segunda-feira, julho 13, 2026

«Ora Esguardae», Olga Gonçalves

 

Olga Gonçalves (1929-2004)
Leio «Ora Esguardae», livro que gostei bastante de ler quando foi publicado em 1982. Hoje, releio-o não já com o entusiasmo da altura, quando ainda se acreditava vagamente que a democracia parlamentar se teria consolidado numa revolução social então em regressão e a que se chamou, mal, de «prec». Nunca aderi a este acrónimo meio estúpido: aqueles dois anos e meio foi, antes de tudo, uma reposição violenta das condições sociais baseadas na justiça e na liberdade, contra aqueles que durante décadas foram os plenipotenciários disto tudo. Foi uma revolta dos de baixo. Foi a reposição possível do comum da vida. Talvez da dignidade, também. O que isto, assim dito, terá a ver com «Ora Esguardae»? Tudo. Porque ler esta obra insere-se numa forma de escrita pouco estudada ainda: a de uma literatura social pós-revolução.