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domingo, maio 14, 2023
"Ay, Carmela!" Trincheira Teatro
segunda-feira, dezembro 12, 2022
«Cabaret Vian» recital da Escola da Noite nos seus 30 anos
Já 30 anos! Parece que foi ontem. A Escola da Noite tem cumprido o seu papel e comemorar este número redondo com Boris Vian, parece-nos muito bem. Noite bem passada com a disposição dos espetadores na plateia em mesas de quatro lugares, que iam variando conforme o número de amigos. Um ambiente intimista e de cumplicidade com o Teatro. Os atores em dois, três palcos à nossa volta. Uma orquestra e canções de cabaret com muitos trechos de Vian a serem recitados e cantados já que não valerá a pena aqui falar do seu evidente carácter de criador multifacetado e crítico, irónico. António Augusto Barros criador do guião e da direção cénica, lembra-nos isso na folha de sala que circulou pelo espaço. A direção musical foi de Jorri e Luís Pedro Madeira.
Mais surrealista do que existencialista - foi ele que criou o nome sarcástico ao papa desta corrente de pensamento, de Jean-Saul Partre e colaborou com o Colégio de Patafísica de Alfred Jarry - teve o condão de ser um homem das caves noturnas parisienses do pós-guerra, tocando jazz no seu trompete e não deixando a tradicional canção francesa com poemas da sua autoria. Pelo espaço do Teatro da Cerca, A Escola da Noite, pela mão de António Augusto Barros levou-nos a trechos de «A Espuma dos Dias», «As Formigas», «O Arranca Corações» e a variadas canções em que sobressai o libelo antimilitarista «Le Déserteur».
Uma noite bem passada. Venham mais trinta.
segunda-feira, outubro 17, 2022
«Aqui, onde acaba a estrada», de Igor Lebreaud. Na Escola da Noite
Pela Escola da Noite. De Igor Lebreaud
Penso em algumas arestas a limar depois de ver com interesse «Aqui, onde acaba a estrada», de Igor Lebreaud, talvez um conhecido do teatro, não tanto do público. Pelo menos como encenador, pois terá sido a sua primeira vez a encenar uma peça escrita igualmente por si.
O tema, esse, é de imediato entendido visto que o choque entre duas culturas é bem explícito. A tragédia dos refugiados está à nossa frente, incontornável, absurda. Mas igualmente absurdo é o facto do comandante da fronteira estar de camuflado, botas altas e ser tratado como «professor». Professor de quê, ao certo? O seu comportamento nazi é histriónico e não se consegue perceber o objectivo da sua recusa em deixar entrar quer o homem, quer a caixa. Ou seja, há algum sentido na peça que conseguimos ver, mas há zonas de algum nevoeiro que gostaríamos de ver mais claras. E aquela do soldado bom e do soldado mau não é coisa já estafada? E não há ressentimento entre o dominado e o dominador? Não que fosse obrigatório, mas...
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