Deriva das Palavras
domingo, março 15, 2026
"Nada", Carmen Laforet
segunda-feira, março 09, 2026
João Pinto Ângelo (02/07/1957 - 3/03/2026)
Recordo-me particularmente dos anos lectivos de 1972/73 e de 73/74. Tínhamos entre 15 e 16 anos e a formação política veio depressa e a ferros. Sabíamos principalmente o que não queríamos, mais do que construir utopias, para nós ainda demasiado complexas. Queríamos que a ditadura se fosse, a guerra terminasse de uma vez por todas e as coisas terríveis que nos eram contadas por quem lá esteve. A turma, lembro-me, dividia-se entre aqueles que ficavam e os que queriam partir para uma Europa arejada e democrática, ao contrário de um país de gente pobre, enfadonho, manietado e repressivo que era o Portugal de então.
João Pinto Ângelo contribuiu como estudante liceal, sem tergiversar, para o derrube da ditadura fascista. No ano de 1973, esteve presente em várias acções contra a ditadura principalmente após as «eleições» em que apoiou a CDE. As acções baseavam-se, principalmente, em colagens de cartazes do MDP/CDE, «A Força do Povo» e de autocolantes com carimbos artesanais contra a guerra colonial e contra a carestia de vida despoletada pela crise petrolífera de 1973 (por vezes de dia, quando saíamos das aulas, no D. João III!) e distribuição de comunicados do movimento. A sua coragem física via-se claramente quando confrontava a polícia, quer no último 1º de Maio em ditadura, quer na importante acção nos transportes públicos em Coimbra contra o pagamento de bilhetes quando o governo os veio a aumentar, quer ainda na carga policial que se assistiu no início da peça de teatro do TEUC, «O Asno», em plena avenida Sá da Bandeira. Foi também em 1973 que aderiu à CDEC (Comissão Democrática de Estudantes de Coimbra), saída das «eleições» já referidas e CPAEL (Comissão Pró-Associação de Estudantes Liceais) em rede com as suas congéneres de Lisboa e Porto. Foi nesse âmbito que, até Abril de 1974, desenvolveu uma política organizada de agitação e propaganda contra a ditadura, com colagens, intervenções e distribuição de comunicados em RGA's-relâmpago, presença em reuniões políticas e de âmbito cultural com projecção de filmes nas repúblicas, leitura de livros, etc. entre estudantes do ensino universitário e liceal. Muitas vezes o contacto entre os estudantes universitários mais experientes na Clepsidra, e nas repúblicas contíguas a este espaço, como o Ay-ó-Linda e Fantasmas, foi determinante para uma crescente politização dos liceus contra a ditadura em que se destacam, entre muitos, os nomes de Lizardo e de Pena dos Reis, que pertenciam à UEC desde 1972, data da sua formação. O núcleo dirigente da CDEC e da CPAEL no D. João III contava com a sua acção determinante. A luta contra a ditadura nesta escola foi constante e nunca esmoreceu, contando igualmente com outras organizações como os Núcleos Sindicais, ligados à FEML em que se destacava o Sérgio Soares. A nossa relação era afastada, mas não abertamente hostil como o foi após o 25 de Abril.
No dia 25 de Abril de 1974, em que nos preparávamos para distribuir comunicados da CDEC de mobilização estudantil liceal para o 1º de Maio, foi com muita apreensão que vimos os soldados armados que subiam a Lourenço de Azevedo pensando que seriam comandados por Kaúlza de Arriaga o que nos fez escondê-los sob arbustos do Jardim da Sereia (o 11 de Setembro de 73, no Chile, estava muito fresco). Foi nessa tarde, do 25 de Abril, já participando na revolução, que o João Pinto Ângelo, o Sarmento, o Brito Moura e eu, entrámos pelo gabinete do reitor Vieira e lhe comunicámos que iria ter lugar uma Assembleia Magna da Escola no dia seguinte e que, por nós, pela CPAEL, ele não ficaria como reitor, o que lhe provocou um acesso de raiva e procedeu a uma ameaça de consequências graves. Foi a sua última ameaça. Tínhamos então 16 anos. A 26 de Abril de 1974, nos jardins da AAC e antes da grande Assembleia Magna desse dia de apoio à revolução, adere à UEC pela mão de Lizardo. Torna-se evidente que a experiência de João Pinto Ângelo no movimento associativo estudantil abriu-lhe portas, mais tarde, para o seu trabalho unitário e abrangente na UNEP, na actividade sindical na Função Pública e, mais tarde, no trabalho exemplarmente reconhecido e exigente na Assembleia Municipal de Coimbra como deputado eleito.
alc
domingo, março 08, 2026
"Geada", Thomas Bernhard
quinta-feira, fevereiro 26, 2026
"Um Bárbaro no Jardim", Zbigniew Herbert
segunda-feira, fevereiro 23, 2026
"Eu Vi o Tempo Assassinar-me", Dylan Thomas
terça-feira, fevereiro 17, 2026
"Thérèse Raquin", Émile Zola
domingo, fevereiro 15, 2026
"Terra Queimada", Jonathan Crary
Ilustr[ações]. Apresentação no Liquidâmbar. 14/02/2026
Ilustr[ações]
Ilustrações,
desenhos, cartoons editados pelo «Jornal Mapa», as revistas «Flauta de Luz» e
«A Ideia». Entre 2021 e 2026 fizeram parte de uma sequência onde pontificaram
desenhos alusivos à crítica ao capitalismo, ao extrativismo, ao militarismo e à
guerra, pelo decrescimento económico e pelo comunitarismo solidário. Por uma
verdadeira Vida e uma outra Sociedade, pela Poesia tornada real nos dias que
correm. Nestes desenhos não existe neutralidade, escolhe-se um campo-limite,
uma zona utópica de liberdade e de construção do comum.
ANTÓNIO
LUÍS CATARINO
quinta-feira, fevereiro 12, 2026
Ilustr[ações]
Ilustr[ações]
Ilustrações,
desenhos, cartoons editados pelo «Jornal Mapa», as revistas «Flauta de Luz» e
«A Ideia». Entre 2021 e 2026 fizeram parte de uma sequência onde pontificaram
desenhos alusivos à crítica ao capitalismo, ao extrativismo, ao militarismo e à
guerra, pelo decrescimento económico e pelo comunitarismo solidário. Por uma
verdadeira Vida e uma outra Sociedade, pela Poesia tornada real nos dias que
correm. Nestes desenhos não existe neutralidade, escolhe-se um campo-limite,
uma zona utópica de liberdade e de construção do comum.
ANTÓNIO LUÍS CATARINO
quarta-feira, fevereiro 11, 2026
«Longe da Multidão», Thomas Hardy
quarta-feira, fevereiro 04, 2026
"Partida", Julian Barnes
sábado, janeiro 31, 2026
"A Trilogia de Copenhaga", Tove Ditlevsen
quinta-feira, janeiro 29, 2026
Nota de Rodapé 29/01/2026
O mundo a desabar entre o autoritarismo e a violência das guerras e da repressão e nós aqui entalados entre um odioso e ridículo Ventura e um autodenominado moderado e humanista pela mão de Seguro. Mesmo que a escolha entre um e outro seja clara na defesa do que ainda há de liberdade nas sociedades actuais, não deixa de ser singular a falta de debates em temas verdadeiramente importantes e que terão a ver com a nossa vida, como a recusa da guerra e do militarismo, a possibilidade cada vez mais necessária de decrescimento económico, a crise climática e o papel do capitalismo verde (a IL, de mansinho, veio colocar a agenda na substituição das energias renováveis pelo extractivismo, pelo carvão e pelo petróleo), a profunda crise do capitalismo liberal que pretende destruir o estado social e a pobre discussão em torno da Constituição já completamente empobrecida com sucessivas revisões. Mesmo o abandono do interior e a destruição de equipamentos sociais e comunitários no interior do país (na Europa é igual) e de que se gosta de proclamar soluções em períodos eleitorais, este discurso é inexistente. Por muito que custe a alguns sectores da sociedade (não tão pequenos como isso) o anticapitalismo é ultrapassado a grande velocidade pelo antifascismo, e aí se vê a importância política do Chega e dos espécimes que o compõem e que ainda não compreenderam o seu triste papel: construir uma união forçada em torno da ideia democrática pela anulação dos seus opostos.
sexta-feira, janeiro 23, 2026
Nota de rodapé 20/01/2026
É quase uma pequena nota no Público de hoje: "a revista científica Lancet [estima] que 14 milhões de mortes possam ocorrer até 2030 com o fim dos programas alimentares e de saúde da USAID". Não posso deixar de ligar isto a um facto descrito em "Terra Queimada", de Jonathan Crary, que citando o "Lugano Report", de 1999, dá conta das perspectivas neoliberais desenhadas pelos autocratas e conselheiros trumpistas que defendem a redução drástica da população mundial afirmando, sem qualquer pudor, que "não podemos defender o sistema liberal de mercado livre e, ao mesmo tempo, continuar a tolerar a presença de milhões e milhões de pessoas supérfluas e improdutivas".
alc
"A Parede", Marlen Haushofer
domingo, janeiro 18, 2026
"Além da Memória", Sebastian Barry
terça-feira, janeiro 13, 2026
"A Curva da Estrada", Ferreira de Castro
sexta-feira, janeiro 09, 2026
"Fronteira", Can Xue
sexta-feira, janeiro 02, 2026
"Artigo 353", Tanguy Viel
terça-feira, dezembro 30, 2025
"O Ofício", Serguei Dovlatov
quinta-feira, dezembro 25, 2025
"Ódio à Civilização Moderna", William Morris
segunda-feira, dezembro 22, 2025
2026
sábado, dezembro 20, 2025
"L' Adversaire", Emmanuel Carrère
domingo, dezembro 14, 2025
"O Náufrago", Thomas Bernhard


























