domingo, novembro 01, 2026

"As Noites Azuis", Ana Teresa Pereira

 


Relógio D'Água, 2026.

Ana Teresa Pereira tem um modo muito particular de contar histórias. Sigo-a há muito, lembro-me que trabalhava em Lisboa e o primeiro contacto com os seus livros foram muito impressivos. Ainda hoje me pergunto porquê, mas vivendo dentro de uma grande cidade, talvez o apelo de um mundo onírico fosse a razão. As personagens têm pouco de carga psicológica, movem-se devagar quase que suspensas, mal tocando no chão. Como um filme de Lynch, ou recuando aos anos 30 e 40 do século passado. Por outro lado, o que tem de menos na caracterização psicológica é compensado com o aspecto exterior dos homens e principalmente das mulheres que povoam as histórias. É um mundo de flores e de odores, de veludos e tweeds, de luzes e sombras. De batons carregados e maquilhagens.