terça-feira, dezembro 23, 2008

Derivas de Fevereiro - Ciclo «Escola: Há Lugar para Novos Criadores?». 27/28 de Fevereiro, Biblioteca Almeida Garrett, Porto


Arte Cavernícola com Mínima Imagem
Desde há muito, senão desde sempre, a Escola resiste às novas expressões artísticas, venerando e valorizando um cânone, enquanto que, paradoxalmente, remete os clássicos para o ostracismo. Da modernidade, a escola filtra apenas o que lhe interessa criando unicamente o homo-automatus capaz, com dificuldade, de escrever um contrato, um requerimento ou um verbete. Os media cumprem o seu papel normalizador e reduzem a Escola a um mapa de fait-divers. A poesia, as expressões plásticas, a música, o teatro tornaram-se corpos estranhos à Escola. Coisas meramente decorativas e ao serviço de actividades de circunstância. Falta-lhe, à escola, fôlego e coerência, irreverência e criatividade. Contra o carácter redutor dos programas, propõe-se, agora mais que nunca, uma acção que vise a criação e uma deriva de liberdade que tenha em conta as capacidades e interesses humanos na Escola.
Cidadãos autómatos ou autónomos? A literatura deve ou não fazer-se na escola? E o seu panóptico é a urgência de um hospital de loucos? As bibliotecas escolares são um depósito de livros, professores e outros computadores? Os media como instância de socialização a par da Escola ou contra a Escola? Quem nos salva quanto tudo arde?
Há lugar para os novos criadores?

Sexta-feira, 27 de Fevereiro

9:45 – Entrega de documentação
10:00 – Abertura
10:30 – José António Gomes - Os Clássicos não são coisa do passado
11:00 – Paula CruzO desalinho na poesia que se dá a ler: o lugar dos poetas do séc. XX/XXI na escola
11:30 – Isabel SousaBibliotecas Públicas e a Língua Portuguesa - Para quê?
12:00 - Debate
12:30 – Almoço
14:30 – António Tavares LopesFormas e formatações da expressão individual na Web
15:30 – Suzana RalhaMúsica, Poesia e Escola
16:00 – Emílio RemelheEntre o Modelo e o Novelo. A Escola como palimpsesto
Debate

Sábado, 28 de Fevereiro

10:30 – Rui Pereira(N)a Escola face aos Media
11:00 – Pedro EirasPara que serve a Literatura?
11:30 – Américo Lindeza DiogoConfiguração Arte-Escola-Humanismo. Relações entre Literacia e Arte. Usos da Literatura. Artes e Media.
11:30 – Debate
12:00 – Encerramento
12:30 – Distribuição dos Certificados de Presença

Inscrições e informações para deriva@derivaeditores.pt

!8 de Dezembro, conversa sobre edição na Velha-a-Branca, Braga

A Velha-a-Branca é uma cooperativa cultural, fundada em Braga em 2004. O edifício, no centro da cidade, é agradável e o bar onde se deu a conversa sobre edição de livros extremamente convidativo. A conversa que mantive com António Levy Ferreira sobre livros prolongou-se pela noite. Vale a pena saber deste projecto aqui.

domingo, dezembro 14, 2008

Declaração do Grupo Surrealista de Atenas

Tirado, este artigo, de Pimenta Negra. Sei que o Viriato não se importará, porque a poesia também tem direito à rua. E os surrealistas, esses, mais do que ninguém.

Declaração do Grupo surrealista de Atenas

O ESPECTRO DA LIBERDADE SURGE SEMPRE COM UMA FACA NOS DENTES

O nec plus ultra da opressão social está a ser atingido a sangue frio.Todas as pedras arrancadas do pavimento e atiradas contra os escudos da políicia ou contra as fachadas dos templos comerciais, todas as garrafas flamejantes que traçam suas órbitas no céu nocturno, todas as barricadas erguidas nas ruas das cidades, separando a nossa área da deles, todos os caixotes do lixo do consumo que, graças ao fogo da revolta, tornaram-se Algo saindo do Nada, todos os punhos erguidos sob a Lua, são as armas dando carne, assim como a força verdadeira, não só à resistência como também à liberdade.

E é precisamente o sentimento da liberdade que, nesses momentos, é a única coisa em que vale a pena apostar: aquele sentimento das manhãs esquecidas da infância, quando tudo pode acontecer, porque fomos nós, como seres humanos criativos, que despertámos, e não aquelas futuras máquinas humanas produtivas conhecidas como “sujeito obediente”, “estudante”, “trabalhador alienado”, “proprietário”, “mulher ou homem de família”.

O sentimento de enfrentar os inimigos da liberdade – de não mais os temer.É portanto com boas razões que estão preocupados, aqueles que desejam continuar com a sua azáfama como se nada estivesse a acontecer, como se nada tivesse acontecido.

O espectro da liberdade surge sempre com a faca nos dentes, com a vontade violenta de quebrar as cadeias, todas aquelas cadeias que tornam a vida uma miserável repetição, servindo para reproduzir as relações sociais reinantes.

No entanto desde Sábado, 6 de Dezembro, as cidades do país não estão a funcionar correctamente: nenhuma terapia de compras, nenhuma abertura de estradas para nos levar para o trabalho, nenhumas notícias sobre as próximas iniciativas governamentais de recuperação da economia, nenhuma mudança tranquila de uma telenovela para outra, nenhuma condução nocturna à volta da Praça Syntagma, etc, etc, etc.

Estes dias e estas noites não pertencem aos mercadores, comentadores de TV, ministros e bófia: Estes dias e estas noites pertencem ao Alexis!

Como surrealistas estamos nas ruas desde o início, juntamente com milhares de outros, em revolta e solidariedade; pois o surrealismo nasceu com o hálito da rua, e não tenciona abandoná-la jamais.

Após a resistência massiva ante os assassinos do estado, o hálito da rua tornou-se ainda mais cálido, mais hospitaleiro e criativo que antes. Não é da nossa competência propor uma linha geral ao movimento. No entanto assumimos a nossa responsabilidade na luta comum, já que é uma luta pela liberdade.

Sem ter que concordar com todos os aspectos deste fenómeno de massas, sem sermos partidários do ódio cego e da violência pela violência, aceitamos que este fenómeno existe por um bom motivo.Não deixemos este hálito flamejante de poesia atenuar-se ou extinguir-se.

Tornemo-lo numa utopia concreta: transformar o mundo e mudar a vida!

Nenhuma paz com a polícia e seus mandantes!

Todos para as ruas!Aqueles que não sentem a raiva que se calem!

Grupo Surrealista de Atenas, Dezembro de 2008

Long List do Prémio das Correntes d' Escritas divulgada: 7 poetas editados pela Deriva presentes


Editamos a notícia do Rascunho.net que pode ser concultada aqui.

Presentes a concurso estão, pela Deriva, as/os poetas:

Catarina Nunes de Almeida - A Metamorfose das Plantas dos Pés
Filipa Leal - O Problema de Ser Norte
João Pedro Mésseder - Meridionais
Joaquim Castro Caldas - Mágoa das Pedras
José Ricardo Nunes - Apócrifo
Maria Sofia Magalhães - Da Sombra que Somos
Marilar Aleixandre - Catálogo de Venenos


«São noventa os livros incluídos no primeiro lote de obras seleccionadas para o principal galardão do Correntes d'Escritas. A dois meses da abertura da décima edição, o encontro de escritores de expressão ibérica já mexe a sério.

Já é conhecida a long list para o Prémio Literário Casino da Póvoa da décima edição do Correntes d’Escritas. Será deste conjunto de 90 os livros de poesia que sairá o vencedor do principal galardão do encontro de escritores de expressão ibérica, que decorre na Póvoa de Varzim de 11 a 14 de Fevereiro.

As Quasi são a editora mais representada neste lote, com vinte livros, seguindo-se a Assírio & Alvim e a Caminho, com 10 cada. O resto das contas faz-se assim: com um livro cada, estão Asa, Bonecos Rebeldes, Edições Nelson de Matos, Graal, Intensidez, Pássaro de Fogo e 7 dias 6 noites; com dois, Campo das Letras, Letras e Coisas, Livrododia e Papiro Editora; com três, Oceanos; com quatro, Cosmorama, Cotovia e Pé de Página; com seis, Dom Quixote; com sete, Deriva. As sete obras que sobejam são edições de autor.

O prémio vale 20 mil euros. No júri estão Ana Luísa Amaral – distinguida com o prémio em 2007 –, Casimiro de Brito, Jorge Sousa Braga, Fernando Guimarães e Patrícia Reis, que vão ainda anunciar uma lista de finalistas em Janeiro. O vencedor é conhecido, como habitualmente, na sessão de abertura do encontro, sendo entregue na cerimónia de encerramento. Ruy Duarte de Carvalho foi o vencedor em 2008.

Se nestes 90 encontramos muitos poetas consagrados (e alguns mais do que uma vez), como é o caso de Manuel Alegre, Nuno Júdice ou Armando Silva Carvalho, encontramos nomes frescos em Luís Filipe Cristóvão, Filipa Leal ou João Negreiros. Mágoa das Pedras (Deriva), do recentemente desaparecido Joaquim Castro Caldas também faz parte da selecção.

Miúdos poetas

Passando dos graúdos para os miúdos, também Prémio Literário Correntes d’Escritas/ Papelaria Locus tem a sua própria long list, compreendendo um total de 183 «trabalhos em poesia». Este galardão, que vale mil euros, é destinado a adolescentes com idades entre os 15 e os 18 anos. Podendo participar com um máximo de dois trabalhos, contabilizam-se 133 jovens autores nesta selecção.

O Prémio Infantil Conto Ilustrado Correntes d’Escritas/ Porto Editora, que é uma novidade no programa de 2009 e é dirigido às escolas e aos alunos do quarto ano do ensino básico, viu, «atendendo o pedido de várias escolas», o prazo de entrega de trabalhos alargado até 15 de Janeiro.

As listas das obras que permanecem a concurso podem ser consultadas no sítio da autarquia poveira

terça-feira, dezembro 09, 2008

Arrastar Tinta de Pedro Eiras e Nuno Barros, hoje (quarta), na Fnac de Sta. Catarina, 18:00. Com Helena Lopes

É já hoje, quarta, pelas 18:00, na Fnac de Sta. Catarina, que se apresentará um livro a quatro mãos. Na pintura, Nuno Barros, na escrita, Pedro Eiras. A apresentação será de Helena Lopes e que seja mais um momento para rever amigos, para falar de poesia, das escritas e das palavras, dos desenhos, das cores e das pinturas. Vão até lá e sintam-se como em casa, perticipando sempre.

TEatroensaio estreia O Dia que ficou sempre de Noite, no Cace Cultural do Porto. Para crianças

TEatroensaio

Continua em cena o espectáculo "O Dia que ficou sempre de Noite", até 19 de Dezembro, no Cace Cultural do porto (Rua do Freixo 1071). Este espectáculo destina-se especialmente a crianças.
As apresentações para escolas EB1 decorrem de segunda a sexta às 10h30 e 15h e para o público em geral sábados e domingos às 16h30 (sempre com reserva). TEL: 9186263345 teatroensaio@gmail.com

"O Dia que ficou sempre de noite" é uma peça que aborda a temática da Ecologia e Sustentabilidade, onde se aprende a responsabilidade do ser humano para com o ambiente e a força do seu pensamento. Um espectáculo pensado especialmente para as crianças do primeiro ciclo e com conteúdos que podem ser aplicados ao projecto educativo anual das escolas. Um espaço livre para dar asas à magia do teatro e à imaginação das crianças. Uma história contada por actores e marionetas para aprender a importância da água, da luz,das árvores e da vida em geral.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Volumen, de Henrique Fialho

Tenho-me deparado com um impulso que não me é habitual, visto que não sou um indefectível da «vida» da blogosfera. Interesso-me por ela, mas não sou um militante muito assíduo, nem me interessa sê-lo, sinceramente. Mas Henrique Fialho que criou Insónia e, mais tarde, Volumen, obriga-me a consultá-lo quase todos os dias. Agrada-me o rigor crítico e capacidade de análise que Henrique Fialho empresta aos seus textos e não tem sido em vão que o tenho consultado para saber mais pormenores sobre este ou aquele autor antologiado por ele, em Volumen. Agrada-me sobremaneira o facto que se sente, a léguas, e por quem o lê, de ser genuíno. Gosta do que faz e isso percebe-se a cada linha de escrita.
Desta última vez (embora não tenha sido por isso que escrevo estas linhas), escreveu sobre Os Silêncios entre Nós, de Paulo Kellerman e A Metamorfose das Plantas dos Pés, de Catarina Nunes de Almeida. Vamos ser objectivos: tomara muita gente da chamada imprensa escrita ter a acuidade, o rigor e a honestidade crítica de Henrique Fialho.
É por isto, e por muitas outras coisas, que, para um editor, vale a pena, cada vez mais, enviar os livros à Crítica. A esta crítica.

Festa da Poesia, em Matosinhos


A Festa da Poesia está a ter lugar em Matosinhos desde o dia 6 de Dezembro, na Biblioteca Florbela Espanca. Hoje, segunda-feira às 17h, estará presente Marilar Aleixandre poetisa da Galiza. A Deriva publicou o seu «Catálogo de Venenos» em edição bilingue.
Ficarei lá para a noite, pelas 22h, onde começa uma mesa-redonda imperdível sobre o tema «Poesia». Reparem nos nomes: Alberto Pimenta, A.M. Pires Cabral, Helga Moreira, Isabel de Sá e José Emílio Nelson. Vale a pena a deslocação até lá. Parabéns ao Pedro Eiras que a organizou.