Já se encontra no prelo esta experiência de Nuno Barros, que pintou, e Pedro Eiras que escreveu. Dessa experiência, nasceu Arrastar Tinta que agora publicamos e que será apresentado na FNAC de Sta. Catarina, no dia 10 de Dezembro, pelas 18:00 (mais minuto, menos minuto). Quem o apresenta é Helena Lopes.sábado, novembro 29, 2008
Arrastar Tinta, de Pedro Eiras e Nuno Barros. Apresentação com Helena Lopes, na Fnac Sta. Catarina, dia 10/12, às 18:00
Já se encontra no prelo esta experiência de Nuno Barros, que pintou, e Pedro Eiras que escreveu. Dessa experiência, nasceu Arrastar Tinta que agora publicamos e que será apresentado na FNAC de Sta. Catarina, no dia 10 de Dezembro, pelas 18:00 (mais minuto, menos minuto). Quem o apresenta é Helena Lopes.sexta-feira, novembro 28, 2008
Maria de Lurdes Rodrigues e Largo Caballero, a mesma luta
Os Três Desejos de Octávio C, romance de Pedro Eiras apresentado hoje
Na Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, hoje dia 28 de Novembro, pelas 21:30, vai falar-se com Luís Mourão e com o autor sobre Os Três Desejos de Octávio C, editado pela Relógio d' Água. Não valerá muito a pena dizê-lo, porque isto da boa leitura terá as suas subjectividades, mas que se lê agradavelmente de um fôlego, lá isso lê-se... se isso não é prazer da leitura, então não sei o que isso será.quarta-feira, novembro 19, 2008
Do Livro à Cena - as Actas dos XIII Encontros Luso-Galaico-Franceses publicados pela Deriva, Já disponíveis
DO LIVRO À CENA de Isabel Mociño González, Marta Neira Rodríguez, Ana Margarida Ramos e Sara Reis da SilvaNeste volume reúnem-se os trabalhos apresentados nos XIII Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil, realizados na Biblioteca Municipal de Almeida Garrett, no Porto, entre os dias 15 e 17 de Novembro de 2007. Sob o tema Do Livro à Cena, vários especialistas, oriundos de diferentes realidades culturais e linguísticas, reflectiram sobre o texto dramático para a infância e juventude, dando, igualmente relevo à sua concretização em espectáculo teatral. A publicação em livro das ideias
partilhadas durante os dias dos Encontros surge como uma forma de estimular o interesse pelo teatro para a infância, mantendo viva a reflexão sobre uma prática que merece atenção dos investigadores e do público em geral.
Uma Boca muito Aberta, de Luís Maffei, sobre A Metamorfose das Plantas dos Pés de Catarina Nunes de Almeida. artigo editado na revista A Pequena Morte

A metamorfose das plantas dos pés exige a quem sobre ele escreve estar “dentro dentro dentro” [1], assim, muitas vezes por intensidade, como leio na tradução/ mudança de Herberto Helder a “Sobre tradução de poesia”, poema do polonês Zbigniew Herbert. Portanto, deixa de ser uma escrita sobre para ser uma escrita em, e o livro é provocativo desde o estranho poema-dedicatória que o abre: “Ao Vesúvio/ que me engoliu” (p. 6). O vulcão é um lugar de estar, e vejo-me, pois, diante da necessidade de também ser metido nele, engolido, exposto a sua boca muito aberta, ainda mais se leio, já pelo fim do livro, que “A neve no cume do vulcão concede ao fogo/ o rosto das amendoeiras” (p. 46). Existe uma iniciação a ser cumprida, pelo mundo, no mundo.
Cria-se, imediatamente, uma estória, uma trilha, um caminho, uma epígrafe de parceria: “Guarda-te melhor/ guarda-te caminhante/ do caminho que também caminha” (p. 7), Rilke. Se assim, abro da mesma forma a minha boca, abro os olhos à minha própria estória, faço minha a escrita dessa obra que, como uma senda, possui capítulos: o I tem título idêntico ao do livro; o II se chama “Corpo floresta” e o III, “A descoberta do fogo”. Desconfio que exista uma tarefa para o leitor: a de tornar-se capaz de III porque terá sido capaz de II, e o ato metamórfico da transformação do “corpo” em outro terá que respeitar o mesmo: agregação, não substituição. E “fogo” nas mãos, enfim, “fogo” na “floresta”, incêndio, amor ainda é um fogo, a “neve” vive no “vulcão”, caldeia-se, queima as plantas dos pés.
“Reconheces esta água para onde cais?” (p. 11), primeiro verso do primeiro poema de “A metamorfose das plantas dos pés”: amor ainda é um fogo, amor ainda é capaz de um “rendilhado de luas maternas”, de “todas as conchas”, de “todas as coxas celebradas” (p. 11). Caminhar com Catarina é caminhar de mãos dadas, pois a boca que fala convida a um dueto que se manifesta no assombroso, por complexo, erotismo dos poemas. “O álbum abriu a boca enorme”, numa modificação extrema do mundo, “e repara no perfume dos ossos/ como se as fotos continuassem lá longe/ debaixo da terra (…)” (p. 12): algum luto nessa memória um tanto familiar. Mas “coxas” são lugar de passagem e paisagem, “as unhas que outros cravaram pelas coxas” (p. 47), “e as vozes recolhiam-se sempre mais até serem/ um fio de prado um horto de lutos cristalizados: da marcha líquida dos soldados/ bebem as aves e as aveleiras” (p. 48).
É flagrante a fusão entre corpo e paisagem, corpo e mundo, lugares de tangência e encontro, encontros, fusão. Insisto na boca do canto, muito aberta: “Avistei a boca ao entardecer” (p. 14), e insisto na fusão: “Plantei o primeiro seio/ a que chamámos macieira/ e abandonei o ventre/ à generosidade vegetal./ Nessa noite dormimos por dentro e por fora/ do mundo.” (p. 14). Sim, exposta está uma relação, uma mistura: maternidade, eu, outro, nós, corpo, mundo. A natureza, aqui, é lugar de “generosidade”, mas a natureza reside nos corpos que, generosamente, fazem do mundo uma convidativa cama.
Se o corpo é natural, capaz de ser “Corpo floresta”, ele não deixa de ser da cultura, e culturaliza, de modo agudamente pessoal, a sorte de “Vesúvio/ que” o “engoliu”: “Tantas vezes se falou de origens vulcânicas/ e no entanto era nosso destino adiar o fogo/ compor hinos às árvores decepadas” (p. 15). Um gesto de feminização do mundo, ainda mais notável no último poema do livro: “Os homens desaguaram dentro dos homens/ bailarinas alinhadas para o primeiro acto de amor./ Só o amor cheira a sangue só as cigarras/ o perfume das espadas na ossatura dos campos/ completam a primavera na vala comum.” (p. 48). Homens “desaguaram” noutros “bailarinas”, e delas imitaram o gesto e o viço. E “na vala comum” a “primavera”, uma tensão entre certa ecologia política e certa ecografia, cultura a naturalizar o discurso da boca muito aberta de Catarina Nunes de Almeida, que compõe “hinos”, faz poemas.
E uma terceira pessoa é romanceada nesse livro de poemas, metamórfico como as tranformantes “plantas dos pés” que passeiam por seu título: “Deixou-se ficar ao sol – a língua iluminada/ polida pelo vento e as ruínas da folha onde foram/ um joelho um braço rasgando as nuvens.” (p. 26): é na escrita que se dá o erotismo nesses poemas, o que me faz pensar imediatamente em Luiza Neto Jorge, amante da “folha” como lugar de texto e corpo, dona de “língua iluminada” para atos eróticos em cantos e recantos. Claro, é possível detectar muita poesia portuguesa (e não só: atenção ao Rilke da epígrafe) em A metamorfose das plantas dos pés; Fiama, por exemplo, na lida com o que seja natural, na concisão e na “Ave severa esta árvore que embala a morte.” (p. 26): se “Água” ainda “significa ave” [2], vejo-me diante não apenas dum modo de reinventar a metáfora, mas dum tipo de significação a que interessa o encontro do diverso. Pela diferença, a tangência, e, na tangência, ainda uma grande novidade.
Novidade no corpo, do corpo, “Corpo floresta” capaz d’ “A descoberta do fogo”, da prática de um amor aprendiz que tem no poema seu lugar de iniciação: “Vieste para a floresta carregado de dedos/ como quem vem abraçar por dentro/ uma árvore o bicho que cai/ entre sílabas e âncoras minúsculas./ Estás pousado na terra/ mas são as ervas que se deitam no teu dorso constelado/ e aguardam o correr das nuvens/ a respiração de algum astro mais brando.” (p. 38). Deliro nas preposições: “de dedos”, não por dedos; talvez, portanto, como dedos, extremidade, sim, do corpo, tangência, tangência sempre. Se “por dentro/ uma árvore”, entra-se nela e por ela é-se entrado, e os “homens desaguaram dentro dos homens” pois se trata, enfim, do humano. E aqui suspeito (invento? Caso sim, peço desculpas, mas, como vou de mãos dadas a Catarina, é efeito de leitura, é coisa, antes de mais, dela) duma nova metamorfose, espantosa: é estelar e cósmico “algum astro mais brando”, com manifestação direta na “respiração” de homens e mulheres, sobretudo se amantes. Mas, sendo do uso da língua referir-se a grandes nomes com o vocábulo “astro”, e se “brando” é o nome de um grande nome, penso no estadunidense milagre humano que atende pelo nome de Marlon Brando, “astro”, em algum nível, cujo corpo se pode acessar pelo símbolo, pelo drama, pelo fingimento.
Pessoa, pois: num poema celebração do incêndio, celebra-se Nero – “Bendito sejas tu, Nero, entre os pássaros”. Celebra-se também Ricardo Reis, não pelo que foi, mas pelo que poderia ter sido: “desenlacemos as mãos, Lídia,/ lancemos estas mãos ao mar –/ alguém cumprirá por nós/ as promessas.” (p. 39). Serão “promessas” não cumpridas de amor vívido e vivido? Catarina leitora também de Adília Lopes – “casa-te com Lídia/ tem bebés/ passa a lua-de-mel/ na Grécia” [3] –? Talvez eu possa pensar nos “bebés”, nos filhos como cumpridores da fogosa promessa que une o Ricardo Reis de Catarina a essa nova Lídia, pois uma figura forte de A metamorfose das plantas dos pés é a mãe: “e tu tremias quando te chamava/ mãe.” (p. 17). Encerro a citar um poema que se encontra longe do fim da obra, e percebo que o caminho inventado por esse livro com capítulos não é de direção única: como uma boca muito aberta, as trilhas dessas falas têm diversos sentidos, cá e lá, para frente e para trás, sem que jamais alguma paralisia ouse mostrar-se.
NOTAS
[1] HELDER, Herberto. Oulof. Lisboa: Assírio & Alvim, 1997. p, 10.[2] BRANDÃO, Fiama Hasse Pais. Morfismos. In. BRANDÃO, Fiama Hasse Pais et. alli. Poesia 61. Lisboa, Edição de autor, 1961. p. 1.[3] LOPES, Adília. Obra. Lisboa: Mariposa Azul, 2000. p. 387.
Cimeira do G-20 - O capitalismo faz milagres, de Santiago Alba Rico
Santiago Alba Rico é um filósofo espanhol que vive na Tunísia, onde ensina na Universidade. Escreveu o livro colectivo publicado um mês depois do 11 de Março de 2003 em Madrid, "Três dias que enganaram o mundo".de Rebelión, 16-11-2008
O capitalismo é isto: um homem magro pede pão e recebe dez frangos um homem gordo; uma criança doente pede uma vacina e dobram a ração de vitaminas a uma criança sã; uma mulher com frio fica sem casa e entregam três edifícios mais ao senhorio. Há três dias, a edição digital do «El Mundo» (13.11.2008) publicava o seguinte título; «Solbes admite que as famílias ‘notam pouco’ as ajudas à Banca» [“Solbes admite que las familias `notan poco´ las ayudas a la banca”].
O diabólico deste título —e desta declaração— é que o seu simples enunciado converte a ordem lógica das coisas numa contingência inesperada e incompreensível: Sim, ‘confesso’ que o mar se tornou líquido ou ‘reconheço’ que a neve não é preta, a liquidez e a brancura apresentam-se aos nossos olhos contra todas as previsões, contra o bom senso e —mais ainda— contra as regras.
As palavras de Solbes obrigam-nos a dar por adquiridos precisamente os dois princípios que a sua concessão vinha negar; o primeiro é que o normal, o lógico, o natural seria que as ajudas à banca beneficiassem as famílias, como o normal, o lógico e o natural é que se eu atiro moedas de chocolate sobre Paris, elas caiam no Alaska, ou se rego o meu jardim em Salamanca cresçam rosas no Djibuti; o segundo é que o verdadeiro propósito do governo tenha sido sempre o de ajudar as famílias, como o verdadeiro propósito de um marido infiel, quando acaricia a sua amante é proporcionar um orgasmo à sua mulher, ou o verdadeiro propósito de um prevaricador, quando desculpa o assassino seja o de homenagear a sua vítima.
Em tempos, o Rebelión tinha uma subsecção denominada: «Outro título é possível». A surpresa e a contrariedade de Solbes, perante a inesperada, inexplicável, irregular e anti-natural insensibilidade das famílias, que não notam o orgasmo dos bancos, revelam melhor toda a sua obscenidade à luz de outros títulos que me ocorrem ao correr da pena
“Solbes admite que o que os hóspedes do Hilton comem não alimenta os africanos”
“Solbes admite que o aumento de carros na Europa não ajudou os mecânicos do Haiti”
“Solbes admite que no jacuzzi de Emílio Botín não cabem 4.200 milhões de pessoas”
Ou o fluxo empático negativo:
“Solbes admite que o tsunami da Indonésia não afectou a costa espanhola”
“Solbes admite que os corpos dos nova-iorquinos sentem pouco as torturas em Abu Ghraib”
“Solbes admite que a escassez de água em muitas regiões de África não se fez sentir nas piscinas de Alicante”
Seria um milagre, que o menu da cimeira de Washinton engordasse os 950 milhões de esfomeados de todo o planeta. Que a dor dos iraquianos, dos palestinianos, dos afegãos, dos haitianos, dos congoleses doesse ao mundo inteiro, seria justo e humano. O capitalismo pretendeu fazer magia: que alguns comêssemos, bebêssemos, consumíssemos, nos divertíssemos e todos em toda a parte ficassem contentes. O que conseguiu, pelo contrário foi mais isto: que a maioria passe fome e sede, viva pouco, adoeça e sofra e que nós não sintamos nada.
Mas, vendo melhor, sim, as famílias europeias começam a notar as ajudas aos bancos, como as notam desde há décadas no Terceiro Mundo. Para o prevenir, os 22 países mais poderosos do planeta reuniram-se a comer codorniz fumada e a tomar algumas medidas partilhadas para poderem continuar com a magia e os milagres e para que —se for esse o caso — reprimir os blasfemos incrédulos que, apesar das carnes do Hilton, do «green» bem regado dos campos de golfe e da alegria dos banqueiros insistam em conservar um corpo faminto, sedento e dorido.
Também me ocorre outro título possível, para outro mundo possível: ‘O G-191 reúne-se para coordenar o socialismo do século XXI’. Se a ONU tivesse algum poder, todos os enormes recursos, todos os extraordinários esforços colectivos, todas as instituições internacionais que hoje dedicam o seu tempo e o seu saber a cogitar milagres assassinos não serviriam para impor algum terreno e profano realismo? O que a cimeira do G-20 demonstra é que a coordenação internacional, a cooperação entre Estados, a planificação global são possíveis e funcionam- O que demonstra é que até agora a coordenação internacional, a cooperação entre Estados e a planificação global apenas serviram para inventar complicadíssimos procedimentos destinados a dar de comer ao saciado, robustecer o curado, consolar o ditoso, socorrer o rico, armar o injusto e libertar o homicida. Também, bem entendido, para impedir qualquer resistência contra estes mandamentos.
«O capitalismo não é o culpado», diz Bush. A única coisa que sabemos, porém, é que a culpa não é da União Soviética. Fracassou o socialismo? Nem sequer se tentou.
segunda-feira, novembro 03, 2008
Miguel Carvalho e Rui Pereira na apresentação/debate sobre a Intoxicação Linguística. Sábado, 8 de Nov, 21h. Bar Uptown, Porto
Sábado, dia 8 de Novembro, pelas 21:00, no Bar Uptown (Rua Breiner, 59, na Cedofeita) Miguel Carvalho, Rui Pereira e António Luís Catarino vão debater com quem estiver presente a Intoxicação Linguística de Vicente Romano. Uma boa ocasião para estudar a questão da linguagem política nas diferentes áreas de intervenção do estado e das instituições que lhe estão associadas. Debate informal, como aliás se quer.domingo, outubro 26, 2008
Com Quatro Pedras na Mão: já no dia 2 de Novembro, uma sessão única com o Bando dos Gambozinos. No Cinema Batalha, 18h
É já no domingo, dia 2 de Novembro, pelas 18h, que o Livro CD, Com Quatro Pedras na Mão - o Porto cantado por Crianças e Jovens, terá a sua apresentação com uma sessão única no Cinema Batalha cantada pelo Bando dos Gambozinos.Magma: três novas edições a partir deste mês. Dramaturgias de Pedro Eiras presentes no número 5
A revista magma tem 3 novas edições a partir de 15 de Outubro de 2008: o 5 e o 6, dedicados às novas dramaturgias portuguesas contemporâneas e o 7, um número especial com coordenação brasileira de Lélia Nunes e Luiz Antonio de Assis Brasil, uma ponte literária entre o Brasil e os Açores.Magma 5, Dezembro de 2007
Dramaturgias portuguesas contemporâneas 1
Coordenação de Carlos Alberto Machado
Carlos Alberto Machado
Divide a sua actividade criativa entre a escrita, a investigação e a prática teatral.
Formação universitária em Antropologia (licenciatura na Universidade Nova de Lisboa) e a sociologia (mestrado em Sociologia da Cultura, Comunicação e Tecnologias de Informação no ISCTE).
Foi professor de disciplinas teatrais na Escola Superior de Teatro e Cinema e na Universidade de Évora.
Publicou: Teatro da Cornucópia. As Regras do Jogo, Cuidar dos Mortos, Mundo de Aventuras, Ventilador, Transportes & Mudanças. Três Peças em um Acto, Os Nomes que Faltam, Mito, seguido de Palavras Gravadas na Calçada, Restos. Interiores, Aquitanta, A Realidade Inclinada, Aventuras Extraordinárias do Príncipe e do Castor (em colaboração) e Talismã, além de diversas obras para a história do teatro em Portugal, a participação em colectâneas e colaboração em jornais e revistas.
É co-director da revista Magma (com Sara Santos) e dos Cadernos SIBIL (com José Augusto Soares). Dirige com Urbano Bettencourt a Biblioteca Açoriana.
GONÇALO M. TAVARES, Possibilidades e ética: que teatro?
ABEL NEVES, Provavelmente uma pessoa
JACINTO LUCAS PIRES, O amor de Adalberto Silva Silva
MÁRIO CABRAL, O jantar
PEDRO EIRAS, Monólogos:
O pirata
Simulacros
O aquário
Silêncio
Travessia
Despojos
Do fim do mundo
Magma 6, Junho de 2008
Dramaturgias portuguesas contemporâneas 2
Coordenação de Carlos Alberto Machado
JAIME ROCHA, Quatro cegos
MARCELA COSTA, A angústia do museólogo (antes da abertura da exposição)
REINALDO MAIA E JORGE LOURAÇO FIGUEIRA, Cabaré da Santa
TIAGO RODRIGUES, A partir de amanhã
Magma 7, Dezembro de 2008
Coordenação de Lélia Pereira da Silva Nunes e Luiz Antonio de Assis Brasil
Lélia Pereira da Silva Nunes (Brasil)
Nasceu em Tubarão, vive em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Socióloga e escritora. Autora de Caminhos do Divino, um olhar sobre o Espírito Santo em Santa Catarina, além de outros títulos em biografias, crônicas e ensaios sobre a cultura catarinense de aporte açoriano. Participa em antologias nacionais e portuguesas. Colabora em periódicos e jornais açorianos e luso-americanos. Coordenou o projecto literário Caminhos do Mar – antologia poética: Açores – Santa Catarina. Professora Mestre de Sociologia da UFSC, aposentada. Preside a Fundação Cultural Anibal Nunes Pires.
Tem colaboração na Magma (número 4).
Luiz Antonio de Assis Brasil (Brasil)
Nasceu e vive em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. É ficcionista e ensaísta, com 17 livros publicados. Prêmios literários: Jabuti, Açorianos, Machado de Assis e Portugal Telecom de Literatura. Professor-Doutor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Orienta pesquisas sobre a narrativa açoriana Pós-25 deAbril. Website: http://www.laab.com.br/.
Rui Bebiano escreve, na Revista Ler nº 73, sobre O Espírito Nómada de Kenneth White
A última Revista Ler, nº 73, debruça-se sobre os 10 anos da morte de José Cardoso Pires. Deve ler-se. Até porque a sua qualidade melhorou a olhos vistos, deva-se ou não à responsabilidade de Francisco José Viegas e à equipa que a compõe.
terça-feira, outubro 14, 2008
Gustavo Rubim escreve na Relâmpago sobre Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas

À página 244 da Relâmpago, Gustavo Rubim, sobre este trabalho, diz:

E foi assim no Clube Literário do Porto
A 11 de Outubro no Clube Literário do Porto, e com sala cheia, Filipa Leal disse poemas, por ela traduzidos de uma maneira exemplar, de Lawrence Pettener. De Liverpool, este galês irlandês, de copo de gin na mão, disse poemas em inglês e em gaélico. Foi um dos raros momentos de magia que aconteceu por ali, junto ao rio e ao fim da tarde, a ouvir uma língua antiquíssima que nos coloca na verdadeira dimensão do mundo das palavras e das coisas que nos animam. Ali, entre a Foz e a Ribeira do Porto, cheirou-se por um momento à Guiness, ao barulho das gaivotas, ao cheiro a peixe de Dublin e às palavras trocadas nos pubs por homens de barba ruiva e mulheres bonitas. Com velhos barcos de velas brancas ao fundo.segunda-feira, setembro 22, 2008
Lawrence Pettener, poeta inglês, no Clube Literário do Porto a 11 de Outubro (17h). Com leituras poéticas traduzidas por Filipa Leal
Poesia de Lawrence Pettener
na presença do poeta inglês
Leitura e tradução portuguesa de Filipa Leal
11 de Outubro, pelas 17h
Lawrence Pettener vive em Bristol, mas costuma identificar-se como sendo “Irlandês de Liverpool”. A sua poesia está traduzida em várias línguas europeias e tem feito leituras em cidades como Berlim, Liubliana e Amesterdão. Licenciado em Literatura inglesa e Mestre em Escrita Criativa, tem trabalhado como revisor em publicações periódicas e textos literários. Na primeira visita ao Porto, Lawrence Pettener promete fazer uma leitura dos seus poemas não só em inglês mas também em irlandês gaélico.
Filipa Leal nasceu no Porto. Formada em Jornalismo, é Mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros. Publicou «lua-polaroid», «Talvez os Lírios Compreendam», «A Cidade Líquida e Outras Texturas» e «O Problema de Ser Norte». Tem participado em vários Encontros de Poesia, nomeadamente na Galiza, em Pisa, Zagreb e Bristol. Integra, desde 2004, os Seminários de Tradução Colectiva de Poesia Viva da Fundação da Casa de Mateus.
Lawrence Pettener e Filipa Leal no Festival de Poesia de Bristol, 7 de Setembro de 2008
terça-feira, setembro 16, 2008
«9 de 9. Poesia actual portuguesa.» Presença de Catarina Nunes de Almeida e Filipa Leal
Aqui vai a notícia tal como nos chegou:Los autores seleccionados son todos ellos «jóvenes poetas nacidos trasla revolución de los claveles y la caída del régimen dictatorial salazarista en Portugal», según explicó ayer el poeta zamorano JesúsLosada, encargado de coordinar la publicación y traducir los poemas al español.
La obra es el cuaderno número 18 de la colección Aedo de poesía y
El libro, de 24 paginas, se distribuirá gratuitamente a través de CajaRural, así como en universidades y centros de estudio de Portugal. La publicación recopila nueve poemas de otros tantos autores portugueses, algunos de los cuales, pese a su juventud, ya gozan de reconocimiento en Portugal y han traducido parte de su obra a otros idiomas europeos, según explicó a Efe Jesús Losada.
El primero de los poemas es de José Luis Peixoto, uno de los escritores más importante del panorama literario portugués, que tiene en su haber el premio José Saramago, «el equivalente al premio Planeta español», ha asegurado el autor de la publicación.
El libro incluye también versos de los poetas de Oporto José RuiTeixeira, Rui Lage y Filipa Leal, así como de los lisboetas Pedro Sena Lino, Vasco Gato y Catarina Nunes de Almeida.
La publicación se completa con los poemas de Joao Ricardo Lopes, natural de Fafe; y Jorge Reis-Sá, autor originario de Vila Nova de Famalicao. Losada indicó que esta publicación quiere ser un anticipode una antología más amplia que prepara sobre la literatura y la poesía portuguesa.»
quinta-feira, setembro 11, 2008
A Intoxicação Linguística, próximo livro de Vicente Romano. Em breve nas livrarias
Pela sua própria natureza, a informação é selectiva. Devido às limitações espácio-temporais, aos condicionamentos profissionais, ideológicos, culturais, etc., os jornalistas vêem-se sempre obrigados a seleccionar. Quase nunca dispõem do tempo, do espaço e da autodeterminação suficientes para dizer o que gostariam. Daí que possa afirmar-se que um domínio superior da língua, o seu uso consciente e competente seja uma das qualidades fundamentais do jornalista. Entre os jornalistas, embora sejam raros, podem existir casos de ingenuidade profissional, mas em informação nada há que seja inócuo.
O uso correcto da língua contribui para a eficácia da comunicação, para o aumento do conhecimento, quer dizer, para que a ignorância se reduza e para a ampliação da liberdade humana. Por isso há que cuidar e dominar a língua, os recursos expressivos para a transmissão de informações.
Em tempos de guerra, de incerteza e de angústia social como os actuais, é fácil recorrer ao sensacionalismo, à manipulação orientada da emocionalidade. Sim, os profissionais da informação não podem renunciar à sua sensibilidade ante a dor e a exploração dos seres humanos. As suas reportagens e as suas palavras reflectem a sua posição perante os factos, mesmo quando tentam ocultá-los. Mas não se pode esquecer que estes profissionais são observadores, não actores. E, ainda que a verdade possua muitas caras e seja difícil obtê-la por inteiro, podem, sim, aproximar-se dela.
II
Porém, como dizia o senador norte-americano Hiram Johnson, em 1917, a verdade é a primeira vítima da guerra. Em termos semelhantes se manifestara no seu, Da Guerra, o general prussiano Carl von Clausewitz, cem anos antes: “Uma grande parte das notícias que recebem na guerra é contraditória, outra parte ainda maior é falsa e a maior parte é bastante duvidosa…”. Em suma, concluí Clausewitz, «a maioria das notícias é falsa e o temor dos seres humanos reforça a mentira, não a verdade».
Como demonstraram a II Guerra Mundial, o desmembramento militar da Jugoslávia, a Guerra do Golfo ou as agressões contra o Afeganistão, o Iraque e o Líbano, as palavras do senador norte-americano no princípio do século XX, como as do general prussiano no início do século XIX não perderam validade. Pelo contrário, reforçaram-se mais e mais.
O controlo da informação e difusão de notícias e imagens foi sempre utilizado como uma arma essencial para submeter vontades e conquistar consciências. Por isso, o Pentágono não deixou ver qualquer imagem da Guerra do Golfo, anunciada como a primeira guerra televisionada na História, nem a administração norte-americana mostrou os corpos das vítimas do 11 de Setembro, como não permite, hoje, a difusão de qualquer notícia ou imagem do Afeganistão ou do Iraque que não esteja controlada, isto é, manipulada pela CIA e pelo Pentágono. E, para maior sarcasmo, isto é feito por um governo que proclama aos quatro ventos a liberdade de expressão como um dos pilares da sua organização social.
O objectivo consiste, naturalmente, em que apenas se conheça uma versão dos factos, ou seja, a comunicação unidireccional e unilateral, irreversível. Mas, por definição, a comunicação engloba o elemento da reciprocidade, da dicção e da contradição, da partilha do conhecimento. Por isso é contraditória com a vontade autoritária, a qual recorre à força e à violência física. Reciprocidade significa franqueza, abertura aos outros. Na comunicação aberta são o conhecimento e o raciocínio que se concretizam. A violência, seja esta física seja psicológica, deforma o pensamento, uma vez que não indaga acerca do verdadeiro e do falso. Os meios que se fecham impedem a comunicação. Não são recursos de violência física, não são bombas, mas transformam os seres humanos em coisas e a política que se transmite por seu intermédio não pode senão estar submetida à coacção que os meios exercem sobre os fins (Pross, 1971).
Spike Island's Canteen, Free event
Poetry reading by Filipa Leal and Lawrence Pettener, Sat 06 September, 3:30pmJoin us for an informal afternoon when Leal and Pettener will read as part of the Bristol Poetry Festival 2008.
Filipa Leal was born in Porto, Portugal in 1979. She is a poet, a writer of fiction and a journalist. She is the author of three collections of poetry: Perhaps the Lilies Understand, The Liquid City and Other Textures, and The Problem of Being North. Filipa will be reading her own work which she has translated from Portuguese into English
Lawrence Pettener is a Bristol-based poet. His work has been translated into various European languages, and he has given readings in Berlin, ljubljana and Amsterdam.Free Event: 3.30pm, Saturday 06 SeptemberSpike Island Canteen
quarta-feira, setembro 03, 2008
Joaquim Castro Caldas (1956-2008)

domingo, agosto 31, 2008
Hoje, 31 de Agosto, o Joaquim deixou-nos
«Escrevo à mão a quem se debruça ainda nas líricas impressas como as árvores curvadas sobre os lagos de água da chuva, marcando o livro com indisciplina, a quem ainda cheira a tinta, raízes e barro, a quem usa o romantismo para aliviar o tremor dos homens...».sexta-feira, julho 25, 2008
As Aventuras de Sheila e Said: uma nova colecção juvenil da Deriva. A sair em breve. Para já, um blog
Clicar na imagem para aceder ao blogquarta-feira, julho 23, 2008
Filipa Leal à conversa com Catarina Nunes de Almeida. Nas Quintas de Leitura

Filipa Leal e Catarina Nunes de Almeida
Quando fui, estive em Nápoles, não estive ali. Depois a ideia de ir para Pisa foi realmente a de trabalhar, mas é sempre um bocadinho um sacrifício. Eu sou muito ligada às minhas raízes.
Sim. Ou para o Porto...Vamos ver se há motivos passionais...Por exemplo. [Risos]
Hypomnemata, de Pedro Eiras. No Rivoli até 27 de Julho
Vozes do Alfabeto no Plano Nacional de Leitura

sábado, julho 05, 2008
A Metamorfose das Plantas dos Pés, de Catarina Nunes de Almeida. Um novo livro de poesia
A Metamorfose das Plantas dos Pés, de Catarina Nunes de Almeida, que a Deriva agora edita, é constituído por três capítulos. O primeiro, que dá o nome ao livro, seguido de Corpo Floresta e A Descoberta do Fogo. Poesia caleidoscópica onde se conjuga o mar, as montanhas, as nuvens de onde vemos a terra e os homens que a habitam e sempre as árvores e os ramos como se cada um de nós pretendesse fazer parte e as disputássemos por um lugar exequível. Uma poesia que é uma orquestra para os sentidos. «…Das nuvens uma flor não é uma flor. / Duas flores não são duas flores. Das nuvens uma plantação de flores é apenas / um rectângulo amarelo / onde podem existir girassóis / guarda-sóis ventoinhas - / o que é que importa se por lá / também correm crianças?»
quarta-feira, junho 11, 2008
Dragona de Xavier Queipo, já nas livrarias

quarta-feira, maio 28, 2008
Jorge Sousa Braga apresenta Filipa Leal. Este sábado, 31 de Maio no auditório do Planetário. Às 18h
A Deriva nas Feiras do Livro
domingo, maio 04, 2008
Apresentação do livro Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas, com Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo
Sexta-feira, dia 9 de Maio, pelas 21:00, no auditório da Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, apresentar-se-á o livro Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas. Com Pedro Eiras que coordenou a edição e Rosa Maria Martelo.Durante todo o dia 11 de Outubro, um público numeroso e fidelíssimo acompanhou e dialogou com estas leituras da mais jovem poesia. O livro que agora se publica corresponde aos doze textos, revistos, eventualmente repensados a partir dos debates. (…)
Da mais premente contemporaneidade se fala também neste livro. Os doze autores chegaram ao ensaio precisamente no momento em que os poemas aqui lidos eram escritos. Pretende-se dar conta desse encontro. Alguns dos autores deste livro, embora se apresentem aqui como ensaístas, são também poetas revelados nas décadas de 1990-2000, e chegam a ser estudados em alguns ensaios.
Geram-se pois, ao mesmo tempo, coincidências e dispersão – igual-mente produtivas. Por um lado, há referências que se cruzam, repetem, permitem definir projectos do que seja a poesia hoje. Para uma escrita necessariamente em transformação, dizem-se assim algumas cartografias possíveis.»
Do Prefácio, por Pedro Eiras
Nesse dia, a todos os títulos memorável pelo seu interesse e pela novidade no campo da crítica e do ensaio literário, ouviram-se as intervenções de Marinela Freitas, Mariana Leite, João Paulo Sousa, Catarina Nunes de Almeida, Miguel Ramalhete Gomes, Raquel Ribeiro, Margarida Gil dos Reis, Helena Lopes, Joana Matos Frias, José Ricardo Nunes, Andréia Azevedo Soares e Daniel Jonas.
sábado, abril 26, 2008
Paulo Kellerman e Luís Mourão na Arquivo, em Leiria, dia 29/04. Às 18:30


quinta-feira, abril 24, 2008
Versos para Adormecer, José Ricardo Nunes
Ontem, para adormecer, embalei-me
nos versos que acontecem antes
de adormecer, quando o sono já manda
e o corpo não obedece à ordem
de acender a luz e procurar papel
e caneta. Antes de adormecer escrevi
os versos que escrevo agora, à secretária,
numa pausa apressada, para combater
o stress com desactualizada ortografia. E lembro-me
que voltei a pensar neles de manhã, na sonolência
do autocarro, ao chegar ao terminal. O corpo
vinha então aos versos, a despropósito,
estava parado a ser. De manhã,
à entrada de Lisboa, os versos são por vezes coisas
que coloco em paralelo ao rio.
Apócrifo, José Ricardo Nunes, Deriva, 2007
domingo, abril 20, 2008
Brutal – 3º Festival Internacional de Poesia Contemporânea em Zagreb. Filipa Leal presente

Há 3 anos que este festival é organizado, e há 3 anos que o Instituto Camões vem a apoiar esta iniciativa, que tem contado com uma presença portuguesa desde o início. Este ano, a convidada é a poetisa e jornalista Filipa Leal.
No final do festival será publicado um livro (à semelhança das edições anteriores) com os poemas de todos os participantes. Os poemas estarão nas suas línguas originais e também serão apresentadas as respectivas traduções em croata.
Durante essa semana, os estudantes da Cátedra de Língua e Literatura Portuguesas da Faculdade de Letras da Universidade de Zagreb terão a oportunidade de conhecer Filipa Leal um pouco melhor, através de um Workshop de Poesia que dinamizará na Faculdade.
15, 16 e 17 de Abril de 2008
Livraria-café Booksa e no bar Gjuro II
Zagreb
Do site do Instituto Camões
A Deriva não resiste a editar O Problema de Ser Norte na língua croata:

Problem je biti sjeverno
Bio je to stih s drvećem okolo.
Imao je problem što je sjeverno
i što je dan i što je tako oprečan prirodi.
Bio je to stih bez zraka
ali s drvećem okolo,
a ja u središtu, dolje, na kamenim
stubama, puna zelenila i hladnoće
razmišljam kako i dalje ne shvaćam
oprečnu prirodu pred svojim očima.
Jer ako je drveće jedini
krajolik ovoga stiha, svugdje okolo,
a ja u središtu, dolje, na kamenim
stubama još uvijek, ako se okrenem, ako umrem,
hoće li to drveće još uvijek biti krajolik ovoga stiha,
kako da ga volim
a da me
neka
posebna
tišina još
ne prekine?
O Problema de Ser Norte, Deriva, 2008











