sábado, novembro 20, 2010

Tentações - Ensaio sobre Sade e Raul Brandão, de Pedro Eiras, por Álvaro Manuel Machado [Expresso]


Tentações - Ensaio sobre Sade e Raul Brandão,
de Pedro Eiras, por Álvaro Manuel Machado
[Expresso Actual, 20 de Novembro de 2010]

Pedro Eiras, um dos mais criativos de entre os jovens ensaístas universitários, regressa neste livro a Raul Brandão, que já abordara em "Esquecer Fausto" (2005), caindo na ‘tentação’ de o comparar com Sade. Aliás, mais do que uma 'tentação', trata-se duma provocação.
Na 'Nota Introdutória', cultivando o paradoxo, Eiras reconhece que estas "tentações" de leitura são simultaneamente "evidentes" e "improváveis". De facto, não se vê bem como a dostoievskiana angústia metafísica de Raul Brandão é comparável à sistemática negação libertina da angústia metafísica em Sade, o qual reduz a literatura a uma arquivística repetição de lugares-comuns do mal relacionado com o sexo. Sem Imaginação, nem de linguagem nem de criação de personagens, meros títeres (ao contrário do genialmente imaginativo Rousseau). Sade é mais um mito literário do que um escritor. O próprio amoralismo é nele uma banalidade mecanicista, como aquele corpo-máquina de que o seu idolatrado La Mettrie falava em "L'homme-machine" (1748).  E apesar de Brandão, como Sade, ceder "a códigos retóricos datados", levando esses códigos "a extremos: enumerações e repetições esmagadoras", em Raul Brandão há o voo dum imagina rio lírico pós-romântico transposto para o simbolismo e centrado no tempo narrativo, imaginário finissecular precursor do romance moderno, enquanto em Sade a escrita fecha-se na sua própria obsessão descritiva e didática do mal. Em suma: um ensaio que, pela 'improbabilidade' do seu objetivo comparatista, levanta questões teóricas muito discutíveis, por vezes até obscuras e inconsequentes, embora fascinantes, Como diz o autor: "O ensaio é estar em perigo."

Álvaro Manuel Machado

sexta-feira, novembro 19, 2010

Bailias, de Catarina Nunes de Almeida

[ilustração de Sandra Filipe ]


Irei eu em todas as minhas mãos
pégasos e ventanias
o corpo preso por um frio gentil
o corpo a tilintar de sonhos.

Serei eu o que ele for
na cavalgada.

Bailias, Catarina Nunes de Almeida 

APRESENTAÇÃO:
   11 de DEZEMBRO, PELAS 21H30, NO TEATRO CASA DA COMÉDIA 

quinta-feira, novembro 18, 2010

Peste Bubónica no Porto, de Ricardo Jorge [Texto transcrito a partir da edição original, datada de 1899. ]


"No dia 4 de Julho de 1899, era Ricardo Jorge alertado para uns estranhos falecimentos ocorridos na Rua da Fonte Taurina.  Apesar de aparentarem ter sido causados por “moléstias banais”, uma visita pessoal do médico ao local deixou nele a convicção de “estar em frente dum foco epidémico de moléstia singular e nova”. A obra A peste bubónica no Porto recolhe os relatórios médicos redigidos por Ricardo Jorge entre Julho e Agosto desse ano e destinados exclusivamente às autoridades civis. Eles são escritos enquanto grassa a epidemia na cidade, dando conta da impressão causada no imediato pela sucessão dos acontecimentos. O estilo realista das observações realizadas, o registo minucioso das vicissitudes provocadas pela propagação da peste, as anotações acerca das circunstâncias da vida e da morte de cada infectado, contribuem para formar  uma descrição percuciente do prosaísmo da existência das classes populares nessa época. Por detrás das observações clínicas, Ricardo Jorge realiza uma autópsia social da cidade laboriosa. A distribuição geográfica da morte é sensível à morfologia social do Porto. A prospecção de terreno sobre as condições da doença constitui uma sociografia da vida de todos os dias das classes populares, mostrando impressas em letra de forma a luz, o cheiro, o ruído das suas condições de habitações, de alimentação, de trabalho." 
                                                                                 da introdução de Bruno Monteiro 

terça-feira, novembro 16, 2010

Miguel Carvalho - Prémio Gazeta

Para memória futura, o registo da entrega dos prémios Gazeta do Clube de Jornalistas no Salão Nobre da Caixa Geral de Depósitos a Miguel Carvalho.



Ah! Para os mais curiosos a intervenção do Miguel aqui e algumas (in)confidências.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Bailias, de Catarina Nunes de Almeida... quase, quase a chegar...



APRESENTAÇÃO DE «BAILIAS» DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA

11 DE DEZEMBRO, PELAS 21H30, NO TEATRO CASA DA COMÉDIA


APRESENTAÇÃO |  Rosa Alice Branco
LEITURAS | Marta Bernardes e Catarina Nunes de Almeida
MÚSICA | André Góis, Bruno Béu, Bruno Broa, Clem Ferreira, Jorge Trigo, Miguel Alves, Paulo Diogo,
Sara Sezifredo
ILUSTRAÇÕES | Sandra Filipe
FOTOGRAFIA | Hugo Joel

Catarina Nunes de Almeida lembra e recria, neste seu terceiro livro, as medievais cantigas de amigo e de amor. Imaginário de música e cantos de segréis, trovas de poetas e memoráveis danças de donzelas de corpos finos. Nos ecos dessas seroadas segura a música do seu universo poético, que cerziu a mulher à natureza e dessa ligação fez nascer íntimos catálogos de pássaros, árvores e frutos, novos espaços de idioma, pelejas, sínteses e fábulas. Move-se, com passo seguro, do antigo para o novo e do novo para o antigo, com a graciosidade e o assombro das bailadas, entre ‘Folguedos e Noites de Pastoreio’, ‘Barcarolas ou Manhãs Frias’, ‘Mágoas ou Cantos de Alvoroço’ e ‘Cantigas de Romãzeira’. Volta, com Bailias, a colocar a poesia no seu primordial lugar de cântico: «Irei eu em todas as minhas mãos / pégasos e ventanias / o corpo preso por um frio gentil / o corpo a tilintar de sonhos. // Serei eu o que ele for / na cavalgada».

domingo, novembro 14, 2010

Medeia Filmes: esta semana, no Teatro do Campo Alegre


LOLA, de Brillante Mendoza  | 11 a 17 Novembro, todos os dias às 22h* (*excepto 16 Novembro)

ARREPENDIMENTOS, de Cédric Kahn  | 11 a 17 Novembro, todos os dias às 18h30




Terças-feiras Clássicas do Teatro do Campo Alegre

MOONFLEET – O TESOURO DO BARBA RUIVA, de Fritz Lang | 16 Novembro, 22h (bilhetes 3,50 euros)

quarta-feira, novembro 10, 2010

AMANHÃ: Apresentação do livro "A PESTE BUBÓNICA NO PORTO ", de Ricardo Jorge

Lançamento do Livro A Peste Bubónica no Porto, de Ricardo Jorge

Com a presença do Prof. Doutor Virgilílo Borges Pereira (ISFLUP) 

e do Dr. Carlos Pinto (INSA)


Nos Claustros, exposição de desenho e ilustração de Diogo Goes.
 Biblioteca Pública Municipal do Porto, 18:30
RELATORIO DE 28-7-99
A EPIDEMIA
DA FONTE TAURINA
Informado de que em algumas casas da rua da Fonte Taurina se tinham dado mortes inopinadas e consecutivas, procedi, apezar das certidões d’obito indicarem para os casos assignalados doenças normaes, a uma visita e inquerito no local incriminado a 6-7-99, que me fizeram descobrir uma irrupção epidemica de molestia grave e insolita. Dado logo aviso do pernicioso achado á auctoridade e encetadas as medidas sanitarias immediatas, incessantemente me occupei tanto no estudo da forma e natureza do andaço, como na vigilancia e combate da sua propagação. D’esses trabalhos começo de dar conta mais minuciosa n’este primeiro relatorio, por descargo meu e por interesse superior de saude publica. in Peste Bubónica no Porto de 1889, Ricardo Jorge

16.os Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil. 12 e 13 de Novembro 2010.



É já nesta sexta-feira que começam os 16.os Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil.
Consultar o programa aqui.

Soldado aos laços das constelações | dia Herberto Helder

terça-feira, novembro 09, 2010

Capítulos Soltos, uns passos mais à frente



A Livraria Capítulos Soltos vai mudar para a mesma rua.
A partir de Novembro os livros que procura aguardam-no na porta 93 da Rua de Santo André, em Braga. O novo espaço é mais amplo e dispõe de um jardim ao ar livre.
A Capítulos Soltos abre uma nova página do seu percurso para acolher Exposições, Concertos, Workshops, Sessões de Apresentação e outras actividades Culturais.
mais aqui

Estar vivo é imoral? | Gato Vadio


Tarde – quarta a sábado 15h às 19h30    Noite – quarta a domingo 21h30 às 00h
mais aqui 

segunda-feira, novembro 08, 2010

Marque na agenda: 11/12/10 - apresentação de Bailias, de Catarina Nunes de Almeida


Bailias, de Catarina Nunes de Almeida será apresentado dia 11 de Dezembro, no Teatro Casa da Comédia,  em Lisboa, pelas 21.30.
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Catarina Nunes de Almeida lembra e recria, neste seu terceiro livro, as medievais cantigas de amigo e de amor. Imaginário de música e cantos de segréis, trovas de poetas e memoráveis danças de donzelas de corpos finos. Nos ecos dessas seroadas segura a música do seu universo poético, que cerziu a mulher à natureza e dessa ligação fez nascer íntimos catálogos de pássaros, árvores e frutos, novos espaços de idioma, pelejas, sínteses e fábulas. Move-se, com passo seguro, do antigo para o novo e do novo para o antigo, com a graciosidade e o assombro das bailadas, entre ‘Folguedos e Noites de Pastoreio’, ‘Barcarolas ou Manhãs Frias’, ‘Mágoas ou Cantos de Alvoroço’ e ‘Cantigas de Romãzeira’. Volta, com Bailias, a colocar a poesia no seu primordial lugar de cântico: «Irei eu em todas as minhas mãos / pégasos e ventanias / o corpo preso por um frio gentil / o corpo a tilintar de sonhos. // Serei eu o que ele for / na cavalgada». 

Apresentação do livro "A PESTE BUBÓNICA NO PORTO DE 1899", de Ricardo Jorge

Pássaro de Papel | Teatro Ensaio


Este espectáculo é criado à volta da História do Papel e da Escrita, pretendendo despertar o gosto das crianças pelos livros, sensibilizando-as para a leitura e esperando alimentar a sua imaginação e criatividade, através da exploração do papel como material de grande versatilidade plástica.


Espectáculos para todos a partir dos 3 anos.  De 6 a 19 de Dezembro de 2010
Blackbox Cace Cultural do Freixo,
Rua do Freixo 1071, Porto, estacionamento gratuito
Espectáculos para Escolas EB1,2: de segunda à sexta, às 11h e 15h (sujeito a marcação)
Espectáculos para Público em Geral: sábados e domingos às 16 h
Informações e reservas: 918626345
mais aqui

Isabel Sousa

Já tinha estado com a Isabel Sousa há uns tempos e notava que estava doente. Mas a Isabel é daquelas pessoas que nunca acreditamos que se vá embora assim, de supetão, como que ficasse suspensa uma despedida, nem que fosse breve e sempre com uma ocasião marcada para nos revermos. Quando tive a confirmação da sua morte, não quis saber da data, da causa, de mais nada…lembrei-me da sua obra e da sua intervenção nas Derivas de Fevereiro, em 2008, sempre polémica e nada consensual. Gostou muito dos miúdos do Cerco que, nessa ocasião, disseram poemas pela mão da Elisa Alves. Apontou caminhos para a sobrevivência (não se leia subserviência) das bibliotecas já próximas da asfixia. Achava que devíamos mandar o Estado às malvas e tratar da nossa vida com os mais miúdos. Trazê-los às bibliotecas e à leitura de uma forma aberta e sem contemplações ou cedências. Ler custa. Iniciar um processo de leitura é um acto por vezes doloroso e que supõe alguma teimosia. A alegria virá depois. Por isso, disse na altura a Isabel, tinha tudo para desconfiar do Plano Nacional de Leitura que absorveu muitas das energias que a maioria das bibliotecas tentava pôr em prática. Tinha, eventualmente, razão.

sábado, novembro 06, 2010

Bailias, Catarina Nunes de Almeida [a chegar....]




Bailia:
Tipo de cantiga de amigo, de origem provençal, próprio para a dança. A bailia segue, em regra, uma estrutura paralelística, adequada à dramatização da cantiga interpretada por um grupo de donzelas: a protagonista ou cantadeira executa as principais estrofes; as restantes cantoras, formando um coro, entoam o refrão. Em alternativa, cada uma das estrofes da bailia pode ser executada por uma cantadeira diferente. O tema é geralmente jovial e festivo. Distingue-se da balada por incluir o convite à dança e por possuir uma estrutura formal mais regular e autónoma. Dentro do contexto da lírica-galego-portuguesa, Airas Nunes compôs uma das mais célebres bailias: Bailemos nós já todas três, ai amigas. (Carlos Ceia)

QUINTAS DE LEITURA - "DE MINHA MÁQUINA COM TEU CORPO" - 25 DE NOVEMBRO DE 2010

sexta-feira, novembro 05, 2010

A Peste Bubónica no Porto | Ricardo Jorge

 

"Ill.mo e Ex.mo Snr. 
Indo hoje em visita sanitaria á Fonte Taurina, deparou-se me ahi uma epidemia de certa gravidade de que os primeiros casos datam de ha cerca de tres semanas.
A molestia tem-se localizado particularmente nas casas n.º 88, 84 e 70, predios miseraveis e immundissimos. Tem atacadoprincipalmente individuos de procedencia hespanhola; apurei ao todo dez casos, caracterisados por estado febril, pertubações gastro intestinaes, e inguas dolorosas nos sovacos e virilhas. Estão actualmente doentes duas creanças de sete e onze annos e um adulto de trinta e tres annos. Dos outros sete casos, morreram quatro, todos adultos, sendo dois, homem e mulher, que succumbiram com poucos dias de intervallo.  A molestia, quando cura, tem durado uns dez ou onze dias; nos casos fataes, a morte sobreveio aos quatro ou cinco dias, sendo em dois d’elles inopinada. Como hoje para um dos enfermados fosse negada a entrada no hospital de Santo Antonio, por falta de formalidades legaes, especialmente devidas a elle ser da nação hespanhola, acabo de me dirigir ao director clinico do hospital, informando-o do succedido, para que os doentes d’esta especie possam ser internados sem difficuldade e sejam devidamente isolados. Dei ordem tambem para a desinfecção das casas contaminadas, e a este proposito informo a V. Ex.ª que na casa 84 a immundicie está acogulada por baixo do pavimento, sendo conveniente que se intime o proprietario a faze a devida beneficiação. A casa n.º 70 tem ao rez do chão uma casa de comidas. Eis o que se me offerece communicar a V. Ex.ª e dado que V. Ex.ª queira tomar algumas disposições que de mim dependam, estou para todos os effeitos ás ordens de V. Ex.ª - Deus Guarde a V. Ex.ª. Porto e repartição de Saude e Hygiene, 6 de Julho de 1899. -Ill.mo e Ex.mo Snr. Dr. Adriano Accacio de Moraes Carvalho, Dig.mo Commisario Geral de Policia do Porto. - O MedicoMunicipal, (a) Ricardo Jorge."  A Peste Bubónica no Porto, Ricardo Jorge, Deriva.

quinta-feira, novembro 04, 2010

La ciudad líquida y otras texturas, Filipa Leal


O livro La ciudad líquida y otras texturas, da Filipa Leal, já foi editado em Espanha. Fica aqui um poema com salero:


EL PRINCIPIO DEL AMOR

Las personas ordenaban mal.
Ordenaban mal
el principio del amor, de la ciudad.
Hacían filas (e hijos) a la puerta.
Ordenaban quizás
como aquel que conoce el trayecto
para casa.
Sonámbulas, repetidas:
ordenaban, ordenaban.

Algunas enloquecían
con paciencia a la puerta,
antes de entrar.

Entiéndelo: ordenaban
tan sin desorden
en esa espera
que algunas morían
inmediatamente a la puerta
nada más entrar.

Filipa Leal

quarta-feira, novembro 03, 2010

A PESTE BUBÓNICA NO PORTO | Ricardo Jorge



O trabalho que agora se reedita propõe-nos o regresso à vida e à morte no Porto de final do século XIX e às diferentes incidências iniciais da epidemia de peste bubónica que atravessou a cidade nesse período. Escrito por Ricardo Jorge, professor de medicina, médico municipal e promotor da saúde pública na cidade e no país, A Peste Bubónica no Porto é, na realidade, um relato simples, originalmente dirigido às autoridades públicas, mas muito elucidativo, sobre a natureza e a gravidade de um dos muitos problemas de saúde enfrentados pela cidade nesse momento da sua história. No livro em causa o autor defronta a sua própria perplexidade inicial com o teor do problema que começa a descobrir e convida o leitor a acompanhar o seu percurso em torno do reconhecimento, trezentos anos depois, do insólito e sofrido regresso da peste. Documentando, depois de debate com colegas nacionais e estrangeiros, os aspectos clínicos, epidemiológicos, bacteriológicos e estatísticos da doença, o livro destaca-se pelo que poderíamos classificar como uma descrição densa dos casos de doença identificados, dos inicialmente surgidos na Fonte Taurina aos que se vão progressivamente declarando na parte superior da cidade, e pelo que revela do envolvimento vivido do autor com a cidade, num registo de escrita, como já demonstrara noutros dos seus trabalhos dedicados à cidade do Porto, com traços naturalistas.


[do prefácio de Virgílio Borges Pereira]

Nós avisámos: A peste está mesmo a chegar

 
Apresentação do livro A PESTE BUBÓNICA DO PORTO DE 1899, de Ricardo Jorge
Biblioteca Pública Municipal do Porto
(junto ao Jardim de São Lázaro)

11 de Novembro, 18:30

sábado, outubro 30, 2010

Para maiores de 12: Tendências da Literatura Juvenil [16.os Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil]

16º Encontros Luso-Galaicos-Franceses do Livro Infantil e Juvenil

Para maiores de 12: tendências da literatura juvenil.

A 16ª edição16º Encontros Luso-Galaicos-Franceses do Livro Infantil e Juvenil  tem por tema "Para maiores de 12: tendências da literatura juvenil". Reúne investigadores, escritores, ilustradores e todos aqueles que se interessam e promovem o livro para a infância e juventude. Integra conferências e debates, oficinas para adultos e crianças, exposições de ilustração, venda de livros e encontros com escritores e ilustradores. 

Onde e Quando
Na  Biblioteca Municipal Almeida Garrett - Auditório, nos dias 12 e 13 de Novembro.

Programa completo e ficha de inscrição:
  

quinta-feira, outubro 28, 2010

João Pedro Mésseder lê Conto da Travessa das Musas, na 7ª edição das Feiras Francas


Sábado, dia 30 de Outubro,  o Palácio das Artes - Fábrica de Talentos da Fundação da Juventude,  abre as suas portas à 7ª edição das Feiras Francas. De manhã,  o autor João Pedro Mésseder fará a leitura de  Conto da Travessa das Musas.
Das 10h às 22h diversos projectos artísticos e criativos serão apresentados sobre a temática " Keep It Simple". Uma temática baseada numa aproximação a uma vida simples com qualidade, simplesmente criativa. Este mote serviu de inspiração para vários autores e criadores para a exposição, performance e venda dos seus trabalhos. A destacar a partir destas Feiras Francas um espaço na programação dedicado às crianças. 
A capa do Jornal da Feira Franca tem uma ilustração inspirada no Conto da Travessa das Musas, da responsabilidade de Manuela São Simão.


Orçamentos

Ontem, por causa da «ruptura» do orçamento, coisa de que já falo com alguma dificuldade, reparei numa coisa: os economistas, quando estão zangados (entre comadres, entenda-se PS vs PSD), explicam os factos económicos com mais veracidade, com mais genuinidade; isto é, descrevem-nos os problemas tal como devem ser explicados no plano técnico e prático. Sem «crises», parecem infantilóides a explicarem a nós outros infantilóides como deve ser uma orçamento, socorrendo-se de comparações que vão desde o futebol àquilo que eles entendem ser a nossa vida. Com os olhos muito arregalados vão-nos explicando que o orçamento afinal vai ser aprovado. Afinal, já foi aprovado há muito. No problem...e mesmo que exista, por breves momentos, sempre é bom ver a verdade ao virar da esquina.

Conto da Travessa das Musas na 7ª edição das Feiras Francas, no Palácio das Artes



Dia 30 de Outubro,  o Palácio das Artes - Fábrica de Talentos da Fundação da Juventude abre as suas portas à 7ª edição das Feiras Francas.
Das 10h às 22h diversos projectos artísticos e criativos serão apresentados sobre a temática " Keep It Simple". Uma temática baseada numa aproximação a uma vida simples com qualidade, simplesmente criativa.
Este mote serviu de inspiração para vários autores e criadores para a exposição, performance e venda dos seus trabalhos. A destacar a partir destas Feiras Francas um espaço na programação dedicado às crianças. Nesta edição, o autor João Pedro Mésseder fará a leitura de  Conto da Travessa das Musas. Esta edição conta também com a participação da da ilustradora do mesmo, Manuela São Simão.
A capa do Jornal da Feira Franca tem uma ilustração inspirada no Conto da Travessa das Musas.




quarta-feira, outubro 27, 2010

Toda a poesia da Deriva na Poetria (Porto) e na Poesia Incompleta (Lisboa)


A Poetria, no Porto,  e a Poesia Incompleta, em Lisboa, têm disponível toda a coleccção de poesia e de teatro da Deriva Editores.
É lá que pode encontar a Catarina Nunes de Almeida, o Pedro Eiras, o Luis Maffei, a Filipa Leal, a Maria Sofia Magalhães, o João Pedro Mésseder, o Henrique Manuel Bento Fialho, a Marilar Aleixandre, o José Ricardo Nunes...
Dois espaços, um a norte, outro a sul  que resistem e teimosamente marcam a diferença resistindo ao ostracismo que a poesia sofre nos grandes espaços.
Duas livrarias onde a Deriva encontra um porto bem seguro.

Fiama Hasse Pais Brandão lembrada na Casa Fernando Pessoa

Poetas, críticos e académicos homenageiam a 29 e 30 de Outubro Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007), considerada uma das vozes mais representativas da poesia portuguesa da segunda metade do século XX, num colóquio na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.  Ao longo de dois dias, nomes como Eduardo Lourenço, Fernando J.B. Martinho, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz, Manuel Gusmão, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo vão debruçar-se sobre a obra de "um dos autores que levaram mais longe a profunda renovação do discurso poético português, no seguimento das experiências modernista e surrealista".

Das diferentes mesas, destacamos, no dia 29 de Outubro,  pelas 15.15 horas, uma mesa de "Testemunhos", em que participam os poetas Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral e Luís Quintais, com moderação de Filipa Leal. Às 17 horas, é a vez de Maria de Lourdes Ferraz, Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo apresentarem as suas comunicações, intituladas "Uma proposta imodesta: a Poética de Fiama. Breves Apontamentos", "Fiama: a escolha da terra" e ""Ideações da imagem na poesia de Fiama", respectivamente.
A 30 de outubro, com início às 14.30, mais uma sessão de "Testemunhos", com Gastão Cruz, Maria Teresa Horta e Armando Silva Carvalho, e moderação de Filipa Leal.

Paulo Varela Gomes

"DECLARAÇÃO

As medidas que o Estado português se prepara para tomar não servem para nada. Passaremos anos a trabalhar para pagar a dívida, é só. Acresce que a dívida é o menor dos nossos problemas. Portugal, a Grécia, a Irlanda são apenas o elo mais fraco da cadeia, aquele que parte mais depressa. É a Europa inteira que vai entrar em crise.

O capitalismo global localiza parte da sua produção no antigo Terceiro Mundo e este exporta para Europa mercadorias e serviços, criados lá pelos capitalistas de lá ou pelos capitalistas de cá, que são muito mais baratos do que os europeus, porque a mão-de-obra longínqua não custa nada. À medida que países como a China refinarem os seus recursos produtivos, menos viável será este modelo e ainda menos competitiva a Europa. Os capitalistas e os seus lacaios de luxo (os governos) sabem isso muito bem. O seu objectivo principal não é salvar a Europa, mas os seus investimentos e o seu alvo principal são os trabalhadores europeus com os quais querem despender o mínimo possível para poderem ganhar mais na batalha global. É por isso que o “modelo social europeu” está ameaçado, não essencialmente por causa das pirâmides etárias e outras desculpas de mau pagador. Posto isto, tenho a seguinte declaração a fazer:

Sou professor há mais de 30 anos, 15 dos quais na universidade.

Sou dos melhores da minha profissão e um investigador de topo na minha área. Emigraria amanhã, se não fosse velho de mais, ou reformar-me-ia imediatamente, se o Estado não me tivesse já defraudado desse direito duas vezes, rompendo contratos que tinha comigo, bem como com todos os funcionários públicos.

Não tenho muito mais rendimentos para além do meu salário. Depois de contas rigorosamente feitas, percebi que vou ficar desprovido de 25% do meu rendimento mensal e vou provavelmente perder o único luxo que tenho, a casa que construí e onde pensei viver o resto da minha vida.

Nunca fiz férias se não na Europa próxima ou na Índia (quando trabalhava lá), e sempre por
pouco tempo. Há muito que não tenho outros luxos. Por exemplo: há muito que deixei de comprar livros.
Deste modo, declaro:

1) o Estado deixou de poder contar comigo para trabalhar para além dos mínimos indispensáveis. Estou doravante em greve de zelo e em greve a todos os trabalhos extraordinários;
2) estou disponível para ajudar a construir e para integrar as redes e programas de auxílio mútuo que possam surgir no meu concelho;
3) enquanto parte de movimentos organizados colectivamente, estou pronto para deixar de pagar as dívidas à banca, fazer não um, mas vários dias de greve (desde que acompanhados pela ocupação das instalações de trabalho), ajudar a bloquear estradas, pontes, linhas de caminho-de-ferro, refinarias, cercar os edifícios representativos do Estado e as residências pessoais dos governantes, e resistir pacificamente (mas resistir) à violência do Estado.
Gostaria de ver dezenas de milhares de compatriotas meus a fazer declarações semelhantes".