terça-feira, fevereiro 08, 2011

Da Argentina

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Newsletter Fevereiro

Correntes d’escritas – Pedro Eiras no Programa paralelo [Teatro]

Bela Dona - Apalavrado 3 | de Pedro Eiras e com encenação de Renata Portas.
Sinopse:

“Não tenho medo de entrar nessa noite onde sou vista e não vejo – mãe, dá-me a mão, mãe- onde os meus olhos cantam como sereias – a noite do corpo, e que me guiem no baile, malditas – que me raptem e acordo com o anel, e regresso aos meus olhos, meia-noite, acordo com as mãos de um fidalgo, qualquer fidalgo, rei, reis aos meus pés. Tremem” - (Excerto de Bela Dona, de Pedro Eiras)

Ficha Técnica:
Autor: Pedro Eiras | Encenação: Renata Portas |  Música Original: Joaquim Pavão | Figurinos: Tucha Martins



Apalavrado 3



“Cada palavra, qualquer palavra, a menor de todas as palavras, qualquer uma, é alavanca do mundo. Cada palavra, qualquer palavra, a menor de todas as palavras, qualquer uma, é a alavanca do mundo”. Valère Novarina

Esta encenação, assim como a Temporada Teatral na Póvoa de Varzim, é da responsabilidade do Varazim Teatro.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Inês Fonseca Santos conversa com Catarina Nunes de Almeida

Inês Fonseca Santos. A Adília Lopes escreveu a sua autobiografia sumária (e é uma autobiografia simultaneamente ligada ao real e à poesia; à vida e à obra). Consegues escrever a tua?

Catarina Nunes de Almeida . Dificilmente. Não tenho jeito nenhum para falar de mim com ironia. Até lá ainda tenho que aprender a fazer umas quantas caretas à frente do espelho!

IFS. Lembras-te do primeiro poema/verso que escreveste? Tinha alguma palavra no feminino?

CNA. Raramente memorizo versos de poemas, nem mesmo dos meus. Mas lembro-me que aquilo que escrevi, logo desde cedo, tinha uma dimensão física muito grande – creio que, de certo modo, o meu crescimento nas palavras acompanhou o crescimento do meu corpo. Além disso, quando começamos a escrever, estamos muito comprometidos com as nossas experiências pessoais, com a nossa aldeia de afectos, com o nosso umbigo. Há muita inocência, muita sinceridade, porque ainda não retiramos grande gozo a brincar aos poetas-fingidores e a ampliar os pontos de vista. Falta geralmente, nos primeiros poemas, um pouco de sombra. Por isso, a dimensão feminina dessas minhas primeiras palavras, por certo, saltava à vista de forma muito evidente.

IFS. Hoje, no século XXI, ainda se escreve poesia no feminino ou o(s) género(s) caiu(caíram) em desuso?

CNA. Não sei se sei falar sobre isto. A escrita ou é uma apropriação de experiências de outros, ou é uma reciclagem de experiências próprias, ou é devaneio puro. Nessa medida, creio que a poesia pode corresponder a todos os géneros, inclusive ao neutro (aquele que, na verdade, não morreu com o latim). Julgo que o importante é estar apto para separar aquele que escreve daquele que é escrito – ou seja, o sexo do poeta não deve ser confundido com a sua expressão, com a sua voz. Mas como disse: não sei se sei falar sobre isto. Por enquanto, para mim, são questões que podem ficar à margem.

IFS. E voltando a este nosso século XXI, ainda temos palavras para usar, para gastar nos poemas (quer seja no feminino, quer seja no masculino)? Ou já foi tudo dito, como se anunciava nos anos 70 do século passado?

CNA. Penso que neste nosso século XXI o exercício pode ser bem mais interessante do que foi até aqui. Eu creio que a escrita ganha muito ao passar por outros processos criativos que não a simples busca de palavras raras ou novas. O meu terceiro livro, «Bailias», nasceu através de um desses processos, a que chamaria mesmo de “reciclagem”. Podemos resgatar uma linguagem ou uma estética datada e perdida no tempo, e conceder-lhe um novo fôlego ou um efeito inesperado. É uma grande ousadia e um grande desafio. Outra forma de escrever pode ser também contrariar a própria escrita. É um processo que ponho em prática muitas vezes, sobretudo quando comecei a conhecer com mais profundidade as poéticas do Extremo Oriente. A poesia não tem que ser a procura desmedida de palavras – pode muito simplesmente passar por uma prática de “higiene” na linguagem (para usar a expressão de Ezra Pound): uma limpeza do verso, uma redução do mundo ao seu grãozinho essencial. Assim é mais difícil que as palavras se desgastem.

IFS. E há palavras para recuperar? Como, por exemplo, a palavra "poetisa"?

CNA. O que mais existe são palavras para recuperar. Quanto mais recuamos na língua, mais nos surpreendemos com palavras-monumento. O poeta já não é só um fingindor; o poeta é um arqueólogo da linguagem, cada vez mais. Sobre a palavra “poetisa” é que não tenho muito a dizer: eu não distingo o poeta da poeta, assim como ninguém distingue o malabarista da malabarista.

IFS. Tu és poeta ou poetisa?

CNA. Poeta.

IFS. Muitas feministas odeiam o Pessoa. E o Pessoa falava dos casos de "feminino mental", referindo-se a uma determinada sensibilidade e ao modo de a expressar. Ainda existe essa sensibilidade feminina? Fazes uso dela? Ou ela apenas serve (e estimula) a ironia?

CNA. Acredito nesse “feminino mental”. E sim, faço uso da minha experiência enquanto mulher em quase todos os momentos da minha escrita. Ser mulher não é para mim um acto isolado – no meu caso, essa condição aderiu visceralmente às palavras e nunca procurei afastar-me disso.

IFS. O mês de Março é também o mês da Primavera, e a Primavera costuma associar-se à mulher, ao feminino. Lembro-me de uma história do Manuel António Pina em que ele dizia ter levado anos para conseguir usar a palavra "pétala" num poema. Conseguiu, mas assumiu que sempre teve medo dessa palavra. Alguns poetas - sobretudo homens - têm realmente medo de algumas palavras. E tu, Catarina, consegues identificar palavras que te assustam, de que desconfias, e que recusas quando escreves?

CNA. Não descobri ainda nenhuma palavra que considere “interdita”. Mas a poesia é para mim um veículo essencial de Beleza, pelo que mantenho uma postura muito selectiva e resistente em relação às palavras. Procuro, principalmente, trazer para os poemas palavras com um certo grau de nevoeiro, que facultem um pouco de sombra, que potenciem a placidez das imagens. À parte disso, devo confessar que gosto muito de advérbios de modo. E de dar o braço a torcer em relação a certos adjectivos.

[versão completa publicada por Inês Fonseca Santos no Facebook]

Leituras no Mosteiro

Em Novembro de 2010, o Colectivo 84 desenvolveu o projecto Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas, que teve    como missão “promover e divulgar as novas dramaturgias contemporâneas, nomeadamente a dramaturgia portuguesa, oferecendo igualmente um espaço para a dramaturgia europeia, contributo essencial para as trocas culturais e estéticas asseguradas pela parceria com o Corps de Textes Europe, plataforma europeia de difusão de novos autores e textos para o palco”. O Encontro decorreu em Lisboa no São Luiz Teatro Municipal, entidade co-produtora.
Poucos meses depois, o ciclo Leituras no Mosteiro integra na sua programação uma extensão dos Encontros. No próximo dia 8 de Fevereiro, algumas das peças curtas de dramaturgos portugueses, escritas propositadamente para aquele projecto, serão lidas no Centro de Documentação do Teatro Nacional São João: Tiago Rodrigues, Luís Mestre, Pedro Eiras, Ana Mendes, Paulo Castro, Mickaël de Oliveira, André Murraças e José Maria Vieira Mendes são os seus autores. Alguns dos dramaturgos estarão presentes na sessão.
Amanhã, 8 de Fevereiro,

Peças curtas de Tiago Rodrigues, Luís Mestre, Pedro Eiras, Ana Mendes, José Maria Vieira Mendes, Mickaël de Oliveira, entre outros

Mapa do Mosteiro de São BEnto da Vitória (aqui)

domingo, fevereiro 06, 2011

Venha ler poemas de amor na Casa Fernando Pessoa


Saber mais aqui

        Era uma mulher que estava dentro de uma sala muito branca.
Ouviu: – Não fujas. Não esqueças.

Era uma mulher lívida de medo de não conseguir esquecer.


À volta da sala, havia um pomar redondo que a envolvia de maçãs
avermelhadas, difusas. Ela estava lívida e suja, entre a castidade e o remorso.


Ouviu: – Esquece o arrependimento. Fica.
Filipa Leal, A inexistência de Eva

sábado, fevereiro 05, 2011

Palavras, Palavras [poetas na Elle de Março]

[por Inês Fonseca Santos, Elle, Março 2011]


«A matéria delas são as palavras. Simples, como elas definem as dos poemas que escrevem. Mesmo que às vezes lhes faltem, ou demorem a cair no papel, as palavras delas permanecem; mesmo que se fechem as páginas que elas têm publicado, as vozes delas continuam a ouvir-se. Porquê? Porque nos levam pela mão e «grande é a mão que toma a de outrém/ sem prepotência».
Elas são Margarida Vale de Gato (autora dos versos citados), Catarina Nunes de Almeida, Filipa Leal, Margarida Ferra e Renata Correia Botelho. Nasceram entre o fim dos anos 70 e o início dos 80, e é mais antiga do que elas a relação que têm com a poesia. De que outro modo poderiam dialogar com poetas medievais, como faz Catarina; com Borges, como faz Renata; com Sylvia Plath, como faz Margarida V.G.; com Marguerite Duras, como fazem Filipa e Margarida F.? São exemplos, apenas. Ou provas de que os poetas escrevem com a memória. «Não é uma condenação, é uma benção», assegura Renata. «Se um dia não for capaz de dialogar com a memória e com o que nela vive (filmes, quadros, vozes, os pássaros e o mar, roulotes no meio da neve), quero ter a certeza de que não escrevo mais».


Assim se cumpre o ofício destas poetas. Ou poetisas? Pouco lhes importa, até pelo facto de, como sublinha Margarida F., «as palavras não valerem por si, mas pelo lugar que lhes é dado». Catarina, para quem «o poeta é um arqueólogo da linguagem», não o distingue da poeta, tal como não distingue o malabarista da malabarista. «A palavra é um género em si mesma», acrescenta Filipa. E lembra um verso da brasileira Marize Castro: «Amo as palavras./ Por elas também virei homem». Na verdade, apenas porque Filipa um dia deixou escrito: «Esta sou eu que fiz uma pausa na palavra».

E a palavra pode ser «bolso, miopia, pássaro» (Margarida F.) ou «chuva e pólvora» (Margarida V.G.); seja qual for, ao tornar-se habitante dos poemas destas autoras, adquire «um certo grau de nevoeiro» (Catarina), aproxima-se das «fronteiras silenciosas dos mundos» (Renata). Significa mais – e, por isso, escolhemos lê-las. Aqui, são elas que escolhem. E assinam autobiografias sumárias. Como um dia fez Adília Lopes. Desviam-se dela. A poesia é isso mesmo: um desvio capaz de transformar atalhos em v(e)ias principais, comunicantes.

A poeta que, em Bailias, o terceiro livro, recria cantigas de amor e amigo diz não ter jeito para falar de si. Mas deixa pistas.


«O que escrevi, desde cedo, tinha uma dimensão física grande. De certo modo, o meu crescimento nas palavras acompanhou o cres¬cimento do meu corpo. Quando começamos a escrever, estamos comprometidos com a nossa aldeia de afectos, com o nosso umbigo. Não retiramos grande a brincar aos poetas-fingidores. Falta, nos primeiros poemas, pouco de sombra»




Uma canção: Hey, That's no Way to Say Goodbye, de Leonard Cohen.
Uma cantiga de amigo: Cantiga de Amigo, dos meus amigos Guta Naki.
Uma cantiga de amo: Valsinha de Chico Buarque.


 
Filipa Leal

Um dia será conhecida a verdadeira autobiografia de Filipa Leal. Menos sumária do que a de Adília Lopes.
«Nasci em 1979, ano em que Mar­garet Thatcher se tornou a pri­meira primeira-ministra britânica. Quando era pequena queria ser cientista ou palhaço. Tinha, como se calcula, a mania das grandezas. O primeiro poema que escrevi não era um poema. Era uma folha de Outono que apanhei do chão e que pedi à minha avó Isabel para enviar à tia Zélia»


Um filme. India Song, de Marguerite Duras.
Uma cidade. Porto, meu marido; Londres, minha ex-mulher.
Um verso que sabe de cor. As coisas. Que tristes são as coisas consideradas sem ênfase. (G. Drummond de Andrade)



[por Inês Fonseca Santos, Elle, Março 2011]

Bailias, Catarina Nunes de Almeida, na Notícias Sábado

Bailias, Catarina Nunes de Almeida
Obcecada com os pós-modernismos e demais ismos, a poesia actual (a esmagadora maioria da poesia, para sermos mais exactos) esquece-se das origens. Por isso, preocupada como se revela com o presente, que se esgota no imediato sem que nos apercebamos, relega e desconsidera a herança literária, como se de uma curiosidade inútil se tratasse. O resultado é uma desmemória que, embora acrescente uma suposta actualidade a estes escritos fortemente ancorados no quotidiano, apenas empobrece o seu conteúdo. Caminho inverso é o que percorre Catarina Nunes de Almeida no seu novo livro - o terceiro -, que assume corajosamente como referências primordiais as cantigas de amor e de amigo. Todavia, a leveza e o ritmo que percorrem estes poemas não os aprisionam num passado remoto. Pelo contrário. Estabelecendo um diálogo permanente entre o ontem e o presente, a autora de A Metamorfose da Planta dos Pés, cuja escrita límpida não descarta a influência de poetas como Eugénio de Andrade ou Sophia de Mello Breyner, assegura uma evidente transcendência que encontra na musical idade extrema a maior virtude. [Notícias Sábado '265]




Correntes d’Escritas_programa


Dia 23 (quarta-feira)


17h00 – 1.ª MESA: «Falta futuro a quem tem no presente as ambições/passadas»

- Aida Gomes
- Almeida Faria
- Eduardo Lourenço
- Fernando Pinto do Amaral
- Maria Teresa Horta
- Ricardo Menéndez Salmón

Moderador: José Carlos de Vasconcelos

Dia 24

10h30 2.ª MESA: «Eu começo depois da escrita»


- Ignacio del Valle
- João Paulo Cuenca
- Júlio Conrado
- Karla Suarez
- Maria João Martins
- Miguel Miranda
Moderador: Carlos Vaz Marques

15h00 3.ª MESA: «A minha arte é uma espécie de pacto»


- David Toscana
- Juva Batella
- Luís Represas
- Manuel Jorge Marmelo
- Mário Lúcio Sousa
- Ricardo Romero

Moderador: Rui Zink

17h30 4.ª MESA: «Nua de símbolos e alusões é a poesia»
- Ana Luísa Amaral
- Carmen Yáñez
- Conceição Lima
- Gastão Cruz
- Ivo Machado
- Uberto Stabile
Moderador: Francisco José Viegas

Dia 25
10h30 5.ª MESA: «As palavras são apenas uma memória»

- César Ibáñez París
- Ignacio Martínez de Pisón
- João Paulo Borges Coelho
- Mário Zambujal
- Nuno Júdice
- Rui Zink

Moderador: João Gobern

15h00 6.ª MESA: «Espalho sobre a página a tinta do passado»

- Alberto Torres Blandina
- António Figueira
- Francisco José Viegas
- Inês Pedrosa
- Maria Manuel Viana
- Paulo Ferreira
Moderador: José Mário Silva



17h30 7.ª MESA: «A obra que faço é minha»
- Álvaro Magalhães
- David Machado
- Francisco Duarte Mangas
- João Manuel Ribeiro
- José Jorge Letria
- Vergílio Alberto Vieira
Moderador: Ivo Machado

Dia 26

10h30 8.ª MESA: «Não há palavras exactas»

- José Manuel Fajardo
- Kirmen Uribe
- Nuno Crato
- Pedro Vieira
- Raquel Ochoa
- valter hugo mãe
Moderador: Onésimo Teotónio Almeida

16h00 9.ª MESA: «Nada no mundo deve ser subestimado»


- António Victorino d’Almeida
- Luis Sepúlveda
- Manuel Rui
- Mário Delgado Aparaín
- Onésimo Teotónio Almeida
 - Yvette K. Centeno
Moderadora: Maria Flor Pedroso

Paralelamente, s associações culturais poveiras Octopus e Varazim Teatro organizam sessões de cinema e teatro, respectivamente: no dia 17, será apresentado O Filme do Desassossego, de João Botelho, e no dia 24, será exibido um filme de Miguel Gonçalves Mendes que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Río, José e Pilar. A 19 de Fevereiro, às 22h00, irá subir ao palco do Auditório Municipal a peça Bela Dona, Apalavrado 3 de Pedro Eiras.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Das Guerras Peninsulares

 Alexandre T. Morais Sarmento tentou libertar o Porto em 1809 integrado no Batalhão Académico de Coimbra

Com o apoio da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria e no âmbito da evocação do bicentenário das Guerras Peninsulares a Deriva publicou o livro de Alexandre Tomás de Morais Sarmento, Relação das Medidas de Defesa do Vouga contra o Exército de Soult em 1809. Este, mais tarde deputado liberal e opositor do absolutismo miguelista, fez parte do Estado Maior do General Trant representando o Batalhão Académico que tentava a libertação do Porto naquela data.  

"Como me propusesse lançar por escrito o que aconteceu enquanto duraram as operações defensivas sobre o Vouga, darei agora fim ao meu pequeno trabalho, porque., ainda que os mesmos corpos entrassem nas operações ofensivas dos dias 10, 11 e 12 de Maio, e sendo a artilharia do Coronel Trant a primeira que rompeu fogo sobre os Franceses na manhã do dia 10 de Maio, estas tropas já obravam debaixo da ordem do Marechal General, cuja campanha é totalmente distinta. Induziu-me a este pequeno trabalho a curiosidade dalguns amigos, e o meu desejo de corresponder às suas patrióticas intenções me obrigou a aclarar alguns apontamentos que fiz a este respeito, aonde não entrou outra consideração mais do que a justa admiração por um acontecimento que tanto enobrecera a História Portuguesa do ano de 1809. Os povos da esquerda do Vouga, levados de uma gratidão pelos esforços que fez o Coronel Trant para salvar o país entre o Vouga e a Mondego, pretenderam colocar num monumento sobre a altura do Marnel, situada entre a ponte deste nome e a do Vouga"
Estudo Histórico sobre a Campanha do Marechal Soult em Portugal - Alfredo Pereira Taveira

Este Estudo que agora se reedita é de uma grande utilidade porque contém uma descrição muito rigorosa da campanha do Marechal Soult, em 1809, no norte de Portugal.  O relato é feito por um oficial do Corpo de Estado-Maior, manifestamente competente, que analisa com precisão todos os episódios da Invasão. Não se circunscreve, todavia, aos diversos passos que ela seguiu; junta-lhes comentários muito ajustados e que ajudam à compreensão dos acontecimentos e das decisões tomadas. Ele não disfarça as dificuldades quer dos Franceses quer das tropas aliadas luso-britâncias. E não cai em manifestações “patrioteiras”. Fala, com lucidez, da falta de preparação das nossas tropas e da disciplina violenta e, por isso, muito contraproducente das populações.  (do prefácio de Luís Valente de Oliveira, Presidente da Comissão para a Evocação do Bicentenário das Invasões Francesas no Porto)









segunda-feira, janeiro 31, 2011

Correntes D'Escritas, Ricardo Romero, 24 de Fevereiro



dia 24        Quinta-feira

15h00    3ª Mesa: “A minha arte é uma espécie de pacto” | Auditório Municipal da Póvoa de Varzim
David Toscana
Juva Batella
Luís Represas
Manuel Jorge Marmelo
Mário Lúcio Sousa
Ricardo Romero
Rui Zink – moderador

17h00              Lançamento de Livros | Casa da Juventude 
Nenhum Lugar, Ricardo Romero, Deriva
                      



“AS COBAIAS”, 3D, 1.02.11

“AS COBAIAS” é o título do segundo disco de originais do projecto da dupla João Nobre/Pedro Quaresma.

Baseado na história original com dez capítulos, criada por Adolfo Luxúria Canibal, este novo projecto vai muito para além da música e será editado em formato de livro, onde a história, além de ser musicada, será também ilustrada integralmente em banda desenhada, por João Maio Pinto.
Sinopse: O Professor M. é um pacato cientista, entregue à pesquisa obcecada de novas ferramentas tecnológicas no laboratório de física nuclear de uma grande empresa de informática.  Mas por detrás do seu ar de investigador alienado esconde-se um implacável homem de acção, de uma frieza extrema, sempre pronto a intervir quando considera que uma nova invenção caiu em mãos erradas ou pode pôr em causa a segurança do planeta…
          Mais aqui.

Bailias no Botequim da Graça


Quarta-feira, dia 3, pelas  22:00, apresentação de Bailias, de Catarina Nunes de Almeida., no renovado Botequim da Graça, fundado por Natália Correia, em 1968, com Isabel Meyrelles, Júlia Marenha e Helena Roseta. Foi ali, no Botequim que, durante as décadas de 70 e 80, se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa, de Fernando Dacosta a David Mourão-Ferreira, António Alçada Baptista, José-Augusto França, Luiz Pacheco, Ary dos Santos e José Cardoso Pires.

 
Botequim da Graça | Largo da Graça, 79/80 | Lisboa, Portugal

               Na sessão estarão presentes além de Catarina Nunes de Almeida, Duarte Braga, Ana Salomé e os   Belle Route.

sábado, janeiro 29, 2011

O Conto da Travessa da Musas, João Pedro Mésseder e Manuel Sâo Simão

Sabia que...

Podemos dinamizar uma actividade na sua escola e/ou biblioteca
 Pergunte-nos como....


[...] Da janela, observava aquela travessa de pessoas humildes, onde a sua família era a única de «gente remediada» - assim dizia a mãe - e por onde, ao fim da tarde, circulava um polícia gordo e pachorrento, com cara de tractor amolgado, a quem a garotada chamava «o Bigodes». Era também na rua, quase sem trânsito, que brincava e jogava à bola, com grande alarido, a miudagem das casas pobres. [...]  in O conto da Travessa das Musas, João Pedro Mésseder (texto) e Manuela São Simão (ilustração)

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Gil J Wolman, 28 JAN - 27 MAR 2011 - Museu de Serralves

O artista francês Gil J Wolman (1929–1995) foi um pioneiro na exploração da intersecção entre o texto e a imagem na arte do século XX. A exposição “Sou Imortal e Estou Vivo” é a primeira grande mostra monográfica da obra de Wolman realizada fora de França, reunindo cerca de 250 obras e documentos, de "L’Anticoncept" [O Anticonceito] (1951) – o célebre filme que escandalizou o Festival de Cannes – até "Voir de mémoire" [Ver de memória] (1995). A exposição apresenta numerosas peças nunca antes exibidas, podendo ser também considerada uma enciclopédia do letrismo, movimento artístico que Wolman protagoniza, juntamente com Isidore Isou e Guy Debord. [mais]

Ver "L’Anticoncept", [O Anticonceito] (1951), de Gil J Wolman     aqui.
Ver "Venom and Eternity", de Isidore Isou, considerado o manifesto do letrismo aqui.


quinta-feira, janeiro 27, 2011

Ricardo Romero nas Correntes d'Escritas 2011

A presença de Ricardo Romero nas Correntes D'Escritas de 2011 está confirmada. Uma oportunidade para conhecer o autor de "Nenhum Lugar" publicado pela Deriva e traduzido por Patrícia Louro.

Ricardo Romero nasceu no Paraná, em 1976. Licenciado em Letras pela Universidade de Córdoba, vive, actualmente, em Buenos Aires. Ninguna Parte é o seu primeiro romance. Dirige a revista literária Oliverio.


Em 2006, publicou um livro de contos, Tantas Noches como sean necesarias. Em 2008 publicou El síndrome de Rasputín e em  2010, Los bailarines del fin del mundo, obras de vivem nas margens do fantástico, do absurdo e do policial.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Sugestão para a Semana da Leitura 2011

A Semana da Leitura, uma iniciativa do PLANO NACIONAL DE LEITURA [PNL], é já uma "instituição"  nas escolas do nosso país. Nesta 5ª edição,  a dinamizar entre 21 e 25 de Março de 2011, a Semana da Leitura centrar-se-á na relação LEITURA - ENERGIA - FLORESTA, conjugando-se, deste modo, com a comemoração do Ano Internacional das Florestas.
Em 2011, o desafio é lançado a partir de um conjunto de motes, podendo cada escola/ agrupamento de escolas escolher um ou vários em função do seu projecto educativo, e dinamizar iniciativas/ actividades de promoção de leitura que envolvam as crianças e jovens, outros sectores da comunidade escolar e a comunidade em geral.

MOTES

Leituras em alta tensão | Ler+ é +Vida | Circuitos de Leitura
Leituras luminosas | Ler+ com +energia
Choques de Leituras | Ler+Verde

Estes motes deverão ser encarados como catalisadores de iniciativas que traduzam saberes e competências da população escolar, numa articulação transversal do(s) currículo(s) que constitua um desafio à imaginação e à criatividade.

As iniciativas/ actividades a desenvolver serão enquadradas por uma ou várias das áreas que se seguem:
Floresta/ Recursos Naturais/ Sustentabilidade do Planeta/ Energia e Vida/ Ambiente/ Planeta Verde/ Consumo/ Tecnologias.

  Perigo Vegetal, de Rámon Cáride (texto)  e Miguelanxo Prado (ilustração), aborda, de uma forma simples, as consequências nefastas da monocultura e da manipulação genética, sem controlo e sem escrúpulos.


Mais sobre o Perigo Vegetal no blogue As aventuras de Sheila e Said.

domingo, janeiro 23, 2011

Céline continua polémico em França

Louis-Ferdinand Céline constava de uma lista de personalidades que seriam homenageadas em 2011, em França, aproveitando o cinquentenário da sua morte. À última da hora o sobrinho de Miterrand, o senhor ministro da Cultura Frédéric Miterrand, resolveu riscá-lo de todas as homenagens oficiais afirmando que o acto foi fruto de muita reflexão (estilo hoje, em Portugal, um dia antes das eleições). Só o facto de o pretenderem homenagear já é, de si, ridículo. Saneá-lo à má fila, não deixa de ser uma vergonha. Sabemos também que o senhor era antisemita, um pouco execrável como pessoa (recusou-se, por exemplo, como médico a tratar as filhas de Listopad com uma gastrentrite, porque «tinha de dar comida aos cães») e que foi salvo do pelotão de fuzilamento em 1945 por outras personalidades como Camus ou Jean-Paul Sartre. Mas isso não me impede de dizer que o maior libelo contra a guerra que alguma vez li foi o da sua Viagem ao Fim da Noite em que relata a sua experiência na I Guerra. Talvez se aprendesse mais sobre o fenómeno do antisemitismo e de como o ovo da serpente pode estar em todos e em cada um de nós. Calar, omitir, nunca foi uma boa opção.

sábado, janeiro 22, 2011

GUIAS SONORAS e outras abrasivas, João Pedro Mésseder


Brechtiana (I)

O analfabeto político ignora que votar em branco, ou abster-se, é sempre, sempre votar em alguém. O vencedor, secretamente, agradece.

Brechtiana (II)

O analfabeto político confunde o voto com a expressão de um estado de alma.
                                    João Pedro Mésseder, in GUIAS SONORAS e outras abrasivas

quinta-feira, janeiro 20, 2011

VERDES SÃO OS CANTOS


VERDES SÃO OS CANTOS é um ciclo mensal que tem como objectivo reunir novos nomes da poesia e da música portuguesa numa sexta-feira de cada mês. O cenário é sempre uma das livrarias do grupo Coimbra Editora. As sessões dividem-se em dois momentos – um recital poético e um concerto. O quarto encontro conta com a presença da poeta MARTA BERNARDES e com a música da ALMA FÁBRICA. Porque o mote destas sessões é a poesia, os poetas e os músicos trarão algumas escolhas de “autores da sua vida” que serão lidos e comentados juntamente com o público.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

O Canto de Tila: Homenagem a Matilde Rosa Araújo [25 de Janeiro]


A unidade curricular de Prática Instrumental e Vocal II (Música de conjunto), sob a direcção de Graça Mota, a unidade curricular de Literatura para a Infância e Promoção da Leitura, leccionada por José António Gomes, Ana Cristina Macedo e Ana Isabel Pinto, o NELA (Núcleo de Estudos Literários e Artísticos da ESE do Porto), os idalunos de Educação Musical (2.º ano) e alunos de Educação Básica (3.º ano) promovem, no próximo dia 25 de Janeiro (terça-feira), uma homenagem à escritora Matilde Rosa Araújo (falecida em 2010), figura inesquecível da nossa literatura para crianças.

A iniciativa consta de um colóquio (16h) – em que participam José António Gomes, Ana Margarida Ramos, Sara Reis da Silva, Maria Elisa Sousa, Jorge Alexandre Costa e Ana Cristina Macedo – seguido de uma audição integral de As Cançõezinhas da Tila, de Fernando Lopes-Graça e Matilde Rosa Araújo (18h), entremeada de leituras e comentário de textos.


Programa homenagem Matilde

A MOBILIZAÇÃO GLOBAL seguido de O ESTADO-GUERRA, de SANTIAGO LÓPEZ-PETIT

Se existe na actualidade uma sensação difundida, ela é a de uma profunda incerteza. A incerteza está presente a todos os níveis. O planeta azul prossegue o seu solitário caminho pelo universo, ainda que, porventura um dia, venha a transformar-se num féretro gigantesco. A sociedade é cada vez mais um mero nome para a cobiça de uma multiplicidade de comportamentos sociais, de itinerários e destinos individuais. O homem, por seu lado, abandonado a si mesmo, está destinado a lutar só para não se afundar na exclusão. Incerteza vivida, pois, como insegurança permanente: medo de perder o trabalho, medo de envelhecer, medo por não sabermos o que será dos nossos filhos… Esta insegurança que sobrevoa a nossa existência como uma nuvem negra, não só nos mostra a vulnerabilidade a que supérfluos. Estamos sós face ao mundo. Ou, o que é o mesmo, interiorizámos aquilo que os nossos governantes nos repetem incessantemente, «a vossa situação depende apenas de vós mesmos». E acreditamos que é assim. in A MOBILIZAÇÃO GLOBAL seguido de O ESTADO-GUERRA, de SANTIAGO LÓPEZ-PETIT

O Aquário (4.ª edição) já está nas livrarias







O Aquário, de João Pedro Mésseder (texto) e Gémeo Luís (ilustração) já está na 4.ª edição e disponível nas livrarias. Uma história de peixes, cores e sabores que não é só  para os mais pequenos, afinal, um aquário é também um mundo em miniatura, onde se jogam relações entre iguais e diferentes, novos e velhos, e onde se geram preconceitos e ideias feitas. As ilustrações ajudam a compreender situações e personagens, sem deixarem de construir um cenário onírico e sedutor.
Um livro recomendado pelo PNL e por todos (e foram muitos) aqueles que já o leram.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Odisseia: Oficina de Escita com Jean-Pierre Sarrazac e Alexandra Moreira da Silva


MOSTEIRO DE SÃO BENTO DA VITÓRIA | 6-8 de Fevereiro
Uma perspectiva ampla sobre um processo de qualificação da experiência dos diversos protagonistas que concorrem para o acto teatral não poderia prescindir de um raciocínio sobre a escrita dramática. Da torrente de ideias que terá emergido do colóquio de Janeiro, organiza-se um processo de criação em ambiente de formação capaz de as deter em ficções dramatizáveis. Jean-Pierre Sarrazac, professor no Instituto de Estudos Teatrais de Paris III, Sorbonne Nouvelle, autor de obra dramática e de análises fundamentais sobre a natureza do acto dramatúrgico (o TNSJ publicou, em 2002, O Futuro do Drama e apresta-se a publicar Eu Vou ao Teatro Ver o Mundo), saberá ser não apenas um motor da escrita como uma inesgotável fonte de informação qualificada sobre o património herdado e sobre as estratégias da dramaturgia contemporânea. A acompanhá-lo, Alexandra Moreira da Silva, investigadora em Estudos Teatrais e Estudos de Tradução, garante não apenas o trânsito entre línguas e a constância de acompanhamento dos formandos, como reforça essa intenção de juntar ao gesto de criação uma estrutura sólida de conhecimento, condição prévia a qualquer real emergência do novo. [via TNSJ]
O n..º1 da colecção Pulsar, uma parceria Deriva / ILC, é a A Invenção da Teatralidade, seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis, traduzido por Alexandra Moreira da Silva. 

domingo, janeiro 16, 2011

Das aspas e dos parênteses

Por lapso, alguns sites e blogues,  ao anunciarem a lista de livros finalistas ao  prémio literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa indicam incorrectamente o título do livro de Armando Silva Carvalho, aparecendo grafado: "Deriva Anthero, Areia & Água ". Um lapso evidente, Deriva (que somos nós) é a Editora do livro de Filipa Leal, A inexistência de Eva


sexta-feira, janeiro 14, 2011

“LA COMMUNE (Paris, 1871)” de Peter Watkins, Auditório de Serralves




“La Commune (Paris, 1871)” de Peter Watkins



Com a presença de Jean-Pierre Le Nestour e Patrick Watkins, da Associação Rebond pour La Commune.

O filme será apresentado em 4 partes, com legendagem em inglês:

18 JAN (Ter), 18h30 e 21h30 - 1ª e 2ª sessões
19 JAN (Qua), 18h30 e 21h30 - 3ª e 4ª sessões
 
Esta sessão integra o programa “Arte, Política, Globalização” da exposição “Às Artes, Cidadãos!”

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Escape à crise, lendo

Ler ainda é o melhor remédio... Aqui na Deriva, propomos-lhe que vá umas horas até um Magic Resort ou então que escape para Nenhum Lugar. Vale a pena evadir-se, lendo.



Ele adorava andar por diferentes lugares. A vida sedentária era algo que tinha abandonado há muito tempo, e ter de dar explicações parecia-lhe deplorável. As suas viagens duravam um mês, e no princípio contar com esse tempo de solidão resultava-me agradável e produtivo. Estavam a encarregar-me boas traduções e trabalhava com prazer. Tomava o pequeno-almoço no escritório, saia a passear durante a tarde, e voltava a traduzir até de madrugada. Além disso, parecia-me excitante esperar o reencontro e deixar que me sequestrasse de férias quando chegava.
 Um ano depois, tinha a impressão que os meus dias eram mais solitários do que tinha desejado. Comentei um par de vezes a Marcia o meu descontentamento, e conseguiu convencer-me a começar uma terapia. Escolhi um psicanalista que me disse para ir duas vezes por semana. Nunca me senti cómoda no divã. Costumava perder-me num rosário de anedotas infrutíferas, ou então cansava-me do silêncio e adormecia. Uma vez acordei sobressaltada, vociferando que me afundava num lugar que não desejava. Vá-se lá saber o que interpretou, mas foi a sua melhor intervenção. Descruzou as pernas e disse-me: “Compre um caderno e escreva o que quiser. Trabalharemos com esse material. [Magic Resort, Florencia Abbate]

- Chamo-me Mauricio e tenho vinte e sete anos, e amanhã vou rir-me disto tudo, que me chamo Mauricio e tenho vinte e sete anos.

Antes de acabar a frase Mauricio percebeu que tentar tranquilizar-se falando não tinha sido uma boa ideia. No silêncio da noite escutou a sua voz, e foi-lhe tão estranha, tão alheia, que a custo pode controlar o impulso de abrir a porta e afastar-se a correr do carro. Num segundo conseguiu pensar, “não devo correr, não devo correr”, e com a mão na fechadura viu-se fugindo com grandes passadas, sem correr, caminhando a alta velocidade, o corpo duro e torpe tentando acelerar o passo sem desatar a correr. Ainda com a mão na fechadura, foi invadido por um ataque de riso. Riu-se durante vários minutos e, quando pode por fim controlar-se, descobriu-se cansado e sem medo. Talvez agora pudesse voltar a dormir, pensou, enquanto fechava a janela porque começava a sentir o frio." [Nenhum Lugar, Ricardo Romero]

terça-feira, janeiro 11, 2011

Filipa Leal entre os finalistas do «Prémio Literário Casino da Póvoa»

Filipa Leal integra a lista para o «Prémio Literário Casino da Póvoa», hoje divulgada, com a sua obra «A inexistência de Eva» (Deriva,2009). A decisão será anunciada dia 23 de Fevereiro, na abertura da da 12ª edição do Correntes d’Escritas.


Filipa Leal, além de «A Inexistência de Eva», publicou na Deriva «O Problema de ser Norte» (2008) e «A Cidade Líquida e Outras Texturas» (2006). O Expresso considerou-a, em 2010, um dos talentos para a próxima década:

«NASCEU no Porto, numa casa no centro da cidade que tinha um enorme armário, refúgio de brincadeiras secretas. Aos onze anos disse: "Quero ser escritora. A poesia já estava lá, ocupando o espaço do silêncio. Escrever poemas significa "ir ao mais profundo e à superfície de nós próprios", diz. "Apesar de a poesia ser um lugar cheio de artifícios, é onde me sinto com maior exactidão. Pego no meu real, desdobro-o e alargo para o campo da imaginação». O processo começa assim: "Deixo-me habitar pelas palavras e pelas imagens, o poema só acontece muito depois". Desde 2005 já publicou cinco livros, entre eles "Cidade Líquida'' e ''A lnexistência de Eva", na editora Deriva, um livro de contos, "Lua Polaroid". Em breve, vai trabalhar com uma editora espanhola. Entretanto, construiu uma casa de alicerces sólidos para as suas palavras. Escreve coisas como esta: "A melancolia é uma questão de tempo, disse-me o homem. Era um homem que existia, normal como os que existem." Entre os 18 e os 21 à anos, cursou jornalismo em Londres. Fez um mestrado em literatura portuguesa e brasileira. Agora, que vive em Lisboa, é jornalista no "Diário Câmara Clara', na RTP2, faz recensões de livros em revistas, participa em numerosos recitais de poesia... A escrita escasseia-lhe na voragem do tempo. "Os meus dias são acordar, fazer 50 coisas necessárias e pelo caminho tentar uma vida pessoal. O livro é sempre o último a pendente". E a condição de poeta à procura do seu lugar? Filipa prefere contar uma história: "Num encontro de escritores em Zagrebe, tínhamos de descrever o nosso quotidiano. Uma finlandesa começou: acordo, vou à varanda, faço um chá, leio o jornal, volto à varanda... Nós, os outros, desatámo-nos a rir."» in Expresso/Única de 6 de Março de 2010 [Talentos Para a Próxima Década]
Jornalista cultural, fez uma breve passagem pela rádio (Rádio Nova - PÚBLICO) e foi editora do suplemento «Das Artes, Das Letras» do jornal O Primeiro de Janeiro. Actualmente, integra a equipa do programa Câmara Clara, da RTP2. Tem colaborações dispersas em vários jornais e revistas (EXPRESSO, Egoísta, MeaLibra, Os Meus Livros, Colóquio-Letras, entre outros).
Está representada em diversas antologias, em Portugal e no estrangeiro, e o Bando dos Gambozinos musicou um dos seus poemas, agora disponível no álbum «Com Quatro Pedras na Mão». Integra, desde 2004, os Seminários de Tradução Colectiva de Poesia Viva da Fundação da Casa de Mateus. Em 2010, «A Cidade Líquida e Outras Texturas» foi publicada em Espanha, pela Sequitur.
  
Almeida Faria, Carlos Vaz Marques, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis e valter hugo mãe, definiram a seguinte lista esta lista para o «Prémio Literário Casino da Póvoa»:

A Inexistência de Eva, Filipa Leal, Deriva
Anthero, Areia & Água, Armando da Silva Carvalho, Assírio & Alvim
Arado, A. M. Pires Cabral, Cotovia
Curso Intensivo de Jardinagem, Margarida Ferra, & Etc
Guia de Conceitos Básicos, Nuno Júdice, Dom Quixote
Mais Espesso que a Água, Luís Quintais, Cotovia
Necrophilia, Jaime Rocha, Relógio D’Água
O Anel do Poço, Paulo Teixeira, Caminho
O Livro do Sapateiro, Pedro Tamen, Dom Quixote
O Viajante Sem Sono, José Tolentino Mendonça, Assírio & Alvim

A 22 de Fevereiro, dia anterior ao arranque da 12ª edição do Correntes d’Escritas, o júri reúne pela última vez para decidir qual o vencedor do prémio, decisão que será anunciada no dia 23, na sessão pública de abertura do Encontro. O prémio é entregue no dia 26, na sessão de encerramento.


segunda-feira, janeiro 10, 2011

As bibliotecas da Babelia

A bem dizer, o espectro das bibliotecas de escritores mostradas aos leitores da Babelia (suplemento literário de El Pais) desta semana é verdadeiramente aterrador. Claro que as bibliotecas e os livros são todos eles bonitos de se verem, mas quer as fotos, quer as declarações de escritores bibliómanos (sic) não ajuda, em nada, a causa dos livros. Javier Marías é fotografado com a luz por debaixo do seu nariz, dando-lhe um ar vampiresco ao mesmo tempo que os livros são arrumados em prateleiras sombrias; a secretária ostenta uma velha máquina de escrever. Procuramos, em vão, o computador do autor - nada! Todos eles partilham do mesmo sentimento de terror de terem, um dia, de se mudar com a sua biblioteca. Daniel Samper Pizano, Mariana Enríquez, Martina Kohan, Alan Pauls ou Rodrigo Frésan são unânimes a demonstrarem a sua adição aos livros. Vale a pena lê-los mais as suas relações com esses objectos: uns dizem que os roubam, outros que não os herdaram, outros que os compraram…mas todos eles são contados aos milhares em cada sala.

Ao menos Alain Finkielkraut (lembram-se de A Nova Desordem Amorosa?) é o mais honesto. Afirma que «ler, não garante necessariamente que nos faça melhor!». É. Basta olhar para o século XX sem estar confinado cavernosamente a uma biblioteca.

sábado, janeiro 08, 2011

Livrarias que pensam

Lemos no blogue da Capítulos Soltos, de Braga, o texto da Catarina da Livraria Trama em Lisboa e porque é nestas livrarias que nos sentimos em casa e  porque gostamos de leitores e não de clientes.  e porque acreditamos que vale a pena resistir e porque não acreditamos em livros caixas de bombons, nem livros caixas de sapatos e porque gostamos da Trama, da Capitulos Soltos, da Centésima, da Pó dos Livros, da Index, da Poesia Incompleta, da Poetria, da Arquivo, da Letra Livre , da Livro do Dia, da A das Artes, da Escriba e de outras livrarias com rumo. Transcrevemos a Catarina, da Trama:

às que pensam, às que respiram, às que escolhem. às livrarias que defendem, que apontam, que libertam. às livrarias que vendem livros em vez de produtos, que têm leitores em vez de clientes. às livrarias que se afirmam diariamente - porque existem, porque resistem, porque não se vergam. às livrarias menos arrumadas, às livrarias que não têm «caixeiros» mas sim livreiros, às livrarias que se estão nas tintas para mercados, consumidores, tendências, às livrarias que são casas, que são escolas, grutas, ninhos, livrarias de corujas, morcegos, vespas, às livrarias livres, eu desejo o melhor, melhor, dos anos. [via Trama]