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sexta-feira, novembro 28, 2025

«A Morte é um Acto Solitário», Ray Bradbury

 

Cavalo de Ferro, 2019. Tradução de Maria João Freire de Andrade

Se a morte é um acto solitário, neste livro ela é acompanhada por uma multidão de cadáveres. Um autor que escreveu os interessantíssimos «Fahreneit 451» e «Crónicas Marcianas», vê-se agora enredado numa escrita pouco escorreita, num ambiente sufocante de uma Venice em decadência, num policial pouco conseguido. Talvez, até, presunçoso pela quantidade de referências a escritores, realizadores e actores e actrizes que calcorrearam os plateaux cinematográficos. O mistério que envolve esta história é saber quando ou se encontramos o seu fim, mais se assemelhando a um guião de um filme de Hollywood, tudo a bem de construir algo de verossimilhante e com interesse para o leitor. Recomendo-o pouco, mesmo aos que gostam da modalidade.

alc

sexta-feira, agosto 27, 2021

«The Martian Chronicles», de Ray Bradbury

 


Capa bonita, livro de ficção científica editado em 1951, reeditado em vagas sucessivas, em pleno início da Guerra Fria, por Ray Bradbury. Não sou um indefectível deste género, mas reconheço em muitos autores de FC uma excelência que ultrapassa outros que advogam géneros mais «literários», o que é ridículo. Houve uma época que li muito da colecção Argonauta e da Caminho. Encontrei lá livros inesquecíveis de Robert Heilein, Ursula Le Guin, Ray Bradbury, Isaac Asimov e tantos outros...

Este livro foi comprado na Payot de Lausanne a um preço de bolso (formato e valor). Aliás, não poderia pensar em levar livros grandes porque a bagagem de avião paga-se a preços proibitivos. Sinceramente, não sei se o li. O desencadear da história leva-me a dizer que sim, porque estranhamente reconheço a trama. Ou vi um filme baseado nos contos marcianos do autor e com outro nome? Ainda por cima tem tudo a ver com os enredos fantásticos da Twiligth Zone. Enfim, espero desfazer as minhas dúvidas e impressões.

Ir a Marte nos anos cinquenta tinha o que se lhe diga: de planeta vermelho, as tripulações dos ''rockets'' que lá chegavam são levadas ao engano através de hipnose, telepatia, sensações psíquicas induzidas por quem ainda não dispõe de defesas atómicas contra os habitantes da Terra que se digladiam entre si e que esperam a qualquer momento nova deflagração nuclear. Que lhes resta, aos marcianos, senão aniquilá-los através da percepção sensorial? 

Esperemos então o enredo final, agora que já lá temos robots e em 2035 lá chegaremos. Mas levem um arqueólogo porque poderá dar-se o caso de os seus habitantes terem sido extintos, coisa que logicamente nunca acontecerá aos terráqueos. Impossível, não é?

António Luís Catarino