segunda-feira, maio 20, 2013

Entrevista a Ricardo Gil Soeiro na publicação de Bartlebys Reunidos



Deriva: Dia 8 de junho encontrar-nos-emos em Lisboa?
RGS.: Sábado, dia 8 de Junho, pelas 16:30, haverá poesia na Livraria Pó dos Livros!
Deriva: Quem estará presente nessa apresentação?
RGS.: A ensaísta Maria João Cantinho apresentará o livro Bartlebys Reunidos e a poeta Gisela Ramos Rosa emprestará o fascínio da sua voz à leitura de alguns poemas escolhidos. Contaremos, ainda, com a presença do editor António Luís Catarino. O livro constitui o segundo volume de uma “Tetralogia de uma Poética Palimpséstica” que estou a escrever (um projecto constituído por quatro volumes que assentam nos mesmos moldes formais) e baseia-se na personagem criada por Herman Melville, no conto Bartleby, the scrivener (1853): o escrivão Bartleby que, a cada solicitação ou ordem, limita-se a retorquir: “Preferiria não o fazer.”
Deriva: Qual o objectivo dessa procura?
RGS.: Visa, fundamentalmente, interrogar poeticamente a pulsão negativa e a atracção pelo nada, tal como esta se desenha no labirinto da literatura do Não (tendo-me aqui inspirado no híbrido romance Bartleby & Compañia, de Enrique Vila-Matas). Na verdade, o tema da desistência literária, a que o subtítulo da obra alude (“Para uma Ética da Impotência”), sempre me fascinou. Mas trata-se de uma negatividade que, paradoxalmente, pode ser terreno fértil para a afirmação da criação, para o triunfo do gesto, enfim, para a plenitude da palavra. Estas questões serão o ponto de partida para uma tarde poética bem passada.

sábado, maio 18, 2013

José Ricardo Nunes publica Compositores do Período Barroco na Deriva.

Capa do novo livro de poesia de José Ricardo Nunes a sair em junho na Deriva. Compositores do Período Barroco é o título. A apresentação será nas Caldas da Rainha, no dia 15 e contará com a presença de Pedro Mexia. Daremos mais informações.

Ricardo Gil Soeiro publica Bartlebys Reunidos. A sair


É esta a capa de Bartlebys Reunidos, de Ricardo Gil Soeiro a publicar, em junho, pela Deriva. A apresentação será a 8 desse mês, em Lisboa, na Pó dos Livros e contará com a presença de Maria João Cantinho. Daremos mais novidades ao longo destes dias. Para já, a capa.

terça-feira, maio 14, 2013

Stevenson na Ler de maio. Recensão de José Guardado Moreira

É na Revista Ler, nº 124, que se encontra uma recensão crítica de José Guardado Moreira sobre Stevenson  e o seu já muito falado A Moralidade da Profissão das Letras que finalmente a Deriva, em parceria com o Instituto de Literatura Comparada Magarida Losa da FLUP, se encarregou de editar com uma belíssima tradução de Jorge Bastos da Silva.
Neste número consta igualmente uma entrevista a Ribeiro Telles, uma interessante conversa entre Rentes de Carvalho e Fernando Venâncio e também duas excelentes notícias no âmbito editorial: uma nova edição de Pipi das Meias Altas e a edição de uma biografia de Mesrine, esse grande gangster e amigo de Debord, pela mão da Antígona.

segunda-feira, maio 06, 2013

Que se lixe a troika!, de João Camargo nas mãos do Prof. Marcelo

Foi ontem, dia 5 de maio, que na sua prelecção dominical, o Professor Marcelo se referiu, na TVI, ao Que se lixe a troika!, de João Camargo. Repare-se no sorriso  aquiescente e quase jactante de quem acredita que, afinal, a troika nem está perto de se lixar. Provavelmente seremos nós. Na ideia dele, claro.

Henrique Fialho escreveu sobre A Moralidade da Profissão das Letras, de Stevenson



Dar ao público o que ele não quer, mas esperar ser sustentado: temos aí uma estranha pretensão, contudo não invulgar, sobretudo entre os pintores.
Robert Louis Stevenson

Quem se detenha no título deste ensaio, não deixará de se espantar. Primeiro por nele ser admitida uma profissão das letras, depois por pressupor-se nessa profissão uma moralidade. O ensaio data de 1881, os tempos eram outros, mas Robert Louis Stevenson (1850-1894) mantém-se actual. Ainda que o conceito de profissão das letras nos pareça vago, sobretudo num país como o nosso, ele faz sentido onde as letras podem ser tomadas com a seriedade de outros negócios. A urgência de uma moralidade na profissão, que já então suscitava debate, é outra história. Basta ler A Informação, de Martin Amis, para se compreender que também neste negócio, o das letras, a moralidade tem tectos falsos e fronteiras relativas. Mas essa é uma realidade que, apesar de tudo, está distante da nossa, pois por cá o amadorismo e a diletância, no pior e no melhor dos sentidos, vão como que garantindo um certo desprendimento que mantém o negócio em território paralelo. Perdem os autores, explorados até ao tutano das palavras, ganham, quando ganham, os editores, as distribuidoras, os retalhistas (que já nem se resumem a esse sôfrego espaço das livrarias, pois por todo o lado se vêem livros à venda como outrora se viram tremoços). O cenário é apenas similar ao experienciado por Stevenson, pese embora o facto de no que à porcaria diz respeito haver sempre pormenores que nunca mudam. E esses pormenores fazem a diferença. Disto não pode ser abstraída a natureza humana, retratada pelo autor, na sua essência, nessa magistral efabulação intitulada The Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde. A bipolaridade da personagem tipifica o pensamento de Stevenson nos mais variados temas, não sendo excepção os três ensaios coligidos neste pequeno volume da colecção Pulsar (Deriva, Dezembro de 2012). No primeiro, que dá título ao volume, subentende-se o esforço colocado na defesa de uma literatura rigorosa que não se faça depender, exclusivamente, das ambições lucrativas. Entenda-se aqui o lucro em termos meramente materiais, pois outros há que ultrapassam a configuração salarial. Passam por valores igualmente viciantes como os do reconhecimento, da fama, da promoção académica, da afirmação pessoal, da pura vaidade. Isto torna actualíssimo o principal desejo do autor de An Inland Voyage: «Melhor fora que os nossos templos serenos estivessem vazios do que cheios de padres vendilhões e embusteiros» (p. 17). A expressão “templos serenos” é denotativa do lugar em que Stevenson colocava a sua actividade, olhando para a literatura de um modo que as práticas actuais não se esforçam para desmentir. Stevenson acreditava na função educativa das letras, encarava-o como uma missão, preocupando-se pois em estabelecer uma separação clara entre uma literatura preocupada em instruir e outra meramente ocupada em agradar. Não obstante, admitirá, com laivos de ironia: o fim de toda a arte é agradar e o primeiro dever de um indivíduo é ganhar o seu sustento (cf. p. 40). Note-se que a crítica do entretenimento não deixa de ser curiosa num autor cujos méritos, muitas vezes, não foram elevados a outros patamares. Talvez existisse nesta postura uma necessidade de afirmação, algo que o leva a concluir ser intelectual o primeiro dever de qualquer um que queira escrever. No entanto, essa necessidade é colocada de lado quando critica a parcialidade do jornalismo, reivindica a busca da verdade, preocupa-se em atribuir às letras uma utilidade que será sempre mal paga. E conclui: «Na literatura como na conduta, nunca podemos esperar proceder com correcção exacta. Tudo o que podemos fazer é procurar a máxima certeza; e para isso há apenas uma regra. Nada que possa ser feito devagar deve ser feito à pressa» (p. 28). É esta a ferida que um texto escrito há 130 anos melhor abre, pois exige-nos que pensemos a nossa relação com o tempo e como a mesma determina tudo o que fazemos, mesmo quando o fazemos contra o tempo, indiferentes à utilidade dos ofícios pagos ou à atribuição de um salário. Talvez o acto de escrever, que na Carta a um Jovem Cavalheiro que se Propõe Enveredar pela Carreira das Artes é separado das «profissões rotineiras» e colado à «vocação», se tenha transformado numa espécie de ritual com direito a fazer parte de uma comunidade restrita. O elogio, os encómios, a popularidade (sempre relativa), pagam a jorna. Evocada, ontem como hoje, a cegueira da «grande massa do público», pouco mais nos resta. Robert Louis Stevenson não teve que se queixar senão de uns desgraçados pulmões, o que lhe valeu repouso eterno nas ilhas do Pacífico. Do mal, o menos. Sem ceder à mediocridade, foi popular. Nele, o idealismo encontrou o realismo e este assentou no regaço daquele. Mesmo tendo em conta uns parcos 44 anos de vida, não foi extensa a sua produção. Velejar, afinal, era mais útil do que escrever.


Henrique Manuel Bento Fialho,

domingo, maio 05, 2013

Que se lixe a Troika!, de João Camargo: 5 086 000 000 000 euritos

«5 086 000 000 000 euritos
Assim foi. Antes deste anúncio, a Alemanha já tinha resgatado a Hypo Real Estate, assim como outros países tinham resgatado o Dexia e o Fortis. Continuaram os resgates e, apenas no período de 15 de setembro de 2008 a 1 de junho de 2009, os países da zona euro gastaram no seu conjunto 2028 biliões de euros com o resgate das ''instituições relevantes'' do sistema bancário e financeiro. É o equivalente a 21% do PIB da zona euro.
A 1 de outubro de 2012, o apoio aprovado na União Europeia a 27 para as instituições financeiras e bancárias chegou aos 5086 biliões de euros, equivalente a 40,3% do PIB da União Europeia. (...)»
Pág. 30

sexta-feira, maio 03, 2013

Stevenson: Da moralidade da profissão das letras

«Ora a Natureza, seguida fielmente, mostra ser uma mãe cuidadosa. Um rapaz, por gostar da música das palavras, resolve dedicar-se às Letras por toda a vida; a pouco e pouco, quando aprende maior gravidade, descobre que fez melhor escolha do que pensara; que, se ganha pouco, ganha-o amplamente; que, se recebe um salário pequeno, está em posição de prestar serviços consideráveis; que está em seu poder, em certa medida, proteger os oprimidos e defender a verdade. Está o mundo tão bem ordenado, tão grande proveito pode surgir de um pequeno grau de autoconfiança humana, e é tal, de modo particular, a boa estrela deste ofício da escrita, que deve combinar prazer e proveito para ambas as partes, e ser a um tempo agradável, como tocar rabeca, e útil, como uma boa prédica. (...)»
Pags. 18 e 19. Tradução de Jorge Bastos da Silva

Ao encontro de Max Frisch. Da introdução

«O escritor suíço Max Frish (1911-1991) é, sem dúvida, um dos ícones da literatura de expressão alemã dos anos 50. A sua obra, que no período coincidente com a ascensão do nazismo e com a 2ª Guerra Mundial se revela desligada de qualquer comprometimento político, concentra-se, a partir do final dos anos 40, na questão do papel que cabe ao ser humano, esmagado pela culpa e pelas pressões do poder. Terá sido Frish um dos primeiros escritores a levantar a questão da responsabilidade no desenrolar da guerra que deve ser atribuída à Suíça, tão ciosa da sua neutralidade.
Nas peças teatrais e na prosa ficcional e não-ficcional que publica a partir de 1950, Frish alia a velhos motivos literários, como a dificuldade de conciliar a vida artística com a vida burguesa, outros temas que se tornarão centrais no século XX: a busca da identidade própria, o relacionamento com o outro, os limites e condicionalismos da linguagem. A estas grandes questões juntam-se aquelas a que se foram impondo como próprias do pensamento frischiano: a necessidade de uma inquietação constante e da questionação de todas as certezas, bem como, principalmente, a importância de não criar imagens do outro nem aceitar como boas imagens que outros construam de nós próprios, e, ainda, o perigo do ser humano falhar a sua própria existência e de se alienar de si próprio. (...)»

Introdução, págs 7/8. Teresa Martins de Oliveira

Biographia Literaria de ColeridgeSobre esta edição

«Biographia Literaria é uma obra de importância maior no contexto do ensaísmo britânico oitocentista e fundamental no panorama do Romantismo europeu e norte-americano (o Transcendentalismo da Nova Inglaterra), mas nunca foi traduzida para a nossa língua, a despeito do facto de ser correntemente estudada em cursos universitários. O presente volume oferece ao leitor português um conjunto de excertos, seleccionados com o intuito de representar as várias dimensões componentes da obra: a narrativa autobiográfica, os apontamentos críticos sobre cultura literária, as considerações sobre matérias filosóficas - vertentes e incidências temáticas que, aliás, se entretecem nas sinuosidades do texto. Esta centena de páginas (correspondendo a perto de um quinto da extensão total da obra) visa um leitor primordialmente interessado em questões de história, de crítica e de teorização literárias, mas que não deve ignorar o facto de esses problemas, no pensamento de Coleridge, serem indissociáveis de reflexões de carácter filosófico e mesmo do sentimento religioso, uma vez que é uma esfera de transcendência que o autor vem a identificar a razão de ser da sua existência pessoal e da própria vocação da mente criadora e pensante. (...)»

Introdução, pág. 31. Jorge Bastos da Silva

sábado, abril 27, 2013

A TEatroensaio apresenta: Estórias de Mato - a guerra colonial em palco.


Memórias de Guerra e de Futuro
Sexta-feira, dia 3 de Maio, 21h30
Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto
(Rua Rodrigues Sampaio, 140, Porto - ao Rivoli, TLF: 222 080 565)
Entrada Gratuita
com:
Jaime Froufe Andrade (jornalista e escritor)
Nuno F. Santos (jornalista)
Pedro Estorninho (dramaturgo, encenador e director artístico TEatroensaio)

Esta conferência é um evento paralelo de promoção do espectáculo
Estórias do Mato - a guerra colonial em palco

de 9 a 12 de Maio de 2013, pelas 21h30
Teatro Helena Sá e Costa
(Rua da Escola Normal, 39, Porto, TLF Bilheteira: 225 193 760)
Dramaturgia e encenação de Pedro Estorninho e música original de José Mário Branco, espectáculo criado a partir do livro "Não sabes como vais morrer" de Jaime Froufe Andrade (4ª edição, Colecção Memória perecível, AJHLP).
Sinopse:
No começo de um dos muitos debates que se têm feito sobre a guerra colonial e sobre os ex-combatentes, Alferes Isidro conta-nos a sua história, transportando-nos numa analepse que nos coloca no seu último dia de guerra e de África onde se encontra numa situação de espera com o Sargento João, contando um ao outro as suas histórias de guerra e do mato.

Dados sobre o espectáculo:
Duração: (aprox.) 1h
Classificação: maiores de 12 anos
Bilheteira: 225 193 760 / 961 631 382 (Aberta em dias de Espectáculo, duas horas antes do mesmo)
Preçário: Bilhetes Ex-Combatentes: 5€; Bilhetes Normais:10€; Bilhetes Jovens (25 anos)/Estudantes/ Reformados e Profissionais do Espectáculo: 5€: Grupos com ou mais de 10 pessoas: 7,50€
Teatro Helena Sá e Costa, Rua da Escola Normal, 39 Porto.

Ficha Artística:
Texto original: Jaime Froufe  Andrade
Dramaturgia e Encenação: Pedro Estorninho
Música Original: José Mário Branco
Direcção de Produção: Inês Leite
Interpretação: José Topa, Paulinho Oliveira, Pedro Estorninho, Pedro Roquette;
Cenografia: Paulo Barrosa
Figurinos: Inês Mariana Moitas
Desenho de Luz e Som: Romeu Guimarães

Ficha Técnica:
Trailer e Registo Vídeo: Eduardo Morais
Registo Fotografia: Pedro Ferreira
Design Gráfico: Makeup Design / Augusto Pires
Documentário televisivo: TKNT (Co-Produção com o TEatroensaio)
--
TEatroensaio
Tlf: (00351) 222 083 835
Tlm: (00351) 918626345
http://teatroensaio-teatreia.blogspot.com/
http://teatroensaio.wix.com/teatroensaio
www.youtube.com/TEatroensaio.com

Apoios / Parcerias
IEFP,IP - CACE Cultural Porto / ESMAE - IPP/ TNSJ/ Moagem CERES S. A./ Deriva
Editores/ Vinhos do Porto Fonseca apoia a Cultura/Nouvelle Vague Photo

Porto Sentido, exposição


sexta-feira, abril 26, 2013

Em breve nas livrarias: Ao Encontro de Max Frisch, coordenação de Teresa Martins de Oliveira




O escritor suíço Max Frisch [1911- 1991] é, sem dúvida, um dos ícones da literatura de expressão alemã dos anos 50. A sua obra, que no período coincidente com a ascensão do nazismo e com a 2.ª Guerra Mundial se revela desligada de qualquer comprometimento político, concentra-se, a partir do final dos anos 40, na questão do papel que cabe ao ser humano, esmagado pela culpa e pelas pressões do poder.
Deriva/ILC Margarida Losa da FLUP

Teresa Martins de Oliveira (coordenação)
Ofelia Martí-Pena
Gonçalo Vilas-Boas
Teresa Martins de Oliveira
Alexandra Moreira da Silva
Maria Antónia Gaspar Teixeira
Ana Isabel Marques
Maria Alexandra Côrte-Real

domingo, abril 21, 2013

Alberto Carneiro em Serralves


E por falar em coerência e honestidade concetual no campo das artes, Serralves apresenta-nos um Alberto Carneiro que, não sendo novo, permite-nos ver que a sua proposta artística continua quase incólume 40 anos depois. Hoje a árvore, ontem as pedras e o campo. Gosto de o ver assim. Isto é também provocação, pensamento, inconformismo.

Only the stars to teach us light, Jorge Martins

Ontem, em Serralves, Jorge Martins numa exposição retrospetiva da sua obra. Num tempo em que a arte é, cada vez mais, mercadoria que se compra e vende ao desbarato é necessário um outro olhar para a coerência e honestidade.

sexta-feira, abril 19, 2013

A Moralidade da Profissão das Letras e outras Defesas da Literatura [5 ESTRELAS NA IPSÍLON ]



A Moralidade da Profissão das Letras e outras Defesas da Literatura
Robert Louis Stevenson
Deriva
Gustavo Rubin na IPSÍLON

"Nada que possa ser feito devagar deve ser feito à pressa." Eis a regra de escrita que resume toda a ideia de literatura defendida por Robert Louis Stevenson neste breve trio de ensaios publicado entre 1881 e 1888. É uma amostra, embora muito representativa, do trabalho ensaístico a que também se dedicou o autor de Ilha do Tesouro, de O Médico e o Monstro ou desse notável relato de viagens que é Nos Mares do Sul. Não sendo o único, o pequeno volume da colecção Pulsar passa no entanto a ser um dos raros com que podemos aceder em português ao pensamento literário de um grande escritor que nunca foi só o exímio narrador que toda a gente reconhece.O ensaio em título articula-se bem com os outros dois que completam o livrinho: a Carta a um jovem cavalheiro que se propõe enveredar pela carreira das artes e Uma nota sobre o realismo. A gravidade com que Stevenson coloca o problema da "moralidade da profissão das letras" mantém-se constante e ainda hoje é um magnífico antídoto contra certo cinismo envolvente. A ideia é inequívoca: por um lado, a literatura "é singularmente interessante para o artista", individualmente considerado; por outro lado, "num grau que lhe é peculiar entre as artes", a literatura "é útil à humanidade". E daí segue-se a consequência: "Estas são justificações suficientes para qualquer jovem, homem ou mulher, que a adopte como o ofício da sua vida."

Stevenson tem um entendimento amplo da profissão literária, não excluindo sequer o jornalismo, essa "universal reportagem" de Mallarmé que para o escritor escocês exemplifica o modo como "os deveres da literatura são negligenciados diariamente, a verdade diariamente pervertida e suprimida" - embora não deva nem tenha de ser assim. Nem seria sequer muito ousado ler este ensaio como reflexão sobre a autonomia da literatura na era do jornalismo, dando outra densidade à aproximação com Mallarmé, nada estranha porém, se pensarmos que Stevenson se descrevia a si mesmo como um "perfeito Gaulês". Flaubert, Voltaire (a que não achava graça nenhuma), Balzac, Dumas ou Musset são aliás referências a que recorre mais que uma vez ao longo dos ensaios.

De certa maneira, a Nota sobre o realismo é uma crítica da tradição do romance francês moderno, tomando como alvo contemporâneo o naturalismo de Zola mas entendendo-o restritamente como um tipo de realismo que "diz respeito a meras questões formais", isto é, aos "sucessos técnicos" em que se perderia a "força inquestionável do Sr. Zola". Em todo o caso, é em Walter Scott e no romance histórico que Stevenson vê a origem do realismo enquanto profusão do detalhe. É um problema muito diferente do daquilo a que chama "a verdade fundamental", preocupação que no ensaio sobre a moralidade da profissão era um dos dois deveres que incumbem a quem entra "no negócio da escrita: respeito pela verdade das coisas e um bom espírito no tratamento".

Resumido assim, soa a um manifesto moralista pelo bom senso literário mas o certo é que Stevenson nunca perde o humor com que encara (e desfaz) todas as pretensões ao equilíbrio entre intenções e obras. "Não há nenhum livro perfeito, sequer na intenção" é uma das afirmações menos vulgares que aqui se podem ler. E o respeito pela verdade das coisas é, sobretudo, o respeito pela noção de que na arte o assunto em si mesmo é secundário porque nela "é antes de tudo a atitude do autor que é narrada". O argumento (por exemplo, realista) que suprimisse esta consciência significaria "correr risco muito mais perigoso do que o de ser imoral: é ter a certeza de não ser verdadeiro". E é desta verdade fundamental em que o sujeito de escrita nunca está ausente que decorre o discurso trabalhista (digamos assim) que atravessa toda a "Carta a um jovem", ou seja, o discurso de um escritor para quem, por muito trabalho que a escrita dê e por muito árduo que ele de facto seja, "Na vida do artista não tem de haver hora desprovida de prazer."

Aconselhando devoção ao trabalho e confiança no tempo que acabará por trazer, mais tarde ou mais cedo, o gosto dessa devoção, Stevenson concentra a sua descarada publicidade da literatura como forma de vida no prazer de quem escreve. E a debilidade dos resultados atingidos por milhares de artistas e escritores não é contra-argumento válido para sugerir uma carreira alternativa: "O artista incapaz seria provavelmente um padeiro muito incompetente."

Bastante competente foi, não só Jorge Bastos da Silva, mas ainda o conjunto dos seus dez alunos do seminário de Tradução da Faculdade de Letras da Universidade do Porto que são co-responsáveis pelo texto deste opúsculo e cujo nome vem individualizado na nota introdutória. Trabalhos destes são a melhor resposta a quem duvida da utilidade social da profissão literária.

quinta-feira, abril 18, 2013

Cavaco e Rui Rio. O mesmo sorriso alvar


Não sei quem é Cavaco, ou Rui Rio. Reconheço-os como políticos siameses, envoltos num objetivo comum de poder pessoal, muito longe do que deveria ser o serviço público. Reconheço-os, pois, como pessoas mesquinhas, vingativas, pouco sérias. Li, algures (creio que numa biografia de Cavaco no Expresso), que em pleno verão quente de 75, Cavaco sentiu-se mal, quase desmaiando, numa aula em que estudantes pretendiam fazer uma RGA ruidosa. Tiveram de dar-lhe um copo de água para se restabelecer. Mas, afoito e espigadote, este mesmo rapaz, numa peça de teatro na escola de Boliqueime, salta para o palco, abre as pernas e de cu para a assistência, lá diz que tem ali o olho de Camões! Nunca mais esqueci esta biografia do que se tornou presidente de todos os portugueses uns anos depois. Deveria, ontem mesmo, na Colômbia, ter saltado para o palco e fazer o mesmo ao ter elogiado o poeta de quem gozou alarvemente em Boliqueime. Está-lhe no sangue e todos compreenderíamos o impulso... é este indivíduo o presidente que temos, aquele que se «esqueceu» de ter referido Saramago, provavelmente porque nunca o leu, ou compreenderia se o fizesse.
Já Rui Rio, no mesmo dia, entendeu acabar com a Feira do Livro do Porto. Nada a opor Sr. Rio. Nada a opor. Sabemos que ele nada em coerência e em resistência às coisas da cultura, mas pensávamos que era só à cultura subsidiada, não à do mercado livre, como o dos livros que se vendiam diretamente ao povo. Po-vo-li-vros. Coisa horrível de soletrar. Eis como 80 anos de mercado livre e cultura correm pelos nossos dedos como areia fina. 
Basta um Rio e um Cavaco para mostrarem os dentes. Ser de direita e gostar de livros? Uma equação quase impossível de resolução. Mesmo que admire muito algumas pessoas de direita (estou neste momento a pensar em algumas de que gosto verdadeiramente) e que gostam de livros, de teatro, de exposições ou artes plásticas, têm aqui muito para pensar. É que cada vez se torna mais difícil escolher cultura e representantes políticos que a vêem como inimiga declarada. Por vezes penso que a inquisição e o índex...

Filipa Leal, Isaque Ferreira e Pedro Lamares nas próximas Quintas de Leitura


Austeridade. Nuno Crato, gostas da foto?

Reconheço o Jornal de Notícias e o O Primeiro de Janeiro. O outro será o Correio do Norte? O punho no ar do ardina da esquerda (da esquerda!) reflete a disposição política de quem alimenta a revolta, enquanto o ardina da direita lhe aponta um punho fechado vingativo, de quem não esquece eventuais ofensas. O riso aberto do meio lembra-nos o «pobrete, mas alegrete» do bom povo português apontando os extremos políticos como um mal necessário, uma excrescência liberal que só uma má educação e uma austeridade, custe o que custar, pode salvar. Nuno Crato, gostas da foto?

terça-feira, abril 16, 2013

Ricardo Gil Soeiro, Michel Pialoux, Teresa Martins de Oliveira e José Ricardo Nunes. As próximas novidades da Deriva

Paul Gorka
A iniciar-se o trabalho de edição de As Crónicas Peugeot de Michel Pialoux, na coleção A Ordem das Coisas, Ao Encontro de Max Frish, de Teresa Martins de Oliveira, na coleção Cassiopeia, Compositores do Período Barroco, de José Ricardo Nunes e Bartlebys Reunidos de Ricardo Gil Soeiro.

Que se lixe a troika. A cores

O grande outdoor da Deriva, agora a cores, para a apresentação de Que se Lixe a Troika, na Contagiarte, no Porto.

sábado, abril 13, 2013

Fotos da sessão na Contagiarte de Que se lixe a Troika!

Tatiana Moutinho, João Camargo, cá o editor e Manuel Loff

Uma vista geral das pessoas que se deslocaram à Contagiarte ontem à tarde

terça-feira, abril 09, 2013

Aurelino Costa, no Pinguim Café. Segunda, dia 15/04, às 22:30

Fotografia de Carlos Silva

O Pinguim Café é um lugar emblemático para quem gosta de ouvir poesia declamada aqui no Porto. É na Rua do Belomonte, nº 65 e, às segundas feiras, pela mão de Rui Spranger, têm passado muitos poetas. Da Deriva, contam-se a Filipa Leal e Joaquim Castro Caldas em noites memoráveis. Na próxima segunda, dia 15 de abril, será a vez de Aurelino Costa. Ou muito desconfiamos, ou Aurelino estará com o seus e como peixe na água, relativamente à poesia dita, falada. A ver vamos, convosco...a partir das 22:30.

segunda-feira, abril 08, 2013

Contagiarte, 12/04, 18:30. João Camargo, Tatiana Moutinho e Manuel Loff. Que se lixe a troika!

Dia 12 de abril, pelas 18:30, na Contagiarte, aqui no Porto, João Camargo, Tatiana Moutinho e Manuel Loff falam de Que se lixe a troika!, editado pela Deriva no mês de março, após a manifestação de dia 2. Boaventura de Sousa Santos assina o prefácio ao livro de João Camargo.

sábado, abril 06, 2013

Que se lixe a troika! em destaque na Nova Almedina do ArrabidaShopping

Nessa mesma hora, na Nova Almedina do Arrabida Shopping, decorria uma apresentação engravatada sobre a regulação dos mercados onde pontificavam alguns dos figurões da nossa praça que estão na base do resgate e da negociação com a troika. Foi bom ver, mesmo ao lado e em destaque numa prateleira da livraria, o livro de João Camargo.

Filipa Leal, igual a si própria no Bairro Alto da RTP2

Filipa Leal foi igual a si própria na conversa mantida com José Fialho Gouveia no Bairro Alto, da RTP2. Falou da poesia, de si, da sua família e da sociedade. Foi humana, sem ceder à realidade, sem lhe dar descanso. Assim se faz a poesia.

terça-feira, abril 02, 2013

João Camargo, com Tatiana Moutinho e Manuel Loff no Contagiarte a 12 de abril, pelas 18:30



É na Contagiarte, no dia 12 de abril, pelas 18:30, que João Camargo estará no Porto para apresentar o seu livro Que se Lixe a Troika!, que tem prefácio de Boaventura de Sousa Santos. A investigadora e ativista social Tatiana Moutinho e o historiador Manuel Loff estarão presentes nesta ação.
A morada da Contagiarte é a seguinte: Rua Álvares Cabral 372,  4050 Porto e o telefone é o 222 000 682. Haverá novidades para quem for, quer no consumo do bar, quer na peça de teatro. Daremos novidades entretanto.