domingo, maio 10, 2026

"Os Costumes do País", Edith Wharton

 

Relógio D'Água, 2025. Tradução de Frederico Pedreira 
Inquestionavelmente, Edith Wharton é uma boa escritora se a compararmos a muitos que marcaram uma época onde a densidade psicológica das personagens, o conhecimento da sociedade em que estavam imbuídos e o realismo das descrições faziam parte de uma técnica narrativa que marcou um longo tempo. Alguns pensamentos ocorreram-me enquanto lia "Os Costumes do País", editado em 1913: o padrão de comportamento da sociedade americana que explica muito do que vemos hoje nas chamadas elites ricas e incultas («uma aristocracia formada por uma revolução», segundo palavras da autora), a completa inutilidade e futilidade dos  seus membros, mas proporcionais ao dinheiro que ganham e estouram em ascensões e falências épicas, a capacidade de serem, verdadeiramente, pessoas más e a comparação que poderemos, em modo de fábula certeira, atribuir ao gosto que as hienas têm de devorar, sempre insaciadas, os cadáveres que lhes vão caindo à sua frente, provocados ou não por elas, sabendo, simultaneamente, que os seus bandos são chefiado por fêmeas alfa. Nesse particular, percebe-se que este livro foi escrito por uma mulher que conhecia, ao pormenor, as sociedades de privilegiados americana e europeia, do início do século XX, como ninguém, e que foi implacável através da transmissão das suas impressões em retratos vivos; como, aliás, nos explica Claire Messud num prefácio em que não está isento de arreliadores "spoilers" que poderiam ser facilmente evitados. 

alc