A guia do Convento de Salzedas bem nos corrigiu: aquilo que víamos à nossa frente, em estado deplorável de conservação, não era a Judiaria, mas antes deveria chamar-se de Bairro Medieval. Assim é que era, não fosse tomarmos a nuvem por Juno! Mais a mais, não havia sinais identificadores nas casas, como se os judeus em Portugal e desde sempre, vivessem felizes e contentes, donos da sua simbologia e senhores dos seus valores. Bom, não valerá a pena dirigir-me ao Ipar ou a qualquer instituição, mas alertar que isto que vocês veem não aguentará mais um inverno. Vai cair...coisas do costume!
segunda-feira, outubro 08, 2012
domingo, outubro 07, 2012
A História, Hobsbawm e os seus detratores
Já não tenho muita paciência para ler os comentadores disfarçados em historiadores (o contrário também serve). Ontem, no Público, Vasco Pulido Valente perorava contra Hobsbawm. Antes dele um miúdo liberal de que esqueci o nome, e no mesmo jornal, vociferava contra ele. Qual o seu defeito (ainda por cima em epitáfio)? Era ser marxista e historiador ao mesmo tempo. Segundo estas alimárias é uma contradição nos termos. O miúdo chegava a dizer que Hobsbawm nunca pediu perdão por ter sido do PC britânico e de lá não ter saído. VPV dizia que tinha sido demasiado brando para com a URSS, nunca tendo denunciado os crimes estalinistas. Fiquei a saber que nunca tinham lido o autor e o Tempos Interessantes. Mas criticar Hobsbawm é o menos. Dizer que um marxista não pode ser historiador é não reconhecer o que esta corrente contribuiu para a análise crítica da História e dos movimentos sociais. Percebemos agora por que razão Manuel Loff, Fernando Rosas, Reis Torgal e outros foram atacados por Rui Ramos e pela inqualificável Filomena Mónica. Trata-se de conquistar um terreno que lhes fugia. Para ser franco: prefiro cem vezes um rodapé de Hobsbawm, Thompson ou Braudel do que livros de história anedótica e factual destes senhores. E não me venham com Judt em contraponto com Hobsbawm: compare-se Tempos Interessantes ou a Era dos Extremos com o Século XX Esquecido deste último e vejamos qual a melhor síntese objetiva. Qual escolheríamos para ser analisada por um estudante contemporâneo.
sábado, outubro 06, 2012
Sem o Teatro de Campo Alegre o Porto será mais pobre
Claro que nada ainda é definitivo, mas também é igualmente claro que quando os jornais avançam com a notícia os políticos já deliberaram, tratando-se de gerir as reações negativas, que entretanto possam existir, a seu proveito. É sempre assim e Rui Rio sabe o que faz. Foi lançada a notícia do fim da Fundação para a Ciência e Desenvolvimento, entidade que segurava o Teatro Campo Alegre e o Planetário nas suas ações quotidianas.
Podem-se contestar as fundações e o que estas significam para as despesas do Estado, mas os cortes foram cegos e os critérios inexistentes. Assim não. A proposta do governo foi salomónica: o Planetário será confiado à Universidade e o teatro à Câmara Municipal do Porto. Não acreditamos que a universidade, a contas com falências várias, o consiga e quanto à Câmara sabemos de antemão o seu «amor» pela cultura. Mesmo com as Quintas da Leitura sendo um êxito e acarinhadas pela população do Porto que enche por completo as suas salas, não vemos em Rui Rio um vislumbre de preocupação em mantê-las. Já os filmes da Medeia podem dizer-lhes adeus. Das quatro salas que existiam no Bom Sucesso, que nos apresentavam cinema independente e que as tinham bastante compostas por pessoas que diariamente lá iam, passou-se para uma sala desconfortável, pequena, com mau som e de imagens não digitalizadas. É evidente que as pessoas não se deslocavam lá. Sem argumentos, portanto, para que a Medeia continue a ser ajudada ou que possamos ver filmes de conteúdos diferentes dos que acontecem nas salas de coca-cola e pipocas. Ao menos, proteste-se também por causa disto. E acabe-se com a ironia quando agentes políticos da Câmara são questionados sobre este assunto. Por uma questão de dignidade, ao menos!
sexta-feira, outubro 05, 2012
Apresentação na Pensão Amor, em Lisboa, de Vale Formoso de Filipa Leal. 20 de outubro, 19:00
Wittgenstein na Livraria Leitura, Shopping do Bom Sucesso, Porto
| O livro da Deriva «Observações Sobre o Ramo Dourado de Frazer» de Ludwig Wittgenstein encontra-se em escaparate na Livraria Leitura do Bom Sucesso, no Porto |
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terça-feira, setembro 18, 2012
A Mobilização Global, na Fnac do Norteshopping
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| Em tempos de mobilização cidadã é de leitura obrigatória A Mobilização Global do catalão Santiago Lopéz-Petit |
Festival do Livro no Porto a 21, 22 e 23 de setembro. Programa.
quarta-feira, setembro 12, 2012
Apresentação de Vale Formoso, de Filipa Leal na FNAC GAIASHOPPING. 30 de setembro, Domingo, 17h
Quintas de Leitura, 27 de setembro, 22h. Menos por Menos. Teatro do Campo Alegre
Bertrand do Dolce Vita, Porto. O Homem que Via Passar as Estrelas, de Luís Mourão
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13ª Festa do Cinema Francês
13ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS
4 de Outubro a 9 de Novembro 2012
Lisboa, Almada, Faro, Porto, Coimbra e Guimarães
Antestreias - O melhor e o mais recente do cinema francês
Encontro marcado com artistas convidados
Prémio do público
Uma Madrinha
Homenagem a Olivier Assayas
Grandes Clássicos – obras restauradas
Universo da Animação
Sessões escolares
Programa paralelo na RTP2
Extensões
Debates.
4 de Outubro a 9 de Novembro 2012
Lisboa, Almada, Faro, Porto, Coimbra e Guimarães
Antestreias - O melhor e o mais recente do cinema francês
Encontro marcado com artistas convidados
Prémio do público
Uma Madrinha
Homenagem a Olivier Assayas
Grandes Clássicos – obras restauradas
Universo da Animação
Sessões escolares
Programa paralelo na RTP2
Extensões
Debates.
20 de setembro | 21h00 | Livraria Leitura Shopping Cidade do Porto
Numa altura em que se prepara para lançar um novo livro, Como Tu (Booklândia, 2012), destinado aos mais jovens, a poeta Ana Luísa Amaral é a convidada do próximo encontro O que Arde, Cura, que terá lugar a 20 de setembro, pelas 21h00, na Livraria Leitura do Shopping Cidade do Porto. A sessão será moderada por Marinela Freitas.
Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa, em 1956. Licenciou-se em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, instituição onde leciona Literatura e Cultura Inglesa e Americana, Estudos Feministas e Estudos queer. Doutorou-se em 1995 com uma tese sobre a poesia de Emily Dickinson.
O seu primeiro livro de poesia, Minha Senhora de Quê (Quetzal), data de 1990. Desde então, tem vindo a publicar regularmente poesia, teatro e literatura para a infância. Em 2007, venceu o Prémio Literário Casino da Póvoa, com a obra A Génese do Amor (Campo das Letras). No mesmo ano, foi galardoada em Itália com o Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi. Já em 2008, o seu livro Entre Dois Rios e Outras Noites (Campo das Letras) obteve o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. A sua poesia encontra-se reunida no volume Inversos: Poesia 1990-2010 (Dom Quixote, 2010).
Destaca-se ainda a sua atividade enquanto tradutora. Verteu para português Ponto Último e Outros Poemas, de John Updike (Civilização, 2009). Traduziu, posfaciou e organizou o volume Cem Poemasde Emily Dickinson (Relógio d’Água, 2010).
De momento, encontra-se em pré-lançamento Como Tu (Booklândia, 2012), uma obra destinada aos mais jovens que conjuga a poesia e a ilustração na abordagem às temáticas da sexualidade, do civismo e o do ambiente.
O que Arde, Cura
Encontros na Leitura tem lugar todas as terceiras quintas-feiras de cada mês no espaço da Livraria Leitura Books & Living do Centro Comercial Cidade do Porto.
sexta-feira, agosto 31, 2012
Joaquim Castro Caldas [1956-2008]
ir indo
a gente aprende
o coração à lareira
que se fica a ir
e reacende
até que um dia
alguém se lembre
Joaquim Castro Caldas
quinta-feira, agosto 30, 2012
Cortei a laranja em duas
"Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais
Para qual fui injusto – eu, que as vou comer a ambas?"
Alberto Caeiro, Poemas
Cortei a laranja em duas, este verso de Caeiro dá título a uma antologia de poesia portuguesa bilingue contemporânea, publicada no México, em junho deste ano, pelas Ediciones Libera.
A antologia foi organizada Fernando Reyes, professor na UNAM - Universidade Nacional Autónoma do México e inclui traduções suas e de Tania Reyescartín, Angélica Santa Olaya e Jesús Gómez Morán.
A antologia inclui poemas de onze autores portugueses (Filipa Leal, Maria do Rosário Pedreira, Ruy Ventura, João Rasteiro, Fernando Aguiar, Inês Lourenço, Aurelino Costa, Pedro Ribeiro, Alexandre Nave, Américo Teixeira e José Rui Teixeira) e poemas visuais de Manuel Portela. O prefácio é de Jesús Gómez Morán.
sexta-feira, agosto 24, 2012
Le Monde Diplomatique refere a saída de Observações Sobre O Ramo Dourado de Frazer, de Ludwig Wittgenstein
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Versos Olímpicos, de José Ricardo Nunes citado no Expresso por José Mário Silva
quarta-feira, agosto 22, 2012
No Via Catarina, Porto - Ficção e Ensaio da Deriva a preços de saldo
Vale Formoso, de Filipa Leal nas livrarias
terça-feira, agosto 14, 2012
Sob o signo dos Jogos

Versos Olímpicos
José Ricardo Nunes
Deriva
Em 2008, ano das Olímpiadas de Pequim, o poeta José Ricardo Nunes escreveu um livro inteiro de «versos olímpicos», sobre os atletas que «sonham com o milagre / que lhes turva os olhos de glória» e o reverso – muitas vezes irónico ou melancólico – desse espectáculo maior de superação física e mental através do desporto, transmitido para todo o mundo pela TV. Os poemas mostram-nos, em plena acção, ginastas, saltadores à vara, halterofilistas, judocas, remadores, esgrimistas, etc. Assistimos as seus gestos mil vezes treinados, ao que há neles de heróico e de falível, às suas «pequenas glórias e desumanidades». Nesse esforço homérico dos outros, medalhado ou não, José Ricardo Nunes descobre subtis artes poéticas. E é sempre de si mesmo que fala, «sentado neste sofá suburbano / que treme à passagem do comboio». [José Mário Silva, in Bibliotecário de Babel]
[Texto publicado na revista Única, do jornal Expresso]
quinta-feira, julho 19, 2012
domingo, julho 15, 2012
quarta-feira, julho 04, 2012
Vale Formoso, de Filipa Leal
Esta é mais uma porta que se
entreabre para o mundo poético de Filipa Leal. Paulatinamente, com peso e a sua
medida, a autora vai-nos dando a dimensão de uma experiência e da sua vivência.
Em Vale Formoso fuma-se cigarros,
toma-se cafés, foge-se de abelhas, escreve-se poemas e compra-se fruta. Mas
também há lugar para a nostalgia e para o prazer de ver alguém entre aquelas
árvores, de ouvir um riso que suspenda o abismo. O medo. Suspender o medo como
se pudesse, tão-somente, parar um relógio de uma torre. Em Vale Formoso tudo pode acontecer.
Apresentação de "Vale Formoso", dia 12 de julho, pelas22 horas, nas Quintas de Leitura.
quarta-feira, junho 27, 2012
Europa, segundo Filipa Leal
[Poema de Filipa Leal integrado no poema em cadeia "Renshi.eu - um diálogo europeu em versos" do Festival de Poesia de Berlim.]
Apontas para o rosto sarcástico do sol de Inverno
E disparas. Há tantos meses que não chove – reparaste?
É o próprio céu a desistir de ti. E mesmo assim tu disparas, só sabes disparar.
Estás enganada, Europa. Envelheceste mal e perdeste a humildade.
Não é contra o sarcasmo que disparas, não é contra o Inverno,
Nem sequer contra o insólito, contra o desespero.
Tu disparas contra a luz.
Podes atirar-nos tudo à cara, Europa: bombas, palavras, relatórios de contas.
Podes até atirar-nos à cara um deputado, uma cimeira.
Mas os teus filhos não querem gravatas. Os teus filhos querem paz.
Os teus filhos não querem que lhes dês a sopa. Os teus filhos querem trabalhar.
Há tantos meses que não chove – reparaste?
A terra está seca. Nem abraçados à terra conseguimos dormir.
Enquanto te escrevo, tu continuas a fazer contas, Europa.
Quem deve. Quem empresta. Quem paga.
Mas os teus filhos têm fome, têm sono. Os teus filhos têm medo do escuro.
Os teus filhos precisam que lhes cantes uma canção, que os vás adormecer.
Eu acreditei em ti e tu roubaste-me o futuro e o dos meus irmãos.
Se estamos calados, Europa, é apenas porque, contrários ao teu gesto,
Nós não queremos disparar.
(audio aqui)
[Renshi.eu é um poema em cadeia escrito por 28 poetas de 28 países europeus, que abordam de forma literária as questões do presente e futuro da Europa. Cada poeta começa a escrever a partir do último verso do poema anterior, dando origem a a uma obra gigantesca que espelha uma miríade de olhares e referências culturais. Este poema foi lido pela autora em português, na sessão de apresentação da obra conjunta, na Akademie der Künste de Berlim.]
segunda-feira, junho 18, 2012
Feira do Livro do Porto: o fim
![]() |
| Foto de Pedro Ferreira |
E foi assim, em dia de chuva copiosa (não por muito tempo, diga-se) e 250 mil pessoas depois, que fechou mais uma edição da Feira do Livro do Porto. Muita gente, compras mais ou menos iguais às do ano passado e a coisa faz-se como sempre, conquistando pessoas que gostam dos livros e cimentando amizades já despertas. Até breve.
segunda-feira, junho 11, 2012
Feira do Livro do Porto: Stand B31 - Deriva/ILC Margarida Losa da FLUP
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