Deriva das Palavras
quinta-feira, junho 04, 2026
segunda-feira, junho 01, 2026
O Abjeccionismo e os Imigrantes que se vão daqui.
Os Imigrantes decidiram ir embora daqui. Pouco a pouco começam a juntar os haveres e ala que se faz tarde para lugares mais acolhedores. Não sei se, entretanto, aproveitarão para regular algumas questões pendentes sobre o modo como foram maltratados pelos portugueses e pelo Estado, durante os escassos anos que previram estar por cá. Vem isto a propósito do abjeccionismo, esse movimento que, segundo alguns, substituiu o surrealismo, porque isto anda tudo ligado. Há quem afirme que nunca houve um movimento surrealista em Portugal, mas sim atitudes abjeccionistas que estiveram na base de um estado de espírito aceitável por muitos escassos portugueses, que era o da revolta permanente. Revolta e abjecção face aos portugueses de raiz: os que gostam de Fátima e do fado, os que nunca dispensam o aumento da sã mortalidade baseada no clubismo, os que bebem minis quentes com a camisola da selecção e imitam a saudação romana não fossemos nós latinórios de gema, os que gostam de ver porrada nos reels do telemóvel, sempre em modo on, nas esquadras e no trânsito, os que adoram concertos em estádios com pulseiras luminosas, que não admitem filhos que partilhem ideologia uôque, os que dizem que «a mim não me enganam eles» quando se lhes passa imagens dos astronautas na Lua em 1969, que não se importam nada com as crises climáticas que foram inventadas «para os seguros se encherem de dinheiro», que a terra é plana, como o foi sempre e que os políticos querem é mamar e tachos. Para além de tudo, têm saudades excruciantes do Império construído pelos portugueses, que levaram para lá a civilização e que, sendo assim, formulam a questão óbvia de nunca poderem ter sido, ou que venham algum dia a ser, racistas.
Portanto, a conclusão óbvia é que o abjeccionismo tem
espaço para crescer à medida que os imigrantes nos abandonarem e deixarem-nos a
sós com os portugueses. Vivermos isolados, junto a portugueses de bem, num
território afogueado e tempestuoso, evangélico, traumático e deprimido, solar e
eolicamente ocupado, hidraulicamente compartimentado, sujo, vazio, é um caso
sério para emigrarmos novamente em massa ou ficar e juntarmo-nos a um movimento
qualquer que promova atitudes abjectas, para-niilistas, anti-multitudinárias e
ecológicas tendo por objectivo único o apartar dos portugueses os próprios
portugueses. É, de facto, assustador.
alc
terça-feira, maio 26, 2026
"ABC da Leitura", Ezra Pound
segunda-feira, maio 25, 2026
«O Novo Niilismo», Peter Lamborn Wilson
quinta-feira, maio 21, 2026
"Revisitar os Clássicos", Kenneth Rexroth
domingo, maio 10, 2026
"Os Costumes do País", Edith Wharton
segunda-feira, maio 04, 2026
"Ludwig Wittgenstein. Filosofia na Era dos Aviões", Anthony Gottlieb
quarta-feira, abril 29, 2026
"Paris", Annemarie Schwarzenbach
segunda-feira, abril 27, 2026
"Les Orphelins", Éric Vuillard
sábado, abril 25, 2026
"Autobiografia e Poemas", Maiakovski
quinta-feira, abril 23, 2026
"Les Vies Secrétes ds Vladimir Maiakovski", Yoann Iacono
segunda-feira, abril 20, 2026
"Poesia Quase Toda", Zbigniew Herbert
terça-feira, abril 14, 2026
"O Tango de Satanás", László Krasznahorkai
domingo, abril 05, 2026
"Confissões de um Opiómano Inglês", Thomas de Quincey
terça-feira, março 31, 2026
"Cânone de Câmara Escura", Enrique Vila-Matas
sábado, março 28, 2026
"Jerónimo e Eulália", Graça Pina de Morais
quarta-feira, março 25, 2026
"Vénus em Chamas", Pedro Vieira
terça-feira, março 24, 2026
"A Morte de Virgílio", Hermann Broch
domingo, março 15, 2026
"Nada", Carmen Laforet


















