Cavalo de Ferro, (1ªed. 1950) 2024.
«A Curva da Estrada» era para ser uma peça de teatro como Ferreira de Castro nos diz no prólogo da obra. A narrativa passa-se na Espanha republicana antes da guerra civil e é, talvez, das mais densas que o autor produziu, não só pelo tema que se desenrola dentro da política parlamentar protagonizada por um socialista descrente dentre esta ideologia, como pela descrição psicológica que empresta às várias personagens que se vão desfilando no romance. Soriano sente que a ideia socialista se esvai paulatinamente dentro de si e, com isso, vê-se confrontado quer com os seus companheiros, quer com a família e consigo próprio. Essa luta é-nos contada de uma forma magistral por Ferreira de Castro que nos faz acompanhar pelas dúvidas e acções que são geradas pelo pensamento inquieto da personagem principal, Álvaro Soriano. Os diálogos são autênticas peças filosóficas e políticas extremamente reais e sem que a situação portuguesa e espanhola, presentes nas respectivas ditaduras, não é alheia. Um libelo à verticalidade e à liberdade humanas, condição essencial na luta por um mundo melhor e por uma sociedade igualitária. Para além de tudo isto, admiramo-nos com a actualidade de «A Curva da Estrada» o que faz deste livro um autêntico clássico.
alc
