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segunda-feira, agosto 26, 2013

Odeio as Manhãs, Jean-Marc Rouillan



O título do livro  pode enganar: as manhãs de que fala o autor são o início dos dias intermináveis das prisões francesas que se seguem às noites laranjas das luzes internas e externas das celas.
Na ocasião da publicação do livro, não me deixaram contactar com Jean-Marc Rouillan a cumprir uma pena de prisão perpétua em Lannemezan, por participação em atentados, nos anos 80, reivindicados pela Action Directe. Mas o caso de Rouillan e de outros prisioneiros políticos chamou-me a atenção, quer pela violência com que estavam a ser tratados ultrapassando claramente (pelo menos na minha opinião) a violência dos crimes que cometeram, quer as leis do estado de direito. Muitos deles encontravam-se gravemente doentes e a prova que alguma coisa estava mal no campo do Direito é que hoje encontram-se todos em liberdade e não veio daí grande mal ao mundo. Na altura, falei com Isabel do Carmo para fazer o prefácio do livro de Rouillan e mostrou-se disponível, não sem que me avisasse que nunca concordou com os métodos da AD. Mas faria um apelo à amnistia por causas humanitárias. Sinceramente era igualmente a minha opinião e gostei de a ouvir pela boca de alguém que teve a sua quota parte da révanche do Estado na sua procura da normalização democrática.
O título do livro  pode enganar: as manhãs de que fala o autor são o início dos dias intermináveis das prisões francesas que se seguem às noites laranjas das luzes internas e externas das celas.

Jean-Marc Rouillan, autor de Odeio as Manhãs, viu indeferida a sua libertação em março de 2009, depois de um longo período de reclusão em várias penitenciárias francesas acusado de pertencer à Accion Dirècte. Hoje, encontra-se em liberdade condicional, devido a uma grande campanha da Amnistia Internacional.
Jean-Marc Rouillan nasceu em 1952, e participou muito jovem no movimento anarco-comunista de Toulouse e, depois, no movimento anti-franquista. Assim, no decurso dos anos 70, foi membro do primeiro núcleo de organização armada onde se desenvolveu o movimento operário clandestino da região de Barcelona: o Movimento Ibérico de Libertação (MIL). Um dos seus membros, Salvador Puig Antich, foi o último condenado político a ser garrotado a 2 de Março de 1974, já no estertor do ditador Franco. Portugal conheceu bem este crime tendo havido, nessa altura, acções de rua contra o regime que então guiava os destinos do estado espanhol. Participou, mais tarde, na fundação dos Grupos de Acção Revolucionária Internacionalistas e ao movimento autónomo (surgido da deriva espontaneísta de maoístas e de um renovado movimento revolucionário na juventude. Em 1978, participa na fundação da Acção Directa, organização desmantelada em 1987. "Odeio as Manhãs" foi escrito clandestinamente a meio de uma greve de fome no centro prisional de Lannemezan e terminou o livro, a lápis, no Hospital de Fresnes. Foi publicado em 2001.
Jean-Marc Rouillan está preso desde 1987, desde o desmantelamento da Action Directe, cumprindo uma pena de prisão perpétua. Esta crónica foi escrita em 2001 na central de Lannemezan e conta o quotidiano da sua vida prisional sob um regime ultra-severo. Denuncia também a ligação muito discutível entre a medicina e a prisão.
Tradução de José Paulo Vaz.
(Odeio as Manhãs-5 euros, mais portes de envio)

terça-feira, março 20, 2012

Odeio as Manhãs, de Jean-Marc Rouillan. O Título poderá enganar.


Não me deixaram contatar com Jean-Marc Rouillan, na ocasião, a cumprir uma pena de prisão perpétua em Lannemezan, por participação em atentados, nos anos 80, reivindicados pela Action Directe. Mas o caso de Rouillan e de outros prisioneiros políticos chamou-me a atenção, quer pela violência com que estavam a ser tratados ultrapassando claramente (pelo menos na minha opinião) a violência dos crimes que cometeram, quer as leis do estado de direito. Muitos deles encontravam-se gravemente doentes e a prova que alguma coisa estava mal no campo do Direito é que hoje encontram-se todos em liberdade e não veio daí grande mal ao mundo. Na altura, falei com Isabel do Carmo para fazer o prefácio do livro de Rouillan e mostrou-se disponível, não sem que me avisasse que nunca concordou com os métodos da AD. Mas faria um apelo à amnistia por causas humanitárias. Sinceramente era igualmente a minha opinião e gostei de a ouvir pela boca de alguém que teve a sua quota parte da révanche do Estado na sua procura da normalização democrática.
O título do livro  pode enganar: as manhãs de que fala o autor são o início dos dias intermináveis das prisões francesas que se seguem às noites laranjas das luzes internas e externas das celas.

(Odeio as Manhãs-5 euros, mais portes de envio)

segunda-feira, agosto 17, 2009

Pack Ex de Patrick Raynal e Odeio as Manhãs de Jean-Marc Rouillan: 10 euros

O Pack de dois livros: Ex e Odeio as Manhãs (10 euros) em dois dias na sua casa. Sem custos.

Patrick Raynal, embora nascido em Paris é um bretão por adopção. Escreveu Ex, um romance sobre ex-militantes esquerdistas que tentam o reencontro. Foi responsável, durante anos, da Série Negra da Gallimard
Patrick Raynal, nascido em Paris em 1946. De 1967 a 1972, é militante sucessivamente do PCF, UJCML e da Gauche Prolétarienne. Obtém um mestrado em letras em 1970 . Escreve romances negros desde de 1980. Cronista literário, colaborou no Nice matin e Monde des Livres durante vários anos. Vive em Paris. Dirige a Série Noire da Gallimard desde 1991, criou a colecção La Noire. Bibliografia: La Poignee dans le Coin, 2001; Chasse A L'homme, 2000; Melancholia, 1999; Le Marionnnettiste, 1999; Le Tenor Hongrois, 1999 ; Le Poulpe, Le Film,1998 ; La Plaine, 1998; En Cherchant , 1998; Arretez le Carrelage,1995; Blue Movie,1997; Ne de Fils Inconnu, 1997; Nice Est, 1998; La Vie Duraille,1997; La Cle de Seize, 1996; Arret D'urgence, Albin Michel, 1990. Réédition le Livre de Poche, 1992; Fenetre Sur Femme, 1990; Nostalgia in Times Square,1987; Very Nice,1982; Ombres Blanches; Corbucci, 2001; Le Livre des Alcools de la Serie Noire, 2001.
De Lorient a Dublin, de Nice a Bamako, Jo Randa, a personagem deste romance, faz remontar o tempo. Inventário das trajectórias e derivas pessoais, regresso aos anos de chumbo, morte das utopias, término das ilusões políticas, um destino de um homem emerge das sombras do passado.
Tradução de José Jorge Duarte

Jean-Marc Rouillan, autor de Odeio as Manhãs, viu indeferida a sua libertação em março de 2009, depois de um longo período de reclusão em várias penitenciárias francesas acusado de pertencer à Accion Dirècte.
Jean-Marc Rouillan nasceu em 1952, e participou muito jovem no movimento anarco-comunista de Toulouse e, depois, no movimento anti-franquista. Assim, no decurso dos anos 70, foi membro do primeiro núcleo de organização armada onde se desenvolveu o movimento operário clandestino da região de Barcelona: o Movimento Ibérico de Libertação (MIL). Um dos seus membros, Salvador Puig Antich, foi o último condenado político a ser garrotado a 2 de Março de 1974, já no estertor do ditador Franco. Portugal conheceu bem este crime tendo havido, nessa altura, acções de rua contra o regime que então guiava os destinos do estado espanhol. Participou, mais tarde, na fundação dos Grupos de Acção Revolucionária Internacionalistas e ao movimento autónomo (surgido da deriva espontaneísta de maoístas e de um renovado movimento revolucionário na juventude. Em 1978, participa na fundação da Acção Directa, organização desmantelada em 1987. "Odeio as Manhãs" foi escrito clandestinamente a meio de uma greve de fome no centro prisional de Lannemezan e terminou o livro, a lápis, no Hospital de Fresnes. Foi publicado em 2001.
Jean-Marc Rouillan está preso desde 1987, desde o desmantelamento da Action Directe, cumprindo uma pena de prisão perpétua. Esta crónica foi escrita em 2001 na central de Lannemezan e conta o quotidiano da sua vida prisional sob um regime ultra-severo. Denuncia também a ligação muito discutível entre a medicina e a prisão.
Tradução de José Paulo Vaz.