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quarta-feira, julho 06, 2016

Revisitar Annemarie Schwarzenbach, de Gonçalo Vilas-Boas

Revisitar ANNEMARIE SCHWARZENBACH, de Gonçalo Vilas-Boas



SINOPSE 
Annemarie Schwarzenbach é uma autora suíça pouco conhecida em Portugal, embora já tenham sido publicados três livros de sua autoria (Novela Lírica, Morte na Pérsia e Annemarie Schwarzenbach em Portugal (1941, 1942)).

O interesse por esta autora reflete-se não só no crescente número de reedições e traduções em francês, italiano, espanhol, português, inglês e noutras línguas, mas também na importância que reveste a investigação académica sobre a sua obra em universidades sobretudo na Europa.

Estas reflexões são convites aos leitores para lerem Annemarie Schwarzenbach, abrindo pistas de leitura e de diálogo com outros autores seus contemporâneos, na Europa dos anos 20 e 30.


ANO DE EDIÇÃO: 2016

NÚMERO PÁGINAS: 176

COLECÇÃO: Cassiopeia/ILC

FORMATO: 14,5 x 21 cm

PESO: 978-989-8701-11-4

PVP C/ IVA: 16,50 Euros



Gonçalo Vilas-Boas é professor catedrático na área de literatura de expressão alemã na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É Presidente do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa e Diretor do Mestrado em Estudos de Teatro. Escreveu vários artigos sobre autores de língua alemã, como Franz Kafka, Patrick Süskind, Robert Walser, Max Frisch, Friedrich Dürrenmatt, Annemarie Schwarzenbach, Urs Widmer, Christian Kracht, Lukas Bärfuss, Hugo Loetscher, Martin R. Dean. As suas áreas de investigação são: a literatura suíça de expressão alemã desde 1900, o labirinto minóico na literatura e a literatura de viagens. Publicou três livros com textos de e sobre Annemarie Schwarzenbach e Literatura Alemã III da Universidade Aberta. Organizou também uma antologia do conto suíço (Histórias de Encontros e desencontros, Porto, Afrontamento, 1991) e outra do conto nórdico (A Luz que Vem do Norte, Porto, Afrontamento, 2004).

domingo, julho 14, 2013

Nova Almedina do Arrábida Shopping: «Ao Encontro de Max Frisch»

Ontem, na Nova Almedina do ArrabidaShopping, bem destacado, o livro da Deriva/ILC, Colecção Cassiopeia, Ao Encontro de Max Frisch, com coordenação de Teresa Martins de Oliveira e artigos de Gonçalo Vilas-Boas, Ofelia Martí-Peña, Alexandra Moreira da Silva, Maria Antónia Gaspar Teixeira, Ana Isabel Marques e Maria Alexandra Côrte-Real.
Já o podem adquirir.

segunda-feira, maio 06, 2013

Henrique Fialho escreveu sobre A Moralidade da Profissão das Letras, de Stevenson



Dar ao público o que ele não quer, mas esperar ser sustentado: temos aí uma estranha pretensão, contudo não invulgar, sobretudo entre os pintores.
Robert Louis Stevenson

Quem se detenha no título deste ensaio, não deixará de se espantar. Primeiro por nele ser admitida uma profissão das letras, depois por pressupor-se nessa profissão uma moralidade. O ensaio data de 1881, os tempos eram outros, mas Robert Louis Stevenson (1850-1894) mantém-se actual. Ainda que o conceito de profissão das letras nos pareça vago, sobretudo num país como o nosso, ele faz sentido onde as letras podem ser tomadas com a seriedade de outros negócios. A urgência de uma moralidade na profissão, que já então suscitava debate, é outra história. Basta ler A Informação, de Martin Amis, para se compreender que também neste negócio, o das letras, a moralidade tem tectos falsos e fronteiras relativas. Mas essa é uma realidade que, apesar de tudo, está distante da nossa, pois por cá o amadorismo e a diletância, no pior e no melhor dos sentidos, vão como que garantindo um certo desprendimento que mantém o negócio em território paralelo. Perdem os autores, explorados até ao tutano das palavras, ganham, quando ganham, os editores, as distribuidoras, os retalhistas (que já nem se resumem a esse sôfrego espaço das livrarias, pois por todo o lado se vêem livros à venda como outrora se viram tremoços). O cenário é apenas similar ao experienciado por Stevenson, pese embora o facto de no que à porcaria diz respeito haver sempre pormenores que nunca mudam. E esses pormenores fazem a diferença. Disto não pode ser abstraída a natureza humana, retratada pelo autor, na sua essência, nessa magistral efabulação intitulada The Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde. A bipolaridade da personagem tipifica o pensamento de Stevenson nos mais variados temas, não sendo excepção os três ensaios coligidos neste pequeno volume da colecção Pulsar (Deriva, Dezembro de 2012). No primeiro, que dá título ao volume, subentende-se o esforço colocado na defesa de uma literatura rigorosa que não se faça depender, exclusivamente, das ambições lucrativas. Entenda-se aqui o lucro em termos meramente materiais, pois outros há que ultrapassam a configuração salarial. Passam por valores igualmente viciantes como os do reconhecimento, da fama, da promoção académica, da afirmação pessoal, da pura vaidade. Isto torna actualíssimo o principal desejo do autor de An Inland Voyage: «Melhor fora que os nossos templos serenos estivessem vazios do que cheios de padres vendilhões e embusteiros» (p. 17). A expressão “templos serenos” é denotativa do lugar em que Stevenson colocava a sua actividade, olhando para a literatura de um modo que as práticas actuais não se esforçam para desmentir. Stevenson acreditava na função educativa das letras, encarava-o como uma missão, preocupando-se pois em estabelecer uma separação clara entre uma literatura preocupada em instruir e outra meramente ocupada em agradar. Não obstante, admitirá, com laivos de ironia: o fim de toda a arte é agradar e o primeiro dever de um indivíduo é ganhar o seu sustento (cf. p. 40). Note-se que a crítica do entretenimento não deixa de ser curiosa num autor cujos méritos, muitas vezes, não foram elevados a outros patamares. Talvez existisse nesta postura uma necessidade de afirmação, algo que o leva a concluir ser intelectual o primeiro dever de qualquer um que queira escrever. No entanto, essa necessidade é colocada de lado quando critica a parcialidade do jornalismo, reivindica a busca da verdade, preocupa-se em atribuir às letras uma utilidade que será sempre mal paga. E conclui: «Na literatura como na conduta, nunca podemos esperar proceder com correcção exacta. Tudo o que podemos fazer é procurar a máxima certeza; e para isso há apenas uma regra. Nada que possa ser feito devagar deve ser feito à pressa» (p. 28). É esta a ferida que um texto escrito há 130 anos melhor abre, pois exige-nos que pensemos a nossa relação com o tempo e como a mesma determina tudo o que fazemos, mesmo quando o fazemos contra o tempo, indiferentes à utilidade dos ofícios pagos ou à atribuição de um salário. Talvez o acto de escrever, que na Carta a um Jovem Cavalheiro que se Propõe Enveredar pela Carreira das Artes é separado das «profissões rotineiras» e colado à «vocação», se tenha transformado numa espécie de ritual com direito a fazer parte de uma comunidade restrita. O elogio, os encómios, a popularidade (sempre relativa), pagam a jorna. Evocada, ontem como hoje, a cegueira da «grande massa do público», pouco mais nos resta. Robert Louis Stevenson não teve que se queixar senão de uns desgraçados pulmões, o que lhe valeu repouso eterno nas ilhas do Pacífico. Do mal, o menos. Sem ceder à mediocridade, foi popular. Nele, o idealismo encontrou o realismo e este assentou no regaço daquele. Mesmo tendo em conta uns parcos 44 anos de vida, não foi extensa a sua produção. Velejar, afinal, era mais útil do que escrever.


Henrique Manuel Bento Fialho,

sexta-feira, abril 26, 2013

Em breve nas livrarias: Ao Encontro de Max Frisch, coordenação de Teresa Martins de Oliveira




O escritor suíço Max Frisch [1911- 1991] é, sem dúvida, um dos ícones da literatura de expressão alemã dos anos 50. A sua obra, que no período coincidente com a ascensão do nazismo e com a 2.ª Guerra Mundial se revela desligada de qualquer comprometimento político, concentra-se, a partir do final dos anos 40, na questão do papel que cabe ao ser humano, esmagado pela culpa e pelas pressões do poder.
Deriva/ILC Margarida Losa da FLUP

Teresa Martins de Oliveira (coordenação)
Ofelia Martí-Pena
Gonçalo Vilas-Boas
Teresa Martins de Oliveira
Alexandra Moreira da Silva
Maria Antónia Gaspar Teixeira
Ana Isabel Marques
Maria Alexandra Côrte-Real