Gostaria de partilhar convosco a listagem de conteúdos nos últimos 10 minutos na minha página de FB, onde a grande maioria dos amigos é antifascista. Não disse "de esquerda" propositadamente, mas também são muitos. Inegável. Tento não ter fachos por aqui por uma razão simples: não consigo argumentar com o fascismo. É como argumentar com alguém que acredita em milagres. Não dá. Quando os topo, clico numa barra preta que me pergunta se os quero bloquear. Quero.
Por esta ordem de razões, não entendo por que razão, nos últimos 10 minutos de passeio descontraído (pensava eu) por esta coisa, o que me aparece sempre destacado é André Ventura. Hambúrgueres, viagens, candidaturas, conselhos nacionais, etc. Atrás dele, o Chega e sus muchachos mais as histórias edificantes que arrastam, o tiro no Kirk e reels com toda a sua pobre ideologia, o almoço de Gouveia e Melo com Ventura, o Henrique Raposo, um Tavares, a Maria João Marques, o Nuno Rogeiro junto com um avôzinho reaça e meio estúpido, o Trump e Netanyahu. Todos eles com insultos à mistura, a outra face da propaganda negativa à propaganda positiva que eles fazem. Certo é que até há alguns insultos com piada. Mas eu pergunto: a quem isto serve? Salvaguardando o genocídio em curso na Palestina cuja luta é uma causa a que não podemos virar a face sem que perdamos a nossa, não vejo nada de razoável nesta inundação de posts. Faz-nos mal e o fascismo também se alimenta desse destempero, acreditem. Gostava muito que a esquerda discutisse a sério as múltiplas possibilidades de uma outra sociedade (não esta, evidentemente) que valesse a pena lutar e não se acantonasse somente no reel, no meme, na boca antifascista.