terça-feira, outubro 27, 2026

"Matamos Stella", Marlen Haushofer

 

Antígona, 2026. Selecção, tradução e posfácio de Gilda Lopes Encarnação. 

Já aqui referimos Marlen Haushofer quando se escreveu sobre «A Parede». Austríaca, a escritora pertencerá a um grupo de mulheres desse país que se impõem na literatura através do inconformismo e da crítica social. Os contos de «Matamos Stella» foram escritos entre 1956 e 1968 e mostram um forte apelo à liberdade e a recusa absoluta de aceitar as normas sociais incongruentes e impostas que levam ao desespero, à depressão, à ruptura perante uma sociedade como a austríaca que foi denunciada a seu tempo por Ingeborg Bachmann ou Elfriede Jelinek para só falar das mulheres, já que o feminino está muito presente nos contos de Haushofer. A inadaptação ou desajustamento das personagens é uma das metáforas mais poderosas do que é transmitido nos seus contos a partir de situações por vezes comuns, mas que podem resvalar para um limite facilmente atingível aos nossos olhos e às nossas experiências de vida social e familiar. É dessa familiaridade que a leitura de Haushofer se torna, igualmente, um prazer único.