sabotagem - Escritos sobre Política, Memória e Capitalismo», hoje esgotado. 

alc

domingo, janeiro 19, 2025

domingo, dezembro 14, 2014

Encomendas para as últimas novidades da Deriva

Manifestos Vorticistas. Blast 1. 1914, de Wyndham Lewis - 8,50 euros
Manual de Sabotagem, escritos sobre política, memória e capitalismo, de Elfriede Jelinek - 16,50 euros
Call Centers, trabalho, domesticação, resistências, de João Carlos Louçã - 14 euros
Para uma Filosofia do Acto, de Mikhail M. Backhtin - 14,50 euros

Pedidos para infoderivaeditores@gmail.com
Asseguramos encomendas até 24 de dezembro. Sem custos de portes de envio. 

terça-feira, outubro 14, 2014

Elfriede Jelinek na Deriva já em Novembro



Elfriede Jelinek será publicada na Deriva dentro de um mês. Austríaca, bem e mal amada pelos seus, prémio Nobel da literatura, feminista, revolucionária, profundamente humana e observadora, crítica, inconformada. É tudo isto e possivelmente muito mais. Recusa, contudo, rótulos limitadores da sua obra. Também foi guionista e os portugueses conhecem-na bem como autora de A Pianista, filme que teve algum êxito nas nossa salas. A Deriva publicará já em Novembro Manual de Sabotagem. Escritos sobre Política, Memória e Capitalismo. Até lá mantê-los-emos informados.