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| As aventuras de Sheila e Said |
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segunda-feira, dezembro 03, 2012
As aventuras Sheila e Said
segunda-feira, março 26, 2012
Tempos de Fuga, de Ramón Caride
Pensando nos dias de hoje, passados oito anos da sua edição portuguesa e depois de serem publicadas ficções deste género literário em várias editoras portuguesas, Tempos de Fuga continua uma obra de grande qualidade e com a densidade psicológica necessária para nos encontrarmos com as personagens envoltas numa trama exemplarmente contada.
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| Capa de Gémeo Luís |
Ramón Caride vive hoje em Cambados, na Galiza, onde é professor de Biologia. Gosta do campo e da leitura. Antifranquista, contou-me que estava em Valência, na tropa, quando se deu o 23 de fevereiro de Tejero Molina contra a transição democrática espanhola, o que lhe valeu um grande susto. Galeguista, fala na sua língua, ao contrário da maioria dos seus jovens alunos, que escolhem o castelhano para se expressarem quotidianamente, segundo ele por influência cultural dos media espanhóis. Conheci-o através de Manuel Bragado, diretor da Xerais de Vigo que mo apresentou. Também edita poesia e literatura infantil, mas o que me fez conhecê-lo foi Tempos de Fuga, uma obra de ficção científica ganhadora do Prémio Vicente Risco de Literatura Fantástica espanhola. A Deriva, nessa ocasião, escreveu esta pequena apresentação ao livro cuja capa foi feita por Gémeo Luís:
«Numa cidade desconhecida, um escritor atormenta-se com o desaparecimento da mulher. Em Nova Iorque, uma hospedeira trafica estranhas pedras e, em Vivier-Sur-Mer, Bretanha, outra mulher terá um inesperado encontro que mudará a sua vida. Os caminhos destas personagens vão confluir de um modo impensável através dos efeitos desses cristais, os "oders".» A tradução foi efetuada por Dina Almeida.
Pensando nos dias de hoje, passados oito anos da sua edição portuguesa e depois de serem publicadas ficções deste género literário em várias editoras portuguesas, Tempos de Fuga continua uma obra de grande qualidade e com a densidade psicológica necessária para nos encontrarmos com as personagens envoltas numa trama exemplarmente contada. Ramón Caride veio a publicar ainda Perigo Vegetal na Deriva, e que está na sua 2ª edição, com ilustrações magníficas de Miguelanxo Prado. A saga desta coleção de literatura juvenil irá continuar com Ameaça na Antártida e Futuro Roubado, com apoio da Xunta da Galiza e continuando com a colaboração de Miguelanxo. Todas estas obras têm tradução de Paula Cruz.
Ramón Caride Ogando continua nosso amigo de sempre.
As obras do autor estão disponíveis na editora e podem ser encomendadas nos grandes espaços livreiros ou na distribuidora da Deriva: a Companhia das Artes.
As obras do autor estão disponíveis na editora e podem ser encomendadas nos grandes espaços livreiros ou na distribuidora da Deriva: a Companhia das Artes.
quarta-feira, agosto 10, 2011
Uma mensagem do Futuro: Perigo Vegetal
Enquanto a Ameaça na Antártida não chega, lê (ou relê) o primeiro livro da trilogia, Perigo Vegetal.Said e Sheila vivem, no ano 2075, no interior da Galiza, mas estão ligados em comunicação ao mundo global do passado. Uma gigantesca companhia transnacional, a C.U.B., tenta apoderar-se de todas as sementes de cereais existentes como parte de um plano para dominar toda a agricultura do planeta.
O Perigo Vegetal é apenas a primeira aventura destes dois corajosos irmãos.Ramón Caride escreveu e Miguelanxo Prado ilustrou.
“Depois da colheita da planta, as raízes que ficam na terra sofrem uma mutação e originam esta planta destruidora. […] a única forma de a eliminar é arar muito fundo, a vários metros de profundidade, para eliminar todas as raízes e poder voltar a semear. Mas o processo é muito complexo, basta que fique uma raiz, por pequena que seja e regenera-se a praga.” in Perigo Vegetal
Perigo Vegetal aborda, de uma forma simples, as consequências nefastas da monocultura e da manipulação genética, sem controlo e sem escrúpulos.
O comportamento das plantas geneticamente modificadas é diferente em laboratório e em vastas áreas. Se as plantas geneticamente modificadas tiverem um elevado poder de propagação elevado, as plantas convencionais podem vir a ser exterminadas. A biodiversidade fica em perigo. Com menor diversidade de espécies a vida na Terra torna-se mais sujeita a alterações ambientais. Pelo contrário, quanto mais rica é a diversidade biológica, maior é a oportunidade para descobertas no âmbito da medicina, da alimentação, do desenvolvimento económico, e de serem encontradas respostas adaptativas a essas alterações ambientais.
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado no programa de português do 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade II.
Críticas
"Uma aventura para miúdos com dez anos ou mais, cujos protagonistas vivem na Galiza, no ano de 2075. Perigo Vegetal conta-nos como experiências com um super-cereal estão a pôr em perigo o planeta. Sheila e Said são dois irmãos que, do futuro, lançam alertas ecológicos para o passado. Uma espécie de diário a quatro mãos, que não deixa de transparecer as embirrações próprias dos manos adolescentes. Vindo da banda desenhada, o ilustrador Miguelanxo Prado cria um ambiente que se adequa bem à natureza do texto. Um tema pertinente." Rita Pimenta, Milfolhas, Público, 20.Dez.03
"Uma obra bem contada, divertida, actual, das que se lêem de uma só vez e fazem novos leitores para as aventuras que se seguem." Helena Pérez, Julho de 2002
terça-feira, abril 26, 2011
As aventuras de Said e Sheila continuam na Antártida...
Depois do Perigo Vegetal, agora em 2.ª ed, Ameaça na Antártida.
"Olá, jovens do passado! Sou eu, outra vez, Sheila, que vos escreve do futuro, mais precisamente, do ano 2077, escrevo-vos do vosso futuro que é o meu presente. Nos tempos em que vivo, a ciência avançou muito, mas mesmo assim ainda não é possível viajar no tempo para que nos possamos conhecer pessoalmente. Tenho de mesmo de me conformar e limitar, por agora, a contar-vos a minha vida, o que já não é pouco.
Já sabem que Said e eu somos órfãos. O meu irmão Said, a minha única família, está quase, quase a fazer catorze anos. Eu fiz, há pouco, doze. Said cresceu e – digo-vos isto, mas fica só entre nós, não lhe digam que eu disse , tornou-se um pouco repelente. Já não me liga como dantes e, desde que conheceu Irina, nem vos digo, nem vos conto. Passa dias inteirinhos a falar com ela, ou através da rede informática, ou através do videotelefone, como se não tivesse nada de melhor para fazer. Até se tem descuidado no trabalho, coisa muito estranha nele! Bem, a verdade é que não faço ideia do que possam de ter de tão interessante para contar um ao outro… cá para mim, são quase namorados, apesar de Said não gostar nada destas minhas insinuações e até ficar zangado comigo. Enfim, não vale a pena pôr a carroça à frente dos bois, o melhor, mesmo, é contar a história do princípio.
As aventuras têm-se sucedido, qual delas a mais pitoresca e perigosa. Para não ir mais longe, vou contar-vos uma coisa que nos aconteceu há uns meses atrás, quando conhecemos a Irina e o seu pai. Vou contar-vos, porque a coisa teve o seu quê, e não foi propriamente uma brincadeira. Vamos lá, então.
Tudo começou num dia normalíssimo, era maio e estava um tempo muito agradável. Os prados que ladeiam o nosso rio estavam repletos de flores de todas cores; borboletas e libelinhas batiam as asas para saudar a primavera. Said andava a fazer desenhos de novos tecidos no computador, pois essa é a nossa forma de ganhar a vida, já que, como somos órfãos, temos de nos sustentar a nós mesmos. Eu, que estivera até então a trabalhar, parei um pouco e fui até à janela olhar o rio, para descansar um pouco. Aqueles foram dias de muito trabalho, tivemos de preparar uma coleção nova de desenhos o que nos estafou imenso e nos fez levantar muito cedo durante aquela temporada. Por isso, fui até à janela espairecer, olhando o rio que passa mesmo por baixo do moinho onde moramos.
De repente, o coração saltou-me. Fiquei, estarrecida. Por quê? Perguntam vocês. Dúzias e dúzias de peixes, trutas, carpas, barbos, lúcios, enguias, e outros, passavam mortos. Centenas de peixes, que o nosso rio é abundante em água e em vida, boiavam na corrente, tesos e inchados, com a barriga para cima. Dava dó ver aquilo. O que se está a passar? Gritei por Said.
— Anda Said! Corre!
— Que se passa Sheila? Por que me interrompes? As ideias vão-me fugir!
— Olha o rio!
Said olhou e ficou tão impressionado como eu.
— Isto é incrível, Sheila. Nunca vi nada assim. Que mortandade!
— O que se terá passado?
— Não sei, Sheila. Talvez alguma epidemia. Ou qualquer coisa derramada acidentalmente, apesar de não imaginar sequer de onde possa vir. Temos de recolher alguns peixes, para examiná-los.
Nunca a expressão “arrepios na espinha” teve tanto sentido. Pressentia problemas e não me enganava. Para que entendam melhor, preciso que saibam que no nosso rio – nem em Loreda, nem mais acima – não há nenhuma indústria e, na nossa época, todas as atividades poluentes são estritamente proibidas e severamente castigadas. Ninguém ousa contaminar a água, o ar ou a terra. Ninguém pode fazer nada, a não ser que seja absolutamente inofensivo para o ambiente, as plantas e os animais. E ninguém desrespeita estas normas, pois sabe que, se o fizer, irá prejudicar toda a gente; nas nossas indústrias e nas nossas cidades reciclam-se todos os produtos, ou voltam a reutilizar-se, sem necessidade de fabricá-los de novo, assim evitamos a produção de resíduos inúteis. Sei, pelos textos de História, que na vossa época têm uma forma de tratar o ambiente que nos horroriza. Estou a referir-me, concretamente, a esse vosso hábito de “usar e deitar fora”. Vocês são uns irresponsáveis…
Desculpem lá, comecei a divagar. Mas, voltando ao nosso assunto, o aparecimento de tanto peixe morto junto ao nosso moinho foi um grande susto. Aquilo não fazia nenhum sentido, algo muito estranho estava a acontecer. Antes de comunicarmos a notícia, às autoridades, decidimos investigar, por nossa conta e risco, o que se estava a passar. Said procurou uma rede e, com a ela, apanhou vários peixes. E eu recolhi amostras de água. Já no nosso laboratório, Said começou por fazer a autópsia aos peixes e, depois, analisámos a água. A mim, se querem que vos diga, ver Said a remexer as tripas daqueles pobres animais, fez-me muita impressão, apesar de perceber que aquilo tinha mesmo de ser feito. Não havia outra forma de saber como morreram. Said estava estupefacto. Verificava uma e outra vez os resultados, consultava o computador, conferia novamente os dados, incrédulo, suspirava.
— Que se passa, Said?
— Não compreendo, Sheila, estes peixes não apresentam sinais de terem morrido por contaminação de nenhum produto químico. Nem sequer por nenhuma infeção. As águas estão limpas e bem oxigenadas, têm todos os nutrientes necessários. A temperatura da água é normal. Não consigo perceber a causa desta catástrofe.
— Tens a certeza do que dizes, Said?
— Absoluta, verifiquei uma e outra vez os resultados. Todos os dados estão normais. Estes peixes deviam estar a nadar à vontade pelo rio abaixo, mas é evidente que aconteceu alguma coisa. A não ser que — interrompeu-se — É incrível! Espera, tenho de comprová-lo! Agora mesmo!
Said abandonou tudo o que tinha entre mãos e saiu a correr pelo quarto fora. Eu, surpreendida, fui atrás dele.
— Que fazes? Oh! Deves ter endoidecido?
— Deixa-me, Sheila, já te explico. Agora, não tenho tempo a perder.
O meu irmão já corria pelas escadas acima, para o sótão. Aí, começou a remexer num monte de alfaias e de quinquilharia. Falava sozinho.
— O avô tinha um, tenho a certeza. Onde estará agora?
— Said, mas o que é que procuras? Cuidado!
Um monte de trastes poeirentos estava quase a cair em cima de meu irmão, ameaçando esmagá-lo. E tudo porque ele tirou uma maquineta enferrujada daquele monte de coisas. Livrou-se da derrocada por um triz e, com a mesma convicção com que subiu as escadas, voltou a descê-las e foi, a correr, para o laboratório.
— Aqui está! Até que enfim que o encontrei. – repetia.
— Said, de uma vez por todas, queres explicar-me o que é que se passa?
Ignorou-me, estava frenético, com aquela maquineta. Eu nunca tinha visto nenhuma igual, e mesmo que a tivesse encontrado, nem que fosse numa exposição de antiguidades, tê-la-ia ignorado. Era uma caixa quadrada de lata, uma espécie de maleta com uma asa, ao abri-la apareceram vários botões giratórios, interruptores e indicadores parecidos com relógios antigos. Uma grande esfera de vidro ocupava quase metade da caixa, com uma agulha indicadora, vermelha. Um cabo saia daquela caixa e acabava num sensor grosso e negro, parecido com um antigo microfone." Ramon Cáride / Miguelanxo Prado
segunda-feira, julho 26, 2010
Miguelanxo Prado
Miguelanxo Prado é argumentista, ilustrador. Nasceu em A Coruña, 1958. Estudou arquitectura e antes de se votar à BD dedicou-se à pintura e à escrita. Revelação da BD espanhola em 1988 com o seu primeiro álbum Mundo Cão, a sua carreira tem sido recheada de sucessos. Em 1993 publica o álbum Traço de Giz, que recebeu o prémio dos livreiros BD 93, o Alph-art do melhor álbum estrangeiro de Angoulême e o prémio especial do Festival de Sierre em 1994. Em 1995 estreia-se na BD infantil com a adaptação da célebre obra de Prokofiev (1936) “Pedro e o Lobo”. Da sua versátil carreira fazem parte outras obras notáveis como Fragmentos da Enciclopédia Délfica, Stratos, Crónicas Incongruentes, Quotidiano Delirante (3 volumes), e Tangências. Com um traço esplêndido, uma visão nova da perspectiva das cores e argumentos plenos de pertinentes críticas humanas, este autor galego é já um dos nomes consagrados da BD internacional. O filme De profundis, uma história de mares, cetáceos e tormentas com música do compositor Nani García, foi proposto para os Prémios Goya como melhor longa-metragem de animação de 2006.
Na Deriva, Miguelanxo Prado ilustrou Perigo Vegetal, de Rámon Cáride.
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