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quarta-feira, junho 19, 2019

«Quimeras», ou as crisálidas de Cristo de Sanmartino

Quimeras
«Quimeras». Foto: Teatro Nacional S. João
Entrar no claustro de S. Bento da Vitória no Porto e sair de lá sem poder expressar uma só palavra que destruiria toda a emoção criada com o espetáculo único do TNSJ e da Karnart. Recuperar mais tarde. Sentir mais tarde. Compreender a transformação dos corpos, mais tarde. Não há lugares sentados. Deambulamos pelo claustro agora fechado por entre corpos femininos fechados sobre si próprios e uma luz contrastante. No meio do claustro, uma cama funerária com um corpo masculino nu envolto num sudário transparente branco e uma rede negra. Luís Castro e Vel Z lembram, na apresentação escrita do projeto, que é uma reconstituição vívida do Cristo jacente de Giuseppe de Sanmartino, de Nápoles. À sua volta os corpos femininos envoltos igualmente num tecido branco transparente. Os seus olhos têm uma íris branca, num ricto imperscrutável. Ouve-se uma música longínqua. Num dos cantos do quadrado formado pelas mulheres, logo atrás do Cristo jacente, uma figura diferente, a rainha das crisálidas, vestida de negro e máscara de luz, aquela que ao som da música observa os corpos das servas a elevarem-se até estarem erectos. Leva uma hora os seus nascimentos. As crisálidas estão prontas e juntam-se, leves e ondulantes, à cama funerária de Cristo. A rainha negra gira o sudário negro no seu corpo, rodando em si própria até que o destapa totalmente. A música barroca e a luz atingem o seu auge. As crisálidas dão vida à vida numa ressurreição subentendida. Os autores chamam a este exercício de perfinst ou body art. Sim, mas eu chamei-lhe na ocasião, uma experiência plástica, musical e teatral entre o maravilhoso ou a pura e crua beleza.

António Luís Catarino
14 de junho de 2019

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Leituras no Mosteiro

Em Novembro de 2010, o Colectivo 84 desenvolveu o projecto Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas, que teve    como missão “promover e divulgar as novas dramaturgias contemporâneas, nomeadamente a dramaturgia portuguesa, oferecendo igualmente um espaço para a dramaturgia europeia, contributo essencial para as trocas culturais e estéticas asseguradas pela parceria com o Corps de Textes Europe, plataforma europeia de difusão de novos autores e textos para o palco”. O Encontro decorreu em Lisboa no São Luiz Teatro Municipal, entidade co-produtora.
Poucos meses depois, o ciclo Leituras no Mosteiro integra na sua programação uma extensão dos Encontros. No próximo dia 8 de Fevereiro, algumas das peças curtas de dramaturgos portugueses, escritas propositadamente para aquele projecto, serão lidas no Centro de Documentação do Teatro Nacional São João: Tiago Rodrigues, Luís Mestre, Pedro Eiras, Ana Mendes, Paulo Castro, Mickaël de Oliveira, André Murraças e José Maria Vieira Mendes são os seus autores. Alguns dos dramaturgos estarão presentes na sessão.
Amanhã, 8 de Fevereiro,

Peças curtas de Tiago Rodrigues, Luís Mestre, Pedro Eiras, Ana Mendes, José Maria Vieira Mendes, Mickaël de Oliveira, entre outros

Mapa do Mosteiro de São BEnto da Vitória (aqui)