Jornal Mapa, número 50.
Aí está o número redondo do Mapa: cinquenta publicações, ano XIV, trimestral a 3000 exemplares. Um site, presente igualmente nas redes sociais e com um leque de colaboradores permanentes e eventuais que dão o seu testemunho a um jornal alternativo, inconformista e verdadeiramente livre de pressões sejam elas do político ou do dinheiro.
Este número está repleto de motivos de interesse: a chamada de capa vai para o estudo, de oito anos, para os abusos policiais em bairros guetizados onde o padrão de violência se repete sempre. O estudo foi realizado pelas associações Fumaça e Divergente. Cristina Roldão, em entrevista, «desafia-nos a imaginar um mundo onde a polícia não exista», nas páginas 8 a 13.
«Há vida para além da praxe» é um artigo sobre a vivência de três repúblicas de Coimbra que ainda resistem à calamidade intelectual e efectiva da praxe, através de um modo de vida comunitário e de apoio mútuo. Também os 11 jornalistas da Visão e a luta que empreenderam têm lugar de primeira página assim como três canais de informação alternativa que foram entrevistados para o Mapa. (páginas 18 a 21)
A solidariedade com a Palestina e o sacrifício infame a que é sujeita a população de Gaza e da Cisjordânia não poderia deixar de ter lugar, neste e já em muitos outros números anteriores. O Mapa informa-nos do 3º Encontro no Litoral Alentejano promovido pelo TAMLA, Tirem as Mãos do Litoral Alentejano, entre 3 a 5 de Outubro. Na contracapa, aliás, e não deixando o ambiente por mãos alheias, a luta das populações de Setúbal para o livre acesso à Arrábida e às suas praias como o seu «Deslarrrguem a Arrábida!». Para além disso, destaca-se igualmente, entre muitas outras informações, uma acção da Casa da Achada, no dia 4 de Julho, que foi a 1ª Jornada de Cinema Anarquista, em Lisboa. Desde sempre, a luta de Covas de Barroso para impedir a mineração de lítio tem tido uma saliência notável no Mapa, não só com o processo de luta, mas com entrevistas à população e com pareceres técnicos que sustentam há muito esta luta que deverá ser de todos.
«Ocupação não é Paz: é a forma mais brutal de guerra», uma entrevista de três páginas de Nuno Pereira e Pedro Morais a Mira, um anarquista ucraniano sobre a guerra e ocupação russa com uma visão muito particular e pouco conhecida sobre os acontecimentos que levaram à mudança de regime na Ucrânia e à posterior invasão russa.
As «Vozes de Dentro» expõem a condição miserável a que são sujeitos os presos e presas deste país, sem quaisquer condições de higiene, recurso a maus-tratos, discricionaridade dos guardas ou deficiente tratamento médico.
Também sobre o conceito de «vandalismo» e «violência» se debruça sobre a forma de despolitizar os protestos e manifestações impossibilitando todo e qualquer passo para a existência de um diálogo mínimo entre as partes. Se estiverem bem atentos nota-se uma crescimento da violência desproporcionada principalmente para com estudantes preocupados com o clima e com a carbonização e com protestos mais veementes que não estejam «protegidos» por organizações institucionalizadas. Prepara-se, desde há muito, uma repressão cada vez ,mais acentuada e violenta por parte da polícia para com os antifa, onde já se pediu a sua ilegalização no parlamento.
Sandra Faustino coloca em questão a contínua afirmação de políticos que relacionam, algo ridiculamente e em palcos como a Web Summit ou em textos da Câmara de Comércio e Indústria a relação abstrusa entre o infante D. Henrique e o Empreendedor modernaço, ligando os «descobrimentos» (sic) às novas startups.
Consta igualmente uma entrevista ao Eduardo da Letra Livre, uma livraria e alfarrabista de Lisboa, na Calçada do Combro, que está aí para as voltas e não só disponibilizando livros, como também editando-os e que já vai elaborando um catálogo incontornável. Ricardo Sousa apresenta um longo artigo sobre o papel das FP-25 no pós-revolução contribuindo para uma notável clarificação deste período e processo histórico.
alc
