terça-feira, dezembro 07, 2010

APRESENTAÇÃO DE «BAILIAS» DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA




APRESENTAÇÃO DE «BAILIAS» DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA


11 DE DEZEMBRO, PELAS 21H30, NO TEATRO CASA DA COMÉDIA

APRESENTAÇÃO  | Rosa Alice Branco

LEITURAS | Marta Bernardes e Catarina Nunes de Almeida

MÚSICA | André Góis, Bruno Béu, Bruno Broa, Clem Ferreira, Jorge Trigo, Miguel Alves, Paulo Diogo,
Sara Sezifredo

ILUSTRAÇÕES | Sandra Filipe

FOTOGRAFIA | Hugo Joel

domingo, dezembro 05, 2010

Deriva com História

Relação das Medidas de Defesa do Vouga Contra o Exército de Soult, em 1809, de Alexandre Tomás de Morais Sarmento

Como me propusesse lançar por escrito o que aconteceu enquanto duraram as operações defensivas sobre o Vouga, darei agora fim ao meu pequeno trabalho, porque., ainda que os mesmos corpos entrassem nas operações ofensivas dos dias 10, 11 e 12 de Maio, e sendo a artilharia do Coronel Trant a primeira que rompeu fogo sobre os Franceses na manhã do dia 10 de Maio, estas tropas já obravam debaixo da ordem do Marechal General, cuja campanha é totalmente distinta. Induziu-me a este pequeno trabalho a curiosidade dalguns amigos, e o meu desejo de corresponder às suas patrióticas intenções me obrigou a aclarar alguns apontamentos que fiz a este respeito, aonde não entrou outra consideração mais do que a justa admiração por um acontecimento que tanto enobrecera a História Portuguesa do ano de 1809. Os povos da esquerda do Vouga, levados de uma gratidão pelos esforços que fez o Coronel Trant para salvar o país entre o Vouga e a Mondego, pretenderam colocar num monumento sobre a altura do Marnel, situada entre a ponte deste nome e a do Vouga.

 
Estudo Histórico sobre a Campanha do Marechal Soult em Portugal - Alfredo Pereira Taveira


"Este Estudo que agora se reedita é de uma grande utilidade porque contém uma descrição muito rigorosa da campanha do Marechal Soult, em 1809, no norte de Portugal.
O relato é feito por um oficial do Corpo de Estado-Maior, manifestamente competente, que analisa com precisão todos os episódios da Invasão. Não se circunscreve, todavia, aos diversos passos que ela seguiu; junta-lhes comentários muito ajustados e que ajudam à compreensão dos acontecimentos e das decisões tomadas. Ele não disfarça as dificuldades quer dos Franceses quer das tropas aliadas luso-britâncias. E não cai em manifestações “patrioteiras”. Fala, com lucidez, da falta de preparação das nossas tropas e da disciplina violenta e, por isso, muito contraproducente das populações" do prefácio de Luís Valente de Oliveira, Presidente da Comissão para a Evocação do Bicentenário das Invasões Francesas no Porto




DR. MABUSE, in Estranhas Criaturas de Henrique Manuel Bento Fialho

         DR. MABUSE

Nem os cães ladram assim, mercenários de bolsas antigas. Nem os cães por um osso descarnado. Um vírus transaccionado por cima da mesa, horários. Quem assim discute o tempo, a bolsa das horas, propaga a cruz de estarmos vivos. Quantas horas faltarão para que todas as horas estejam cumpridas?
Ninguém luta assim pelo que não tem, suicidas. Quem se ausenta, para no mesmo instante de se ausentar comparecer diante dos juízes, não sabe que a cada tiquetaque os ponteiros se escusam. Prisioneiros da fome, enchem de ar as barrigas.
Ao fim do dia caem fatigados nas passadeiras dos ginásios. Sem praia, sem horta, são o rosto calcinado de uma folha morta. Adormecem todos os dias para no dia seguinte discutirem os dias que hão-de vir. Não sabem, desconhecem, preferem não saber, que daqui a nada os relógios pararão para sempre.
Até lá, brinda-se à saúde de se estar doente.

Henrique Manuel Bento Fialho, Estranhas Criaturas
 
Peça o seu exemplar aqui.

sábado, dezembro 04, 2010

Portes grátis...


Enviaremos os livros que pedir a deriva@derivaeditores.pt em embalagem discreta...

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Livros, muitos livros...


Todos os  pretextos são bons para oferecer livros.... E o Natal é um pretexto como outro qualquer....
Temos livros para todos os leitores....
Para os mais novos - O Aquário (4.ª ed.); As Vozes do Alfabeto, O Conto da Travessa das Musas.
Para adolescentes recomendamos o Perigo Vegetal, de Rámon Caride e Miguel Anxo Prado.

Depois, temos coisas Aqui da Terra de Miguel Carvalho, Tentações do Pedro Eiras, A Peste Bubónica no Porto, de Ricardo Jorge, A Mobilização Global seguida de O Estado-Guerra, de Santiago López-Tetit; Estranhas Criaturas, de Henrique Manuel Bento Fialho;  Alfabeto Adiado, de José Ricardo Nunes, Chega de Fado, de Paulo Kellerman... entre muitos outros

Peça a deriva@derivaeditores.pt  que nós enviamos em embalagem discreta e oferecemos os portes de envio.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Apresentação de «Bailias» de Catarina Nunes de Almeida | 11 de Dezembro | Casa da Comédia

«Catarina Nunes de Almeida lembra e recria, neste seu terceiro livro, as medievais cantigas de amigo e de amor. Imaginário de música e cantos de segréis, trovas de poetas e memoráveis danças de donzelas de corpos finos. Nos ecos dessas seroadas segura a música do seu universo poético, que cerziu a mulher à natureza e dessa ligação fez nascer íntimos catálogos de pássaros, árvores e frutos, novos espaços de idioma, pelejas, sínteses e fábulas. Move-se, com passo seguro, do antigo para o novo e do novo para o antigo, com a graciosidade e o assombro das bailadas, entre ‘Folguedos e Noites de Pastoreio’, ‘Barcarolas ou Manhãs Frias’, ‘Mágoas ou Cantos de Alvoroço’ e ‘Cantigas de Romãzeira’. Volta, com Bailias, a colocar a poesia no seu primordial lugar de cântico.»

Nenhum Lugar, de Ricardo Romero [trad. Patrícia Louro]



Começa assim Nenhum Lugar, de Ricardo Romero [trad. Patrícia Louro]
Já disponível nas livrarias e aqui.

"Deitado no assento traseiro do táxi, sentido o suave tremor do carro nas costas, Mauricio olha o teto e escuta. Dormiu, dorme, está quase a dormir. Na rádio ouve-se, débil, com dificuldade, uma canção melancólica e ligeira.

“Roxanne, you don’t have to put on the red light
those days are over
you don’t have to sell your body to the night
Roxanne ...”

Onde estava? Ou devia perguntar-se, onde ia? A música dava-lhe voltas à cabeça, aprisionando-o num suave refúgio de sonolência e dilação. Doíam-lhe as costas e as pernas, mas não chegava a pensar nisso. No teto dançavam sombras, figuras evanescentes e sem sentido, de uma realidade ameaçadora e vazia. Pela janela, pelo contrário, via-se um troço de céu estrelado, simultaneamente escuro e resplandecente. Respirou fundo. Fechou os olhos, sentia-se confuso, e desejou não pensar nessas coisas. Em que coisas? Em que é que estava a pensar? Voltou a abrir os olhos, pestanejou duas ou três vezes. Demorou algum tempo a compreender que estava acordado e que nesse carro havia demasiadas coisas que ele não sabia identificar. Uma delas era a canção, mas certamente não era a mais importante. Como sabia que estava num táxi? E porque é que não devia sabê-lo? Além disso, porque lhe parecia tão urgente acordar de todo?

Na penumbra do táxi e da noite, Mauricio viu por fim a nuca do taxista, examinou o desenho negro e largo do seu dorso, perguntou-se porque dizia dorso e não costas, seguiu o recorte preciso e revolto da sua cabeça, e ao endireitar-se no banco avistou o balançar impercetível das suas mãos sobre o volante. Estava num táxi e sabia-o, isso já parecia ser alguma coisa. Olhou à sua volta através das janelas e viu a noite, e na noite, o deserto esbranquiçado na distância. Procurou a lua, e não a encontrando sentiu-se inibido. O carro avançava em linha reta e o taxista não parecia ter-se dado conta que o passageiro tinha acordado. Mauricio olhou a estrada à sua frente, o asfalto iluminado pelas luzes do carro, talvez também um pouco mais além, sobre o cinzento claro e apagado que se estendia, interminável, debaixo do fulgor pálido do céu noturno. As riscas brancas seguiam-se uma após outra debaixo do feixe de luz e desapareciam debaixo do táxi. Mauricio teria preferido não as ter visto, mas já parecia ser demasiado tarde. Disse para si que era possível não lhes prestar atenção, olhando então para a estrada sem a ver, apenas por hábito, escutando a rádio que cada vez se ouvia pior. O desconforto que lhe provocavam essas riscas não se desprendia delas, estava ali, sem origem, e não valia a pena tentar persegui-la. Para as deixar de lado pousou o olhar nos postes torcidos de arame dos dois lados da estrada, mas também eles tinham a sua própria sucessão de melancolias sem nome, que se desfaziam uma e outra vez em sombras fugazes e caladas.

Sem saber muito bem o que fazer, aproximou-se da janela e perscrutou a paisagem para lá da estrada. A noite era clara e ele podia ver uma grande extensão de arbustos baixos e pastagens ralas sacudidas pelo vento. Era uma paisagem plana, onde só se destacavam umas elevações escuras que pouco se diferenciavam do céu na linha do horizonte. Perto ou longe só crescia o vento, o resto parecia limitado a uma resignação vazia e imensa. Mauricio, ao observar tudo isto, sentiu a vã necessidade de dizer-se o seu nome em voz baixa, de o recordar.

“rrr...roxanne...rrrrrr...”

A estática da rádio, pouco a pouco, ia deixando atrás a música, que parecia perder-se na obscuridade da estrada que iam percorrendo. Com o olhar perdido na imensidão plana da paisagem Mauricio perguntou-se pela primeira, ou talvez pela segunda vez, para onde estavam a ir. Olhando através da janela, sentindo agora o cansaço das pernas de tanto estar sentado, acabou por perceber a sua confusão. Deviam levar bastante tempo a viajar. Isso era bom ou mau? Não sabia, e a única coisa que parecia preocupá-lo nesse momento era que a música não desaparecesse, que não o deixasse sozinho com o taxista e com a estática. Porque era isso tão importante para ele? E que havia de mau em que fosse tão importante?

Acomodou-se no banco para confrontar o taxista, mas ao fazê-lo tropeçou com uma mochila que estava a seus pés. Era uma mochila preta com o fecho estragado, e antes de a abrir Mauricio já sabia o que continha. Dois pares de meias, dois pares de boxers, duas t-shirts, uma camisa, um pulôver cinzento com decote redondo, uma escova de dentes recém-comprada, papel higiénico, um isqueiro vermelho, uma edição maltratada de Macbeth e uma lanterna. Abriu-a, revistou-a. Não se tinha enganado, e a sua exatidão incomodou-o. Para que queria uma lanterna? Guardou o isqueiro num bolso das calças porque esse é o lugar que pertence aos isqueiros. Tirou o livro, segurou-o entre as mãos, amarelado, certamente roubado, unido apenas por pedaços de fita-cola preta. Na obscuridade do táxi não era possível ler, mas de todas as formas ele sabia das mulheres feias e disformes que falavam de um bosque em movimento que era portador da morte. A morte, isso não era algo em que ele pensasse muitas vezes. Pela janela voltou a contemplar a noite, o deserto, e aceitou vagamente que o que se movia era ele, entre extensões de vento e areia. Devolveu o livro à mochila, dizendo-se que tudo era possível e não pensou mais nisso."

[continua....]


sexta-feira, novembro 26, 2010

Atelier Lapsüs: "Y' aura ce qu'il y aura"

Atelier Lapsüs:   "Y' aura ce qu'il y aura"



Beatriz Albuquerque | João Baeta | Alice Crüel |  Sandra Gil | Hugo Palmares | Manuela São Simão

Exposition du 28 novembre au 11 décembre 2010 | vernissage: Samedi  | 27.11.2010 à partir de 18h
 

quarta-feira, novembro 24, 2010

O Aquário, de João Pedro Mésseder - 4.ª edição



Uma história de peixes, cores e sabores para os mais pequenos. Um aquário é também um mundo em miniatura, onde se jogam relações entre iguais e diferentes, novos e velhos, e onde se geram preconceitos e ideias feitas. As ilustrações ajudam a compreender situações e personagens, sem deixarem de construir um cenário onírico e sedutor.
O Aquário, de João Pedro Méssederjá está na 4.ª edição.   

Apresentação de "Peste bubónica no Porto" de Ricardo Jorge | dia 2 de Dezembro, em Lisboa

Depois da apresentação de "A Peste bubónica no Porto" de Ricardo Jorge (uma reedição do original de 1889) é a vez de Lisboa.

A apresentação terá lugar no Auditório do Instituto Ricardo Jorge, pelas 12 horas de dia 2 de Dezembro (quinta-feira) e contará com a presença do Dr.  Silvestre Lacerda, Director do Arquivo da Torre do Tombo, do Prof. Pereira Miguel, Director do Instituto Ricardo Jorge, e de Tiago Teles Santos e Bruno Monteiro, Comissão Executiva responsável pela reedição.


A acompanhar a apresentação, continua o Contágio [exposição], de Diogo Goes.

Filipa Leal & Pássaro (Gonçalo Miragaia) @ VERDES SÃO OS CANTOS -


Sexta-Feira, 21.30, Livraria CE Buchholz


VERDES SÃO OS CANTOS é um ciclo mensal que tem como objectivo reunir novos nomes da poesia e da música portuguesa numa sexta-feira de cada mês.
As sessões dividem-se em dois momentos – um recital poético e um concerto. Este será o segundo encontro e contará com a presença da poeta Filipa Leal e com a música do Pássaro (projecto de Gonçalo Miragaia). Porque o mote destas sessões é a poesia, os poetas e os músicos trarão algumas escolhas de “autores da sua vida” que serão lidos e comentados juntamente com o público.
 
 
DATA: 26 de Novembro
LOCAL: Livraria CE Buchholz

MORADA: Rua Duque de Palmela, nº 4 - Lisboa (Metro: Marquês de Pombal)
HORA: 21H30
PREÇO DO BILHETE: 0 €


[Os livros da Filipa Leal e outros da Deriva Editores estarão disponíveis para venda]

domingo, novembro 21, 2010

A Peste Bubónica no Porto, de Ricardo Jorge já nas livrarias


Hoje, na Fnac de Sta. Catarina, encontrava-se já A Peste Bubónica no Porto, de Ricardo Jorge. Na secção de História.

Maré de Livros de JOSÉ ANTÓNIO GOMES, BLANCA-ANA ROIG RECHOU, ISABEL MOCIÑO E ANA MARGARIDA RAMOS

MARÉ DE LIVROS
de José António Gomes, Blanca-Ana Roig Rechou, Isabel Mociño e Ana Margarida Ramos

Os responsáveis da publicação pretendem, pois, disponibilizar este material, fruto, das reflexões levadas a cabo nos 15.os Encontros Luso-Galaico-Franceses, ainda que o conjunto não constitua propriamente umas actas no sentido tradicional, mas sim uma série de trabalhos solicitados tendo em conta as temáticas e actividades desenvolvidas durante o evento. Estamos convictos de que estes trabalhos serão de interesse para a comunidade investigadora em geral e para docentes, bibliotecários e todo o tipo de mediadores em particular, pela investigação, formação e informação que proporcionam tendo em vista a formação literária e a fixação de hábitos leitores, e considerando a seriedade e o rigor dos seus autores e autoras.

 
Índice


0. INTRODUÇÃO
1.APRESENTAÇÃO
2. ESTUDOS
2.1. A nova poesia portuguesa para a infância (2000-2008): tendências e presença do mar. José António Gomes, Ana Margarida Ramos e Sara Reis da Silva.
2.2.Unha maré de poesía galega. Poesía para a infancia no século XXI: autores e correntes. Blanca-Ana Roig Rechou, Marta Neira Rodríguez e Eulalia Agrelo Costas.
2.3. Um mundo à parte: Contributos para uma definição do subsistema da literatura juvenil. Maria Madalena Marcos Carlos Teixeira da Silva.
3. ENCONTROS CON AUTORES
3.1. Ler, navegar, escribir. Marcos Calveiro.
3.2. O mar na minha obra, na minha vida. Luísa Ducla Soares.
3.3. A primeira (e última) vez que eu vi o mar. Nuno Higino.
4. ENCONTRO CON EDITORES
4.1. A edición infantil e xuvenil. Belén López Vázquez.
5. ATELIERS
5.1. PoeMar: recursos para o ensino. Alexia Dotras Bravo, Mar Fernández Vázquez, Carmen Ferreira Boo e Esther de León Viloria.

6.EXPOSIÇÕES
6.1. Vai de mar. Xosé Covas.

sábado, novembro 20, 2010

Tentações - Ensaio sobre Sade e Raul Brandão, de Pedro Eiras, por Álvaro Manuel Machado [Expresso]


Tentações - Ensaio sobre Sade e Raul Brandão,
de Pedro Eiras, por Álvaro Manuel Machado
[Expresso Actual, 20 de Novembro de 2010]

Pedro Eiras, um dos mais criativos de entre os jovens ensaístas universitários, regressa neste livro a Raul Brandão, que já abordara em "Esquecer Fausto" (2005), caindo na ‘tentação’ de o comparar com Sade. Aliás, mais do que uma 'tentação', trata-se duma provocação.
Na 'Nota Introdutória', cultivando o paradoxo, Eiras reconhece que estas "tentações" de leitura são simultaneamente "evidentes" e "improváveis". De facto, não se vê bem como a dostoievskiana angústia metafísica de Raul Brandão é comparável à sistemática negação libertina da angústia metafísica em Sade, o qual reduz a literatura a uma arquivística repetição de lugares-comuns do mal relacionado com o sexo. Sem Imaginação, nem de linguagem nem de criação de personagens, meros títeres (ao contrário do genialmente imaginativo Rousseau). Sade é mais um mito literário do que um escritor. O próprio amoralismo é nele uma banalidade mecanicista, como aquele corpo-máquina de que o seu idolatrado La Mettrie falava em "L'homme-machine" (1748).  E apesar de Brandão, como Sade, ceder "a códigos retóricos datados", levando esses códigos "a extremos: enumerações e repetições esmagadoras", em Raul Brandão há o voo dum imagina rio lírico pós-romântico transposto para o simbolismo e centrado no tempo narrativo, imaginário finissecular precursor do romance moderno, enquanto em Sade a escrita fecha-se na sua própria obsessão descritiva e didática do mal. Em suma: um ensaio que, pela 'improbabilidade' do seu objetivo comparatista, levanta questões teóricas muito discutíveis, por vezes até obscuras e inconsequentes, embora fascinantes, Como diz o autor: "O ensaio é estar em perigo."

Álvaro Manuel Machado

sexta-feira, novembro 19, 2010

Bailias, de Catarina Nunes de Almeida

[ilustração de Sandra Filipe ]


Irei eu em todas as minhas mãos
pégasos e ventanias
o corpo preso por um frio gentil
o corpo a tilintar de sonhos.

Serei eu o que ele for
na cavalgada.

Bailias, Catarina Nunes de Almeida 

APRESENTAÇÃO:
   11 de DEZEMBRO, PELAS 21H30, NO TEATRO CASA DA COMÉDIA 

quinta-feira, novembro 18, 2010

Peste Bubónica no Porto, de Ricardo Jorge [Texto transcrito a partir da edição original, datada de 1899. ]


"No dia 4 de Julho de 1899, era Ricardo Jorge alertado para uns estranhos falecimentos ocorridos na Rua da Fonte Taurina.  Apesar de aparentarem ter sido causados por “moléstias banais”, uma visita pessoal do médico ao local deixou nele a convicção de “estar em frente dum foco epidémico de moléstia singular e nova”. A obra A peste bubónica no Porto recolhe os relatórios médicos redigidos por Ricardo Jorge entre Julho e Agosto desse ano e destinados exclusivamente às autoridades civis. Eles são escritos enquanto grassa a epidemia na cidade, dando conta da impressão causada no imediato pela sucessão dos acontecimentos. O estilo realista das observações realizadas, o registo minucioso das vicissitudes provocadas pela propagação da peste, as anotações acerca das circunstâncias da vida e da morte de cada infectado, contribuem para formar  uma descrição percuciente do prosaísmo da existência das classes populares nessa época. Por detrás das observações clínicas, Ricardo Jorge realiza uma autópsia social da cidade laboriosa. A distribuição geográfica da morte é sensível à morfologia social do Porto. A prospecção de terreno sobre as condições da doença constitui uma sociografia da vida de todos os dias das classes populares, mostrando impressas em letra de forma a luz, o cheiro, o ruído das suas condições de habitações, de alimentação, de trabalho." 
                                                                                 da introdução de Bruno Monteiro 

terça-feira, novembro 16, 2010

Miguel Carvalho - Prémio Gazeta

Para memória futura, o registo da entrega dos prémios Gazeta do Clube de Jornalistas no Salão Nobre da Caixa Geral de Depósitos a Miguel Carvalho.



Ah! Para os mais curiosos a intervenção do Miguel aqui e algumas (in)confidências.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Bailias, de Catarina Nunes de Almeida... quase, quase a chegar...



APRESENTAÇÃO DE «BAILIAS» DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA

11 DE DEZEMBRO, PELAS 21H30, NO TEATRO CASA DA COMÉDIA


APRESENTAÇÃO |  Rosa Alice Branco
LEITURAS | Marta Bernardes e Catarina Nunes de Almeida
MÚSICA | André Góis, Bruno Béu, Bruno Broa, Clem Ferreira, Jorge Trigo, Miguel Alves, Paulo Diogo,
Sara Sezifredo
ILUSTRAÇÕES | Sandra Filipe
FOTOGRAFIA | Hugo Joel

Catarina Nunes de Almeida lembra e recria, neste seu terceiro livro, as medievais cantigas de amigo e de amor. Imaginário de música e cantos de segréis, trovas de poetas e memoráveis danças de donzelas de corpos finos. Nos ecos dessas seroadas segura a música do seu universo poético, que cerziu a mulher à natureza e dessa ligação fez nascer íntimos catálogos de pássaros, árvores e frutos, novos espaços de idioma, pelejas, sínteses e fábulas. Move-se, com passo seguro, do antigo para o novo e do novo para o antigo, com a graciosidade e o assombro das bailadas, entre ‘Folguedos e Noites de Pastoreio’, ‘Barcarolas ou Manhãs Frias’, ‘Mágoas ou Cantos de Alvoroço’ e ‘Cantigas de Romãzeira’. Volta, com Bailias, a colocar a poesia no seu primordial lugar de cântico: «Irei eu em todas as minhas mãos / pégasos e ventanias / o corpo preso por um frio gentil / o corpo a tilintar de sonhos. // Serei eu o que ele for / na cavalgada».

domingo, novembro 14, 2010

Medeia Filmes: esta semana, no Teatro do Campo Alegre


LOLA, de Brillante Mendoza  | 11 a 17 Novembro, todos os dias às 22h* (*excepto 16 Novembro)

ARREPENDIMENTOS, de Cédric Kahn  | 11 a 17 Novembro, todos os dias às 18h30




Terças-feiras Clássicas do Teatro do Campo Alegre

MOONFLEET – O TESOURO DO BARBA RUIVA, de Fritz Lang | 16 Novembro, 22h (bilhetes 3,50 euros)

quarta-feira, novembro 10, 2010

AMANHÃ: Apresentação do livro "A PESTE BUBÓNICA NO PORTO ", de Ricardo Jorge

Lançamento do Livro A Peste Bubónica no Porto, de Ricardo Jorge

Com a presença do Prof. Doutor Virgilílo Borges Pereira (ISFLUP) 

e do Dr. Carlos Pinto (INSA)


Nos Claustros, exposição de desenho e ilustração de Diogo Goes.
 Biblioteca Pública Municipal do Porto, 18:30
RELATORIO DE 28-7-99
A EPIDEMIA
DA FONTE TAURINA
Informado de que em algumas casas da rua da Fonte Taurina se tinham dado mortes inopinadas e consecutivas, procedi, apezar das certidões d’obito indicarem para os casos assignalados doenças normaes, a uma visita e inquerito no local incriminado a 6-7-99, que me fizeram descobrir uma irrupção epidemica de molestia grave e insolita. Dado logo aviso do pernicioso achado á auctoridade e encetadas as medidas sanitarias immediatas, incessantemente me occupei tanto no estudo da forma e natureza do andaço, como na vigilancia e combate da sua propagação. D’esses trabalhos começo de dar conta mais minuciosa n’este primeiro relatorio, por descargo meu e por interesse superior de saude publica. in Peste Bubónica no Porto de 1889, Ricardo Jorge

16.os Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil. 12 e 13 de Novembro 2010.



É já nesta sexta-feira que começam os 16.os Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil.
Consultar o programa aqui.

Soldado aos laços das constelações | dia Herberto Helder

terça-feira, novembro 09, 2010

Capítulos Soltos, uns passos mais à frente



A Livraria Capítulos Soltos vai mudar para a mesma rua.
A partir de Novembro os livros que procura aguardam-no na porta 93 da Rua de Santo André, em Braga. O novo espaço é mais amplo e dispõe de um jardim ao ar livre.
A Capítulos Soltos abre uma nova página do seu percurso para acolher Exposições, Concertos, Workshops, Sessões de Apresentação e outras actividades Culturais.
mais aqui

Estar vivo é imoral? | Gato Vadio


Tarde – quarta a sábado 15h às 19h30    Noite – quarta a domingo 21h30 às 00h
mais aqui 

segunda-feira, novembro 08, 2010

Marque na agenda: 11/12/10 - apresentação de Bailias, de Catarina Nunes de Almeida


Bailias, de Catarina Nunes de Almeida será apresentado dia 11 de Dezembro, no Teatro Casa da Comédia,  em Lisboa, pelas 21.30.
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Catarina Nunes de Almeida lembra e recria, neste seu terceiro livro, as medievais cantigas de amigo e de amor. Imaginário de música e cantos de segréis, trovas de poetas e memoráveis danças de donzelas de corpos finos. Nos ecos dessas seroadas segura a música do seu universo poético, que cerziu a mulher à natureza e dessa ligação fez nascer íntimos catálogos de pássaros, árvores e frutos, novos espaços de idioma, pelejas, sínteses e fábulas. Move-se, com passo seguro, do antigo para o novo e do novo para o antigo, com a graciosidade e o assombro das bailadas, entre ‘Folguedos e Noites de Pastoreio’, ‘Barcarolas ou Manhãs Frias’, ‘Mágoas ou Cantos de Alvoroço’ e ‘Cantigas de Romãzeira’. Volta, com Bailias, a colocar a poesia no seu primordial lugar de cântico: «Irei eu em todas as minhas mãos / pégasos e ventanias / o corpo preso por um frio gentil / o corpo a tilintar de sonhos. // Serei eu o que ele for / na cavalgada». 

Apresentação do livro "A PESTE BUBÓNICA NO PORTO DE 1899", de Ricardo Jorge

Pássaro de Papel | Teatro Ensaio


Este espectáculo é criado à volta da História do Papel e da Escrita, pretendendo despertar o gosto das crianças pelos livros, sensibilizando-as para a leitura e esperando alimentar a sua imaginação e criatividade, através da exploração do papel como material de grande versatilidade plástica.


Espectáculos para todos a partir dos 3 anos.  De 6 a 19 de Dezembro de 2010
Blackbox Cace Cultural do Freixo,
Rua do Freixo 1071, Porto, estacionamento gratuito
Espectáculos para Escolas EB1,2: de segunda à sexta, às 11h e 15h (sujeito a marcação)
Espectáculos para Público em Geral: sábados e domingos às 16 h
Informações e reservas: 918626345
mais aqui

Isabel Sousa

Já tinha estado com a Isabel Sousa há uns tempos e notava que estava doente. Mas a Isabel é daquelas pessoas que nunca acreditamos que se vá embora assim, de supetão, como que ficasse suspensa uma despedida, nem que fosse breve e sempre com uma ocasião marcada para nos revermos. Quando tive a confirmação da sua morte, não quis saber da data, da causa, de mais nada…lembrei-me da sua obra e da sua intervenção nas Derivas de Fevereiro, em 2008, sempre polémica e nada consensual. Gostou muito dos miúdos do Cerco que, nessa ocasião, disseram poemas pela mão da Elisa Alves. Apontou caminhos para a sobrevivência (não se leia subserviência) das bibliotecas já próximas da asfixia. Achava que devíamos mandar o Estado às malvas e tratar da nossa vida com os mais miúdos. Trazê-los às bibliotecas e à leitura de uma forma aberta e sem contemplações ou cedências. Ler custa. Iniciar um processo de leitura é um acto por vezes doloroso e que supõe alguma teimosia. A alegria virá depois. Por isso, disse na altura a Isabel, tinha tudo para desconfiar do Plano Nacional de Leitura que absorveu muitas das energias que a maioria das bibliotecas tentava pôr em prática. Tinha, eventualmente, razão.

sábado, novembro 06, 2010

Bailias, Catarina Nunes de Almeida [a chegar....]




Bailia:
Tipo de cantiga de amigo, de origem provençal, próprio para a dança. A bailia segue, em regra, uma estrutura paralelística, adequada à dramatização da cantiga interpretada por um grupo de donzelas: a protagonista ou cantadeira executa as principais estrofes; as restantes cantoras, formando um coro, entoam o refrão. Em alternativa, cada uma das estrofes da bailia pode ser executada por uma cantadeira diferente. O tema é geralmente jovial e festivo. Distingue-se da balada por incluir o convite à dança e por possuir uma estrutura formal mais regular e autónoma. Dentro do contexto da lírica-galego-portuguesa, Airas Nunes compôs uma das mais célebres bailias: Bailemos nós já todas três, ai amigas. (Carlos Ceia)