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segunda-feira, março 17, 2014

Segmento, de Hugo Neto, apresentado na Casa Bocage, em Setúbal

Hugo Neto falando de dois dos seus poemas. Com Bruno Ferro, anfitrião da Casa Bocage ao fundo, de pé. A seguir: momentos partilhados com os amigos





segunda-feira, janeiro 27, 2014

Um poema de Segmento, de Hugo Neto

Hugo Neto, Setúbal. 2013

Lisboa, Março, 2008


Folha de rosto


Reparo na cara de um velho e admiro, com reverência,
a trajectória afirmativa das rugas, a audácia da água calejada na vista.

Na minha vincaram-se também linhas irreparáveis de um passado,
em debate com a pele ainda lisa, à espera de outras dobras.

Mas numa cara tão visitada por máscaras várias – a do velho,
da mulher, da criança, do feliz, do triste, do excluido,
do passional, do criminoso, do morto, do fugitivo…– furto-me
a decidir que feição tenha esboçado predominância;
que tipo de homem sou.

Algo, porém, predominou. Após cada máscara voltou sempre
a pausa de uma interrogação, a amargura duma expectativa;

lisa máscara da ausência. Somente
incriminada por dois olhos a tremerem numa água enverdecida,
que ora diz é já tarde, ora diz é possível;

é já tarde, é possível; é já tarde, é possível; é já tarde? É bem possível.

12 euros
Pedidos a infoderivaeditores@gmail.com

domingo, novembro 03, 2013

Apresentação de Segmento, de Hugo Neto. Com Filipa Leal, dia 2 em Lisboa

Hugo Neto ao fazer a sua intervenção, ladeado por Filipa Leal e cá pelo editor

Palavras também dirigidas à Filipa

Talvez um pouco degradado e a precisar de obras, o velho edifício do Ateneu soube receber a Deriva. Muita gente entusiasmada e a dar força ao Hugo encheu a sala por completo. Depois, a música, o bar e o «cumbíbio» que a vida são só dois dias.

Lançamento de Segmento, de Hugo Neto, foi ontem em Lisboa, no Ateneu. Mais concretamente no Bar Primeiro Andar, junto ao Coliseu, nas Portas de Santo Antão. Contou com a presença de Filipa Leal e houve emoção como só ela é capaz de transmitir numa passagem de testemunho sentida. Muita gente, gente interessada e com disponibilidade para conhecer um jovem poeta como o Hugo. Gente que não desiste de saber como se pode construir um novo quotidiano baseado na compreensão da poesia. No fundo, tão simples como isso. Vai ser muito difícil esquecer aqueles momentos.

quinta-feira, outubro 31, 2013

Um poema de Hugo Neto, em Segmento. Lançamento no sábado em Lisboa

Hugo Neto com o Sado ao fundo. 2013

Vista sobre a cidade

durante as obras de restauro da igreja

Subo à torre da igreja para ver a vista com as gárgulas,
sobre Lisboa.

Adolescente, várias vezes me fascinou a imagem de uma vaga
que afogasse outra vez este país.
Via corpos anónimos e destroços levados na corrente,
e enchia-se o espírito de um alívio amoral,
como se aquilo fosse o mar da pacificação.

Mas escolher a raiva contra o mundo seria a derrota,
seria alimentar-se do ódio até ao fim.
Deixa-se depois de culpar o exterior. Acata-se a evidência:
jamais confiar ao mundo a paz que nos couber.

Mas o adulto conservará o direito à amoralidade
na ferida íntima; sempre capaz da intolerância. Capaz de fugir
ou de morder a mão que lhe ensombra a comida,
ou de morder a mão que dá a comida, capaz de odiar
 e por um rasgo obscuro, por vingança, merecimento de paz,
vislumbrar a morte a quem lhe é querido.

– Num milhão de anos pouco restará da cidade de Lisboa.
De, Segmento, Deriva 2013 a editar no sábado às 19 horas. Bar Primeiro Andar, Rua da Porta de Santo Antão, 110, 1º andar, Lisboa

domingo, outubro 27, 2013

Apresentação de Segmento, de Hugo Neto

Eis a primeiríssima obra de Hugo Neto que a Deriva vai publicar já a 2 de Novembro. Setubalense, Hugo Neto é um jovem estudante de Letras de Lisboa e que trabalha em restauro de obras de arte. Esta semana iremos dar notícias e propor às pessoas irem conhecê-lo no Bar Primeiro Andar, junto ao Coliseu (nas Portas de Santo Antão, 110, 1º andar, claro!), em Lisboa. A apresentação ficará a cargo de Filipa Leal.