quinta-feira, abril 26, 2012

Poesia


"Mas as histórias interessam-me tão pouco. Se algum dia escrevesse um romance, seria necessariamente um romance sem lugar, sem acção. Apenas o lugar do pensamento, apenas acção poética. A poesia, como pensamento que não se partilha, é a única coisa que não mente, que não se distrai nessa diplomacia tonta, nessa vontade de frases. A poesia não mente porque não promete dizer a verdade, porque é rigorosamente impartilhável."
 Filipa Leal in "Isabel", O prazer da leitura, Fnac, 2012.

sexta-feira, abril 20, 2012

Feira do Livro de Lisboa: a Deriva no Pavilhão A44, da Companhia das Artes

E aí está à porta mais uma edição da Feira do Livro de Lisboa. Desta vez, a Deriva estará no Pavilhão A44 com a Companhia das Artes, a nossa distribuidora.
A 82.ª edição da Feira do Livro de Lisboa terá lugar entre 24 de Abril e 13 de Maio de 2012, no Parque Eduardo VII em Lisboa. Aproveite a riqueza cultural da Feira do Livro de Lisboa, que possui uma grande oferta de espaços dedicados à literatura, esta será a 82ª edição da Feira do Livro de Lisboa.
De 24 de abril a 13 de maio de 2012
Inauguração da Feira: dia 24 de abril, pelas 17h00
Lisboa – Parque Eduardo VII

HORÁRIO
2.ª feira 12h30 23h00
3.ª feira 12h30 23h00
4.ª feira 12h30 23h00
5.ª feira 12h30 23h00
6.ª feira 12h30 24h00
sábado 11h00 24h00
domingo 11h00 23h00
feriados 11h00 23h00

quarta-feira, abril 18, 2012

Filipa Leal no Festival de Poesia de Berlim 2012

Este é o cartaz de 2011
Ainda é oficioso, mas sabe-se que Filipa Leal foi convidada para estar presente no Festival de Poesia de Berlim de 2012 que vai acontecer entre os dia 1 e 3 de junho. A poesia brasileira é a convidada deste ano. Vamos dar mais notícias, logo que as tivermos.

sábado, abril 14, 2012

As insónias e o recurso aos clássicos

Camilo por Vasco
Deve ser da idade. Pelo menos, o Vasco Pulido Valente queixava-se, ainda não há muito tempo, do mesmo. A falta de sono e as insónias que invariavelmente me obrigam a ler. Como os jornais estão como estão (todos iguais uns aos outros e com opiniões de alto coturno, ao nível da mesa de café) e a televisão se encontra insuportável, vejo-me na feliz contingência de me dedicar à releitura de alguns clássicos entre escritores mais ou menos contemporâneos, não vão acusar-me de arrogância. Veio-me às mãos (já o tinha lido em miúdo) A Queda dum Anjo e, palavra de honra, lembrei-me de algumas personagens atuais do nosso parlamento e da nossa opinião política. Aquele Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda não engana: gongórico, redondo, nunca recusando uma citação ilustrativa, é ele o provinciano astuto que se adapta facilmente à conjuntura. E a conjuntura no século XIX era, desgraçadamente, a mesma de hoje. Já o Eça de A Cidade e as Serras (que o Luís Nogueira meu professor de Português nos deu para ler aos 12 anos) mostra uma aparente desprezo por Paris diretamente proporcional ao exagerado amor por Portugal. Não brinques, ó Eça. «Uma maçada! Uma seca!» - não pára de dizer Jacinto para um Zé Fernandes sobre Paris. Não fosse a trigueira Joaninha não querer sair de Tormes e gostaria de adivinhar um outro final. Um final que obrigasse Zé Fernandes a dizer dela o que disse das madames de Jacinto: «- Parece que fala como as mulheres de Camilo! Oh, nunca leste Camilo? Ah o Camilo...» Mortífero. É o que dão as releituras. Obrigam-nos a uma outra forma de entender os livros. Deve ser a idade.

quarta-feira, abril 11, 2012

Guias Sonoras, de João Pedro Mésseder. Posfácio de Ana Margarida Ramos


«Devotara-se por inteiro à poesia, pelo que o seu ideal se tornara puramente estético. Jamais político - acreditava. Os deuses sorrriam com benevolência. E os homens de negócios, na sua filantrópica bonomia, aprovaram em silêncio essa tranquilizadora separação das águas.»
João Pedro Mésseder, Guias Sonoras, Deriva, página 22

«(...) A condensação e a força pedidas por empréstimo ao aforismo, o humor fino e penetrante, tomado da greguería, e a contemplação estóica a que se segue, quase de imediato, o choque da sensação fulminante provocado por uma aparição súbita, que define o haiku, combinam-se na construção de textos que, soba a égide do fragmento, apostam na leitura enquanto experiência limite, fricção mais ou menos abrasiva entre o leitor e o texto, capaz de suscitar, de igual modo, deslumbramento e sobressalto, agindo e agitando, através de uma certa vibração poética, a sensibilidade e, por que não, a consciência.»
Ana Margarida Ramos, do Posfácio a Guias Sonoras

Stéphane Mallarmé, Crise de Versos. Traduzido agora para português por Rosa Maria Martelo e Pedro Eiras

Edição bilingue
(...)
Narrar, ensinar, mesmo descrever, tudo isso funciona; e embora para partilhar o pensamento humano talvez baste a cada um tirar ou pôr na mão de outrem uma moeda, em silêncio, o uso elementar do discurso serva bem a reportagem universal da qual, excepção feita à literatura, todos os géneros escritos contemporâneos participam.
(...)
Mallarmé, Deriva/ILC coleção Pulsar, Tradução de Rosa Maria Martelo e Pedro Eiras

domingo, abril 08, 2012

A ler La Coca, de J. Rentes de Carvalho

Duvido que no panorama literário atual se retrate tão bem o Minho e a Galiza de hoje como o faz J. Rentes de Carvalho neste La Coca. Sim, de cocaína. Mas também de heroína, de haxixe, de carros de alta cilindrada, de palácios construídos em pouco tempo nas quintas arruinadas e compradas com o dinheiro do narcotráfico, de traineiras que depressa passaram às famosas voadoras, de jantares pantagruélicos entre os capos e amigos colombianos e panamanianos e sempre a rede corrupta entre as duas fronteiras que marcam indelevelmente funcionários, advogados, dirigentes de clubes, empresários. E fala-se também de Barcelos, de Viana, de Lanhelas que cruzam antigos favores com Baiona, Cambados, Arousa. Aqui se constrói uma geografia nova que La Coca nos mostra sem nostalgias inúteis ou moralismos. O que hoje é a Galiza e o Minho fizeram-nas os respetivos estados e, um dia, que queiramos voltar atrás será tarde demais. A cocaína não corrompe só quem a consome, mas toda uma sociedade que se faz cúmplice em torno do dinheiro fácil. São as novas «novelas do Minho». Mas estas deixam um trago amargo na boca, acreditem.

sexta-feira, abril 06, 2012

A Coleção Cassiopeia. ILC/Deriva

Os dois livros editados em parceria com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da FLUP e pela Deriva Editores. Pedidos à editora e à distribuidora (Companhia das Artes)

A Coleção Pulsar. ILC/Deriva

Obras editadas em parceria com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da FLUP e a Deriva Editores
Pedidos à Deriva e à distribuidora (Companhia das Artes)

A ler A Arte de Morrer Longe, de Mário de Carvalho


Mário de Carvalho é um excelente retratista e um contador de histórias. Mostra-nos um país ocupado em pequenas mezinhas de carácter, em pequenos empregos e ainda mais pequenas relações entre personagens que se dividem em revistas cor de rosa e nas pantalhas luminosas que desvendam o saber atual: a grande wickipedia! Os portugueses são ases no saber sugado pela net. Os mais desenrascados de entre nós, sabem-no. Mas a veromilhança de A Arte de Morrer Longe constrói-se pela capacidade de Mário de Carvalho em apresentar-nos situações que só a realidade nos pode dar. O absurdo é tal que nos é difícil imaginar essas situações no campo literário. Só mesmo a realidade para percebermos a possibilidade de elas acontecerem. Que faz uma tartaruga num apartamento de Lisboa alimentada por um casal desavindo em vésperas de uma separação e loucamente à procura de umas luvas de látex? E os interrogatórios policiais que procuram saber desse afã pouco comum? E a mãe de Arnaldo, uma burguesa da Avenida de Roma que lhe aparece com um avental da Festa do Avante, convidando «Eu sou comunista. Porque não tu?». Aqui tudo se explica pela escrita muito própria de Mário de Carvalho que nos interpela diretamente, como leitores e cúmplices. De qualquer maneira, embora não seja dos melhores romances dele, é uma obra incontornável. Imperdível, na página 94, o retrato de Quintão Malpique um tipo muito português que a net descobriu e ampliou do que, antes dela, denunciava os outros à Câmara ou à polícia «só para chatear» e, agora na possibilidade infinita da net, se diverte sob anonimato a caluniar, a comentar, a insultar e a propagandear salazar. Para um muito português faduncho e fascistóide «Só para chatear»!

quinta-feira, abril 05, 2012

Adrienne Rich (1929-2012)


Livresque


There hangs a space between the man
and his words

like the space around a few snowflakes
just languidly beginning

space
where an oil rig has dissolved in fog

man in self-arrest
between word and act

writing agape, agape
with a silver fountain pen

The school among the ruins, 2002

3º Encontro de Literatura Infanto-juvenil da S.P.A. 14 de Abril, Porto

A História Social do Porto, de Bruno Monteiro, João Queirós, Ricardo Ruivo, Maria Inês Coelho, João Baía, Ana Sofia Ferreira e Cristina Nogueira

Autores: BRUNO MONTEIRO, JOÃO QUEIRÓS, RICARDO RUIVO, MARIA INÊS COELHO, JOÃO BAÍA, ANA SOFIA FERREIRA E CRISTINA NOGUEIRA


Na Universidade Popular do Porto, ao longo de sensivelmente dois anos, praticamente todos os meses, as sessões das Oficinas do Pensável serviram para a apresentação de trabalhos de investigação realizados, sobretudo, no âmbito das ciências sociais. Ambicionando o propósito de permitir, sem que isso significasse isentar-se de desideratos de rigor, a apresentação fora do espaço universitário de pesquisas recentemente realizadas, de maneira que muitas aí conheceram uma primeira apresentação pública, cada Oficina procurava constituir também uma oportunidade para o exercício da reflexão partilhada entre os dinamizadores da sessão e uma audiência que desejavelmente não se cingiria meramente a essa condição. Ao dispensar-se, outrossim, das fórmulas de conveniência académica e dos argumentos de autoridade magistral, era ensaiada, recorrentemente, a abertura de um espaço de diálogo, alheio a fins puramente polémicos, entre praticantes de diferentes “especialidades” científicas. Sessão após sessão, no meio a uma diversidade de temas e abordagens, foi-se revelando, inesperadamente, uma linha de questionamento compartida por vários investigadores: aquela sobre a história do Porto no período subsequente ao fim da Segunda Guerra Mundial. Os contributos reunidos neste volume, que não foram inicialmente combinados entre si, mostraram poder reconstruir, quais faces de um mesmo poliedro, a realidade complexa da cidade nessa fase do Estado Novo.

Em breve: Observações sobre 'o ramo dourado' de Frazer, de Ludwig Wittgenstein

No ano de 2011, cumpriram-se os 60 anos da morte de Ludwig Wittgenstein, filósofo austríaco, nascido em Viena a 26 de Abril de 1889. São agora publicadas em livro, pela primeira vez em Portugal, as “Observações sobre «O Ramo Dourado» de Frazer”, “Bemerkungen über Frazers Golden Bough”, trabalho proeminente na obra de Wittgenstein e cuja relevância para a actual reflexão filosófica pode facilmente ser constatada pela extensíssima bibliografia que tem motivado.
Traduzida directamente do alemão por João José de Almeida, filósofo, esta edição tem, em especial, a particularidade de ter recorrido directamente aos manuscritos e dactiloscritos editados pelo Arquivo Wittgenstein na Universidade de Bergen, compondo um texto que é, em múltiplos sentidos, a versão que mais próxima fica de oferecer uma visão integral do material original existente no espólio, e que permanece ignorado pela imensa maioria da comunidade internacional wittgensteiniana. Até mesmo para o leitor de uma língua que não a portuguesa, o texto tem a vantagem de restituir a mais completa e detalhada versão em alemão alguma vez realizada desta obra. A introdução escrita por Nuno Venturinha, que reviu também o texto da tradução, filósofo da Universidade Nova de Lisboa e reputado especialista, a nível internacional, no Nachlass wittgensteiniano, constitui um contributo notável para tornar esta edição ainda mais apelativa.

quarta-feira, abril 04, 2012

Dimitri Christoulas: um suicídio na Praça Sintagma

Um dia. Foi necessário um dia de quase silêncio para saber qual o nome do cidadão grego que fez terminar abruptamente a sua vida junto a uma árvore da Praça Sintagma, em Atenas. Poucos foram os jornais ou agências noticiosas que o disseram. Tratava-se, para estes, quase sempre de «um homem», «provavelmente desempregado» um «idoso». Portanto, bastariam umas linhas e segue-se o Benfica vs. Chelsea e o primeiro-ministro que provavelmente mentiu sobre os subsídios e o «chefe» da oposição que está indignado perante aquilo a que chama de «ataque vil e miserável» feito por um comentador de uma tv privada. O homem que se suicidou, tinha família, filhos e netos. Teve igualmente uma farmácia que fechou. Era um reformado. Estava farto e deixou um bilhete a dizer que o governo da Grécia era um governo de traição. Deu um tiro na cabeça à frente de todos e adivinha-se o grau de asco a que foi submetido para o fazer. É, queiramos ou não, um acto político que nos fere a todos. Chamem-lhe niilista ou o que quiserem, mas é um acto público de negação. Deixa-nos incomodados. Apetece-nos dizer que foram os governos e a troika que o fizeram, apontando-lhes o dedo da culpa. O seu nome? O nome do homem que se matou hoje? Registem para memória futura: Dimitri Christoulas, e uma bala acabou com ele às nove horas da manhã de hoje. Na Praça Sintagma, lugar de todas as resistências.

Goethe and the Metamorphosis of Plants, André Masson, 1940. Em Serralves

Em Serralves encontrei este quadro de André Masson titulado Goethe and the Metamorphosis of Plants, pertencendo a uma coleção privada de arte Dadá e Surrealista.
Para a Catarina Nunes de Almeida e para o seu livro, editado pela Deriva, A Metamorfose das Plantas dos Pés (em baixo).

A ler A Cidade de Ulisses, de Teolinda Gersão


Como coabitar com discursos políticos aparentemente panfletários com uma magnífica história de amor tendo, como pano de fundo, a cidade de Lisboa e o abandono a que está votada? Teolinda Gersão consegue-o de uma maneira magistral, prendende-nos através de uma narrativa solta e com personagens muito bem construídas a nível psicológico. Essas pessoas, Rui, Cecília, Sara, são pessoas que sentem, que comem, que se cansam, que entristecem, que amam. Que estão vivas. Elas não estão sozinhas e convivem com a cidade (nem sempre de uma forma saudável) esburacada, pouco cuidada, guiada por gente sem escrúpulos, políticos de algibeira que fingem gostar dela para serem eleitos. Portugal também é assim, a braços com uma crise profunda, que não é só económica, mas que navega à vista da corrupção e da vigarice. Lembramo-nos da História de Portugal e de Lisboa e a autora atira-nos com ela à cara ao ponto de sentirmos algum incómodo. As personagens continuam a viver e a tentar sobreviver, envoltos numa culpa nem sempre assumida. Com quem amam e com o país, a que tentam sempre fugir. Derivam para Londres, Estocolmo, Berlim, mas os encontros definitivos dão-se cá. Em Lisboa. Nas últimas páginas de A Cidade de Ulisses, Rui, a personagem central organiza uma exposição no CAM que vai partilhar, com esse mesmo nome, com Cecília que já não se encontra entre nós. Provavelmente à espera da decisão de uma qualquer Penélope. Muito bom, este livro.

terça-feira, abril 03, 2012

Dalí em Serralves.

Lilith e a dupla vitória de Samotrácia, Salvador Dali, homenagem a Raymond Roussel
Serralves, 2 de Abril de 2012

Observações sobre 'O Ramo Dourado' de Frazer, de Ludwig Wittgenstein, em breve nas livrarias


TÍTULO - OBSERVAÇÕES SOBRE “O RAMO DOURADO DE FRAZER”

AUTOR - LUDWIG WITTGENSTEIN

COORDENAÇÃO - BRUNO MONTEIRO

EDIÇÃO, TRADUÇÃO E NOTAS - JOÃO JOSÉ DE ALMEIDA

INTRODUÇÃO E REVISÃO DA TRADUÇÃO - NUNO VENTURINHA

FOTO DA CAPA - FOTOGRAFIA DE LUDWIG WITTGENSTEIN EM FRENTE A UM MURO, EM SWANSEA, TIRADA POR BEN RICHARDS NO ANO DE 1947.

© THE CAMBRIDGE WITTGENSTEIN ARCHIVE #0403

CONSELHO EDITORIAL

JOSÉ MADUREIRA PINTO
MANUEL LOFF
SILVESTRE LACERDA
VIRGÍLIO BORGES PEREIRA

DERIVA EDITORES Rua de Santo Ildefonso, 85, 5º, sala 2
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As Rolas de Bakunine, de Antón Riveiro Coello


Capa da edição galega da Galaxia e foto do autor
 As Rolas de Bakunine é um livro que retrata uma família galega de imigrantes anarquistas que, depois da guerra civil de Espanha, se refugiam na América do Sul. Uns retornam, outros não. Mas convém lembrar que na Galiza, nesses anos entre 1936 e 39 não houve propriamente guerra aberta entre duas frentes. Houve sim as tristemente célebres «passeatas» em que os republicanos, comunistas e anarquistas eram levados de suas casas e empregos e fuzilados em «paseos». Os corpos, invariavelmente, eram posteriormente recolhidos por familiares e amigos. É neste ambiente que o romance de Antón Riveiro Coello se desenvolve e ganha mais força. Mas é também na imigração e na descoberta forçada de um mundo novo que igualmente se vai buscar o interesse do romance que ganhou o Prémio García Barros de Novela em 2000. Trata-se de um retrato fiel do anarquismo e da busca de utopia no início do século XX.
O romace foi editado em 2006 e teve a capa de Gémeo Luís. A tradução foi de Dina Almeida. Pedidos à editora ou distribuidora (Companhia das Artes). Encomendas para o domicílio.

Capa de Gémeo Luís na Deriva Editores (2006)

segunda-feira, abril 02, 2012

No Dia Mundial do Livro Infantil, quatro sugestões da Deriva recomendadas pelo PNL




Quatro sugestões da Deriva para o Dia Mundial do Livro Infantil: o eterno Aquário de João Pedro Mésseder e de Gémeo Luís, no êxito da sua 4ª edição e procurado por muitos professores do 1º e 2º ciclos para atividades várias nas aulas, Vozes do Alfabeto do mesmo autor e do ilustrador e designer João Maio Pinto, o Conto da Travessa das Musas de João Pedro Mésseder e Manuela São Simão e, finalmente, Com Quatro Pedras na Mão, uma coletânea de poesia sobre o Porto com poemas musicados pelo Bando dos Gambozinos/Suzana Ralha e ilustrados por Emílio Remelhe. Destaco, neste último livro, os poetas José Mário Branco, Filipa Leal, Jorge Sousa Braga, Joaquim Castro Caldas, Rui Pereira, Matilde Rosa Araújo, Luísa Ducla Soares, Luís Nogueira e o «nosso» Mésseder.

A ler Primo Levi, Se Isto é um Homem

 
Numa época em que prolifera a «marca» hitler e se banaliza o mal, a leitura ou releitura de Se isto é um Homem é importante. Para lá da abjeção que nos provoca a vivência quotidiana em Auschwitz e Birkenau (lá perto, de onde se via o fumo negro da sua chaminé!) que reduz a humanidade a uma sobrevivência infame e a uma relação de poder violenta entre os próprios homens-escravos, condição que o campo de concentração os obrigou a assumir, impele-me a pensar que a sociedade em que vivemos não é mais do que a projeção extrema da ideologia por detrás da construção do campo. Ou seja, levada na sua lógica de dominação e exploração até às últimas consequências. Talvez esteja aqui a chave da submissão e do medo da revolta e da descoberta do novo. Só três dias depois do abandono das SS de Auschwitz, perante o avanço russo, é que Primo Levi e os seus companheiros tiveram coragem de sair do arame farpado e tentar iniciar a vida que foi brutalmente interrompida, sem que essa tentativa não impedisse novas mortes. O cinismo de «O Trabalho liberta» aí está com toda a sua força, neste pequeno livro datado exatamente de 1945 e escrito ainda sob a influência da vida no campo e da posterior libertação. Ainda bem que Primo Levi não teve o impulso de o rever mais tarde. A não esquecer, mas não estou assim tão certo disso.

sexta-feira, março 30, 2012

Observações sobre 'O Ramo Dourado' de Frazer, de Ludwig Wittgenstein. Em breve nas livrarias

de LUDWIG WITTGENSTEIN


COORDENAÇÃO
BRUNO MONTEIRO

EDIÇÃO, TRADUÇÃO E NOTAS
JOÃO JOSÉ DE ALMEIDA

INTRODUÇÃO E REVISÃO DA TRADUÇÃO
NUNO VENTURINHA

A ler Ernestina, de J. Rentes de Carvalho

«Deus criou o Mundo em Vila Nova de Gaia, numa tarde quente de Maio em 1930». Assim começa Ernestina um livro de J. Rentes de Carvalho, editado em 1998 pela Quetzal e que devemos ler com urgência. Conhecia-o, ao autor, mal e sabia-o a viver em Amesterdão tendo lido algumas entrevistas dele. O seu discurso aberto e franco deixou-me de sobreaviso e agora consegui iniciar a leitura da sua obra. Francamente entusiasmou-me e as longas descrições do Porto dos anos 30 e 40, em vez de poderem ser cansativas, são de uma grande beleza. Sentimos o cheiro da Ribeira, do peixe e do carvão, vemos os miúdos ao banho, o Douro com pouca água no verão, o pôr do sol e as calçadas de Gaia que desciam até Afurada. A própria descrição da escola e do liceu levam-nos a um universo de hipocrisia e também das primeiras resistências após 1945, quando Salazar prometeu uma eleiçõs «tão livres quanto à livre Inglaterra». Mas o autor diz-nos francamente que não é de resistências e embora sempre optando pela liberdade, nem que não fosse pela memória de seu avô José Maria republicano e avesso ao padres «quando republicano queria dizer socialista», cedo viu que o portugalinho dos velhos e bons costumes lá continuaria com Salazar. Opta, antes, pelo cinema e pelas leituras de Balzac e Zola, seus companheiros das noites. Pensa-se no Porto do cinema Batalha, do café Palladium, dos bilhares e dos alfarrabistas. Goza-se a descrição da aldeia de Trás-os-Montes para onde ia nos agostos quentes e nos afetos das avós e do Ti Serafim seu avô adotivo. E a descoberta de Ernestina que, com o nome da mãe, o leva a descobrir o amor. Acho importante ser dado nas escolas, mas isso seria outra conversa.

Esta Cidade é um Vício - Concurso de Fotografia da Poetria

Esta Cidade é um Vício - Concurso de fotografia da Poetria

quarta-feira, março 28, 2012

Paulo Kellerman lança novo ebook. A 31 de Março, 22:00, Bar Alinhavar, em Leiria


Bar Alinhavar, Leiria, 31 de Março, 22:00


Livraria Poesia Incompleta de Mário Guerra. Umas notas


País de poetas? Nunca fui nessa, mas conheço e gosto de poesia e de poetas que mereceriam um lugar como a Poesia Incompleta, de Mário Guerra. Tínhamos lá os nossos autores e muitos deles passaram por lá. Desta livraria lisboeta conhecíamos a generosidade e o profissionalismo que lhe era emprestado pelo proprietário. E também da sua seriedade. Num país com uma política cultural, no mínimo, esquisita, a Poesia Incompleta ganhou o estatuto de utilidade pública e um local de debate e procura. Quando se há-de perceber que ler poesia (eventualmente escrevê-la) é uma forma de conhecer a linguagem e de exercer uma comunicação que se pode tornar uma fonte de prazer, muito maior se partilhada com outros? Quando se perceberá, enfim, que para que a poesia subsista é necessário que se adquiram livros de poesia porque esta se tem de ler devagar? Que não basta lê-la «na net» ou na fnac, arrumando-a em seguida nas estantes cada vez mais minguadas dos grandes espaços livreiros? Que não basta a alguém escrever «poesia» para se ser poeta? Que um editor não deve fazer-se pagar para editar, o que vulgarmente se chama de «poesia», por aí? Quando fecha um espaço destes nunca ficamos descansados, porque sabemos que outros parecidos se seguirão. É este o destino de um país de poetas?

Lágrimas de Chuva, de Rosa Montero


Livro que foi uma desilusão, em contraponto com a enorme promoção que Rosa Montero tem tido em Portugal. Nada tinha lido dela, mas aventurei-me à leitura este Lágrimas de Chuva, uma eventual continuação de Blade Runner de Ridley Sott, adaptação ao cinema do livro de Do Androids Dream of Electric Sheep? de Philip K. Dick. De continuação da saga nada existe, a não ser uma contínua passagem mais ou menos rápida e muito ligeira de algumas referência avulsas a Blade Runner e de personagens muito mal construídas. Bruna Husky é uma androide que não chegamos a conhecer bem por preguiça da autora que não nos dá uma personalidade sólida com que nos identifiquemos e conheçamos os seus desejos, nem sequer nas suas «memórias» falsas, dadas por um memorista que seriam os novos escritores contratados por empresas. Que vendem essas mesmas memórias adulteradas. O recurso ao mantra de Bruna, quando se lembra do desconto dos dias da sua vida limitada também é uma forma extremamente cansativa de nos relembrar que a andróide tem quatro anos de vida. A sua relação com Paul Lizard fica muito aquém do que se poderia esperar, em recursos literários, entre um humano criado por uma androide e por Bruna, uma robô criada por humanos. As descrições da cidade de Madrid em 2109 poderiam ser mais ricas e mais imaginativas, assim como a trama política completamente falha em verosimilhança.

terça-feira, março 27, 2012

No Dia Mundial de Teatro, duas referências da Deriva: Pascal Quignard e Pedro Eiras

Um Incómodo Técnico em Relação aos Fragmentos, de Pascal Quignard, traduzido por Pedro Eiras, foi editado em parceria com o ILC Margarida Losa e é um estudo fundamental sobre o Teatro 

Um Punhado de Terra é uma peça de teatro em monólogo escrita por Pedro Eiras e já apresentada no Porto. Trata-se de uma peça sobre os descobrimentos, ou melhor, achamento de África pelos portugueses e a violência exercida por estes aos povos africanos